segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Interrogações

No sábado fui surpreendida por uma notícia na TV: " o mistério de Santiago " era o título da notícia. E um historiador ou pseudo-historiador veio dizer que certamente o corpo que se encontra na cripta da catedral de Santiago de Compostela não é do apóstolo Tiago mas sim de um bispo que foi degolado pela Inquisição, sob a acusação de heresia.Tive a impressão de já ter ouvido falar do assunto mas, ainda confusa, tentei contactar uma pessoa amiga que já foi várias vezes a Compostela. Não consegui e fiquei sentada a pensar nas mil dúvidas que se me acumulavam no cérebro:
-Verdade ou mentira? Simples lançamento da confusão? Dúvida científica?
Mas, se for verdade, quais as consequências? Como vão entender os peregrinos que chegam a fazer centenas de quilómetros só para, no fim, abraçar a estátua do Santo? Como explica a Igreja uma troca que se tem aguentado ao longo dos anos? Como explicar que uma lenda, tornada devoção, não passa de uma meia verdade? Que aquela barca que se conta ter vindo de Roma por mar e aportado à costa próxima de Santiago nunca existiu? Que foi muito conveniente alimentar esse mito que tornou Compostela centro de peregrinação religiosa?  E como sustentar a actuação da Inquisição face ao atentado contra um Bispo que , afinal, só defendia valores já muito adiantados para o seu tempo?
Dizia um professor de teologia que, para os peregrinos, a diferença não seria grande pois o Bispo Prisciliano, o tal que foi morto, apresenta-se como o primeiro mártir do cristianismo.
Acho que a Verdade tem que ser preservada e defendida mas há que ter cuidado em não espalhar "os talvez" enquanto não temos na mão os " de certeza".
Entretanto, acho que vou continuar a querer ir a Santiago de Compostela e, se for possível, ir um dia a pé!
       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 10 de agosto de 2013

Notícias


Nestas últimas semanas as notícias de acidentes, assaltos, fogos e outros tipos de desastres têm-se multiplicado. Podemos perguntar-nos porquê mas sem obtermos qualquer resposta. São faltas de cuidado,ódios,maus funcionamentos de veículos, que sei eu! ...
Até aqui estávamos preocupados com as guerras, os desentendimentos entre os homens, a falta de condescendência... E achávamos que rezar pela paz era uma tentativa de solução, entre outras, claro!
Hoje... não sei bem com o que é que temos que estar preocupados, quais as acções que é preciso pôr em marcha nem porque intenções particulares devemos rezar.
Mas, certamente, não podemos ficar indiferentes. A vida demasiado agitada, as tensões emocionais, a falta de domínio, o deixar-se levar pelos sentimentos imediatos, fazem com que as pessoas tenham reacções com que não contávamos e que, certamente, não são as que o Pai deseja.
E é sobretudo enquanto se é jovem que se tem que começar a parar para reflectir sobre aquilo que é preciso corrigir e amadurecer..
O deixar-se levar pelo prazer de momento, o não controlar as emoções, o viver apenas o dia-a-dia são questões que não nos ajudam a crescer e a tornar-nos Homens e Mulheres segundo o plano de Deus.
"As coisas não acontecem por acaso" e a Vida é para ser vivida em plenitude, de acordo com as opções feitas. Até porque a Vida é um dom de Deus que tem que ser preservada e alegremente, na medida das nossas possibilidades e capacidades. Não podemos deixar que as situações vençam o querer e o saber. Deus conta connosco, com a nossa disponibilidade, com a nossa adesão à Sua vontade.
Tem que ser esta a oração do nosso dia-a-dia: " Pai, que a Tua Vontade seja feita".
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Coração aberto

"Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis o vosso coração".

Foi uma das frases da Liturgia de ontem que me ficou gravada na memória, E fixei-a tanto mais quanto nos é muito fácil fechar os ouvidos à voz de Deus  e arranjar mil desculpas para justificar o nosso afastamento e a nossa surdez.
Ouvir a voz de Deus é algo de que temos necessidade, que é imprescindível para a orientação da nossa vida. Só que Deus fala no silêncio, na tranquilidade, na calma. por isso é tão fácil dizermos que não ouvimos a voz do Senhor; é normal afirmarmos que Deus não nos fala; é perfeitamente lógico acreditarmos que Deus não se dirige a pessoas como nós. E talvez até nos desculparmos dizendo que não somos dignos, suficientemente bons, capazes de rezar e reflectir...
De facto tudo isto são desculpas mais ou menos esfarrapadas. Evidentemente que Deus pode não se dirigir a nós directamente; não nos falar com voz altissonante e perfeitamente audível como fazia aos profetas e a alguns santos... Mas também é verdade que Deus se manifesta através dos acontecimentos, por meio das circunstâncias, nas pequenas e grandes situações, às vezes tão naturais que até parecem passar despercebidas.
Ontem, a meio da Missa da festa de S. Domingos, uma senhora sentiu-se mal , caiu do banco, foi preciso chamar o INEM  e ser levada para o Hospital. E, caso mais extraordinário, coincidência ou não... essa "senhora" era uma Irmã Dominicana, nossa irmã bem conhecida e que estava no banco atrás de mim.
E podemos perguntar-nos: que recado queria o Senhor dar-nos? 
Não sei... Mas é importante estarmos atentos aos sinais que se nos apresentam. E, não fecharmos o nosso coração. "Nada acontece por acaso" e Deus olha-nos e tem sempre uma palavra que oriente a nossa vida.
                Ir. M.Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.   

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Festa de S. Domingos


" O Santo que me encantou" é título dum livro que li muito depois do protagonista dele me ter encantado...

Tudo começou na Parede, no Hospital de Santa´Ana ( na altura -1953/54 denominado Sanatório) onde ia visitar uma amiga operada lá. 
Conheci lá as Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, e conheci-as como enfermeiras, observando o cuidado e o carinho com que tratavam a minha amiga e os outros doentes.
Conheci-as depois como "orantes" quando tive oportunidade de participar na Liturgia que celebravam e compreendi a interioridade que as animava.
Em determinada altura fui convidada a ir lá passar uns dias para estudar para os exames e, ao mesmo tempo, desfrutar da praia. Aceitei sem preconceitos ou previsões. 
E foi nesse Verão que tive ocasião de conversar mais intensamente com uma Irmã que se tornou minha amiga - a Madre. Maria da Madre de Deus Prado e conhecer outras Irmãs como a Madre M. de S. Paulo de Frias Carvalho, a Prioresa, as irmãs de sangue, S. João e Santa Rosa Almeida e a Ir. S. Jacinto Pais, entre outras, que me encantaram pela sua gentileza, a sua religiosidade sem beatice, o seu apostolado sem pieguice. Nessa altura, conheci as Irmãs como filhas de S. Domingos, cumpridoras dos seus pilares institucionais: oração, estudo, vida comum e missão. Conheci-as como vivendo aquilo em que acreditavam e testemunhando o que reflectiam e oravam. Encantaram-me e deixei-me encantar.
Nunca me influenciaram, nunca me falaram em ser religiosa e, menos ainda em ingressar nas Dominicanas.
Até o sr. P. Domingos,O.P., que conheci bem lá na Parede e a quem falei em ser religiosa,  me chamou a atenção para as múltiplas dificuldades que teria que enfrentar e a mudança radical que a minha vida, muito livre, teria que sofrer. Mas, S. Domingos foi mais forte do que tudo. E hoje, na sua festa, tenho que lhe prestar uma homenagem especial. E tenho que lhe pedir pelos seus filhos e filhas, pela nossa fidelidade, por uma força que nos não deixe esquecer o apelo que nos foi feito e os compromissos que assumimos.
S. Domingos, nosso Pai, rogai por nós
                                      Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P. 

sábado, 3 de agosto de 2013

Os fortes e os débeis


Ontem na capítula de Vésperas, impressionou-me a primeira frase: " Nós os fortes devemos suportar as fraquezas dos mais débeis".
São Paulo dirigia-se aos Romanos, os cristãos,  aqueles  que  ouviram e seguiram a mensagem do Senhor, os que receberam o Espírito Santo e, com a Sua força eram capazes de enfrentar dificuldades e entender fraquezas.
S .Paulo dirigia-se a todos aqueles que seguiam o Mestre e que queriam testemunhar a Sua Palavra.Considerava-os os "fortes" porque tinham recebido a Graça de Deus, porque Ele os apoiava, acompanhava e deve ânimo.
E quem eram os "débeis " para S. Paulo? Aqueles que não conheciam ainda o Evangelho ou que não tinham tido a coragem suficiente para o seguir.
Estas são palavras, conselhos, advertências , dirigidas aos cristãos dos primeiros tempos... Mas hoje, estas palavras têm ainda actualidade? Podiam ser-nos dirigidas, com oportunidade?
Nós os "fortes", os Baptizados, os que vivemos o Evangelho de Jesus Cristo, os que cumprimos os seus Mandamentos... E,particularmente, aqueles a quem Deus chamou, qualquer que seja a sua missão, que corresponderam ao Seu apelo, em quem o Pai confia para transmitir a Sua Mensagem de Amor.
Nós... temos que ser realmente "fortes", na Graça, no testemunho, na resposta ao chamamento do Pai! Temos que olhar com um olhar de amor, para os que não tiveram as mesmas graças, que as não souberam aceitar,que não quiseram, como o jovem rico do Evangelho, deixar tudo e segui-Lo.
Aprendamos, cada dia, a lição do Pai Nosso: Seja feita a Vossa Vontade...perdoai-nos, como nós perdoamos.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

frades e freiras



Acabei de chegar da capela aqui do sítio e lembrei-me particularmente do sr. P Domingos. Não é nada para admirar pois ele faz parte do imaginário de todos nós que vivemos ou passámos pelo Ramalhão. Esteve durante 20 anos como nosso capelão e, ao mesmo tempo, como professor de Matemática , uma das suas muitas especialidades. Durante todo esse tempo acompanhou dezenas de jovens  e consolou e fez crescer outras tantas.  
Aliás, a história do Ramalhão está intimamente ligada com a vida dos Frades Dominicanos .Para começar, o Noviciado da Província Portuguesa dos Frades Dominicanos era em S.Pedro de Sintra, paredes meias com o Ramalhão e a relação das Irmãs com os Frades era de   grande     fraternidade.. Aliás, sempre ouvi dizer isso e tive ocasião de conhecer alguns estudantes do meu tempo.       Mas, do meu tempo também é o nosso professor de Moral- o P. AlfonsoO.P. -um frade espanhol que       estava    em Fátima e vinha uma vez por mês dar aulas às noviças e júniores, no Ramalhão.Começava      sempre,entre    outras coisas, pelos pecados capitais "codícia, pereça,e invídia"...
  Igualmente inesquecíveis o P. Reed, O.P. e o P. Sylvain,O.P., dois canadianos que foram, por assim dizer.
  os "impulsionadores" da Província.  Eram presença  ali no Ramalhão e muito ajudaram  as Madres no que     significou o  desenvolvimento do Colégio.
  E não posso também deixar de lembrar o P. Raimundo, irmão da nossa madre Ascensão que, durante um
  tempo esteve aqui no Colégio e dava aulas de Filosofia às alunas.
 E como esquecer o capelão anterior ao sr. P. Domingos, o P. Aireo Otero, sofrido da guerra de Espanha e

que não gostava de barulho no pátio de recreio e queria que fôssemos fazer  as "bufanarias  finas  para    o    ginásio".
Engraçado que nessa altura nós chamávamos aos Frades, Padres , apesar destes a que me refiro serem todos religiosos Dominicanos.
Quantas recordações! Quantas ligações fraternas! Quantos laços que se têm vindo a manter até hoje!
Não somos só nós que continuamos lembrando a história do Ramalhão...
A Província Portuguesa dos Dominicanos e o Colégio do Ramalhão tiveram sempre uma relação de grande fraternidade que uns e outros não esquecem e que sempre constituíram um elo de ligação e de apoio através
do tempo.
                  Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A praia e o infinito

A praia é um mundo de aprendizagem pelos melhores e piores  motivos:

crianças que, ao sol, sem chapéu nem roupa adequada, deambulando pela praia; surfistas que entusiasmam jovens e menos jovens com as suas habilidades; grupos de adolescentes que com as suas gargalhadas, mais ruidosas do que alegres, incomodam toda a gente; jovens destemidos que, ignorando avisos e sinais, são a dor de cabeça dos nadadores salvadores; famílias simpáticas e agradáveis que procuram meter conversa com os vizinhos de toldo; banheiros prestáveis, sempre disponíveis,  cuidando da nossa segurança... 

Enfim! um mundo que mostra o melhor e o menos bom da nossa sociedade balnear.
Mas a praia também é areia... mais ou menos fina, mais ou menos dourada... areia que se esboroa sob os nossos pés e que lembra os sonhos que não quisemos ou não soubemos concretizar. Areia que alimenta o nosso descanso e nos convida a parar e a sonhar, enquanto nos vamos aproximando do mar, esse elemento que não desaparece nunca, que se mostra sempre azul, reflectindo o céu, murmurando baixinho, aos nossos ouvidos, aplaudindo os nossos êxitos. Mas também rugindo, zangado, sempre que os nossos erros ultrapassam os êxitos...
Que férias sejam dias de descanso, de mudança, de estar com os amigos ou a família, mas também tempo de paragem, de reflexão, de interiorizar e dar graças pelos dons recebidos e fazer planos de compromisso para o ano que irá começar.
                                             Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.