quarta-feira, 3 de julho de 2013

A responsabilidade da Amizade

Hoje de manhã ouvi na rádio um comentário sobre a Amizade que me chamou a atenção.
Entre conflitos políticos, crise económica, instabilidade social, etc.,etc. até parece estranho falar de amizade.
Mas não é! Até porque é precisamente nos momentos difíceis, nas incertezas, nas dúvidas, que devemos poder contar com os Amigos. 
Eles são o ombro acolhedor em que nos podemos refugiar para chorar, os olhos que riem com as nossas alegrias; eles têm a palavra certa no momento oportuno, o conselho adequado à decisão a tomar.
E depois... dizia o comentador... os verdadeiros amigos entendem-se mesmo sem palavras , não quebram a relação quando a distância os separa e não se afastam quando as ideias são antagónicas ou os interesses divergentes.
Ser Amigo é um dom e uma responsabilidade; ter Amigos é uma graça. Porque... os Amigos não julgam, não condenam. Antes, apoiam, aconselham, corrigem, desculpam.
Às vezes fazem perguntas indiscretas; outras vezes, deixam-nas por fazer. Mas sempre estão atentos, presentes, disponíveis.
A Amizade é uma forma de relação de que até Jesus nos deu testemunho. Ele amava Maria, Marta e Lázaro de maneira especial . A Amizade alimenta-se na oração, na partilha, na confiança, na inter-ajuda.
Outro dia, numa revista que me caiu nas mãos , dizia-se que "ter amigos é como possuir um canteiro de flores que se abrem para nós cada manhã".
Esta é uma definição poética das amizades puras e simples que se oferecem, como as flores nos canteiros.
Eu, que não sou poeta, limito-me a dizer ao Senhor: "Obrigada pelos Amigos que me deste. Olha por eles. Ajuda-me a merecê-los".
                                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


terça-feira, 2 de julho de 2013

Silêncio que é festa

" E um grande silêncio estendeu-se sobre a Terra"
Isto é tema de Semana Santa, mas foi o que me veio à ideia quando me  levantei  hoje. Um imenso silêncio  invadia  a   casa e  os terrenos que a rodeiam. Nem pássaros nem pessoas nem sequer o ruído dos carros na estrada.
 Silêncio!
Talvez por causa do nevoeiro que envolve tudo como um manto e apaga os barulhos.
Dentro de casa também tudo silencioso e, as janelas fechadas por causa do calor, aumentam esta sensação ao mesmo tempo de esmagamento e de alívio.
Resolvi descer até à capela pequenina, a dos alunos como lhe chamamos, e parar.
O silêncio convida à reflexão; é uma maneira de descermos até ao fundo de nós mesmos e aferirmos das nossas coerências e infidelidades.
E hoje é para mim, dia de reflexão. Faz anos que tomei Hábito e iniciei esta caminhada que me trouxe até aqui. Há que rever!... É tão fácil esquecermo-nos dos nossos compromissos... porque  nos deixamos encher de trabalho, porque nos aborrecemos com o que os outros dizem ou fazem, porque não estamos satisfeitos connosco próprios, porque os projectos de Deus "estragam" os nossos projectos, porque nem sempre entendemos e aproveitamos os dons que Deus põe à nossa disposição.
Por isso, às vezes temos medo de parar e nos confrontarmos connosco,  com os nossos sims e os nossos nãos.
Mas tudo isto são dons, são graças; são a felicidade de poder recomeçar.
E é hoje que o tenho que fazer!...
                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.




segunda-feira, 1 de julho de 2013

Pessoas conhecidas e desconhecidas

A história da humanidade está repleta de acontecimentos e nomes que nos enchem de alegria, de reconhecimento e, porque não?... de orgulho.
Neste segundo milénio da nossa história continua a haver nomes que nos impressionam pela sua grandeza: são missionários, santos, cientistas, escritores, poetas, filósofos, mártires.
Cada um no seu campo se distinguiu pelo que foi, pelo que fez. Alguns nomes são bem conhecidos e fazem parte do nosso imaginário. Outros, passaram sem que soubéssemos algo da sua história ou do seu trabalho.
Ninguém desconhece o nome do inventor do computador, que todos usamos ou da máquina a vapor que foi a base da revolução industrial... Toda a gente sabe quem foi o primeiro homem a chegar à lua ou conhece as músicas de Paul Anka...São nomes demasiado conhecidos os de Camões ou Vasco da Gama...
E Madame Curie, Pasteur ou Edith Stein fazem parte do nosso album de conhecimentos?
E Mary Leakey, sabemos quem é, o que fez, em que área da Ciência se distinguiu?
Foi há cem anos que nasceu em Londres. O seu pai era pintor e viajava pelo mundo . Ela acompanhava-o e assim desenvolveu o gosto pela aventura. Interessou-se muito pela pré-história . Com as suas escavações e viagens, descobriu um grande número de ferramentas desta época, fazia as ilustrações do material encontrado e criou mesmo o 1º sistema de classificação.
De formação e prática era arqueóloga e antropóloga, tendo descoberto o primeiro fóssil  do Proconsul, Antropoide primitivo , um género de Primatas que viveu no Mioceno Africano de 14 a 18 milhões de anos atrás.
Estudou em Londres no University College, casou com Louis Bazett Leakey para o qual fazia ilustrações dos seus achados.
Morreu no Quénia, aos 83 anos, tendo sido uma paleo-antropóloga de renome.

sábado, 29 de junho de 2013

Festa de Santos

Solenidade de S. Pedro e S. Paulo

Dois santos, dois mártires, dois apóstolos, duas culturas diferentes, duas missões igualmente diferentes. Duas "chamadas " que não se assemelham.

Pedro é o primeiro Chefe da Igreja, aquele que negou Jesus mas que o amava tanto que mereceu a Sua escolha.
Paulo que, como judeu fiel e um pouco farisaico, considerava um atentado à doutrina tradicional estes novos ensinamentos que Jesus espalhava e iam fazendo seguidores.
A Pedro Jesus apenas fez uma pergunta: Pedro, amas-me? A Paulo, uma questão mais elaborada: Paulo, Paulo, porque me persegues?
Um e outro não hesitaram. Deixaram tudo e, por Jesus, foram até ao sacrifício total. 
Pedro, o chefe da Igreja nascente, tendo que tomar soluções nem sempre fáceis; Paulo, o "apóstolo das gentes", necessitando enfrentar dúvidas e oposições...
Dois Sims, difíceis mas completos, com tentações mas com decisão...
S. Pedro e S. Paulo , dois modelos que hoje celebramos!

Será que a nós Jesus nunca perguntou: X, tu amas-me?
Não terá Jesus razão para nos interrogar: Y, porque me persegues?
Muitas vezes dizemos que amamos a Deus, que queremos fazer a Sua vontade, que somos capazes de tudo para corresponder ao Seu Amor... E depois? No nosso actuar, no nosso dia-a-dia, nas nossas convicções, não fugimos a estas nossas palavras e não temos o procedimento que nega tudo aquilo que prometemos?
Quantas vezes nos apetece esquecer o Sim que dissemos um dia, no trabalho, na vida, nos compromissos!...
E não é trair o Pai, como Pedro? E não será "perseguir", de alguma maneira, os que acreditam em nós e em nós confiam?
Festejemos Pedro e Paulo. Façamos um momento de pausa na nossa vida, um instante de silêncio para ouvir o apelo de Deus no fundo do nosso coração. E sermos capazes de Lhe responder: Senhor, Tu sabes tudo, sabes que eu te amo!
                                            Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Anjos e demónios


Acho que era este o título dum livro ou dum artigo que causou polémica aqui há algum tempo. Mas eu não quero saber de polémicas e esqueço a segunda parte para me centrar apenas na primeira - os anjos.
Aliás desde pequena que me habituei a rezar de manhã e à noite uma jaculatória ao meu Anjo da Guarda. No meu imaginário de criança ele tinha a túnica branca tradicional, a cabeça coroada e asas transparentes... Para a maioria de nós foi assim, acho eu!...Depois, claro que esta imagem se vai apagando e chegamos mesmo a esquecer que o Anjo da Guarda é o intermediário , digamos assim, que  Deus  colocou ao nosso lado para nos acompanhar.
Esquecemos a imagem, esquecemos a oração que aprendemos em criança, deixamos de ter presente a acção do Anjo da Guarda junto de nós. E será que fazemos bem? Será que os anjos existem mesmo?
O facto é que no dia 10 de Junho, quando o País  festeja o dia de Portugal,  de Camões e das comunidades portuguesas, a Igreja celebra a festa do Anjo de Portugal, o anjo protector da nossa terra e das nossas gentes.
Aliás, a devoção ao Anjo de Portugal  intensificou-se com o seu aparecimento  aos pastorinhos. Ele mesmo se apresentou com este título.
Mas os Anjos têm um imenso lugar tanto no Antigo como no Novo Testamento: um anjo acompanhou Tobias, dois anjos anunciaram a maternidade de Isabel, novamente os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus, depois de terem pedido o consentimento de Maria para mãe do Filho de Deus. Foram ainda os anjos que convidaram José a receber Maria em sua casa, que anunciaram a perseguição de Herodes ao Menino e estiveram presentes na ressurreição.
Não sei se os Anjos existem mesmo para nos acompanhar e ajudar, mas acredito que se voltarmos a ler a Bíblia e meditarmos em todos os acontecimentos nela relatados, tornaremos, como crianças, a rezar a oração ao Anjo da Guarda e a pedir-lhe a sua protecção.
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O passado e o presente

Li ontem uma reportagem num jornal diário talvez ainda não muito divulgado mas bem interessante, o "i".
A reportagem era sobre os "sem abrigo".
E sabem quem a escreveu? Nem mais nem menos do que a Marta Reis, uma ex-aluna. Ainda bastante recente para que todos nos lembremos dela. Suficientemente antiga para ter acabado o curso de jornalismo e feito carreira no jornal.
Nesta reportagem a Marta escreve o texto quase como se estivéssemos a ouvir os intervenientes, a entender as suas motivações e as causas de se encontrarem agora na rua.
Aliás o sub-título do artigo é precisamente "ninguém conta as vidas que vão parar às ruas como eles".
E contam as suas histórias duma maneira "simples, rápida directa" que a Marta apresenta também duma maneira assim crua, sem floreados , sem comentários dissuasores.
Aliás, a Marta sempre foi uma jovem assim simples, completa, decidida, dinâmica.
Vinha para o Colégio e voltava à tarde para casa, na carrinha do Colégio, a velha carrinha do sr. José, com outras colegas. Muitas vezes tive ocasião de utilizar essa mesma carrinha e de apreciar as alunas que a frequentavam. Assim conheci melhor a Marta. Não era muito expansiva mas sabia equacionar um problema e formular uma teoria. Não deixava de dizer o que pensava.
Tinha uma imensa capacidade de trabalho e organização. Só assim conseguia ser uma brilhante aluna e ocupar-se doutras actividades como os escuteiros. 
Parecia transbordar satisfação, equilíbrio, realização.
Aqui há tempos veio ao Colégio colher elementos para um trabalho. Igual a sempre!
Temos saudades dela e das muitas que, como ela, souberam aproveitar do que aqui receberam.
Um grande abraço e felicidades para a nova vida que a espera.
                                     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.



quarta-feira, 26 de junho de 2013

Originalidade e não só


Talvez porque se lembrava ontem o aniversário de Gaudí recordei uma viagem que fizemos a Barcelona com as finalistas do Colégio.
Foi uma viagem maravilhosa em todos os sentidos.  Pelos conhecimentos  que  se adquiriram,  pelos  bons  momentos  passados, pelas  coisas lindas e originais que tivemos ocasião de observar...
A maior parte de nós não conhecia a cidade e foi um deslumbramento porque Barcelona não é uma cidade qualquer. Aliás, desde que chegámos que nos apercebemos disso. Quer na traça dos edifícios, influenciados pelo estilo do"modernismo catalão", quer no ambiente cosmopolita das suas ruas e praças, quer na originalidade da juventude que se reúne nas famosas "Ramblas".
Começámos as nossas visitas pelo Parque Güell que não tem igual em parte nenhuma que eu conheça: na estrutura, na arquitectura, na imaginação, nas cores... Lá se juntam os elementos de que Gaudí fazia questão de se servir e misturar: a cerâmica, o vidro, o ferro forjado, a madeira, numa sinfonia de desenhos e cores.
Gaudí era um arquitecto catalão que viveu a maior parte da sua vida em Barcelona e cuja "coroa de glória" é o inacabado Templo da Sagrada Família. Dois dos elementos deste templo com mais cinco das obras de Gaudí foram reconhecidos como Património Mundial pela Unesco.
Que honra para o autor e para a cidade!
Na Sagrada Família, Gaudí procurou exprimir os seus sentimentos de católico convicto, a sua imensa devoção, devoção essa que se foi intensificando à medida que a sua obra progredia.
Não finalizou esta obra, por motivos vários, e a catedral continuava à espera de alguém cujo talento lhe permitisse continuar o que uma imaginação prodigiosa concebera. Nós fomos visitá-la e ficámos sem palavras.
Depois, passeámos, orientados por um guia sabedor, pelas principais ruas da cidade. Em cada canto um edifício com a marca Gaudí, muito embora os mais conhecidos sejam as casas Milà e Batlló. Mas há muitas outras igualmente originais na sua concepção, como a "Pedreira".
Engraçado que, segundo ouvimos ao guia, Gaudí começou os seus trabalhos de arquitectura, influenciado pelo estilo neogótico mas cedo se desprendeu dele para integrar o movimento do modernismo catalão e acabando por criar o seu próprio e original estilo.
Cada volta que dávamos servia para encontrar novos encantos que aumentavam o desejo de voltar ràpidamente a esta cidade.
Espero que muitas de vós recordem, como eu, essa semana inolvidável em que mergulhámos em cultura, arte , técnicas e sonhos que nos ultrapassam.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.