sexta-feira, 19 de julho de 2013

Dominicano, um caminho, uma descoberta...

Muitas vezes as minhas alunas me perguntavam qual a razão de ter escolhido ser Dominicana. É uma pergunta com uma resposta simultaneamente fácil e complicada.
Ser Dominicana não é um acaso mas sim uma opção de vida.

Pode-se ter encontrado um hábito branco que nos sugestionou; ter assistido a uma oração de Vésperas que impressionou e nos fez reflectir; ter ouvido um testemunho que nos fez pensar; vivido com Dominicanos que nos motivaram...

Pudemos ter entrado numa capela onde o ambiente nos convidou a rezar; ter conversado com um padre ou uma freira que nos deram uma imagem magnífica da vida... 
Muito bem!
Tudo isso podem ser causas mais ou menos próximas, circunstâncias impulsionadoras...
Mas para ser Dominicanos/as é necessário mais do que isso. É preciso ter-se identificado com a Verdade que S. Domingos estudava, rezava e pregava; ter escolhido um caminho que é simultaneamente contemplativo e activo; ter optado por uma missão apostólica que deriva do estudo e da contemplação; ter escolhido ser pobre por partilha do que se faz e do que se tem; ter optado por uma "família" onde todos somos iguais e todos temos que respeitar as diferenças.
Ser Dominicana/o é ter aceite ser pobre porque desprendido, livre, obediente e casto mas, simultaneamente, rico de vida, de amor, de fraternidade.
Ser Dominicana, para mim em particular, é ter escolhido uma Ordem com a qual me identificava, pelos seus princípios democráticos, pela forma de aprofundar os conhecimentos , pela liberdade de expressão e pensamento, pela facilidade de diálogo, pela perspectiva de transmissão de dons.
Ser Dominicano é... tudo isto e muito mais.
                     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Corações abertos


" Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações"

É impossível que o Senhor deixe de nos falar cada dia, dizendo-nos o Seu amor, fazendo o apelo para que O sigamos, chamando a atenção para o caminho que devemos percorrer...
É impossível deixar de O ouvir embora Ele bata de mansinho e não insista, não obrigue, não se imponha...
É impossível deixar de O ouvir; mas é possível fazer como se não O ouvíssemos, como se vivêssemos de coração fechado, indiferentes à voz que nos fala , mais atentos à voz do vento que nos impele ou ao murmúrio das ondas que nos atraem e nos envolvem.
Há demasiadas tentações na vida que nos solicitam: o dinheiro, o prazer, a glória, as vitórias fáceis...
Há imensas dúvidas e incertezas: a neurastenia, a ansiedade, a inquietação o trabalho...
Há os amigos e os que se fazem... As propostas aliciantes e as constatações dolorosas... os entusiasmos e as barreiras opressivas... as lutas e a paz...
Tudo isto nos afasta, por vezes, do único e verdadeiro fim: Deus.
Não deixemos que as circunstâncias afectem e mudem aquilo que o Pai deseja  para nós: a Alegria, a Felicidade, o Amor, a certeza de que somos Seus filhos  e Ele nos Ama.
Não permitamos que os contratempos ofusquem o caminho que Deus traçou para nós e que nós aceitámos percorrer na fidelidade e na graça.
        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
                           


terça-feira, 16 de julho de 2013

Nossa Senhora do Carmo

!6 de Julho. Mais uma festa em que veneramos Nossa Senhora, com uma nova designação - Nossa Senhora do Carmo.
Foi no sec. XII que um pequeno grupo de eremitas escolheu o Monte Carmelo para se estabelecer e começar a sua vida de oração e contemplação. Mais tarde, ali nasceu a inspiração para se fundar uma Ordem contemplativa sob o patrocínio da Virgem Maria Mãe de Deus.
Mas este monte Carmelo não foi assim escolhido tão por acaso. Foi lá que o profeta Elias defendeu a pureza da Fé de Israel ao Deus vivo.
E Nossa Senhora, qualquer que seja o nome porque a conhecemos e a veneramos é sempre a mãe de Deus e a nossa mãe, aquela a quem Jesus, do alto da cruz, entregou o seu discípulo João, dizendo que ele era o seu filho e ela a sua mãe.
Não deixemos chegar este dia ao fim sem termos tido, em sua honra, um acto de louvor, sem termos dito uma palavra de agradecimento, sem termos lembrado o amigo que confia em nós.
                                             Ir.M.Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 


sábado, 13 de julho de 2013

O ambiente que nos influencia


O tempo está a fazer jus à afirmação de Luis de Camões quanto ao mundo ser todo feito de mudanças.Até as condições atmosféricas estão a dar o seu contributo a esta sábia afirmação do nosso poeta!... Ontem, sol, calor abrasador,alegria no ar; hoje, nevoeiro, tristeza, chuva, talvez trovoada...
Assim também os homens: ontem, vivendo sem preocupações, como se tudo lhes pertencesse e todo o futuro se desenhasse risonho; hoje, mergulhado na preocupação, na doença, na incerteza.
Só Deus permanece imutável. Presente nas nossas vidas, atento às nossas necessidades, chamando-nos das preocupações e incertezas...
As vezes andamos esquecidos, ausentes. Procuramos as respostas apenas nos acontecimentos e não nos lembramos que Deus está aqui, connosco. Só Ele tem as respostas de que necessitamos. Só Ele é Pai de misericórdia e de amor. Só Ele nos deu uma mãe que é a Sua mãe e de que hoje se festeja, em Fátima, mais uma das suas aparições aos pastorinhos
 Maria, que é mais uma razão de esperança e de conforto.A ela podemos e devemos recorrer pedindo-lhe que interceda por nós e não nos deixe ser movidos pelo tempo e os acontecimentos.
                   Ir. maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Surpresas


Hoje estou em Lisboa e, como de costume, dirigi-me à minha igreja de estimação , a basílica da Estrela.Ia à Missa do meio dia mas, de propósito, fui um bocadinho mais cedo. Queria tentar pôr em dia a minha conversa com Jesus.
Ajoelhei-me naqueles velhos bancos, conhecidos de há muito, e esperei pela Missa, enquanto apresentava  ao Deus meu pai  inquietações e angústias, dúvidas e certezas.
O tempo passou . Quando era meio dia e um quarto, resolvi ir à sacristia perguntar a que horas era a Missa do meio dia. Desisti! e continuei esperando calmamente. Não tinha ninguém à minha espera...
Um quarto de hora depois, apareceu um dos acólitos para pedir desculpa e explicar que não havia Missa porque o sr, padre tinha ficado retido no hospital, com um problema inadiável.
Fiquei estarrecida. Nunca me tinha acontecido tal coisa ali na estrela: um problema, um padre ocupado, ninguém para o substituir,,,
De facto, tudo acontece, Tudo muda.
Não nos podemos admirar que no Ramalhão também haja modificações e tudo vá ser diferente.
"O mundo é feito de mudanças" diz Camões e essas, afectam tudo e todos , incluindo o nosso Colégio.
No próximo ano, vamos ter uma parceria com o Colégio de S. Tomás de Lisboa, que trará para o Ramalhão uma direcção global, com a sua maneira de ver e de actuar. Mudanças, claro!
Mas os professores são os nossos e nós cá estaremos, como sempre.
O Ramalhão continua a ser o Colégio de todos nós. E os pais, bem o disseram...
                                     Ir.Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

domingo, 7 de julho de 2013

Esaú ou Jacob


Voltei a reler o texto do livro do Génesis que constituiu a 1ª leitura da missa de ontem. É um texto que sempre me fez impressão pela quantidade de dúvidas que suscita e de problemas que apresenta, na situação que descreve.
Primeiro, aquela mãe , que não se importa de enganar o marido e induz o filho mais novo a trair o irmão mais velho. Depois, o rapaz  que, talvez seduzido pelo  poder, pelos bens, condicionado pela palavra da mãe, sabemos lá porquê!... participa em toda aquele encenação que lhe permite tomar o lugar do irmão mais velho. Por fim, o pai, inocente de toda esta conspiração , incapaz de se aperceber dela,  participa sem dar por isso.
E, no meio de todo este golpe de teatro, Deus que, "impávido e sereno" deixa que tudo aconteça. São os Seus desígnios ou os planos dos homens?
Parece estranho, mas não é. É que Deus não intervem na acção dos Homens. Deus convida, ilumina, inspira mas deu-nos a liberdade de escolha, de opção entre fazer o Bem ou seguir o caminho do erro. Em todas as circunstâncias  e sempre, o Homem é senhor das suas acções e livre da fazer as suas opções.Foi para isso que Deus lhe deu a liberdade. Deus não impõe, não obriga; apenas mostra, convida, ensina. E fala ao nosso coração e à nossa inteligência. E nós, se pararmos para reflectir, somos capazes de distinguir o certo do errado. E até somos convidados a arrepiar caminho e recomeçar.
Jacob recebeu uma missão e uma bênção que não lhe eram destinadas. Não sabemos como se sentiu depois. Mas nós, somos capazes de perceber as consequências dos erros que cometemos ou do bem que deixámos de fazer. Tenhamos a coragem de voltar atrás e recomeçar.
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A responsabilidade da Amizade

Hoje de manhã ouvi na rádio um comentário sobre a Amizade que me chamou a atenção.
Entre conflitos políticos, crise económica, instabilidade social, etc.,etc. até parece estranho falar de amizade.
Mas não é! Até porque é precisamente nos momentos difíceis, nas incertezas, nas dúvidas, que devemos poder contar com os Amigos. 
Eles são o ombro acolhedor em que nos podemos refugiar para chorar, os olhos que riem com as nossas alegrias; eles têm a palavra certa no momento oportuno, o conselho adequado à decisão a tomar.
E depois... dizia o comentador... os verdadeiros amigos entendem-se mesmo sem palavras , não quebram a relação quando a distância os separa e não se afastam quando as ideias são antagónicas ou os interesses divergentes.
Ser Amigo é um dom e uma responsabilidade; ter Amigos é uma graça. Porque... os Amigos não julgam, não condenam. Antes, apoiam, aconselham, corrigem, desculpam.
Às vezes fazem perguntas indiscretas; outras vezes, deixam-nas por fazer. Mas sempre estão atentos, presentes, disponíveis.
A Amizade é uma forma de relação de que até Jesus nos deu testemunho. Ele amava Maria, Marta e Lázaro de maneira especial . A Amizade alimenta-se na oração, na partilha, na confiança, na inter-ajuda.
Outro dia, numa revista que me caiu nas mãos , dizia-se que "ter amigos é como possuir um canteiro de flores que se abrem para nós cada manhã".
Esta é uma definição poética das amizades puras e simples que se oferecem, como as flores nos canteiros.
Eu, que não sou poeta, limito-me a dizer ao Senhor: "Obrigada pelos Amigos que me deste. Olha por eles. Ajuda-me a merecê-los".
                                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.