sábado, 24 de agosto de 2013

Lutar para vencer

" Quem aceita a sua sorte é feliz até à morte"

Não conhecia este ditado popular. Nunca o tinha ouvido nem lido até ontem quando um casal, de sorriso radioso nos lábios, o anunciou como princípio de vida.
Era um casal a quem a vida não tinha propriamente sorrido. Tinham sido donos duma mercearia que acabara por falir devido à concorrência dos supermercados. Mas não baixaram os braços nem deixaram de sorrir. Mudaram de estratégia e de modo de vida.
Com muito esforço, muitas horas de trabalho, algumas ajudas mas sempre com um sorriso e uma entrega absoluta nas mãos de Deus. 
Extraordinário testemunho de Fé!
Foram um exemplo que me fez ficar a pensar como tantas vezes encaramos mal os acontecimentos e como é pequena a nossa capacidade de superar as contrariedades e aceitar as dificuldades da vida, como elas se nos apresentam. Quantas vezes não nos revoltamos contra aquelas opções que foram feitas por nós? Simplesmente porque embatemos nos escolhos que  nos aparecem no caminho...E tantas vezes temos a tentação de desistir porque o caminho que escolhemos se nos apresenta menos simples e linear do que nós queríamos!...
São escolhos, que é preciso tornear, sem deixar que eles sejam mais fortes do que nós, que destruam os nossos sonhos e as nossas vontades.
Muitas vezes as contrariedades resultam de situações secundárias, de circunstâncias que, ou são solucionáveis ou simplesmente testam a nossa capacidade de ultrapassar e ser fiéis às nossas intenções.
É que nós queremos ser felizes... hoje e até à morte. E Deus também quer a nossa felicidade.
Este casal deu-me uma grande lição: a da certeza de que a Fé move montanhas. Aliás, estas são palavras do Evangelho: " Se tiverdes Fé do tamanho dum grão de mostarda..."
É esta Fé que eu quero alimentar em mim  e pedir ao Pai para os meus Amigos, sobretudo quando todas as coisas apontam para uma solução impossível. E alimentar esta Fé com um sorriso nos lábios e uma certeza no coração, como aquele casal que nunca desanimou nem desistiu.
                              Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A violência resolve?


Conheço o Egipto. Tive oportunidade de o visitar , de aprender " in loco " a sua história, de admirar os seus monumentos, de contactar o seu povo.
Tudo o que vi me encantou, me surpreendeu, me deixou maravilhada  com esse recuo ao tempo e o mergulho  na história.
Havia pequenos pormenores muito típicos como o regatear necessariamente os preços, a cruzinha gravada no pulso que os católicos nos mostravam orgulhosos, as inscrições do nosso nome que faziam em medalhas de prata, etc..
Foi uma viagem que não consigo esquecer pelo muito de novidade da história antiga que me fez conhecer.
Talvez também por isso me têm vindo a angustiar cada vez mais, os noticiários que todos os dias relatam cenas de violência, autênticas lutas fraticidas.
Não sei quem tem rezão; se é que alguém tem razão... Mas de certeza que mesmo aqueles que se julgam injustiçados estão a perder a razão quando recorrem à violência.
A violência não resolve problemas. Somente cria maior violência. Talvez alguém se baseie na palavra de Jesus quando lê no Evangelho: "Vim trazer o fogo à terra e o que quero é que ele se acenda", para justificar a sua guerra, a sua luta. Simplesmente, não entendeu nada  e toma o texto à letra . E aquilo que Jesus quis que entendêssemos  e quer que se espalhe é a Verdade, aquela Verdade que é Ele mesmo. Foi pela sua expansão e difusão, para que crescesse no coração dos Homens, que deu a Sua Vida.

Se compreendemos isto, se entendemos até ao fim que a mensagem de Jesus é uma mensagem de paz e de amor, menos entendemos o que se está a passar no Egipto.
Irmãos lutam com irmãos; familiares matam membros da família...
Senhor, eu sei que Tu dás aos Homens a liberdade de proceder de acordo com as suas convicções, mas... o mundo precisa de paz e todos nós devemos pedi-la com todo o nosso entusiasmo e as nossas forças.
Para o Egipto, para o mundo em geral mas, sobretudo, para os nossos corações.
                                                                     Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.     

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O poder da Liberdade

" Ó mar salgado quanto do teu sal são lágrimas de Portugal "

Ao escreve restes versos Fernando Pessoa estava certamente a pensar nos Descobrimentos, nas caravelas que partiam, cheias de homens entusiasmados e que as condições adversas faziam perecer entre as águas revoltas dos Oceanos.Mas eu estou a pensar mais prosaica mas não menos dolorosamente, nos vários acidentes mortais que vão acontecendo nas nossas praias e nos nossos rios.
Esta semana mais um caso triste: duas irmãs jovens em que a mais nova se sente mal e a mais velha a tenta salvar da água. A mais velha morre afogada e a outra encontra-se em situação crítica...
Oh! mar traiçoeiro...
Ou, será que não é o mar que tem a culpa mas sim a falta de cuidado e atenção dos homens?
Muitas vezes culpamos tudo e todos e até... Deus dos contratempos e males que nos acontecem... Mas, não é verdade que Deus deu liberdade ao homem para ele actuar de acordo com o seu coração e o seu sentir?Não é certo que muitas vezes tomamos resoluções sem medir consequências, levados pelo imediato, sem olhar ao que seria essencial?
Não sei verdadeiramente o que se passou com as duas irmãs que sofreram afogamento; não sei se as coisas podiam ter sido diferentes. Sei simplesmente que é preciso lamentar e rezar pela família destas jovens e espalhar a necessidade de maiores cuidados.
Mas deixando o aspecto material e imediato, passemos ao plano espiritual e pensemos que também aqui muitas vezes nos deixamos "afogar"  pelas dúvidas, as tentações, o ambiente, as pressões, as crises... E não nos lembramos que há uma "boia" que sempre se estende para nós e nos é acessível - a oração. E, também nos vamos esquecendo de nos agarrar a apoios acessíveis - os sacramentos.
Será que temos mesmo que nos deixar "afogar"?  
Levantemos os olhos para Aquela que é mãe e está sempre presente para apresentar a Jesus as nossas necessidades. E... nada é impossível.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O presente entre o passado e o futuro


Os dias deste Verão  vão passando, mais quentes e mais frios, mais ventosos ou mais serenos. O mar, muito azul vai mostrando os seus encantos e atraindo o nosso olhar. A areia dourada rodeia-nos e vai-nos falando de aventuras mas ao mesmo tempo , prendendo-nos às cadeiras acolhedoras.
 Fechamos os olhos e pensamos no passado , nas alegrias que vivemos, nos factos que nos preencheram  e nos entusiasmaram.
Mas, já passou!... Aliás, mesmo o presente, como diz o poeta, "é um instante entre o passado que já não é e o instante que ainda não foi". O presente é este momento que estamos a viver e nos vai ultrapassar quando mal dermos por isso. O futuro é o que nos espera e que temos que construir. Temos que o ir construir, mesmo quando não há nada que nos entusiasme ou nos faça prever que vale a pena.
Mas "tudo vale a pena quando a alma não é pequena"  e é essa a certeza que nós temos que agarrar porque Deus deu aos Seus filhos  uma alma grande e concedeu-lhes a Fé que alimenta a Vida. Ontem, ao ver um programa de televisão fiquei chocada, pela positiva, com o testemunho duma artesã,numa aldeia do interior de Portugal. A senhora em questão, afirmou que a sua alegria e felicidade lhe vinha da Fé, da força que recebia cada vez que, junto do Sacrário, apresentava ao Senhor as suas certezas e dúvidas.
Também temos que ter esta atitude . Também temos que ir alimentar a nossa Fé junto do Sacrário e assim preparar um futuro em alegria, qualquer que sejam as dificuldades, as angústias, as dúvidas e os problemas que o futuro nos reserva.
O Pai espera que confiemos n´Ele e que, em disponibilidade e confiança, construamos o Àmanhã.
Paremos para reflectir; vejamos o que queríamos e porque queríamos; não tenhamos medo; continuemos a acreditar que "nada acontece por acaso" e Deus conta connosco.
                        Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

15 de Agosto


Festa da Assunção de Nossa Senhora, um dos feriados que a Igreja e o Estado mantiveram, depois do acordo para cortes de feriados.

Ao celebrar esta festa lembro-me das alusões à vida de Nossa Senhora que os Evangelhos nos fazem.
A mais enigmática e que talvez mais nos interroga é a Anunciação. É a situação daquela jovem, dedicada a Deus e a quem um anjo vem anunciar que o mesmo Deus a escolheu para mãe do Seu Filho Jesus. E ela aceitou... talvez sem medir as consequências que aí podem advir. Aceitou porque já se tinha posto nas mãos do Pai  sem regatear dádivas e sacrifícios. Depois, esta mesma jovem, sem pensar no seu dom, esquecendo a graça recebida e a oferta feita, vai... ter com a sua prima que necessita dela.
Em seguida, o Evangelho conta-nos a descida de Nazaré a Belém, a procura de alojamento, a falta de acolhimento pelos habitantes da cidade. Mas, o momento tinha chegado e Jesus nasce, nas condições que conhecemos , com tudo aquilo que o rodeou e em que Ele é a figura principal. Mas Maria lá está e é ela que O vai apresentar no Templo e receber de Simeão o veredicto de que uma espada de dor vai atravessar o seu coração.
E essa dor começa talvez quando aos 12 anos Jesus ficou no Templo e Maria e José O procuram durante três dias, para no fim desta busca angustiante ficarem a saber que Ele tem que tratar das coisas do Seu Pai.
Mas Maria é mãe, mãe de Jesus  e, mãe de todos nós. Por isso, estava presente e se preocupou com aquele casal que não tinha vinho e que ela recomendou ao seu filho Jesus.
Mas, é junto à cruz de Jesus que Maria é declarada mãe da humanidade e João, nosso representante, a leva para sua casa.
Neste dia de férias, mas que deve ser também de reflexão, passo em revista estes e outros episódios que os Evangelhos nos fazem presente. E quero continuar a ter a certeza que o olhar amoroso de Maria não esquece nenhum dos seus filhos e continua a olhar por nós.
             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Dar é receber


Nem tudo o que se ouve ou se lê nos noticiários da TV ou nos jornais são notícias desagradáveis.De vez em quando, aparecem notícias que nos impressionam pela positiva. Foi o caso de ontem. Soube dum grupo de jovens (entre os 15 e os 25 anos) que, no Porto, se preocupam com crianças com cancro. Formam uma associação e não só visitam as famílias das crianças, como acompanham estas durante os tratamentos, brincam com elas e as distraem, para lhes darem um pouco de felicidade, dão-lhes brinquedos, distraem-nas...
E não contentes com tudo isto, que já considero imenso e louvável, ainda inventam processos de juntar dinheiro para prover às situações difíceis; fazem actividades de rua, vendas várias, galas, etc..
São jovens! Podiam ter outros interesses e outros divertimentos para ocuparem o seu tempo e era natural. Mas não! Dedicam-se àquelas crianças que precisam delas.
Como eu gostava de saber que alunas minhas colaboravam nesta instituição ou tinham partido para qualquer outra coisa de semelhante... Era bom, não era?
É que, "é dando que se recebe"...
Mas a minha admiração ontem não ficou por aqui; não acabou neste grupo de jovens generosas, dedicadas, solícitas, viradas para as crianças que precisam delas. Soube também dum grupo de senhoras que se ocupam numa obra social bem original e útil. Como elas dizem, querem mudar a sociedade e vão consegui-lo, acho, eu! Começaram por dar almoço a um grupo de necessitados que, neste momento são mais de cem. Depois, fornecem , mensalmente, capazes para famílias necessitadas.
Mas o mais importante e espantoso é a sua acção de tentativa de integração dessas pessoas que ali, num andar alugado e decorado à moda do "antigamente", encontram um espaço de acolhimento, de apoio, um ombro amigo para receber confidências, uma palavra de ajuda e encorajamento.
E, última etapa, as responsáveis desta actividade, tentam conseguir algumas instalações dignas e trabalhos estáveis para estas pessoas com dificuldades.
E acreditam, os que me estão a ler, que a "cabeça" desta organização é uma pessoa que foi desenganada clinicamente? E querem crer que esta organização não tem comparticipação do Estado e vive de donativos, mais ou menos incertos?
Para aqueles que amam, não há impossíveis... E elas, tem" mais alegria em dar que em receber"...
Será que estes exemplos não falam ao nosso coração?
                                 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Os Santos e... ser santo


Este princípio do mês de Agosto é pródigo em festas litúrgicas.Mesmo sem falar na Transfiguração de Jesus ou na Dedicação da Basílica de Santa Maria maior, temos festas de vários santos mencionados no calendário litúrgico. Em 1º lugar, S. Domingos de Gusman, o nosso padroeiro mas também S. João M. Vianney, Sto Afonso M. de Ligório, S. Sisto II, Sta Edith Stein, S. Lourenço mártir ou Sta Clara...
E todos estes Santos apresentam uma vida que nos vai impressionar, se nós formos ler as suas histórias. Somos mesmo capazes de ficar um pouco cépticos da possibilidade de os podermos imitar e de eles poderem servir de exemplo de vida para alguns.
Vemos o que foram as suas vidas , como se testemunharam as suas virtudes e o que as pessoas que conviviam com eles admiravam neles. E... achamos que não somos capazes. Eles são demasiado "extraordinários"... E temos a tentação de desisitir. Mas esquecemo-nos do imperativo de Jesus: "Sede santos como Santo  é o vosso Pai". Foi também para nós que o Senhor falou, pedindo-nos para acolher o Seu pedido e lutar pela santidade..
E afinal ser santo  não é só querer igualar aqueles que a Jgreja nos propõe como modelos. A cada um de nós Deus pede, segundo as nossas possibilidades. O importante é dar "tudo" mesmo que o tudo seja apenas um dedal e não um balde grande. Simplesmente, um e outro têm que estar cheios! E, se "a quem mais se deu mais se lhe é pedido", o inverso também é verdadeiro: se não recebemos muito é-nos pedido menos. Mas, atenção! não nos podemos refugiar atrás do slogan: recebemos pouco logo, só podemos pôr a render pouco.e não todas as nossas capacidades.
Mas Deus, conta connosco e espera de cada um de nós a correspondência à oferta que Ele nos faz e ao pedido que nos dirige: Sede Santos...
Quem pode dizer que ser Santo não é a sua vocação ou que não está dentro das suas possibilidades? Deus não nos pede senão aquilo que podemos dar. Mas isso...não Lhe podemos recusar.
               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.