quinta-feira, 13 de junho de 2013

O Santo Popular



Santo António de Lisboa! É hoje o dia em que a Igreja e a cidade comemoram a sua festa. Cada uma à sua maneira, Claro! A Igreja, liturgicamente, celebrando o dia da morte dum homem que se distinguiu pelas suas virtudes e acções; a cidade, festejando o seu padroeiro, o santo casamenteiro e amigo dos animais.

Santo António nasceu em Lisboa, no fim do sec. XII. Foi um sapiente pregador franciscano e o seu sonho era expandir a Fé em terras de além -mar. Mas, como muitas vezes acontece, o seu campo de apostolado foi a França e a Itália, morrendo mesmo em Pádua. Daí os italianos quererem chamar a si as honras deste santo português.
Mas ele é o padroeiro de Lisboa e a ele se dedicam as maiores festas populares da cidade. Aqui é tido como grande milagreiro, sobretudo de coisas perdidas e igualmente o intercessor daqueles que pretendem casar.
Muitas histórias se contam àcerca dele e dos seus milagres. Dizia-se mesmo que era tão grande pregador que quando os homens o não queriam ouvir, os peixes se regozijavam com as suas palavras. 
Grandes festas se preparam e vivem na cidade de Lisboa, tendo como fundo Santo António. Mas a Igreja venera a sua grande humanidade bem como a sua incontestável santidade.
Peçamos-lhe os milagres que necessitamos mas não nos esqueçamos também de rezar em seu louvor.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sonhos,vivências, realidades

Assisti no sábado, na TV, à primeira entrevista de Sara Norton depois de sair da prisão.
Impressionante!
A postura, a simplicidade nas afirmações, a constatação de factos e de culpas...
Fez-me imensa impressão verificar como uma jovem pode ir descendo, talvez inconscientemente, degrau a degrau, a escada que a conduz ao abismo.

Foram questões familiares, problemas sociais, pressão dos média... talvez falta de força e, porque não? falta de Fé. Não sei. Só sei que esta situação me fez tornar mais certo o slogan que as minhas alunas já sabiam de cor à força de mo ouvirem repetir: " A vida inteira depende de dois ou três sims e de dois ou três nãos ditos durante a Juventude"

É que é precisamente nesta altura da vida que se consolida a aprendizagem do Bem e do Mal; que se fortifica a personalidade; que se estabelecem metas e se luta por elas; que se definem objectivos e se aprendem Valores.
É enquanto somos jovens que estabelecemos as grandes linhas do querer, a divisória entre o que se pretende e o que se afasta. É nesta altura que temos força , entusiasmo, alegria, para seguir os nossos ideais, mesmo quando custa. É então que temos coragem para dizer Sim ao que nos eleva e Não ao que nos afunda.
É que ser jovem é isso. É estar na fronteira entre o querer e o não querer. é o momento da escolha, das grandes opções, aquelas que são imprescindíveis e nos enaltecem ou nos diminuem.
Depois, crescemos e vamos simplesmente construindo o edifício de que um dia, mais ou menos distante, lançámos os alicerces. E não podemos ficar a meio; não podemos desistir nem lamentarmo-nos.
Olhemos em frente, levantemos o nosso pensamento até ao Pai e recordemos os Sins e os Nãos que dissemos e nos ajudaram a chegar onde estamos. E tenhamos a certeza de que Ele está lá, que nos apoia e nos espera.
                Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Venturas e desventuras duma directora

Na vida da directora dum colégio há sempre coisas boas e menos boas que vão acontecendo. E em quarenta anos, quantas coisas a registar!...
Foram viagens, foram festas, foram lanches, foram encontros e visitas... Mil acontecimentos que ficaram na memória com a sua dose de alegria e comoção, de preocupação e dificuldade.
Foram os lanches dos professores, cada ano, no fim das aulas,com a sua
alegria, as suas histórias... foram os jantares das finalistas, com os seus números de improviso...
Foram as festas e as viagens... A SIARC, os 5 Séculos de Evangelização, o cinema português, as artimanhas do Scapin, etc.,etc.. 
E a participação na Expo 98  e a visita à Expo de Sevilha  em que dormimos uma noite na camioneta à guarda do dono da bomba de gasolina...
Quem não se lembra daquele Natal em que nos pediram para ir animar o Cascais shopping? Começou à meia noite com os preparativos e terminou às 3 da manhã do dia seguinte com a desmontagem... Uma azáfama, muita alegria, uma colaboração total. Os "relações públicas " do shopping é que se esqueceram de dizer; ao menos, obrigado.
E as viagens... lembro aquela à Sicília em que à chegada ao aeroporto não estava ninguém para nos receber... apenas uma guia desesperado porque os seus turistas brasileiros não tinham vindo. Chegámos à fala e descobrimos que os "turistas brasileiros" éramos nós e a nossa guia desaparecida era ela - a Maria Ruiz. Erros de comunicação!
E aquela outra a Roma em que à chegada ao hotel batemos com o nariz na porta dum hotel encerrado... Nem queríamos saber de explicações dum senhor que estava à nossa espera. Os telefones já preparados para falar para a Agência. No fim, lá nos acalmámos. É que o hotel afinal era outro bem melhor. Erro do motorista, demasiado ocupado com a namorada que nós julgávamos ser a guia.
E as  "visitas ilustres" que tivemos a honra de receber? Muitas canseiras, muita preocupação, mas valeu a pena.
E, uma curiosidade... soube recentemente que a 1ª visita ilustre que o Colégio recebeu, me antecedeu bastante. Foi em 1945, era directora a Madre Sto Agostinho . Foi nem mais nem menos que a Rainha D. Amélia que, a convite do Salazar veio a Portugal e visitou o Ramalhão.
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.



terça-feira, 4 de junho de 2013

Tudo vale a pena...

Na vida, tudo vale a pena, como dizia o poeta. Só que ele acrescentava "quando a alma não é pequena" e, para mim, vale sempre a pena insistir, tentar levar por diante um projecto, experimentar uma ideia nova, defender uma causa justa...
Vale sempre a pena... mesmo quando " uns são os que semeiam e outros os que colhem ".
Acho que o meu imaginário anda muito preenchido pela História. Por isso, me lembrei da contestação montada por Akhenaton ( Amenofis IV) que era um revolucionário para o seu tempo e resolveu opôr-se ao costume institucionalizado, no Egipto, da apresentação dos faraós, quando sepultados. Era costume, qualquer que fosse o aspecto físico, apresentar uma estátua de corpo perfeito, robusto, bem proporcionado, olhar distante e punhos cerrados.
Mostrava-se assim aos súbditos e aos outros povos a força e a imortalidade do Império Egípcio.
Como sempre, "não há regra sem excepção" e há  grandes homens que se opõem aos costumes estabelecidos. Assim aconteceu com Akhenaton que decidiu querer ser representado de acordo com o seu aspecto físico, apesar deste não ser o que melhor correspondia às tradições.
O seu esforço de mudança não teve sucesso, pois não conseguiu continuadores. Após a sua morte tudo voltou ao que tinha sido e a representação da família real como sempre fora.
Luta inglória a sua!... dirão alguns... Mas talvez não. Através dos tempos, a pouco e pouco, outros costumes e métodos se introduziram. E se o Faraó egípcio não viu os seus esforços coroados de êxito, outros aproveitaram das suas ideias e intenções.
Também na vida, muitas vezes, lutamos por ideais que não chegam a concretizar-se ou que terminam sem serem vistos por aqueles que se bateram por eles. Muitas vezes desistimos de defender ideais e princípios porque nos parece uma luta sem sentido que não leva a lado nenhum.
Mas não é verdade. Mesmo que não vejamos os frutos eles estarão lá prontos para serem colhidos por outros que não os semearam." Uns são os que colhem, outros os que semearam..."
Não importa quem vai receber os frutos. Interessa sim ir  semeando ideias e valores que correspondem a Verdades que não morrem.

                          Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O:P:

segunda-feira, 3 de junho de 2013

"Ex-Ramalhoas"

Apetecia-me escrever em grandes parangonas nos jornais : " O Ramalhão vale a pena!"
E porquê? Porque mais uma vez uma ex-aluna  nossa apareceu nos jornais e nas redes sociais - Maria do Céu Conceição.

Assistente de bordo de profissão, missionária no Dubai por opção, foi a primeira portuguesa a escalar o Evereste e precisamente no 60º aniversário da conquista desse mítico cume dos Himalaias.
E fê-lo não por desportivismo, por vã glória, por procura de prestígio, não! Empenhou-se nesta aventura por amor às crianças do Bangladesh.
Aliás, ao longo do tempo, a Maria do Céu tem-se dedicado a angariar fundos que lhe permitam auxiliar as crianças em dificuldades nesses países distantes.
Esta missão arriscada de escalar o Evereste, conseguiu-lhe um montante  avultado, com o qual vai fazer face a problemas prementes dessas crianças que sofrem.
Não sei se ela se lembra das colegas que teve aqui no Colégio. Não sei se elas a têm presente e a apoiam...
Não sei se o seu espírito humanitário é fruto de algo que aqui aprendeu...
Mas sei que, como portuguesas, temos muito orgulho nela e que, no Ramalhão, a damos como exemplo de disponibilidade e amor ao próximo.
                                                    Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

domingo, 2 de junho de 2013

Dia da Eucaristia

Hoje é o dia dedicado à Eucaristia, ao dom de Deus que se fez homem por nosso amor e que, por amor, se dá, como pão e vinho, em alimento de todos e cada um de nós.
Em Lisboa, e noutras cidades certamente, houve a tradicional procissão do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que percorreu o centro da cidade.
Uma autêntica manifestação, podemos dizê-lo, mas desta vez, a manifestação da Fé de um povo.
Alias, impressionou-me a seriedade dos que, ao longo dos passeios, cantavam e esperavam pacientemente a passagem de Jesus. Eu, que não aprecio grandemente  procissões, gostei de ir, de participar, de me juntar a tanta gente que queria mostrar a sua devoção. Eram pessoas de todas as idades e condições. Famílias inteiras, visitantes ou simples turistas.
Foi num dia como o de hoje que fiz a minha Primeira Comunhão. Foi na paróquia de Santa Isabel em Lisboa que tinha como pároco um carmelita - o Padre Nuno. Lembro-me como se fosse hoje!...
Não sei é se compreendi até ao fim  a oferta que Jesus se me estava a fazer e a graça que eu estava a receber... Não sei se foi este o princípio dum "fim "que teve como desfecho a minha opção de vida... Não sei se vivi com a intensidade requerida  esta graça que nos é feita na vinda de Jesus ao nosso coração e à nossa vida...
Jesus ofereceu-se uma vez pelo Seu nascimento, a Sua paixão, morte e ressurreição mas continua a oferecer-se, cada dia, pela Sua presença na Eucaristia.
Não sei se compreendi e agradeci esta dádiva no dia da Primeira Comunhão. Não sei se continuo a saber agradecer devidamente. Mas tenho a certeza que hoje, de maneira especial, ao ajoelhar diante do Jesus presente, soube que Ele estava ali, se me dava e me acolhia.
                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 1 de junho de 2013

Ainda a Grécia...


Falar da Grécia não pode ser apenas citar episódios duma viagem, recordar a política ou a cultura helénica, lembrar que a Grécia foi o palco dos primeiros Jogos Olímpicos ou voltar a dizer que a beleza era uma das preocupações dos homens helénicos.
É importante que recordemos e falemos de tudo o que nos foi dado ver e apreciar durante os oito dias que a nossa viagem durou.
Muita gente ao chegar a Atenas, pela primeira vez, tem uma grande desilusão. Tudo lhes parece ruínas dum passado longínquo, amontoados de pedras que não se entende que mereçam ser assim guardadas e apreciadas. Depois, se se teve o guia certo, é o deslumbramento. As pedras ganham vida, as colunas  contam histórias, os templos meio desfeitos evocam mitos e lendas.
E andamos dum lado para o outro como elementos dessa História que se torna presente e de que nos fazemos protagonistas.
Subimos à Acrópole, lugar onde morava o Rei e onde o povo da planície se refugiava em caso de perigo. Era um ponto de defesa de Atenas.
Descemos ao Teatro de Herodes, anfiteatro onde se realizavam torneios, jogos, corridas.

Admirámos o templo de Zeus com as suas colunas coríntias e parámos fascinados diante do templo de Atenea.




 Contemplámos o Partenon e ouvimos falar da sua simbologia mais política e cultural que religiosa.

Depois, já com os olhos cansados, regressámos à modernidade para nos espantarmos com a exibição dos soldados que guardam o Parlamento. Originais os trajes! Fora do comum os movimentos! Bizarros os sapatos...

E, como o tempo o permitia, fizemos um cruzeiro pelas ilhas gregas e visitámos Hydra e Poros.
São interessantíssimas com o seu artesanato próprio, o seu ambiente característico, o seu vestuário regional.
Foi uma viagem memorável por séculos da História, ainda sem crise nem contestações.
Que os Gregos não percam a esperança de que melhores dias virão.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.