quinta-feira, 25 de julho de 2013

Férias

Estou finalmente em férias!
Posso preparar a mala, arrumar o que fica, pensar calmamente nuns dias diferentes, esquecer preocupações e inquietações.
Férias são descanso, mas não necessariamente deixar os dias passarem e o tempo correr, sem fazer nada.
Férias são sobretudo oportunidade para mudar... de ocupação, de lugar, de companhia, de vida... 
Férias são tempo para reflectir, para interiorizar, olhar a vida e os outros, modificar o que esteve mal, melhorar o que pode ser melhor.
Férias é sempre tempo para nos enchermos do Deus que, mais livremente, podemos contemplar e ouvir.
Sentada na areia, olhando o mar, admirando as ondas que vão e que vêm, penso que a vida também é assim, feita de altos e baixos, de avanços e recuos, de sims e de nãos que se vão sucedendo e organizando.
Mas tal como as ondas, que voltam sempre, mais perto ou mais longe, também nós temos que lutar para encontrar o caminho de regresso, quando nos afastamos da praia.
O mar atrai-nos, chama por nós mas também nos dá a sensação de imensidade, de infinito que só Deus é.
Estou de partida! 
Lembro outras férias mas nelas, sempre o mar a marcar presença. Ele e a sua imensidão que nos mostra como somos pequeninos e como temos necessidade de nos aproximarmos do Pai.
Vou de férias mas Ele vai comigo...
                          Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Saudades e recordações


Ontem foi um dia demasiado complicado com muitas coisas em simultâneo: várias actividades a realizar, trabalhos a executar, situações a organizar.
Como se compreende, no meio disto tudo, visitas era o que eu menos precisava. Mas, duas antigas alunas não são visitas e é com carinho e alegria que as recebemos. São imprevistos que só trazem felicidades e recordações.
Beijos e abraços não faltaram.
Eram a Raquel Cruz e a Inês Varela, duas alunas internas que já deixaram o Colégio há tempos.
Falámos da vida do internato, recordámos as diabruras que sempre aconteciam, lembrámos as colegas que, com elas, tinham partilhado 8 anos de vida, estudo, amizade, estadia no Colégio.
A Raquel é Fisioterapeuta e trabalha aqui na zona; A Inês esteve na Africa do Sul onde terminou o Curso e conheceu o noivo. Agora, regressa para se casar. Aliás, vinha acompanhada do futuro cunhado.
É uma alegria voltarmos a ver as "meninas" que ajudámos a crescer. É uma emoção ouvi-las dizer que não esquecem o que levaram do Colégio. É com sentimentalismo que as escutamos repetir que têm na memória que é norma do Ramalhão a Alegria, o Amor, a Amizade,o Trabalho, o Esforço, a Oração.
Nós sabemos que não foi em vão que o Colégio, durante 70 anos, abriu as portas a tantos grupos de jovens que ajudámos a educar...
Nós sabemos que a nossa maneira de ser e de fazer, bem Dominicana, aberta e livre, dá sempre frutos. "Uns são os que semeiam, outros os que colhem"...
Mas ouvir da boca dessas jovens, anos depois, que não foi em vão que aqui passaram, que as Irmãs marcaram as suas vidas, causa um bater mais forte de coração e é motivo para um obrigada maior ao Pai que nos inspira e acompanha.

                                                       Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Acolher


Ontem o Evangelho contava-nos, mais uma vez, a história bem conhecida de Marta e Maria recebendo Jesus em sua casa. Como sempre, este episódio levanta em mim questões, dúvidas e inquietações. Ele é demasiado coincidente com factos da vida real de todos os dias.
São duas mulheres, duas irmãs e o Evangelho apresenta-as com atitudes totalmente diferentes e que são motivo de interrogação para nós.
Marta, atarefada, dum lado para o outro, preparando a mesa e a casa para receber condignamente o seu amigo Jesus.
Maria, calmamente sentada falando, ouvindo,simplesmente.
Não acredito que ela não tenha colaborado nos preparativos... mas isso, ficou para trás e o Evangelho não o explicita. Ele conta simplesmente o presente e quer fazer-nos uma chamada de atenção.
Nós muitas vezes preocupamo-nos em receber bem os nossos amigos e conhecidos. Mas este "receber" fica geralmente no exterior, no acidental. Talvez como Marta que queria tudo perfeito... exteriormente. Não teve tempo de parar para sentir e ouvir o que faltava...
Quando fazemos assim, esquecemo-nos do resto, do interior, do que não se vê mas faz parte das necessidades de cada um: que acolhamos as suas preocupações, que oiçamos as suas dificuldades e dores, que partilhemos as suas alegrias. E, mais ainda, que estejamos abertos àquilo que eles têm para nos revelar. Maria estava atenta à Palavra que Jesus tinha para transmitir, e escutava-O, sentada aos seus pés. Abre-lhe o seu coração e ouve a mensagem, escuta a novidade que Ele tem para ela e para todos nós.
Estejamos atentos, aos pés de Jesus, independentemente do que há para fazer, do que parece importante, das "visitas" que estão para chegar.
É que Jesus tem sempre algo para nos dizer, algo para nos pedir.
                                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


domingo, 21 de julho de 2013

As lições do tempo


É engraçado como o tempo passa tão depressa que às vezes nem damos por isso. E quanto mais velhos somos, mais rápido parece que o tempo anda. 
Ainda há pouco era Natal, já estamos quase em férias e, não tarda nada voltamos ao Natal.
É o ciclo do tempo que muda as condições, a vida e até o modo como a encaramos.
O povo diz que o tempo é bom conselheiro e é mesmo. Ajuda-nos a não tomarmos decisões precipitadas, a reflectir nos prós e contras duma tomada de posição, a medir as consequências de cada passo dado e de cada resolução tomada.
Muitas vezes os nossos actos atingem proporções com que não contávamos precisamente porque não parámos o tempo suficiente para reflectir, para uma análise séria e rezada, uma meditação profunda sobre os acontecimentos, suas causas, opções possíveis.
"O tempo é bom conselheiro". Afasta para mais longe o desejo de precipitação; apresenta-nos exemplos que são modelos que se repetem e nos mostram como e onde Deus está e como Ele pode e vai intervir. Ajuda-nos a encontrar o caminho certo ou o mais adequado.
Mas o tempo tem outra acção igualmente benéfica: sara as feridas que a vida nos provocou; atenua as dificuldades que ela nos levantou.
Quando errámos, quando nos enganámos, quando prevaricámos, quando as circunstâncias nos magoaram, o passar do tempo vai-nos distanciando do mal feito e vai criando novos motivos de esperança e de alegria.
Não fechemos os olhos à luz que chega cada manhã e, aprendamos a sorrir, mesmo quando dói.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
                        

sábado, 20 de julho de 2013

Vinde...

"Vinde a Mim vós todos os que estais sobrecarregados e Eu vos aliviarei!"

É um pedido e uma promessa que Jesus nos faz.

Vinde a Mim ... acreditai na minha misericórdia e no meu amor.
Vinde a Mim... que vos olho com um olhar de predilecção e vos escolhi desde toda a eternidade.
Vinde a Mim, sem medo porque eu não condeno nem acuso.
Vinde a Mim, vós que estais sobrecarregados, feridos, desanimados... porque Eu tenho a graça que vos salva, que acalma as vossas dores,que vos dá a força que vos repõe no caminho certo.
Não é preciso grandes actos de humilhação, de sofrimento; não é preciso fugir e esconder a cabeça na areia; não é preciso justificações e reparações.
A única coisa necessária é ter a certeza de que Eu estou lá, que chamo, que conheço todos os males e todos os anseios, todos os cansaços e todas as dúvidas. É acreditar no Meu amor e saber que estou aqui  e que vos aliviarei.
Vinde a mim...  dizes Tu. Mas,nem sempre é fácil, Senhor!
É necessário esquecer muitas coisas, acreditar noutras, estabelecer uma hierarquia de valores, deixar o que se julga importante e parar para Te tentar encontrar.
É preciso ter a certeza que aquela hóstia que o sacerdote levanta és Tu, total e absoluto; que no sacrário, escondido, és Tu que estás e me olhas; que no fundo do meu coração a voz que me fala é a Tua, a chamar-me e a acolher-me.
E que razão temos para duvidar?
E porque pomos tantas questões e levantamos tantas dúvidas?
                               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Dominicano, um caminho, uma descoberta...

Muitas vezes as minhas alunas me perguntavam qual a razão de ter escolhido ser Dominicana. É uma pergunta com uma resposta simultaneamente fácil e complicada.
Ser Dominicana não é um acaso mas sim uma opção de vida.

Pode-se ter encontrado um hábito branco que nos sugestionou; ter assistido a uma oração de Vésperas que impressionou e nos fez reflectir; ter ouvido um testemunho que nos fez pensar; vivido com Dominicanos que nos motivaram...

Pudemos ter entrado numa capela onde o ambiente nos convidou a rezar; ter conversado com um padre ou uma freira que nos deram uma imagem magnífica da vida... 
Muito bem!
Tudo isso podem ser causas mais ou menos próximas, circunstâncias impulsionadoras...
Mas para ser Dominicanos/as é necessário mais do que isso. É preciso ter-se identificado com a Verdade que S. Domingos estudava, rezava e pregava; ter escolhido um caminho que é simultaneamente contemplativo e activo; ter optado por uma missão apostólica que deriva do estudo e da contemplação; ter escolhido ser pobre por partilha do que se faz e do que se tem; ter optado por uma "família" onde todos somos iguais e todos temos que respeitar as diferenças.
Ser Dominicana/o é ter aceite ser pobre porque desprendido, livre, obediente e casto mas, simultaneamente, rico de vida, de amor, de fraternidade.
Ser Dominicana, para mim em particular, é ter escolhido uma Ordem com a qual me identificava, pelos seus princípios democráticos, pela forma de aprofundar os conhecimentos , pela liberdade de expressão e pensamento, pela facilidade de diálogo, pela perspectiva de transmissão de dons.
Ser Dominicano é... tudo isto e muito mais.
                     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Corações abertos


" Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações"

É impossível que o Senhor deixe de nos falar cada dia, dizendo-nos o Seu amor, fazendo o apelo para que O sigamos, chamando a atenção para o caminho que devemos percorrer...
É impossível deixar de O ouvir embora Ele bata de mansinho e não insista, não obrigue, não se imponha...
É impossível deixar de O ouvir; mas é possível fazer como se não O ouvíssemos, como se vivêssemos de coração fechado, indiferentes à voz que nos fala , mais atentos à voz do vento que nos impele ou ao murmúrio das ondas que nos atraem e nos envolvem.
Há demasiadas tentações na vida que nos solicitam: o dinheiro, o prazer, a glória, as vitórias fáceis...
Há imensas dúvidas e incertezas: a neurastenia, a ansiedade, a inquietação o trabalho...
Há os amigos e os que se fazem... As propostas aliciantes e as constatações dolorosas... os entusiasmos e as barreiras opressivas... as lutas e a paz...
Tudo isto nos afasta, por vezes, do único e verdadeiro fim: Deus.
Não deixemos que as circunstâncias afectem e mudem aquilo que o Pai deseja  para nós: a Alegria, a Felicidade, o Amor, a certeza de que somos Seus filhos  e Ele nos Ama.
Não permitamos que os contratempos ofusquem o caminho que Deus traçou para nós e que nós aceitámos percorrer na fidelidade e na graça.
        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.