sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Conhecer indica crescimento


A comunicação social, de vez em quando, vai-nos lembrando nomes, mais ou menos conhecidos, do mundo dos homens, quer no campo das ciências, das letras ou das artes.
Ontem, recordou-nos os Beatles  e  a apresentação  da célebre música Yesterday,  que  ninguém, novo ou menos novo, pode ignorar. É um ex-libris da música, que conta uma história que também pode ser nossa. E o seu autor não é esquecido e todos recordamos a sua vida e o seu fim trágico. É mais uma história da História...
Mas ante-ontem a evocação foi outra. Esta, do mundo da ciência - Jean Bernard Léon Foucault e o seu pêndulo com o qual ele quis demonstrar o efeito de rotação da Terra. Era um físico e astrónomo da segunda década do século XIX ( nasceu a 18 de Setembro de 1819). É talvez desconhecido para muita gente que, no seu dia-a-dia, não lida com o mundo da Ciência. Por isso, talvez, o Google fez questão de o lembrar, recordando que ele conseguiu demonstrar uma verdade que já era credível  - que a terra se movia em torno do seu eixo - . Mas, uma coisa é ter-se uma ideia, a noção duma realidade; outra, é poder provar-se aquilo em que se acredita.
Aliás esta convicção de que a terra girava foi dada por Galileu que, por isso, foi executado. Mas, dois séculos mais tarde, Foucault veio provar esta realidade com o seu pêndulo, que até hoje, se encontra no Panteão de Paris, onde foi colocado quando da sua construção..
Mas esta invenção de Foucault não foi o único trabalho deste cientista, embora possa ser o mais conhecido e determinante. Realizou também estudos sobre a velocidade da luz e fez as primeiras medições desta velocidade. O interesse deste cientista pelo estudo e a descoberta vem-lhe desde criança, quando ele já se ocupava a construir máquinas e brinquedos sofisticados.
Não conseguiu ser médico, sua primeira opção, porque o sangue o horrorizava, mas não desistiu do Saber e de o pôr ao serviço da Humanidade.
Aprendamos dele a não desistir e a pôr ao serviço dos outros as nossas capacidades.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Comprar sem dinheiro

"Quem tem sede vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde e comprai , sem dinheiro, vinho e leite"
Este convite feito por Isaías, numa das Leituras breves do Ofício, remete-nos para a disponibilidade, a pobreza, a confiança. Diz-nos que basta estar de coração aberto e alma liberta; que o importante é saber ler os apelos e ter a certeza da actuação da Divina Providência.
O essencial é ter sede de Deus, de O ouvir, de acolher o seu apelo; o indispensável é ter fome da Sua palavra, do Seu corpo e sangue que é a Eucaristia.
Estes versículos não nos dizem que quem não tem dinheiro tem que trabalhar para o conseguir; não sugere que façamos jejum porque não temos dinheiro. Tudo isso pertence a uma outra realidade que fica aquém da mensagem que a Bíblia nos quer transmitir. Ela fala-nos dum Pai que nos olha com amor, que nos atende, que mata a nossa sede, que alimenta a nossa fome. E não pede nada em troca... apenas a nossa Fé, a nossa confiança, a nossa disponibilidade, o nosso desejo de ir ao Seu encontro.
Vós... Vinde e comprai sem dinheiro...
Gosto de ler estes versículos e pensar que Deus me aguarda junto à "nascente das águas", o coração donde brota toda a graça que alimenta o nosso Amor.
Aprecio pensar que se estiver desprendida, pobre, (no verdadeiro sentido da palavra), livre de todas as amarras que nos prendem e nos sufocam, não preciso de mais nada porque Deus providencia, Deus dá-nos o essencial, Deus dá-se-nos.
E se acreditamos que em Deus temos tudo , que mais precisamos para ser felizes? Não há contrariedades, nem dificuldades, nem dores, que perturbem o nosso coração.
 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Heróis de PortugaL

No passado fim de semana, houve uma gala de homenagem aos homens e mulheres do nosso país que dão a sua vida em defesa de populações, animais, florestas, os Bombeiros.

Homenagem bem merecida a esses soldados da paz que tão pouco são reconhecidos e tantas vezes mal compreendidos. Mas a RTP transmitiu, senão na íntegra, uma grande parte dessa homenagem. Parabéns RTP!
É que ser bombeiro é também uma vocação, uma resposta a um apelo para dar a vida em defesa da Vida.
A homenagem que lhes foi prestada, uma homenagem sincera e merecida, que fez mesmo correr algumas lágrimas e mereceu palavras entusiastas de louvor,levou-nos a pensar mais nestes soldados da paz. Muitas vezes passam ao nosso lado sem quase nos apercebermos disso.
Aqui ao lado do Ramalhão há um quartel de bombeiros - os de S. Pedro. Dezenas de vezes tocam as sirenes; dezenas de vezes ouvimos passar carros a apitar... Será que nos lembramos sempre de elevar os nossos corações até Deus, a pedir por esses jovens que, sabemos, foram chamados para acudir a qualquer uma situação de perigo? Lembramo-nos de rezar por todos e cada um desses homens e mulheres que defendem as nossas vidas e os nossos bens?
Esta gala foi preparada por dezenas de particulares, de artistas, de empresas, que gratuitamente ofereceram o seu contributo de coração para que a acção dos bombeiros fosse mais reconhecida, prestigiada e apoiada. "Eles fazem parte das nossas vidas", disse alguém durante a gala. Estão sempre atentos e disponíveis para nos protegerem.
Saibamos tê-los presentes, não só neste momento, não só numa altura especial mas em cada dia e sempre.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.


domingo, 15 de setembro de 2013

O que é a alegria?


Tenho estado a ler uns excertos da vida de S. Domingos. Hoje, calhou-me o relato da transladação do corpo de Domingos para o seu túmulo definitivo em Bolonha.
O autor conta como os Irmãos estavam com algum receio e como ficaram deslumbrados com o odor suave e agradável que se  exalava do corpo de Domingos e que se espalhou pelo espaço circundante.
Constatando o facto, o autor do texto relaciona o perfume suave, difundido no ambiente, com a alegria que Domingos espalhava em seu redor e emanava da sua vida..
É essa alegria que todo o Dominicano deve transmitir e dela dar testemunho junto dos homens que contam com eles.
Alegria na Fé e na Confiança; alegria apesar das dificuldades e contratempos; alegria na dor e na inquietação.
Na vida, há sempre um lado positivo, mesmo nos momentos mais difíceis e inquietantes. Simplesmente, é mais fácil não lutar por encontrá-lo, e deixarmo-nos acabrunhar, lamentando-nos que tudo corre mal. É a atitude dos pessimistas, dos que precisam ouvir as palavras de Jesus aos apóstolos: " Homens de pouca Fé, porque duvidais?"
É mais simples, mas não nos dá mais felicidade. A alegria vem precisamente de encontrarmos o que há de bom naquilo que a vida nos apresenta a cada momento.
Às vezes, são situações de felicidade, das quais não podemos duvidar. Noutras alturas, confrontamo-nos com decisões difíceis de tomar,com atitudes dolorosas, com dificuldades de aceitação.
É o momento de parar para encontrar o "outro lado" da situação. O que quer Deus de nós? Que conclusão devemos tirar destas circunstâncias? Que nos trazem elas de positivo? Talvez não tenhamos respostas imediatas, mas encontramos a paz na certeza do Amor de Deus. E então, podemos sorrir.
                     Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

sábado, 14 de setembro de 2013

Dominicanos e pobreza

Já mais duma vez me perguntaram qual a diferença entre a Ordem Dominicana e a Franciscana , uma vez que ambas são,às vezes, denominadas como "Mendicantes".

Hoje, por acaso, ao ler um texto de Alain Quilici,o.p., encontrei uma resposta que talvez satisfizesse alguns curiosos. "Francisco de Assis fundou uma "ordem" de pobres cuja vocação é pregar, pobremente, Cristo pobre; Domingos uma "ordem" de pregadores para imitar Cristo pregador do Evangelho".
Mas, esta não é a única especificidade dos Dominicanos. Eles também pertencem a uma Ordem eminentemente democrática:" O que vai ser vivido por todos por todos deve ser decidido".
Mas, falando da vida de pregação dos filhos de S. Domingos, percebemos que ela tem que conciliar dois aspectos indissolúveis: a vida comum e o anúncio da Palavra.
E, nesta vida em comum, vemos ressaltar a pobreza, " a mendicidade" da Ordem, que consiste em cada um não ter bens próprios mas viverem todos comunitariamente com o que a Providência se digne conceder-lhes.
Por outro lado, o anúncio do Evangelho, era uma ocupação exclusiva que S. Domingos queria para os seus Irmãos. E, porque para a pregação é indispensável conhecer e rezar, os frades dominicanos deviam ter o estudo e a oração como sustentáculo da pregação. Deviam, no início da Ordem, por impositivo de S. Domingos, mas devem tê-los hoje e sempre.
Os Dominicanos são, por excelência, transmissores da palavra, pregadores do Evangelho, a Boa Nova de Jesus Cristo.. A Bula de Confirmação da Ordem atesta esta realidade designando os Irmãos como Frades Pregadores.
Estejamos conscientes disto e peçamos ao Pai que os ilumine  e continue a alimentar com as Suas Graças  esta "Ordem" que foi uma vocação especial de S. Domingos que o levou a iniciar um conceito novo de vida religiosa.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.
  

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Porque Sim...

Ouvi hoje um programa de rádio que me chamou a atenção pois era uma razão simplificada das nossas razões de agradecimento, de alegria, de felicitações.

Podemos não ter grandes motivos, mas fazemos algo, simplesmente porque Sim!
Porque sim, darmos os parabens a um amigo...
Porque sim, felicitarmos uma pessoa pelas suas iniciativas...
Porque sim, ajudarmos alguém que precisa de nós...
Porque sim, chorarmos com um irmão que chora...
Porque sim, agradecermos a Deus as graças e favores que nos concede...
Porquê fazer isto ou dizer aquilo? Por uma razão sem razão; simplesmente porque sim.
Andamos tantas vezes à procura de justificação, de razão de ser para atitudes e acções... E afinal, é tudo demasiado simples, demasiado límpido e claro.

Se vivermos assim, simplesmente, aceitando e agradecendo o bem que nos é dado, recusando aquilo que consideramos menos bem; se olharmos a Vida com entusiasmo e alegria, tendo presente Deus em cada um dos momentos que nos enchem de prazer ou nas situações de dúvida e inquietação; se acreditarmos que "nada acontece por acaso" e que o Pai está lá, mesmo quando sofremos , então, sim, tudo é simples, tudo é Verdade.
E quando nos perguntarmos razões e quisermos explicações, encontramos apenas uma resposta:
Simplesmente porque Sim!
                                  Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.