terça-feira, 4 de junho de 2013

Tudo vale a pena...

Na vida, tudo vale a pena, como dizia o poeta. Só que ele acrescentava "quando a alma não é pequena" e, para mim, vale sempre a pena insistir, tentar levar por diante um projecto, experimentar uma ideia nova, defender uma causa justa...
Vale sempre a pena... mesmo quando " uns são os que semeiam e outros os que colhem ".
Acho que o meu imaginário anda muito preenchido pela História. Por isso, me lembrei da contestação montada por Akhenaton ( Amenofis IV) que era um revolucionário para o seu tempo e resolveu opôr-se ao costume institucionalizado, no Egipto, da apresentação dos faraós, quando sepultados. Era costume, qualquer que fosse o aspecto físico, apresentar uma estátua de corpo perfeito, robusto, bem proporcionado, olhar distante e punhos cerrados.
Mostrava-se assim aos súbditos e aos outros povos a força e a imortalidade do Império Egípcio.
Como sempre, "não há regra sem excepção" e há  grandes homens que se opõem aos costumes estabelecidos. Assim aconteceu com Akhenaton que decidiu querer ser representado de acordo com o seu aspecto físico, apesar deste não ser o que melhor correspondia às tradições.
O seu esforço de mudança não teve sucesso, pois não conseguiu continuadores. Após a sua morte tudo voltou ao que tinha sido e a representação da família real como sempre fora.
Luta inglória a sua!... dirão alguns... Mas talvez não. Através dos tempos, a pouco e pouco, outros costumes e métodos se introduziram. E se o Faraó egípcio não viu os seus esforços coroados de êxito, outros aproveitaram das suas ideias e intenções.
Também na vida, muitas vezes, lutamos por ideais que não chegam a concretizar-se ou que terminam sem serem vistos por aqueles que se bateram por eles. Muitas vezes desistimos de defender ideais e princípios porque nos parece uma luta sem sentido que não leva a lado nenhum.
Mas não é verdade. Mesmo que não vejamos os frutos eles estarão lá prontos para serem colhidos por outros que não os semearam." Uns são os que colhem, outros os que semearam..."
Não importa quem vai receber os frutos. Interessa sim ir  semeando ideias e valores que correspondem a Verdades que não morrem.

                          Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O:P:

segunda-feira, 3 de junho de 2013

"Ex-Ramalhoas"

Apetecia-me escrever em grandes parangonas nos jornais : " O Ramalhão vale a pena!"
E porquê? Porque mais uma vez uma ex-aluna  nossa apareceu nos jornais e nas redes sociais - Maria do Céu Conceição.

Assistente de bordo de profissão, missionária no Dubai por opção, foi a primeira portuguesa a escalar o Evereste e precisamente no 60º aniversário da conquista desse mítico cume dos Himalaias.
E fê-lo não por desportivismo, por vã glória, por procura de prestígio, não! Empenhou-se nesta aventura por amor às crianças do Bangladesh.
Aliás, ao longo do tempo, a Maria do Céu tem-se dedicado a angariar fundos que lhe permitam auxiliar as crianças em dificuldades nesses países distantes.
Esta missão arriscada de escalar o Evereste, conseguiu-lhe um montante  avultado, com o qual vai fazer face a problemas prementes dessas crianças que sofrem.
Não sei se ela se lembra das colegas que teve aqui no Colégio. Não sei se elas a têm presente e a apoiam...
Não sei se o seu espírito humanitário é fruto de algo que aqui aprendeu...
Mas sei que, como portuguesas, temos muito orgulho nela e que, no Ramalhão, a damos como exemplo de disponibilidade e amor ao próximo.
                                                    Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

domingo, 2 de junho de 2013

Dia da Eucaristia

Hoje é o dia dedicado à Eucaristia, ao dom de Deus que se fez homem por nosso amor e que, por amor, se dá, como pão e vinho, em alimento de todos e cada um de nós.
Em Lisboa, e noutras cidades certamente, houve a tradicional procissão do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que percorreu o centro da cidade.
Uma autêntica manifestação, podemos dizê-lo, mas desta vez, a manifestação da Fé de um povo.
Alias, impressionou-me a seriedade dos que, ao longo dos passeios, cantavam e esperavam pacientemente a passagem de Jesus. Eu, que não aprecio grandemente  procissões, gostei de ir, de participar, de me juntar a tanta gente que queria mostrar a sua devoção. Eram pessoas de todas as idades e condições. Famílias inteiras, visitantes ou simples turistas.
Foi num dia como o de hoje que fiz a minha Primeira Comunhão. Foi na paróquia de Santa Isabel em Lisboa que tinha como pároco um carmelita - o Padre Nuno. Lembro-me como se fosse hoje!...
Não sei é se compreendi até ao fim  a oferta que Jesus se me estava a fazer e a graça que eu estava a receber... Não sei se foi este o princípio dum "fim "que teve como desfecho a minha opção de vida... Não sei se vivi com a intensidade requerida  esta graça que nos é feita na vinda de Jesus ao nosso coração e à nossa vida...
Jesus ofereceu-se uma vez pelo Seu nascimento, a Sua paixão, morte e ressurreição mas continua a oferecer-se, cada dia, pela Sua presença na Eucaristia.
Não sei se compreendi e agradeci esta dádiva no dia da Primeira Comunhão. Não sei se continuo a saber agradecer devidamente. Mas tenho a certeza que hoje, de maneira especial, ao ajoelhar diante do Jesus presente, soube que Ele estava ali, se me dava e me acolhia.
                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 1 de junho de 2013

Ainda a Grécia...


Falar da Grécia não pode ser apenas citar episódios duma viagem, recordar a política ou a cultura helénica, lembrar que a Grécia foi o palco dos primeiros Jogos Olímpicos ou voltar a dizer que a beleza era uma das preocupações dos homens helénicos.
É importante que recordemos e falemos de tudo o que nos foi dado ver e apreciar durante os oito dias que a nossa viagem durou.
Muita gente ao chegar a Atenas, pela primeira vez, tem uma grande desilusão. Tudo lhes parece ruínas dum passado longínquo, amontoados de pedras que não se entende que mereçam ser assim guardadas e apreciadas. Depois, se se teve o guia certo, é o deslumbramento. As pedras ganham vida, as colunas  contam histórias, os templos meio desfeitos evocam mitos e lendas.
E andamos dum lado para o outro como elementos dessa História que se torna presente e de que nos fazemos protagonistas.
Subimos à Acrópole, lugar onde morava o Rei e onde o povo da planície se refugiava em caso de perigo. Era um ponto de defesa de Atenas.
Descemos ao Teatro de Herodes, anfiteatro onde se realizavam torneios, jogos, corridas.

Admirámos o templo de Zeus com as suas colunas coríntias e parámos fascinados diante do templo de Atenea.




 Contemplámos o Partenon e ouvimos falar da sua simbologia mais política e cultural que religiosa.

Depois, já com os olhos cansados, regressámos à modernidade para nos espantarmos com a exibição dos soldados que guardam o Parlamento. Originais os trajes! Fora do comum os movimentos! Bizarros os sapatos...

E, como o tempo o permitia, fizemos um cruzeiro pelas ilhas gregas e visitámos Hydra e Poros.
São interessantíssimas com o seu artesanato próprio, o seu ambiente característico, o seu vestuário regional.
Foi uma viagem memorável por séculos da História, ainda sem crise nem contestações.
Que os Gregos não percam a esperança de que melhores dias virão.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P. 





sexta-feira, 31 de maio de 2013

Grécia - história

Ultimamente tem-se falado muito da Grécia mas pelos piores motivos: crises económicas, dívida externa, manifestações, governos difíceis...
Agora que as notícias parecem ter descido um pouco de tom, recordei a Grécia da minha última visita. Foi numa viagem de finalistas. E, imagine-se! a única em que uma mala só chegou no dia seguinte. Mas apesar disso, tudo correu lindamente e gostámos muito  das belezas que nos foi dado observar. Grécia antiga, claro!... É que a Grécia é muito mais do que aquilo de que se fala nos telejornais. A Grécia tem magia , tem encanto, é algo de diferente. Até os guardas do Palácio usam saias com pregas... E mostra-se como um país que tinha  fé. Não a nossa Fé cristã, mas uma crença imensa na actuação divina que originou, na antiguidade, aquela grande quantidade de deuses e de altares. Até um altar ao Deus desconhecido... Aliado a isso, os mitos e as lendas que se multiplicam. E os jogos... de que são exemplo os Jogos Olímpicos e os Pan- Helénicos, realizados entre várias cidades gregas e que constituíam um factor de união entre os gregos. E não eram só provas desportivas que se disputavam. Também havia actividades de cariz religioso , representações teatrais, etc..
E já agora, uma curiosidade: a recriação dos Jogos Olímpicos, em 1832, deve-se a Dominicanos. Foi em Grenoble que os alunos do seminário menor de Rondeau os organizaram, pela primeira vez e já com Código Olímpico, uma cerimónia de abertura e outra de encerramento, provas individuais e medalhas de participação dos melhores.
E deve-se ao Padre Dominicano Henri Didon a divisa que ainda hoje marca estes jogos: " Mais rápido, mais alto, mais forte".
Mas a Grécia não são só Jogos Olímpicos, deuses, mitos ou lendas. Já nos sec. V e IV a.C. constituía o protótipo duma civilização das mais evoluídas no campo político e cultural.
Politicamente os atenienses tinham um sistema democrático de governo e liberdade de se exprimirem oralmente; culturalmente, desenvolveram valores racionalistas e humanistas, no pensamento e na arte.
O tempo destruiu umas coisas e modificou outras mas a Grécia continua a merecer a nossa admiração e a nossa visita. Contra tudo e contra todos é um país dum grande passado que influenciou a História de toda a Humanidade. Que a esperança dê coragem e entusiasmo para a construção do futuro.
                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

"A tua Fé te salvou"

Hoje, no Evangelho da Missa, leu-se a história de Bartimeu - o cego que Jesus curou porque lhe pediu insistentemente a sua cura.
O episódio fala em muita gente : Jesus e os apóstolos; o cego e os que o rodeavam: aqueles que o mandavam calar porque não queriam que ele gritasse por Jesus...
É uma descrição interessante e cheia de pormenores. Até o nome do cego é mencionado no Evangelho -  Bartimeu!
Mas não foi nada disso que me impressionou, mas sim o diálogo estabelecido:
" Que quereis? "- diz Jesus
" Mestre, que eu veja!"-responde o cego
" A tua Fé te salvou" - é a conclusão de Jesus
E o homem retirou-se curado...
Jesus não fala de pecado nem de virtude; não menciona arrependimento nem perdão; não recomenda nova vida nem lembra os mandamentos; não cita dádivas nem partilhas. Jesus simplesmente fala de Fé; unicamente diz que foi a Fé que salvou aquele homem, que foi ela que o fez acreditar que Deus o podia curar por intercessão do mestre.
Foi a Fé que fez o cego gritar por Jesus e conseguiu que Ele o ouvisse.
Ao reflectir neste episódio, apeteceu-me perguntar quantas vezes, nas nossas angústias e dificuldades, gritamos por Jesus com a Fé de Bartimeu?
Quantas vezes dizemos a nós mesmos que é a Fé que nos livra dos problemas, das tentações, das dúvidas?
Quantas vezes dissemos, convictamente, que "é a Fé que nos salva"?
É muitas vezes a nossa falta desta Fé sem medida que nos torna infelizes, sem coragem, sem entusiasmo.
Nestas vésperas da festa da Eucaristia tomemos como exemplo o cego Bartimeu e como ele gritemos: Senhor que eu veja!
                        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Imprevisíveis

Estávamos na hora do recreio das alunas e eu,como de costume, estava com elas. Uma funcionária deu-me o recado: a Madre Geral  mandava-me chamar pois queria falar comigo. Nada de novo... Nada de extraordinário... Não me perguntei porquê nem elaborei hipóteses. O que fosse soaria.
Deixei as alunas entregues a si mesmas e fui...Simplesmente.
E simplesmente também, a Madre Geral, com o ar mais natural do mundo, comunicou-me que eu ia ser a nova directora do Colégio. O meu cérebro parece que parou e não tive palavras nem para aceitar nem para recusar. Tinha vindo para o convento longe de pensar que me ia servir do curso e, mais longe ainda de que ele ia ter esta finalidade.
Em boa verdade, não fazia ideia nenhuma do que o futuro me reservaria. 
Comecei no dia seguinte, sem saber o que significava dirigir um estabelecimento de ensino como este, nem o que era preciso fazer e, menos ainda, como. Mas era jovem e aos jovens a "aventura" não mete medo. Acreditam que sabem tudo e que tudo é fácil de realizar. E assim comecei essa experiência feita de inexperiências.
Foi o tempo, a equipa com que trabalhava, os professores mais antigos, que me foram ajudando e ensinando.
Nesse tempo, anos 60, para se ser director dum colégio era necessário um diploma, passado pelo Ministério e atestado por um inspector que creditava as nossas capacidades. Claro que esta era outra cláusula que eu desconhecia. Por isso, fui apanhada de surpresa quando um senhor muito sério e distinto me entrou pelo Laboratório, onde eu já tinha iniciado uma aula de Botânica.
Não estava nos meus melhores dias mas pensei que tinha 5 minutos para mostrar o que valia. Invoquei o Espírito Santo e recomecei a aula, utilizando um método inovador na época e que fazia parte da cultura aprendida nos cursos para professores, ministrados na Gulbenkian -o método de pesquisa.
Acho que "meti um pouco os pés pelas mãos" mas o sr. Inspector devia saber pouco de corolas e pecíolos e menos ainda deste método experimental que " não tinha ainda visto em parte nenhuma".
Saiu satisfeito e mandou-me o necessário diploma. Foi o princípio!
Dou graças a Deus por todo o trabalho realizado e peço por todos os que me ajudaram e pelas alunas com quem tive o prazer de trabalhar.
                            Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.