segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Heróis de PortugaL

No passado fim de semana, houve uma gala de homenagem aos homens e mulheres do nosso país que dão a sua vida em defesa de populações, animais, florestas, os Bombeiros.

Homenagem bem merecida a esses soldados da paz que tão pouco são reconhecidos e tantas vezes mal compreendidos. Mas a RTP transmitiu, senão na íntegra, uma grande parte dessa homenagem. Parabéns RTP!
É que ser bombeiro é também uma vocação, uma resposta a um apelo para dar a vida em defesa da Vida.
A homenagem que lhes foi prestada, uma homenagem sincera e merecida, que fez mesmo correr algumas lágrimas e mereceu palavras entusiastas de louvor,levou-nos a pensar mais nestes soldados da paz. Muitas vezes passam ao nosso lado sem quase nos apercebermos disso.
Aqui ao lado do Ramalhão há um quartel de bombeiros - os de S. Pedro. Dezenas de vezes tocam as sirenes; dezenas de vezes ouvimos passar carros a apitar... Será que nos lembramos sempre de elevar os nossos corações até Deus, a pedir por esses jovens que, sabemos, foram chamados para acudir a qualquer uma situação de perigo? Lembramo-nos de rezar por todos e cada um desses homens e mulheres que defendem as nossas vidas e os nossos bens?
Esta gala foi preparada por dezenas de particulares, de artistas, de empresas, que gratuitamente ofereceram o seu contributo de coração para que a acção dos bombeiros fosse mais reconhecida, prestigiada e apoiada. "Eles fazem parte das nossas vidas", disse alguém durante a gala. Estão sempre atentos e disponíveis para nos protegerem.
Saibamos tê-los presentes, não só neste momento, não só numa altura especial mas em cada dia e sempre.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.


domingo, 15 de setembro de 2013

O que é a alegria?


Tenho estado a ler uns excertos da vida de S. Domingos. Hoje, calhou-me o relato da transladação do corpo de Domingos para o seu túmulo definitivo em Bolonha.
O autor conta como os Irmãos estavam com algum receio e como ficaram deslumbrados com o odor suave e agradável que se  exalava do corpo de Domingos e que se espalhou pelo espaço circundante.
Constatando o facto, o autor do texto relaciona o perfume suave, difundido no ambiente, com a alegria que Domingos espalhava em seu redor e emanava da sua vida..
É essa alegria que todo o Dominicano deve transmitir e dela dar testemunho junto dos homens que contam com eles.
Alegria na Fé e na Confiança; alegria apesar das dificuldades e contratempos; alegria na dor e na inquietação.
Na vida, há sempre um lado positivo, mesmo nos momentos mais difíceis e inquietantes. Simplesmente, é mais fácil não lutar por encontrá-lo, e deixarmo-nos acabrunhar, lamentando-nos que tudo corre mal. É a atitude dos pessimistas, dos que precisam ouvir as palavras de Jesus aos apóstolos: " Homens de pouca Fé, porque duvidais?"
É mais simples, mas não nos dá mais felicidade. A alegria vem precisamente de encontrarmos o que há de bom naquilo que a vida nos apresenta a cada momento.
Às vezes, são situações de felicidade, das quais não podemos duvidar. Noutras alturas, confrontamo-nos com decisões difíceis de tomar,com atitudes dolorosas, com dificuldades de aceitação.
É o momento de parar para encontrar o "outro lado" da situação. O que quer Deus de nós? Que conclusão devemos tirar destas circunstâncias? Que nos trazem elas de positivo? Talvez não tenhamos respostas imediatas, mas encontramos a paz na certeza do Amor de Deus. E então, podemos sorrir.
                     Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

sábado, 14 de setembro de 2013

Dominicanos e pobreza

Já mais duma vez me perguntaram qual a diferença entre a Ordem Dominicana e a Franciscana , uma vez que ambas são,às vezes, denominadas como "Mendicantes".

Hoje, por acaso, ao ler um texto de Alain Quilici,o.p., encontrei uma resposta que talvez satisfizesse alguns curiosos. "Francisco de Assis fundou uma "ordem" de pobres cuja vocação é pregar, pobremente, Cristo pobre; Domingos uma "ordem" de pregadores para imitar Cristo pregador do Evangelho".
Mas, esta não é a única especificidade dos Dominicanos. Eles também pertencem a uma Ordem eminentemente democrática:" O que vai ser vivido por todos por todos deve ser decidido".
Mas, falando da vida de pregação dos filhos de S. Domingos, percebemos que ela tem que conciliar dois aspectos indissolúveis: a vida comum e o anúncio da Palavra.
E, nesta vida em comum, vemos ressaltar a pobreza, " a mendicidade" da Ordem, que consiste em cada um não ter bens próprios mas viverem todos comunitariamente com o que a Providência se digne conceder-lhes.
Por outro lado, o anúncio do Evangelho, era uma ocupação exclusiva que S. Domingos queria para os seus Irmãos. E, porque para a pregação é indispensável conhecer e rezar, os frades dominicanos deviam ter o estudo e a oração como sustentáculo da pregação. Deviam, no início da Ordem, por impositivo de S. Domingos, mas devem tê-los hoje e sempre.
Os Dominicanos são, por excelência, transmissores da palavra, pregadores do Evangelho, a Boa Nova de Jesus Cristo.. A Bula de Confirmação da Ordem atesta esta realidade designando os Irmãos como Frades Pregadores.
Estejamos conscientes disto e peçamos ao Pai que os ilumine  e continue a alimentar com as Suas Graças  esta "Ordem" que foi uma vocação especial de S. Domingos que o levou a iniciar um conceito novo de vida religiosa.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.
  

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Porque Sim...

Ouvi hoje um programa de rádio que me chamou a atenção pois era uma razão simplificada das nossas razões de agradecimento, de alegria, de felicitações.

Podemos não ter grandes motivos, mas fazemos algo, simplesmente porque Sim!
Porque sim, darmos os parabens a um amigo...
Porque sim, felicitarmos uma pessoa pelas suas iniciativas...
Porque sim, ajudarmos alguém que precisa de nós...
Porque sim, chorarmos com um irmão que chora...
Porque sim, agradecermos a Deus as graças e favores que nos concede...
Porquê fazer isto ou dizer aquilo? Por uma razão sem razão; simplesmente porque sim.
Andamos tantas vezes à procura de justificação, de razão de ser para atitudes e acções... E afinal, é tudo demasiado simples, demasiado límpido e claro.

Se vivermos assim, simplesmente, aceitando e agradecendo o bem que nos é dado, recusando aquilo que consideramos menos bem; se olharmos a Vida com entusiasmo e alegria, tendo presente Deus em cada um dos momentos que nos enchem de prazer ou nas situações de dúvida e inquietação; se acreditarmos que "nada acontece por acaso" e que o Pai está lá, mesmo quando sofremos , então, sim, tudo é simples, tudo é Verdade.
E quando nos perguntarmos razões e quisermos explicações, encontramos apenas uma resposta:
Simplesmente porque Sim!
                                  Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Aventuras de estudantes e não só

Quando esbarramos com questões relacionadas com conhecimento, mesmo sem querer somos levados a recordar o tempo de estudante, a nossa vida de faculdade, os momentos bons e menos bons que por lá passámos. As alegrias e as contrariedades.

E eu, mesmo sem querer, lembro as salas velhinhas da mais velhinha Faculdade de Ciências, na R. da Escola Politécnica. Sim, que eu fui aluna em tempos anteriores  ao fogo, quando no último andar havia um museu que possuía espécie únicas; quando as aulas de Química eram dadas no anfiteatro do rez-do-chão; quando o Jardim Botânico era o grande campo de observação para as práticas de Botânica;quando a subida para as aulas de Anatomia era feita em corrida acelerada...
E recordo o Prof. Tavares, pontualíssimo, que do início ao fim do tempo da aula falava e apresentava slides, sem interrupção. O pior, eram as orais de Sistemática, obrigatórias, e em que só passava quem  tivesse  identificado, correctamente, as   três  folhas  com  plantas secas que nos eram apresentadas. Quantas horas passadas no Laboratório a reter formas e memorizar nomes!...
E o professor de Física, que sempre se atrapalhava nas demonstrações e puxava dos apontamentos que tinha na algibeira, à voz dum aluno atrevido :"Olha para a cábula!..."?
E o prof. Serra cuja exposição da matéria de Anatomia era sempre feita por detrás duma máquina de projecções, nunca utilizada, mas óptima para impedir a audição? É por isso que havia lutas para conseguir lugar na primeira fila e equipas com a missão de escrever o princípio, o meio ou o fim da frase. Depois se compunha o enredo, nem sempre muito exacto.E os exames... 10 perguntas que habitualmente contemplavam as notas em rodapé, na sebenta  Sim, que era uma das cadeiras em que havia um sebenta que tinha mais de 20 anos.Que delícia !...
E a Mineralogia, com exame escrito, prático e oral? Era um terror...
Foram tempos difíceis, em que só os melhores chegavam ao fim nos quatro anos. Mas, os que se interessavam, iam às aulas, arranjavam os apontamentos, passavam horas na biblioteca e estudavam, eram recompensados.
Como agora!... E como sempre!...
E havia tempo para outras coisas: para a JUCF, para a Conferência de S. Vicente de Paula, para as tertúlias na Associação, para as conversas sem fim, no "General", a pastelaria defronte da faculdade...
                              Ir. Maria Teresa de Carvalho,O.P.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Preferências

É do "conhecimento público", pelo menos do meu, que de todos os ramos da Biologia aquele de que eu mais gosto e mais me entusiasma é a Genética. Pelas questões que põe, pelas dúvidas que levanta, pelas respostas que vai tentando dar...
Mas, perante uma notícia tão sensacional como a que ouvi nestes dias, não podia ficar indiferente. E foi, nem mais nem menos, do que a notícia do aparecimento dum fóssil de Dinossauro carnívoro, quase completamente conservado, nas arribas da praia de Porto Dinheiro, no concelho da Lourinhã.
Quem ficaria encantado, se fosse vivo, era o meu professor de Paleontologia - o Prof. Carlos Teixeira. Esse sim, tinha uma autêntica paixão por tudo o que fosse fóssil, os testemunhos dum passado mais ou menos longínquo da vida na Terra.
Mas este fóssil de Dinossauro é tanto mais extraordinário quanto é um animal cuja a idade remonta ao Jurássico superior, de há mais ou menos 150 milhões de anos, e os fósseis nesta região são habitualmente já do Cretácico. Do Jurássico só, até agora, vestígios e pouco mais.
Ora este fóssil, dum animal de mais ou menos metro e meio, apresenta-se muito bem conservado e isto põe questões às quais os cientistas estão a tentar responder, com estudos minuciosos no terreno e em laboratório. É que, para termos estes fósseis, foi necessário que os animais tivessem tido, nestas regiões, boas condições para nela viverem e morrerem. Depois, tiveram que ser ràpidamente cobertos com areias ou arenitos poderem fossilizar sem se deteriorarem, ao abrigo do ar.
E agora, teve que haver um trabalho cuidado de escavações paleontológicas para pôr a descoberto os estratos em que o fóssil estava "encaixado".
Ora tudo isto tem que ser motivo de estudo e análise cuidadosa para depois se chegar a conclusões que permitam saber mais àcerca da história da Terra e da Vida.
Quantas vezes as "pedras" com que tropeçamos no caminho não são pedaços dessa história e da nossa história pessoal?!...
A ciência ajuda o conhecimento e a Fé a compreensão.
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 8 de setembro de 2013

Natividade de Nossa Senhora

Faz hoje anos - exactamente 54 - que fiz a minha Primeira Profissão que, em boa verdade, foi já a definitiva porque não houve retorno.

Vivi a Missa deste dia,  que  hoje foi na minha paróquia, como se fosse a  da   própria festa. Recordei a capela do Ramalhão,( o nosso Colégio e o "ninho" da grande maioria de nós), o celebrante, as Irmãs, as famílias, os amigos.
Os  textos da Missa, hoje, não foram os mesmos,  porque  é  domingo   e  a liturgia obriga a seguir o ritual. Mas, engraçado!... Falavam de seguir Cristo, de cruz, de despojamento e de amizade. Coincidência?!...
Ainda houve uma lágrima solitária e discreta. Não sei se de alegria, se de saudade, se de estar ali sòzinha, lembrando outros dias e outras situações.
Também houve um momento especial de oração por todos os que trago no coração e de agradecimento pelas graças recebidas.
Foram 54 anos de caminhada nem sempre fácil. "Deus escreve direito por linhas tortas" diz o povo. Não sei! Acho que os caminhos d´Ele são sempre direitos; nós é que às vezes os fazemos tortos. Ou melhor, essas encruzilhadas e desvios, que por vezes nos surpreendem, são, simplesmente, chamadas de atenção para que entendamos o que é melhor para nós.
Afinal, um dia, fizemos uma opção, decidimo-nos pela "melhor escolha" . Já sabíamos que não ia ser fácil "Quem quer ser meu discípulo tome a sua cruz ".Às vezes são doenças, incompreensões, dificuldades, mudanças. Mas, temos alguma razão para duvidar que Deus está lá e quer a nossa felicidade? Então!...
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.