sábado, 29 de junho de 2013

Festa de Santos

Solenidade de S. Pedro e S. Paulo

Dois santos, dois mártires, dois apóstolos, duas culturas diferentes, duas missões igualmente diferentes. Duas "chamadas " que não se assemelham.

Pedro é o primeiro Chefe da Igreja, aquele que negou Jesus mas que o amava tanto que mereceu a Sua escolha.
Paulo que, como judeu fiel e um pouco farisaico, considerava um atentado à doutrina tradicional estes novos ensinamentos que Jesus espalhava e iam fazendo seguidores.
A Pedro Jesus apenas fez uma pergunta: Pedro, amas-me? A Paulo, uma questão mais elaborada: Paulo, Paulo, porque me persegues?
Um e outro não hesitaram. Deixaram tudo e, por Jesus, foram até ao sacrifício total. 
Pedro, o chefe da Igreja nascente, tendo que tomar soluções nem sempre fáceis; Paulo, o "apóstolo das gentes", necessitando enfrentar dúvidas e oposições...
Dois Sims, difíceis mas completos, com tentações mas com decisão...
S. Pedro e S. Paulo , dois modelos que hoje celebramos!

Será que a nós Jesus nunca perguntou: X, tu amas-me?
Não terá Jesus razão para nos interrogar: Y, porque me persegues?
Muitas vezes dizemos que amamos a Deus, que queremos fazer a Sua vontade, que somos capazes de tudo para corresponder ao Seu Amor... E depois? No nosso actuar, no nosso dia-a-dia, nas nossas convicções, não fugimos a estas nossas palavras e não temos o procedimento que nega tudo aquilo que prometemos?
Quantas vezes nos apetece esquecer o Sim que dissemos um dia, no trabalho, na vida, nos compromissos!...
E não é trair o Pai, como Pedro? E não será "perseguir", de alguma maneira, os que acreditam em nós e em nós confiam?
Festejemos Pedro e Paulo. Façamos um momento de pausa na nossa vida, um instante de silêncio para ouvir o apelo de Deus no fundo do nosso coração. E sermos capazes de Lhe responder: Senhor, Tu sabes tudo, sabes que eu te amo!
                                            Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Anjos e demónios


Acho que era este o título dum livro ou dum artigo que causou polémica aqui há algum tempo. Mas eu não quero saber de polémicas e esqueço a segunda parte para me centrar apenas na primeira - os anjos.
Aliás desde pequena que me habituei a rezar de manhã e à noite uma jaculatória ao meu Anjo da Guarda. No meu imaginário de criança ele tinha a túnica branca tradicional, a cabeça coroada e asas transparentes... Para a maioria de nós foi assim, acho eu!...Depois, claro que esta imagem se vai apagando e chegamos mesmo a esquecer que o Anjo da Guarda é o intermediário , digamos assim, que  Deus  colocou ao nosso lado para nos acompanhar.
Esquecemos a imagem, esquecemos a oração que aprendemos em criança, deixamos de ter presente a acção do Anjo da Guarda junto de nós. E será que fazemos bem? Será que os anjos existem mesmo?
O facto é que no dia 10 de Junho, quando o País  festeja o dia de Portugal,  de Camões e das comunidades portuguesas, a Igreja celebra a festa do Anjo de Portugal, o anjo protector da nossa terra e das nossas gentes.
Aliás, a devoção ao Anjo de Portugal  intensificou-se com o seu aparecimento  aos pastorinhos. Ele mesmo se apresentou com este título.
Mas os Anjos têm um imenso lugar tanto no Antigo como no Novo Testamento: um anjo acompanhou Tobias, dois anjos anunciaram a maternidade de Isabel, novamente os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus, depois de terem pedido o consentimento de Maria para mãe do Filho de Deus. Foram ainda os anjos que convidaram José a receber Maria em sua casa, que anunciaram a perseguição de Herodes ao Menino e estiveram presentes na ressurreição.
Não sei se os Anjos existem mesmo para nos acompanhar e ajudar, mas acredito que se voltarmos a ler a Bíblia e meditarmos em todos os acontecimentos nela relatados, tornaremos, como crianças, a rezar a oração ao Anjo da Guarda e a pedir-lhe a sua protecção.
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O passado e o presente

Li ontem uma reportagem num jornal diário talvez ainda não muito divulgado mas bem interessante, o "i".
A reportagem era sobre os "sem abrigo".
E sabem quem a escreveu? Nem mais nem menos do que a Marta Reis, uma ex-aluna. Ainda bastante recente para que todos nos lembremos dela. Suficientemente antiga para ter acabado o curso de jornalismo e feito carreira no jornal.
Nesta reportagem a Marta escreve o texto quase como se estivéssemos a ouvir os intervenientes, a entender as suas motivações e as causas de se encontrarem agora na rua.
Aliás o sub-título do artigo é precisamente "ninguém conta as vidas que vão parar às ruas como eles".
E contam as suas histórias duma maneira "simples, rápida directa" que a Marta apresenta também duma maneira assim crua, sem floreados , sem comentários dissuasores.
Aliás, a Marta sempre foi uma jovem assim simples, completa, decidida, dinâmica.
Vinha para o Colégio e voltava à tarde para casa, na carrinha do Colégio, a velha carrinha do sr. José, com outras colegas. Muitas vezes tive ocasião de utilizar essa mesma carrinha e de apreciar as alunas que a frequentavam. Assim conheci melhor a Marta. Não era muito expansiva mas sabia equacionar um problema e formular uma teoria. Não deixava de dizer o que pensava.
Tinha uma imensa capacidade de trabalho e organização. Só assim conseguia ser uma brilhante aluna e ocupar-se doutras actividades como os escuteiros. 
Parecia transbordar satisfação, equilíbrio, realização.
Aqui há tempos veio ao Colégio colher elementos para um trabalho. Igual a sempre!
Temos saudades dela e das muitas que, como ela, souberam aproveitar do que aqui receberam.
Um grande abraço e felicidades para a nova vida que a espera.
                                     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.



quarta-feira, 26 de junho de 2013

Originalidade e não só


Talvez porque se lembrava ontem o aniversário de Gaudí recordei uma viagem que fizemos a Barcelona com as finalistas do Colégio.
Foi uma viagem maravilhosa em todos os sentidos.  Pelos conhecimentos  que  se adquiriram,  pelos  bons  momentos  passados, pelas  coisas lindas e originais que tivemos ocasião de observar...
A maior parte de nós não conhecia a cidade e foi um deslumbramento porque Barcelona não é uma cidade qualquer. Aliás, desde que chegámos que nos apercebemos disso. Quer na traça dos edifícios, influenciados pelo estilo do"modernismo catalão", quer no ambiente cosmopolita das suas ruas e praças, quer na originalidade da juventude que se reúne nas famosas "Ramblas".
Começámos as nossas visitas pelo Parque Güell que não tem igual em parte nenhuma que eu conheça: na estrutura, na arquitectura, na imaginação, nas cores... Lá se juntam os elementos de que Gaudí fazia questão de se servir e misturar: a cerâmica, o vidro, o ferro forjado, a madeira, numa sinfonia de desenhos e cores.
Gaudí era um arquitecto catalão que viveu a maior parte da sua vida em Barcelona e cuja "coroa de glória" é o inacabado Templo da Sagrada Família. Dois dos elementos deste templo com mais cinco das obras de Gaudí foram reconhecidos como Património Mundial pela Unesco.
Que honra para o autor e para a cidade!
Na Sagrada Família, Gaudí procurou exprimir os seus sentimentos de católico convicto, a sua imensa devoção, devoção essa que se foi intensificando à medida que a sua obra progredia.
Não finalizou esta obra, por motivos vários, e a catedral continuava à espera de alguém cujo talento lhe permitisse continuar o que uma imaginação prodigiosa concebera. Nós fomos visitá-la e ficámos sem palavras.
Depois, passeámos, orientados por um guia sabedor, pelas principais ruas da cidade. Em cada canto um edifício com a marca Gaudí, muito embora os mais conhecidos sejam as casas Milà e Batlló. Mas há muitas outras igualmente originais na sua concepção, como a "Pedreira".
Engraçado que, segundo ouvimos ao guia, Gaudí começou os seus trabalhos de arquitectura, influenciado pelo estilo neogótico mas cedo se desprendeu dele para integrar o movimento do modernismo catalão e acabando por criar o seu próprio e original estilo.
Cada volta que dávamos servia para encontrar novos encantos que aumentavam o desejo de voltar ràpidamente a esta cidade.
Espero que muitas de vós recordem, como eu, essa semana inolvidável em que mergulhámos em cultura, arte , técnicas e sonhos que nos ultrapassam.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Cantar alivia a alma


"Quem canta seus males espanta"  diz o povo. Não sei se tem razão mas é um facto que antigamente era muito frequente ver, pelas aldeias, as populações cantando enquanto realizavam as suas múltiplas  tarefas, quer domésticas quer no campo.
E mesmo na cidade se ouviam inúmeros pregões: era o amolador de tesouras e navalhas; era o vendedor dr castanhas; era a peixeira com seu peixe fresco; era a compradora de trapos e garrafas...
Cantar, de alguma maneira, é dizer o que nos vai na alma, de triste ou de alegre, de feliz ou menos feliz.É abrir o coração e libertar frustrações e aliviar desalentos. É deixar que os sonhos cresçam e se vão alinhando a seu gosto...
O pior é quando não se sabe cantar!...
Mas fechar-se em si mesmo é amarfanhar a alma e enquistar o coração; é o inverso de procurar e alimentar a felicidade.
Estou a pensar naquele filme já antigo, a Música no coração em que a aspirante a freira transbordava de música e enchia dela a sua vida. Em toda a parte e sempre ela cantava. Oportuna e inoportunamente lá estava ela e a sua música. E com a música motivou sete crianças e salvou uma família.
É uma história, claro! mas também uma lição de vida porque cantar ( mesmo para quem não tem voz) é um libertar de tudo o que oprime; é poder olhar a vida com olhos novos.
"Quem canta seus males espanta" e suas alegrias cultiva e sua felicidade
constrói.  Até porque também é afirmação corrente que cantar é rezar duas vezes. E quem não precisa de rezar? Quem não precisa de contar a Deus as suas alegrias e angústias, de Lhe pedir conforto e apoio? Quem não tem graças a agradecer e louvores a dar a Deus?
Então, canta... mesmo que seja apenas com o coração.
                       Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Conhecimento e invenções

O milénio passado foi fértil em descobertas e nomes que se distinguiram pelos seus trabalhos e as suas invenções. Entre esses nomes está Pedro Nunes. É um português, nascido em 1502 em Alcácer do Sal.
Foi um dos maiores cientistas do seu tempo, na área da Matemática, tendo-lhe sido mesmo confiada a cátedra de Matemática da Universidade de Coimbra, o que, nesse tempo, era a maior distinção que, em Portugal,  era atribuída a   um professor.
Mas os seus estudos universitários iniciaram-se em Lisboa e depois continuaram em Salamanca. Estudou não só Matemática mas também artes, Filosofia e até Medicina.
D. João III nomeou-o cosmógrafo do Reino.
Com a transferência da Universidade, de Lisboa para Coimbra, Pedro Nunes teve que se repartir entre a sua cátedra em Coimbra e as suas investigações e o seu lugar de cosmógrafo do Reino, em Lisboa.
Dedicou-se a vários problemas matemáticos e à sua aplicação até na astronáutica. 
Igualmente inventou vários instrumentos como o astrolábio e o nónio. Este é mesmo o mais conhecido e o nome deriva do apelido latino de Pedro Nunes - Petrus Nonius.
Não se sabe muito àcerca da ascendência deste grande matemático, mas pensa-se que fosse de origem judaica. Não que sobre ele tivesse recaído qualquer acusação ou suspeita mas porque dois dos seus netos- Matias Pereira e Pedro Nunes Pereira - foram condenados pelo Santo Ofício como Judeus e estiveram vários anos presos.
Mas isso não invalida as suas capacidades e o prestígio devido aos seus trabalhos.
                                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Amanhã é um novo dia


Ontem quando me levantei e abri a janela senti uma neurastenia imensa. O nevoeiro invadia tudo, estrada, árvores e casas como um manto leitoso, mole. Dos automóveis, apenas uma ténues luzes a assinalar a sua presença. Donde em onde, algumas pessoas tentando atravessar a rua. Uma aventura... Parecia que estavam numa grande caixa, cheia de algodão, envolvidas como relíquia preciosa que não se podia partir.
Desci ao encontro do "povoado" e os comentários todos iguais: Que tempo! E estamos quase em férias, quase no Verão...
O que vai ser este ano o mês de Agosto?
Como estará o tempo na praia?
E todos nos lamentávamos e nos insurgíamos não sei se contra o S. Pedro, se contra o clima em geral, se contra tudo e contra nada.
Mas, tudo reacções negativas que não ajudavam ao começo dum dia de trabalho.
Resolvi reagir. É que realmente não vale a pena preocuparmo-nos com antecedência e, mais ainda, deixar que as condições atmosféricas influenciem a nossa disposição e o nosso trabalho.
Achei que era altura de pôr a tocar Beethoven com o seu Hino à Alegria. Esse ao menos "puxa para cima" como diz uma professora aqui do Colégio e apresenta perspectivas de esperança ao mesmo tempo que ensina a ultrapassar barreiras e a construir caminhos de Fé e de Esperança.

" escuta irmão esta canção de alegria
o canto alegre de quem espera um novo dia"

E amanhã vai ser um novo dia!
E mesmo que continue o nevoeiro e a chuva caia, o sol continua a existir 
e a esperança a animar os corações. 

" e os homens voltarão a ser irmãos"...
                      Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.