sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Lutar compensa...


Foi ontem que comemorámos o martírio de S. João Baptista. E quem é este Homem? A Bíblia diz-nos que é o precursor, o que vem anunciar a vinda próxima do Messias. Ele não é o Messias... Ele próprio o afirma aos que o interrogam. E acrescenta que outro há-de vir depois dele e esse baptizará no Espírito Santo.
Mas João Baptista vai espalhando a boa nova; vai fazendo o apelo à conversão e ao perdão; vai falando dum reino que há-de existir e dum enviado que virá depois dele para espalhar a Verdade e o Amor.
 Vive no deserto; alimenta-se de gafanhotos e mel silvestre; baptiza os que querer segui-lo; e morre pela fraqueza dum e um capricho de outra.
Cumpre a vontade de Deus, entrega-se aos desejos daquele que era maior do que ele. E qual era a sua vontade? Quais eram os seus desejos? Quais os planos que fez quando ainda era jovem? Nada disso interessou; nada disto foi posto em primeiro plano. O caminho foi-lhe apontado e a ele apenas competia segui-lo, mesmo havendo escolhos, dificuldades, dor.
No mesmo dia também se comemora um outro testemunho de luta por objectivos e ideais. Talvez diferente mas igualmente uma lição de persistência na defesa de direitos de igualdade entre negros e brancos.
Fez cinquenta anos que Luther King pronunciou o seu discurso de apresentação do seu sonho. Pela concretização desse sonho lutou, venceu obstáculos, trabalhou, falou e acabou assassinado.
 São lições de vida daqueles que seguiram o caminho sem hesitações. Não importam contratempos que nos atrapalham a vida; não podemos desistir porque os nossos sonhos ficaram pelo caminho por culpa... sabe Deus de quem; não nos podemos convencer que errámos porque nem tudo corre à medida dos nossos desejos.
O caminho de S. João não foi simples nem fácil; O sonho de Luther King foi difícil e pareceu inacessível; o
caminho da cruz foi doloroso e sacrificante. E são modelos para nós, são luz para as nossas trevas, força para as nossas fraquezas.
Aliás, ninguém disse que seguir o caminho de Jesus Cristo era fácil e segundo os nossos gostos, seguir um ideal de vida era tarefa leve e de acordo com a nossa satisfação...
Portanto! Porque nos havemos de admirar de encontrar espinhos entre as rosas e pedras em veredas planas?
Por detrás de tudo isso há um Pai que nos acolhe e nos consola quando, na nossa fraqueza humana, recuamos mas somos capazes de voltar ao ponto de partida, como as ondas do mar que vão e sempre regressam.
                          Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


  

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Atitudes que se impõem


No domingo, uma morte esperada mas lamentável, a do economista António Borges. À morte deste nome conhecido e celebrado, associou-se o de outra pessoa conhecida, igualmente figura pública- Maria José Nogueira Pinto. Os noticiários falaram e lamentaram; os amigos e conhecidos pronunciaram-se e evocaram recordações. Uns e outros falaram neles não como figuras públicas mas como modelos de desprendimento , de aceitação, de entrega a Deus na disponibilidade. E foi assim que estiveram presentes e trabalharam , sem queixas nem desfalecimentos, até ao fim.
Eram figuras públicas mas não foi por isso que foram e serão  recordadas e faladas. Antes, pelo que eram como pessoas e o que testemunhavam da sua Fé.
Também me lembro de uma pessoa que me deu um grande exemplo de disponibilidade  e de entrega até ao fim - a Irmã Guadalupe.
Muitas antigas alunas se lembram dela; muitos pais a recordam e dela falam; todos os professores têm presente a sua simpatia, o seu sorriso, a sua atenção para todos.
Esteve na secretaria do nosso Colégio, o Ramalhão, mais de trinta anos. Lá atendia pais e alunos, no seu guichet como ela dizia. Lá ouvia confidências, dava conselhos, emitia opiniões. Atendia toda a gente com um sorriso, uma amabilidade, uma boa disposição nunca vencidos.
Esteve no seu posto até ao fim do ano lectivo, até deixar tudo pronto e arrumado para o ano seguinte. Depois... foi ao hospital e deixou-nos.
É assim este testemunho. São assim aqueles que se entregam total e incondicionalmente nas mãos de Deus.
                           Ir, Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P

terça-feira, 27 de agosto de 2013

As lições do fogo


Têm sido umas semanas impressionantes! Todos os dias os noticiários abrem com a notícia dos incêndios em Portugal...e não só. São onze, sete, quatro pelo menos, sobretudo no norte do país. Ardem florestas, morrem animais, destroem-se construções, vivem debaixo de pânico populações inteiras.
E pior... perdem-se vidas humanas, sobretudo daqueles que mais lutam pela defesa de pessoas e bens -os bombeiros.
É assustador e incompreensível. Até porque a maior parte são fogos postos como se deduz do grande número de detenções feitas pela P.J. .
Pergunto-me quem é capaz de dormir descansado depois de ter feito ou mandado fazer semelhante atrocidade.
E para quê? Quem beneficia com esta situação? Quem fica satisfeito em transformar uma floresta verdejante em resíduos cinzentos carbonizados? 
E, quem ignora que é o oxigénio libertado pelas plantas que permite um ar puro que permite um melhor estado de vida?
Quem não sabe que os fogos, destruindo as florestas, para além de outros prejuízos contribuem para o aquecimento global e para o aumento da camada de ozono?
Afligem-me estes fogos; preocupam-me as populações envolvidas por estes males; inquieta-me aquelas pessoas que, consciente ou inconscientemente, contribuíram para estes flagelos.
Deus assiste impotente ao desenrolar da situação, porque deu ao Homem a Liberdade que ele nem sempre sabe aproveitar.
Saibamos pedir por todos os que não sabem usar da sua Liberdade e assim prejudicam a sua vida, a sua felicidade e a dos outros.
                                      Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Lições da praia

Passar uma manhã na praia é simultâneamente místico e cultural.

Místico porque, sobretudo se é cedo, defrontamo-nos com um ambiente calmo, tranquilo que convida à meditação. O azul da água vem beijar a areia e lembra-nos tempos de felicidade e alegria. É ocasião de lembrar que se está bem na vida connosco e com Deus. Mas as ondas não descansam e, de repente, tornam-se violentas. Recordamos problemas, preocupações, dúvidas. É o momento de inquietação mas que temos que olhar a vida com olhos de confiança e de esperança. E, simultaneamente agradecer as  alegrias e satisfações, com a Fé dos grandes momentos.  
A praia, com as ondas que vão e que vêem, num percurso contínuo, umas vezes mais lento, outras mais intenso, reflecte o dia-a-dia da nossa vida que, se queremos entendê-lo, nunca é igual.Quando nos levantamos  de manhã preparamos um dia que, se o olharmos com o olhar de Deus, nunca é igual ao anterior. Como vivê-lo?
Mas a manhã na praia também é cultural, instrutiva. São as famílias que chegam com as crianças, mais ou menos irrequietas. Umas, desejando chegar à água; outras, olhando-a aterrorizadas. É a diferença entre os homens...
Depois, são os grupos de jovens, animados, irreverentes, ocupando-se com jogos variados ou, simplesmente, deitando-se ao sol. Igualmente, os jogadores de bola que animam a praia toda, fazendo concorrência àquelas mulheres que falam como se a sua conversa fosse mais interessante que a de todas as outras pessoas que enchem o areal.
E pelo meio, os vendedores de bolas de Berlim, os africanos que mostram as suas habilidades, e a mulher que apregoa amendoim torrado.
O banheiro e os nadadores salvadores, atentos, cuidam da segurança e tranquilidade de quem descansa debaixo dos chapéus.
Não lhes parece uma manhã que dá para pôr a vida em dia e aperceber-se das diferenças e igualdades que a Vida nos apresenta?
                                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.  

domingo, 25 de agosto de 2013

Recordar é viver


Da varanda da nossa casa tenho estado a contemplar o mar que hoje está revolto, com grandes ondas que se abatem, com estrondo, na areia e embatem rudemente  contra as rochas do pontão.
Está zangado o mar!...
Ou simplesmente está a chamar a nossa atenção  para que nem sempre se pode ficar mansamente lambendo a areia e refrescando aqueles que dele se aproximam. É preciso abanar os indecisos ou amolecidos.
Mas esta visão do azul do mar , tão belo, tão misterioso, tão apelativo, faz-me lembrar viagens e passeios que fiz, por rios e mares portugueses ou estrangeiros. Lembro a ida ao Sado ver os golfinhos. Uma pequena deslocação, numa lancha que levava umas vinte pessoas. Andámos toda a manhã, olhávamos até os olhos nos doerem mas de golfinhos... nem a sombra. Já só quando íamos desistindo se deu a aparição e foi um deslumbramento. Realmente os simpáticos bichinhos estiveram a testar a nossa paciência.... Mas valeu a pena.
Outras viagens muito diferentes foram cruzeiros, como o que fiz ao Mediterrâneo. Entre gente amiga e divertida foram dias maravilhosos. Era um paquete que parecia uma cidade. Havia de tudo, até uma rua com lojas , umas caras outras mais acessíveis ... E um campo de golfe , um casino, um teatro e uma capela internacional, no último andar, o 14º.
Não havia espaço para nos aborrecermos . Nem tempo para visitarmos tudo ou participarmos em todas as coisas. Mas ainda houve ocasião para um torneio de ping-pong entre adultos já destreinados e uma competição de patins em linha. Ai o equilíbrio!...
Continuando a olhar o mar revolto com as ondas altas e brancas de espuma, não posso deixar de recordar o passeio pelos fiords da Noruega, passeio esse que nos deixa sem palavras.
Mas também lembro a subida do Nilo, mas essa em águas calmas e límpidas. Outra viagem inesquecível! De onde em onde o barco parava e era a altura das compras. Materiais para cá, dinheiro para lá, com grandes discussões obrigatórias pelo meio. Uma maravilha de originalidade.
À noite reuníamo-nos no convés, à luz do luar, com outros estrangeiros que por lá se encontravam. Mostrávamos as nossas habilidades: cantares regionais, anedotas de alentejanos, representações de mímica, pequenos sketes cómicos...
Não posso esquecer estes passeios ligados ao mar, as amizades que se fizeram, os testemunhos dados, a presença constante dum Deus que é amor e está atento às nossas necessidades e alegrias. Acho que foi um enriquecimento mútuo e uma aprendizagem que fica para o futuro. O que é importante é saber aproveitar e tirar partido destas lições da vida.
                                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.  

sábado, 24 de agosto de 2013

Lutar para vencer

" Quem aceita a sua sorte é feliz até à morte"

Não conhecia este ditado popular. Nunca o tinha ouvido nem lido até ontem quando um casal, de sorriso radioso nos lábios, o anunciou como princípio de vida.
Era um casal a quem a vida não tinha propriamente sorrido. Tinham sido donos duma mercearia que acabara por falir devido à concorrência dos supermercados. Mas não baixaram os braços nem deixaram de sorrir. Mudaram de estratégia e de modo de vida.
Com muito esforço, muitas horas de trabalho, algumas ajudas mas sempre com um sorriso e uma entrega absoluta nas mãos de Deus. 
Extraordinário testemunho de Fé!
Foram um exemplo que me fez ficar a pensar como tantas vezes encaramos mal os acontecimentos e como é pequena a nossa capacidade de superar as contrariedades e aceitar as dificuldades da vida, como elas se nos apresentam. Quantas vezes não nos revoltamos contra aquelas opções que foram feitas por nós? Simplesmente porque embatemos nos escolhos que  nos aparecem no caminho...E tantas vezes temos a tentação de desistir porque o caminho que escolhemos se nos apresenta menos simples e linear do que nós queríamos!...
São escolhos, que é preciso tornear, sem deixar que eles sejam mais fortes do que nós, que destruam os nossos sonhos e as nossas vontades.
Muitas vezes as contrariedades resultam de situações secundárias, de circunstâncias que, ou são solucionáveis ou simplesmente testam a nossa capacidade de ultrapassar e ser fiéis às nossas intenções.
É que nós queremos ser felizes... hoje e até à morte. E Deus também quer a nossa felicidade.
Este casal deu-me uma grande lição: a da certeza de que a Fé move montanhas. Aliás, estas são palavras do Evangelho: " Se tiverdes Fé do tamanho dum grão de mostarda..."
É esta Fé que eu quero alimentar em mim  e pedir ao Pai para os meus Amigos, sobretudo quando todas as coisas apontam para uma solução impossível. E alimentar esta Fé com um sorriso nos lábios e uma certeza no coração, como aquele casal que nunca desanimou nem desistiu.
                              Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A violência resolve?


Conheço o Egipto. Tive oportunidade de o visitar , de aprender " in loco " a sua história, de admirar os seus monumentos, de contactar o seu povo.
Tudo o que vi me encantou, me surpreendeu, me deixou maravilhada  com esse recuo ao tempo e o mergulho  na história.
Havia pequenos pormenores muito típicos como o regatear necessariamente os preços, a cruzinha gravada no pulso que os católicos nos mostravam orgulhosos, as inscrições do nosso nome que faziam em medalhas de prata, etc..
Foi uma viagem que não consigo esquecer pelo muito de novidade da história antiga que me fez conhecer.
Talvez também por isso me têm vindo a angustiar cada vez mais, os noticiários que todos os dias relatam cenas de violência, autênticas lutas fraticidas.
Não sei quem tem rezão; se é que alguém tem razão... Mas de certeza que mesmo aqueles que se julgam injustiçados estão a perder a razão quando recorrem à violência.
A violência não resolve problemas. Somente cria maior violência. Talvez alguém se baseie na palavra de Jesus quando lê no Evangelho: "Vim trazer o fogo à terra e o que quero é que ele se acenda", para justificar a sua guerra, a sua luta. Simplesmente, não entendeu nada  e toma o texto à letra . E aquilo que Jesus quis que entendêssemos  e quer que se espalhe é a Verdade, aquela Verdade que é Ele mesmo. Foi pela sua expansão e difusão, para que crescesse no coração dos Homens, que deu a Sua Vida.

Se compreendemos isto, se entendemos até ao fim que a mensagem de Jesus é uma mensagem de paz e de amor, menos entendemos o que se está a passar no Egipto.
Irmãos lutam com irmãos; familiares matam membros da família...
Senhor, eu sei que Tu dás aos Homens a liberdade de proceder de acordo com as suas convicções, mas... o mundo precisa de paz e todos nós devemos pedi-la com todo o nosso entusiasmo e as nossas forças.
Para o Egipto, para o mundo em geral mas, sobretudo, para os nossos corações.
                                                                     Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.