terça-feira, 21 de maio de 2013

"Haja quem cuide de nós!..."

Outro dia, andando eu por Lisboa, ouvi sem querer esta frase que me chamou a atenção: " Haja quem cuide de nós!". Não me apercebi do contexto, não conhecia quem a disse. Verifiquei apenas que era uma senhora que se dirigia a outras, sentadas numa esplanada.
Podia referir-se ao sector da saúde, - médicos e enfermeiros -, à família..., eu sei lá!... Milhares de possibilidades se nos apresentam ao espírito quando temos apenas uma frase como fio condutor : 
"Haja quem trate de nós!"
Qual Sherlock Holmes , enquanto continuava o meu passeio, pus-me a fazer suposições e a imaginar hipóteses em que coubesse aquela frase. Lembrei-me dum documentário que passou na TV sobre a Fundação Champalimaud, um centro de estudos e tratamentos  em que se procura fazer a síntese entre a investigação científica e a clínica.
Uma grande obra bem dentro dos desejos daquela senhora.
Mas, podemos descer a outras realidades, como a da saúde em geral, dos centros de saúde que fecham, dos hospitais que está planeado encerrar, dos médicos que são tão poucos que não têm tempo para os doentes que os procuram...
Problemas que nos afectam e afectam a sociedade em que vivemos.
Será que não podemos fazer qualquer coisa? Talvez neste âmbito não, mas há outro sector em que certamente podemos: o dos idosos que estão sozinhos, que não têm quem os trate nem se preocupe com eles.
A esses, podemos sempre dar um pouco do nosso tempo, do nosso carinho, o nosso sorriso.
O Voluntariado em Portugal tem vindo a crescer e a tornar-se mais útil e verdadeiro. Ele é uma forma de nos sentirmos prestáveis e de darmos testemunho da Fé que professamos.
E, neste Mês de Maria, a nossa Mãe sorri-nos e convida-nos a torná-la presente no seu papel de mãe e intercessora junto daqueles que nos rodeiam.
Maria veio a Fátima pedir que rezássemos pela paz, pela conversão dos que erram, mas... espera que, como cristãos, manifestemos o nosso Amor junto daqueles que não têm quem lho manifeste.
                                     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ser Amigo é...

Estávamos outro dia conversando , tendo por tema a Amizade, no que ela tem de doação e de exigência, no modo como se manifesta e se define, na maneira como muita gente a vê e a vive.
Palavra para cá; palavra para lá. Não sei muito bem se chegámos a alguma conclusão naquela troca de ideias que nem sequer era muito estruturada. Tratava-se mais de conversar do que chegar a conclusões.
Mas eu, sem mais nem menos, às tantas,lembrei-me duma lenda antiga que é bem um paradigma do que se entende por Amizade.
Esta lenda pretende contar a formação das ilhas do arquipélago dos Açores, mas demonstra o poder da Amizade.
Conta-nos a lenda que havia um Rei que vivia num país muito bonito, cheio de vegetação e altas montanhas.
O Rei tinha nove filhos que eram muito amigos. Um dia resolveu dar-lhes uma parte do seu reino e pediu para eles escolherem. Eles, de comum acordo, foram instalar-se cada um em seu monte e combinaram encontrar-se daí a um ano, quando a sua instalação estivesse consumada.
Acontece que as circunstâncias lhes transtornaram os planos. Na véspera do encontro um grande tremor de terra fez afundar todo o território ficando apenas de fora os cimos das montanhas.
Os príncipes não morreram; ficaram apenas longe uns dos outros. Mas para a Amizade não há distâncias nem contatempos. Não desistiram do seu encontro e para o realizar trataram de construir embarcações que facilmente os juntaram.
Foi este o 1º passo para depois se estabelecer a comunicação marítima entre as ilhas do arquipélago dos Açores.
A lenda tem esta finalidade mas, para mim, há outra lição subjacente que podemos tirar: a força da Amizade. Para esta forma de amor, não há distâncias, dificuldades nem desânimos.
Ser Amigo é estar sempre pronto para o que os outros precisam; é estar atento às necessidades do Amigo; é levar-lhe a palavra que encoraja, o sorriso que suaviza a dor , o carinho que acalenta o coração.
Olhemos à nossa volta; lembremos os Amigos e não deixemos que fiquem sós, mesmo quando não se queixam... Ofereçamos-lhes, desinteressada e discretamente,aquele amor que Deus partilha connosco.
É tão bom ter Amigos !...
                                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 
 

domingo, 19 de maio de 2013

Pentecostes

Domingo de Pentecostes!
Fim do tempo Pascal, estes cinquenta dias depois da Ressurreição de Jesus.
Àmanhã, terminado este tempo de festa, entramos no chamado " tempo comum " , aquele espaço que medeia entre o Tempo Pascal e novamente o nascimento de Jesus.
Domingo de Pentecostes. Hoje é um dia especial, o dia em que o Espírito Santo "torna novas todas as coisas" e impulsiona os apóstolos para, sem medo, darem o testemunho de Jesus Cristo. O dia em que a Igreja aparece já projectada e extensível a todo o mundo e a todos os homens.
Os discípulos estavam reunidos... Com medo? Na expectativa? Com a certeza de que o Espírito Santo viria, como Jesus lhes prometera? Não sabemos... Nem os Evangelhos nem os Actos dos Apóstolos são muito explícitos a este respeito. Mas, do que temos a certeza é que depois da descida do Espírito Santo eles não ficaram iguais. Saíram da casa, cheios de entusiasmo e de força, falando as línguas daqueles que estavam cá fora, fossem eles de que região fossem, e apresentando a Pessoa de Jesus Cristo, como o Filho de Deus.
E esta descida do Espírito Santo e esta capacidade dos discípulos se poderem dirigir a todos os homens, foi um primeiro testemunho da universalidade da Igreja e do poder de transformação do Homem por acção do Espírito Santo.
Nós, todos os baptizados, recebemos este Espírito Santo no dia do nosso Baptismo. Acreditamos que Ele nos pode transformar a nós e à nossa vida? Acreditamos que por isso ficámos diferentes?
Recebemos o Espírito Santo... Foi, para nós, o 1º Pentecostes. Como temos alimentado  essa ideia de que Ele é força, é graça, é dom? Como temos difundido a variedade de dons que Ele estabeleceu em nós?
Sapiência... Entendimento... Piedade... São sete os dons do Espírito Santo que recebemos no Baptismo, que intensificamos na Confirmação.
Que temos feito com eles? Como os temos testemunhado?
Não será altura de fazer esta pergunta e tomar as medidas mais adequadas, para não desperdiçarmos dons?
                                  Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Histórias da História

De vez em quando lemos nos jornais ou ouvimos na TV notícias de ataques a cristãos, de assassínios de gente que acredita , que tem Fé, só e apenas por esse facto. É impressionante! E deixa-nos incomodados e inquietos. Por quê?, é a pergunta que se nos põe.
E volto a lembrar os monges Trapistas da Argélia e, recuando no tempo, evoco os primeiros cristãos mortos pelas feras, no Coliseu, para espectáculo dos imperadores. E não vale a pena exclamar "outros tempos..." porque os tempos, pelos vistos, repetem-se.
Talvez as motivações sejam outras mas as consequências não são diferentes.
Aqui há uns anos estive em Roma e visitei o Coliseu. Não foi a primeira vez mas, tal como então, senti um arrepio ao percorrer aqueles espaços que imaginei ainda tintos de sangue de muitos cristãos. Deram a sua vida, proclamaram a Fé, alguns foram declarados santos, mas...
É evidente que o Coliseu hoje é um monumento reconhecido pela Unesco, referenciado mundialmente, visitado por milhares de pessoas. Mas a sua história remonta ao primeiro século do cristianismo e é feita de lutas e de mortes; de combates de gladiadores; de confrontos entre escravos condenados e feras esfomeadas; de cristãos martirizados e imperadores insensíveis...
A sua construção foi iniciada pelo imperador Vespasiano no ano 70 d.C. e durou mais ou menos até ao ano 90 d.C., sendo inaugurado pelo filho de Vespasiano, o imperador Tito. Tinha uma capacidade para 90 mil espectadores e era o símbolo do Império Romano. Eleva-se a mais ou menos 50 metros de altura, com 4 andares que eram revestidos de mármores  e ladrilhos e havendo mesmo colunas ornamentais nos três primeiros níveis. No interior, um labirinto de galerias, corredores e túneis, o que permitia uma rápida evacuação.
Danificado no sec. V por um terramoto, foi restaurado posteriormente. No sec. XIII, foi utilizado para fortaleza militar e nos sec. XV e XVI saqueado e vandalizado.
O que hoje observamos é o que resta de todo o esplendor romano.
Monumento para admirar mas também local para lembrar todos os que ali sofreram e morreram e por eles fazer uma oração.
                              Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 



quarta-feira, 15 de maio de 2013

Conflitos com "materiais domésticos"

A vida moderna leva-nos a importantes modificações nos nossos hábitos. Até nos alimentares. Por exemplo a utilização de congelados e sua preparação em microondas. Era coisa que não lembraria às nossas avós...
Mas hoje, é prática corrente e até as crianças são convidadas a fazê-lo. É simples e rápido!
Mas, quantas vezes desprezamos as indicações existentes nos recipientes bem como pomos de parte os conhecimentos mais elementares!... E assim, contraímos doenças e causamos problemas.
Até sem saber...
Por exemplo, colocar alimentos com gordura , no microondas, em recipientes de plástico, é meio caminho andado para desencadear um processo cancerígeno nas nossas células.
É que a junção de gorduras, altas temperaturas e plástico constitui uma associação altamente perigosa. Vai levar à formação de dioxinas que contaminam os alimentos e se libertam nas nossas células. Ora as dioxinas são substâncias altamente cancerígenas e tóxicas para as células do nosso organismo.
E o que são as dioxinas? São subprodutos que podem resultar de processos industriais em que se obtem cloro e seus derivados. Mas a exposição humana às dioxinas resulta quase exclusivamente da alimentação.
Estas substâncias, além de cancerígenas, podem também ter efeitos negativos sobre os sistemas imunitário, reprodutor e hormonal.
Então, fora com os plásticos no microondas. Vamos troca-los por vidro ou cerâmica.
Recordemos que até os restaurantes de comida rápida substituiram, aqui há tempo, as suas embalagens por pacotes de papel.  E qual a razão? Nem mais nem menos do que o receio da invasão da dioxina.
                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.



terça-feira, 14 de maio de 2013

A escolha certa

O problema da Vida é sempre uma questão controversa e mais ainda se se trata da dualidade vida versus morte, compromisso versus segurança, missão versus instabilidade.
Pensando em tudo isto lembrei-me dum filme, que não quis rever, mas que tenho bem presente no espírito, pelas questões que nos levanta, pelas lições que nos dá, pelas opções que põe diante de nós.
Conta-nos a história verdadeira duma comunidade de Monges Trapistas do mosteiro de Tibhirine na Argélia. Estes monges tinham a sua comunidade inserida num meio muçulmano com o qual viviam em paz. Eram bem acolhidos pela população circundante que os procurava e a quem eles ajudavam, tentando testemunhar a Fé mais pelas acções que pela palavra.
Os problemas começaram quando um grupo de guerrilheiros dissidentes aprisionou e matou doze trabalhadores croatas. A vida dos monges podia também estar a correr perigo devido ao fanatismo desse grupo de guerrilheiros. E  a questão pôs-se: Que fazemos?
E as opiniões a dividirem-se... As reuniões tensas, as conversas angustiadas, as discussões acesas sucediam-se, divididos entre o que parecia lógico e o que seria a vontade de Deus, entre a segurança pessoal e o compromisso assumido da sua vocação.
Acabaram, tomando a resolução de ficar. Fizeram uma escolha livre e consciente. Talvez demasiado confiante mas feita de certezas, também. Estavam firmes na sua vocação.
Um dia, um grupo extremista invadiu-lhes a casa. Dois monges tiveram a reacção mais natural e conseguiram esconder-se. Os outros, foram levados e nunca mais se soube deles.
Deram a sua vida!... Por quê? Por quem? pode perguntar-se...
Deram-na pela Verdade, pela Fé que professavam, por Deus.
Deram-na! Ninguém lha tirou. Eles tinham feito uma escolha a que foram fiéis. É esse o segredo: ser fiel às escolhas que se fizeram. Mesmo quando é duro, quando não se vê "a luz ao fundo do túnel" , quando exige sofrimento, disponibilidade, entrega. Dar, também é um dom!
E corresponder ao plano de Deus  "dando a vida" , não é só morrer. Dar-se, em cada momento, alegremente, em correspondência a esse plano e às opções livremente feitas, pode ser também uma doação de vida.
Tenhamos tudo isto presente e saibamos sorrir mesmo quando dói.
                                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Semana Mundial da Vida

Mais uma ocasião a ser marcada no calendário. Mas esta não celebra instituições, organizações , situações...
Esta data marca um acontecimento que somos todos nós e que é um dom. Um dom de Deus. Ele que actuou na criação e desenvolvimento do Mundo; Ele que providenciou à evolução das espécies; Ele que esteve presente na nossa formação como ser vivo pensante e dono de vontade.
E agora podemos parar e perguntar: Mas afinal o que é a Vida?
Em sentido geral, biologicamente falando, é a capacidade de absorção, assimilação e reprodução manifestada por um ser. Se falarmos de vida humana, temos que pensar na colaboração entre Deus e o Homem, na capacidade deste de pensar e de querer, no seu empenho em procurar o Bem.
Para crentes e não crentes, Deus manifesta-se da mesma maneira, actuando em cada concepção. Não adianta negar nem adiar a presença de Vida para o momento do nascimento.
Basta olhar para uma ecografia, mesmo nos primeiros meses de gravidez, para vermos um ser que se mexe, que respira, que se alimenta... numa palavra, que vive.
E é por isso que é crime (civil ou moral) tirar a vida a estes pequenos seres que nem sequer pediram para existir.
Claro que às vezes é difícil fazer crescer estas crianças... Mas na vida há alegria, há sorrisos... mas o sofrimento também faz parte dela.
Sofre a mãe quando está para dar à luz; sofre o filho quando vê partir a sua mãe; sofre a criança quando vê frustrados os seus desejos; sofre o adolescente ou o jovem quando tem que lutar pelos seus ideais ou contra os seus desejos mais ou menos obscuros.
Mas Deus criou o Homem para ser feliz. As dificuldades da vida que escolhemos  são contratempos a ultrapassar para  tornar maior essa felicidade.
E Deus está lá. Ele que nos deu o dom da Vida, que nos destinou à felicidade, está presente em cada momento, para nos ajudar a contornar os imprevistos.
Mesmo nos momentos de maior cansaço, de neurastenia, de indiferença; quando nos apetece deixar tudo e, às vezes, nem recomeçar... quando nos parece que Deus está ausente, longe, esquecido de nós...
Vale a pena parar, " tomar os remédios mais adequados ", elevar o pensamento até ao Pai, sorrir e...ir em frente, saudando, agradecendo e valorizando o dom da Vida.
Estamos na semana mundial da vida. Não deixemos que nada nos atrapalhe e impeça de sorrir.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.