segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Alunas e professores que não esquecem

A semana passada visitou-nos uma ex-aluna. Vinha ver se tínhamos ainda emblemas do Colégio para ela pôr na sua capa de Formatura. É médica, estudou na República Checa e agora trabalha no Cadaval, mas por pouco tempo pois está a preparar o exame de acesso.
Como gostei de estar com a Viviana! São momentos de carinho e recordação. Recebemos sempre com muita alegria as antigas alunas e temos imenso prazer em saber como estão e o que fazem.
Mas, em termos de visitas , não ficámos por aqui. Outra aluna nos visitou - a Antónia - e mais conversa sobre o "ontem" e o "agora"; mais um monte de recordações e evocações; mais uma palavra amiga, lembrando conselhos e recomendações de ontem que se tornaram vida.
Nestas alturas há sempre uma lágrima que surge, numa comoção sentida ao lembrar outros tempos e outros modos. Lá recordámos a srª D. Bela Castro, as suas brilhantes aulas de Português, as representações no Colégio, as peças sempre um sucesso. Enfim! um mundo de acontecimentos que encheram os dias das alunas do nosso Colégio.
Mas lembrámos também outras professoras que marcaram o corpo docente bem como as alunas de há mais de dez anos

E lá veio a Miss Sabbo, antiga aluna também, com o seu Inglês fluente, o seu jeito de trocista com graça, as suas sábias justificações para as lendas e histórias do Colégio no seu tempo.
Com ela, muitas viagens fizemos, muitas actividades foram planeadas, muitas festas realizadas... Mas se metia danças, era a Natália quem "metia as mãos na massa". E recordámos mil ensaios de festas, a preparação da visita da Mrs Reagen ou do Primeiro Ministro, a ida a Fátima para os 150 anos da Madre Fundadora ou a apresentação dos "marinheiros"( que já tinham sido Pierrots noutras andanças), a participação na exposição dos Cinco séculos de Evangelização ou na Expo 98.
E, não podíamos esquecer a srª D. Cristina Soldin Fallé e Costa, o seu alemão sem parcerias, os seus planos para as semanas multiculturais, as festas do Colégio ou o arraial do fim do ano.
E lembrámos quando ela estava no ciclo e eu era professora de Ciências, ainda principiante. Interessante recordar uma aluna que depois foi professora no meu tempo de directora do Colégio!... E há mais alunas que hoje são professoras aqui.
E nesta galeria de recordações, não podíamos ter esquecido a srª D. Maria Lúcia Nobre, que era a professora de História mais antiga do Colégio.
Foi assim a vida passada, o "ontem" do nosso Colégio, que recordamos com emoção.
                                           Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

domingo, 29 de setembro de 2013

Contos que são interrogações

Li este conto que me deixou uma grande inquietação, perguntando-me como seria comigo e com tanta gente que conheço:

Um dia um camponês apresentou-se à porta do convento e ofereceu ao Irmão porteiro um cacho de uvas, como agradecimento pela caridade com que ele sempre o tinha tratado.
O frade porteiro passou a manhã a olhar para o magnífico cacho. De repente, teve uma ideia: foi levá-lo ao abade para lhe dar um pouco de alegria.
Este agradeceu mas lembrou-se que no convento havia um frade idoso e doente que certamente apreciaria tão belo cacho de uvas. E levou-lho.
Mas o frade doente pensou que ele seria mais proveitoso nas mãos do Irmão cozinheiro que tanto se sacrificava por eles e ofereceu-lhe as uvas.
E o frade cozinheiro pensou e achou que o Irmão sacristão precisava mais das uvas e foi dar-lhas. Este, levou-as ao frade mais novo do convento ,que mais precisava de apoio. E assim, de mão em mão, as uvas foram novamente parar ao Irmão porteiro.

Lembrei-me, ao mesmo tempo, nesta sequência de dar e receber, do Evangelho de S. Mateus :" Quem der um copo de água a um destes pequeninos..." 
E, comentei comigo mesmo se haveria mais alegria em dar ou em receber. Geralmente, defendemos a teoria do dar, mas... não é dando que se recebe? E Deus não é um dom permanente e gratuito? Mas, claro que espera a nossa disponibilidade para a oferta. O convite ao jovem rico não era uma promessa de dom em troca da disponibilidade e do despojamento?
Esta história não é tão simples como parece e levanta demasiadas questões.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A investigação - certezas e dúvidas


A investigação é um campo imenso de possibilidades e interesses. Qualquer cientista que enverede por essa área tem à sua frente um caminho que conduz, com entusiasmo, embora com persistência, a grandes e pequenas descobertas.
Tive ocasião de constatar isso, ao vivo, quando frequentei cursos de aperfeiçoamento no Instituto Gulbenkian de Ciência. Estive lado a lado com grandes nomes da Ciência, cujo fito era a descoberta e que a cada pequeno avanço celebravam com alegria. Também alunas que trabalham em investigação, em Portugal e no estrangeiro, manifestam o mesmo interesse e falam com o mesmo entusiasmo.
Mas às vezes deparamo-nos com notícias sobre descobertas, denominadas científicas, que nos deixam um pouco confusos e interrogativos.
É que há realmente estudos extraordinários que nos levam a perguntar se as conclusões são mesmo credíveis ou se são extrapolações mais ou menos resultantes de dados teóricos não confirmados.
Um artigo da revista Science, deixou-me, precisamente com esse mundo de interrogações.
Afirmava o autor do artigo que era possível verificar, em bebés, dos 6 aos 10 meses, as suas capacidades de julgar os outros e de preferir as pessoas boas, distinguindo-as, cognitivamente, das más.
E esta conclusão era resultado de trabalhos realizados no Departamento de Psicologia da Universidade de Yola. em Connecticut.
Todos nós sabemos que qualquer bebé prefere uma pessoa carinhosa e que o trate com meiguice. Mas não é isso que o artigo defende mas sim a capacidade do bebé distinguir as pessoas que tratam bem o próximo daquelas que o tratam mal ou com indiferença. Mesmo antes de falar, a sensibilidade e a afectividade dão à criança esta capacidade de apreciação.
Aqui, as dúvidas, quanto às provas...
Mas, ao mesmo tempo, podemos pensar se Deus não nos terá dado, desde sempre, possibilidades que ainda desconhecemos e que são dons.
Não precisaríamos, então, de estar mais atentos aos nossos sentimentos e reacções? Não necessitaríamos de olhar melhor os imensos dons que recebemos e procurar pô-los a render para melhor correspondermos às graças recebidas?
O mundo da investigação é uma oportunidade que Deus dá ao Homem de conhecer e fazer render os seus talentos. Não percamos a ocasião de investigar o que há em nós para fazer render...
                             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


domingo, 22 de setembro de 2013

Professoras ausentes que estão presentes


A semana passada fez anos uma das nossas ex-professoras de Português que sempre é lembrada, entre o corpo docente e não só - a Maria da Conceição Barraca.
Telefonei-lhe a dar os parabéns e falámos, recordando, coisas de outros tempos. Dito assim, até parecem coisas de outras épocas, mas não foram! Fazem parte dum passado bem recente e foram passos da vida que foi nossa, dos nossos professores, dos nossos alunos.
Ao pensar em tudo isto e lembrando esta professora e a sua estadia entre nós,recordei outras excelentes professoras de Português,ainda vivas e em actividade:A Maria de Lurdes Gonçalves ( a Lurdinhas, como lhe chamavam algumas colegas) e a Luisa Supico. Eram todas professoras do Ensino Secundário e foram chegando e saindo conforme as turmas cresciam ou iam decrescendo. Deixavam sempre saudades...
Eram professoras do ensino oficial e estavam portanto no Colégio em regime de acumulação. Mas, não se distinguiam da professora efectiva- Cristina Ovídeo, igualmente amorosa e competente.
Pudémos sempre contar com elas, com a sua dedicação, o seu profissionalismo, o seu entusiasmo. E deixaram um lugar no nosso coração  e, certamente, no das alunas que leccionaram.
Ao escrever isto, lembro uma outra professora de Português - eu hoje dediquei o dia à língua materna...- a Teresa Azinheira, que logo ao ser contratada declarou que não era católica. Mas... quem diria? Ninguém como ela cumpria as exigências de vida cristã impostas no Colégio.
São assim os autênticos profissionais!...
" Recordar é viver " disse alguém  e nunca senti tão verdadeira esta afirmação. É que, recordando estas pessoas, amigas como todos os professores do Colégio, estou a viver outros tempos e outras situações. Estou a viver festas, lanches, almoços, passeios... Estou a viver discussões e partilhas... Estou a reviver pedaços duma vida feita de alegrias e dificuldades, de colaboração e de apoio.
São histórias da história da maior parte da vida destes 70 anos do nosso Colégio. São recordações do tempo que tornaram grande o Colégio e inesquecíveis os que cá trabalharam.
Um grande obrigada a todos os professores que por aqui passaram e que recordo com carinho e saudade.
              ir.Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Conhecer indica crescimento


A comunicação social, de vez em quando, vai-nos lembrando nomes, mais ou menos conhecidos, do mundo dos homens, quer no campo das ciências, das letras ou das artes.
Ontem, recordou-nos os Beatles  e  a apresentação  da célebre música Yesterday,  que  ninguém, novo ou menos novo, pode ignorar. É um ex-libris da música, que conta uma história que também pode ser nossa. E o seu autor não é esquecido e todos recordamos a sua vida e o seu fim trágico. É mais uma história da História...
Mas ante-ontem a evocação foi outra. Esta, do mundo da ciência - Jean Bernard Léon Foucault e o seu pêndulo com o qual ele quis demonstrar o efeito de rotação da Terra. Era um físico e astrónomo da segunda década do século XIX ( nasceu a 18 de Setembro de 1819). É talvez desconhecido para muita gente que, no seu dia-a-dia, não lida com o mundo da Ciência. Por isso, talvez, o Google fez questão de o lembrar, recordando que ele conseguiu demonstrar uma verdade que já era credível  - que a terra se movia em torno do seu eixo - . Mas, uma coisa é ter-se uma ideia, a noção duma realidade; outra, é poder provar-se aquilo em que se acredita.
Aliás esta convicção de que a terra girava foi dada por Galileu que, por isso, foi executado. Mas, dois séculos mais tarde, Foucault veio provar esta realidade com o seu pêndulo, que até hoje, se encontra no Panteão de Paris, onde foi colocado quando da sua construção..
Mas esta invenção de Foucault não foi o único trabalho deste cientista, embora possa ser o mais conhecido e determinante. Realizou também estudos sobre a velocidade da luz e fez as primeiras medições desta velocidade. O interesse deste cientista pelo estudo e a descoberta vem-lhe desde criança, quando ele já se ocupava a construir máquinas e brinquedos sofisticados.
Não conseguiu ser médico, sua primeira opção, porque o sangue o horrorizava, mas não desistiu do Saber e de o pôr ao serviço da Humanidade.
Aprendamos dele a não desistir e a pôr ao serviço dos outros as nossas capacidades.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Comprar sem dinheiro

"Quem tem sede vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde e comprai , sem dinheiro, vinho e leite"
Este convite feito por Isaías, numa das Leituras breves do Ofício, remete-nos para a disponibilidade, a pobreza, a confiança. Diz-nos que basta estar de coração aberto e alma liberta; que o importante é saber ler os apelos e ter a certeza da actuação da Divina Providência.
O essencial é ter sede de Deus, de O ouvir, de acolher o seu apelo; o indispensável é ter fome da Sua palavra, do Seu corpo e sangue que é a Eucaristia.
Estes versículos não nos dizem que quem não tem dinheiro tem que trabalhar para o conseguir; não sugere que façamos jejum porque não temos dinheiro. Tudo isso pertence a uma outra realidade que fica aquém da mensagem que a Bíblia nos quer transmitir. Ela fala-nos dum Pai que nos olha com amor, que nos atende, que mata a nossa sede, que alimenta a nossa fome. E não pede nada em troca... apenas a nossa Fé, a nossa confiança, a nossa disponibilidade, o nosso desejo de ir ao Seu encontro.
Vós... Vinde e comprai sem dinheiro...
Gosto de ler estes versículos e pensar que Deus me aguarda junto à "nascente das águas", o coração donde brota toda a graça que alimenta o nosso Amor.
Aprecio pensar que se estiver desprendida, pobre, (no verdadeiro sentido da palavra), livre de todas as amarras que nos prendem e nos sufocam, não preciso de mais nada porque Deus providencia, Deus dá-nos o essencial, Deus dá-se-nos.
E se acreditamos que em Deus temos tudo , que mais precisamos para ser felizes? Não há contrariedades, nem dificuldades, nem dores, que perturbem o nosso coração.
 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.