terça-feira, 30 de abril de 2013

A página em branco

Michel Quoist escreveu , às tantas, no seu livro Prières que " a vida é o novo evangelho em que nós próprios escrevemos uma folha cada dia".
E escrevemos! Se soubermos ouvir Deus e actuar de acordo com as Suas indicações. Ele fala-nos através dos acontecimentos do dia-a-dia como nos falou e nos fala pelo Seu Evangelho.
A vida é cheia de novidades, de imprevistos, de alegrias, de tristezas, mas todos e cada um desses acontecimentos são sinais que nos querem alertar para que estejamos despertos e capazes de os interpretar. E... viver. A resposta que vamos dar a cada acontecimento, de acordo com a palavra que Deus nos inspirou, é a página que vamos escrever.
Página em branco que vamos preenchendo com atenção, com carinho, com Amor.
Página em branco da nossa vida, que não se repete, que não se apaga, e que deve ser um testemunho para os que nos "lêem " a vida.
No domingo devíamos ter preenchido uma página cheia de alegria, qualquer que fosse o nosso estado de alma. É que era o "dia internacional do sorriso". 
Mais um dia que, no calendário, marca uma situação - o dia do sorriso.
Neste momento até não é nada despropositado fazer apelo ao sorriso. É que há mais lágrimas que sorrisos, mais tristeza que alegria. E Deus quer-nos felizes. Mesmo que a preocupação, a incerteza, a dúvida nos invada... É preciso dar uma lição de alegria a todos os que andam cabisbaixos e infelizes, porque Deus não se tornou indiferente e impotente perante as realidades que nos cercam. Deus continua atento e presente. Será que perdemos a esperança?
                   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.





segunda-feira, 29 de abril de 2013

Santa Catarina de Sena

Dia 29 de Abril. Festa de Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja e Padroeira da Europa!
É também a patrona da nossa Congregação: Dominicanas de Santa Catarina de Sena... Mas também para a Ordem Dominicana ela é importante. Não é mais uma santa do calendário romano ou dominicano. Desempenhou um papel de relevo como mulher e pregadora.
Soube, à imagem de S. Domingos, conciliar contemplação e pregação e foi a sua oração intensa que lhe deu a força para enfrentar quantos desafios se lhe apresentaram, desde convencer o Papa Gregório XI a deixar Avinhão e voltar para Roma (1377) ou lutar para evitar o Cisma do Ocidente até encarar e procurar resolver os problemas políticos e sociais da sua época.
Será que hoje nos falta uma Santa Catarina? !...
A sua grande preocupação foi a unidade da Igreja e daí a sua luta para que o Papa voltasse a Roma e tudo se fizesse para impedir o Cisma. Não conseguiu todas as coisas porque lutava. Talvez os desígnios de Deus fossem outros ou os planos dos homens tivessem mais força... Mas as suas preocupações e intenções... essas... não foram certamente em vão.
Como Dominicana, centrou a sua vida nos 4 grandes pilares da Ordem: oração, vida comum, estudo e missão apostólica.
Catarina Benincasa, que nasceu a 25 de Março, de 1347, desde muito jovem mostrou uma grande tendência para a vida de piedade e um grande amor à Igreja . Era extraordinária a sua penitência e  depois, a sua dedicação aos doentes e o seu fervor apostólico.
Aos 16 anos, entrou para as Irmãs da Penitência de S. Domingos e aos 20 anos, por inspiração de Deus, começou a sua vida apostólica, em favor da unidade da Igreja mas também na condução de homens e mulheres no caminho da virtude e da paz.
Não é uma Santa cuja vida seja de fácil imitação. Mas também não será isso que ela pretende de cada um de nós. Simplesmente fornecer-nos pistas para nos ajudar a seguir o caminho que Deus pretende que vivamos. Não deixemos passar este dia sem pedir a Santa Catarina que nos ensine o seu amor e o seu ardor na contemplação.
                         Ir. Maria teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 28 de abril de 2013

" Não leveis nada para o caminho..."

Um amigo meu, aqui há tempos, comentava esta recomendação de Jesus e (entenda-se a extrapolação) dizia da sua aplicação e oportunidade, sobretudo quando se tem que fazer uma caminhada de mochila às costas, como é o caso da  peregrinação a pé a Santiago de Compostela.
Depois disso e meditando na palavra de Jesus e nos comentários feitos, pensei em quantas coisas supérfluas metemos numa mala quando saímos para um fim de semana, para uma viagem ou para férias na praia.
Levamos tudo o que pensamos precisar, tudo o que talvez precisemos, tudo o que sabemos de antemão que não vamos precisar, mas... Talvez!
Trabalho a mais e peso desnecessário, mesmo que não tenhamos que carregar com a mala...
E passando para outro nível, o da vida de todos os dias, será que não fazemos também assim?
Mesmo sem querer, vamos acumulando: o que nos dão, o que adquirimos, o que juntamos... porque nos pode vir a ser necessário ou útil, porque são recordações, porque é de estimação, porque é interessante, porque não temos coragem de nos desfazer...
E vamos enchendo prateleiras, gavetas e arcas. E choramos se, um dia, a vida nos exige mudar e deixar tudo.
" Não leveis nada para o caminho " recomenda Jesus aos apóstolos quando os envia a pregar. Não leveis... alforge, comida, duas túnicas; não transporteis bens inúteis nem acumuleis o que não necessitais.
Lembro-me daqueles jovens do meu tempo que parecia não precisarem de nada, que viviam felizes com o indispensável. E o indispensável era tão pouco...
Houve um tempo em  que uma amiga minha sonhava, para nós, com uma tenda no deserto. Simplesmente... o deserto ficava longe, era difícil de alcançar e a tenda... não se coadunava com a nossa vida na altura.
Mas o sonho ainda persiste.
Este sonho que deve ser de todos nós . Um sonho de desprendimento, de liberdade, de acolhimento, de confiança no Pai que dá o "pão nosso de cada dia" e alimenta os " lírios do campo, que não semeiam nem colhem ".
                                             Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 27 de abril de 2013

O Bom Pastor

No domingo passado festejámos o dia do Bom Pastor. Mas depois, durante toda a semana, os textos da Missa e do Ofício fizeram referência ao pastor e às ovelhas. S. João, no seu Evangelho referia-se às ovelhas de duas maneiras: as que entram no aprisco e as que se afastam.
O bom pastor é aquele que vela pelas suas ovelhas, que vai atrás daquela que se afastou do rebanho, que procura libertar a que ficou presa nos espinhos do caminho, que pega ao colo naquela que está ferida ou doente, que faz uma festa porque se encontrou a que andava perdida...
O bom pastor vai... chama... ajuda. Mas não pressiona, não obriga, não exige.
O bom pastor indica o caminho certo, corrige os erros, perdoa os desvarios...
Assim fez Jesus com o jovem rico, o filho pródigo, a mulher pecadora, a samaritana...
Se percorrermos os Evangelhos, encontramos muitos outros exemplos de Jesus chamando, corrigindo, acolhendo, perdoando. Não O vemos  pressionando, exigindo, condenando.
Jesus, o Bom Pastor, veio para reunir as suas ovelhas, "não perder nenhuma das que o Pai lhe deu", ensinar a Boa Nova do Amor e do perdão.
Nós, somos as suas ovelhas e Ele , como pastor, conduz-nos a "prados verdejantes", ensina-nos o caminho seguro, perdoa as nossas tentações e erros, acolhe-nos com carinho.
A todos convida a que sejamos santos, porque filhos dum Pai que é santo. A todos tenta ajudar a percorrer o caminho da fidelidade que conduz a essa santidade. A todos procura mostrar que o Amor é o grande dom que leva à felicidade.
De todos espera a resposta de Jeremias: " Senhor, Tu me seduziste e eu deixei-me seduzir".
Saibamos querer ser ovelhas deste aprisco e encontrar  a vereda luminosa de Fé e de Confiança que nos leva a fazer parte do rebanho dos filhos de Deus.
                                        Ir. Maria teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

As gaivotas também dão lições

Depois de pensar e escrever sobre as andorinhas e as lições que nos podem dar,bem como sobre pinguins, e a sua "parecença" com dominicanas, era impossível deixar de me vir à memória um livro muito falado na década de 70 e que tratava de gaivotas.  Tinha como título "Fernão Capelo Gaivota " e foi escrito por Richard Bach.
É um romance de ficção que nos sugere ideias de liberdade, de aprendizagem, de perdão, de amor...
Talvez por tudo isso era considerado um livro polémico; contestatário e idealista para uns; vulgar e teórico para outros. Mas para alguns, apresentava uma mensagem de vida que não podia ser ignorada.
A gaivota Fernão era uma idealista, como muitos de nós, inconformada com a vida rotineira do seu bando.
Tinha grandes aspirações ( e nós, não, por vezes?). Queria experimentar novos voos, fazer novas tentativas. Isso incompatibiliza-o com o grupo que acaba por a banir. E ela parte.
Mas, não acaba longe do seu grupo, proscrita, abandonada.
Não acaba porque, como na vida, há uma mão amiga que a ajuda, que a  interpela, que a convida, que a traz de volta e incentiva as suas aspirações. E, mais ainda, ensina-lhe o valor do perdão e diz-lhe que só ele conduz à verdadeira liberdade. E ela aceita a ajuda e aceita voltar para ensinar os irmãos e partilhar com eles as suas descobertas. Apesar das vozes discordantes...
Humildemente mas com perseverança e amor, consegue que um grupo a oiça e a siga.
Também nós podemos "voltar" e, com paciência ir fazendo fermentar o nosso "querer".
Digam lá se não é uma grande mensagem que este livro nos transmite...
Para as nossas vidas, as nossas famílias, a sociedade em que vivemos.
Podemos ser "inconformados" mas temos que olhar e compreender os outros. Podemos ter grandes sonhos mas sozinhos não os conseguimos realizar. Podemos ter sido "banidos" mas o amor cura todas as feridas.
                               Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Pinguins, andorinhas e dominicanas

Andando a pensar em andorinhas recordei-me de uma outra ave que, antigamente, as crianças aqui no Colégio comparavam a nós-os pinguins.
São aves brancas que parecem ter um manto preto. Tal e qual como as dominicanas que usam hábito branco  e véu e capa pretos.
E depois, as mais idosas, por vezes, têm um andar um pouco bamboleante e os braços afastados. Somos ou não parecidas?
Não nos ofende esta comparação. Antes ao contrário, até lhe achamos alguma graça.
Mas se entramos no campo das comparações com aves, temos outra de que as crianças nunca se lembraram. As andorinhas! também se vestem de branco e preto. E voam... seguem sonhos, acompanham ilusões, conhecem ambientes novos... Tal como nós, às vezes!
Mas as andorinhas também nos dão algumas lições:
. de fidelidade ao lugar onde construíram o ninho e onde regressam cada Primavera;
. de perseverança, porque não desistem de percorrer grandes distâncias, mesmo quando o cansaço as  invade;
. de alegria nas suas movimentações, mesmo que o dia esteja mais triste e o tempo mais frio;
. de liberdade, na facilidade com que abrem as asas e se afastam, sem se deixar prender nas tramas da vida;
. de solidariedade e apoio, vivendo em bandos e não deixando para trás os mais fracos;
Pinguins ou andorinhas... semelhanças com o nosso Hábito branco  (símbolo de pureza ) completado com o negro ( indicador da penitência que o desprendimento, a missão, a vida comum, o estudo e a oração pressupõem) .
Pinguins ou andorinhas... como eles, saudemos a felicidade que devemos encontrar e construir nas nossas vidas, agradecendo a Deus os dons recebidos e a alegria da partilha.
                      Ir. Maria  Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
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quarta-feira, 24 de abril de 2013

A Primavera e as andorinhas

Parece que, finalmente, a Primavera chegou.
Pelo menos o sol está mais intenso, o céu mais azul, a temperatura mais alta.
Ainda há algum vento, mas isso também é típico da Primavera para não nos esquecermos totalmente que o Inverno existe.
Mas o que costuma igualmente ser apanágio da Primavera e que eu ainda não vi este ano, são as andorinhas.
Era habitual terem os ninhos debaixo da torre do pátio principal e fazerem os seus voos de descoberta através do pátio. Este ano, nem andorinhas, nem voos nem ninhos.
Será que estas simpáticas aves não perceberam que o tempo está a mudar e a Primavera chegou? Ou será que sentiram que esta mudança é demasiado transitória para aparecerem? Ou ainda outra hipótese mais terrível: será que a sua ausência se deve à acção da poluição ambiental? Mudança de costumes migratórios não me parece que seja...
Será que a acção do homem, os seus atentados contra a natureza, os incêndios, as inundações provocaram o desaparecimento das andorinhas? Se assim foi, que pena!...
Para além de lamentar os atentados e as catástrofes, lamento a ausência das andorinhas, anunciadoras da mudança de estação, indicadoras de que o calor ia chegar, a chuva desaparecer e o sol sorrir.Com a sua roupagem negra e branca, animavam a paisagem e eram uma alegria para os olhos.
Agora,de vez em quando, há uns passarinhos voando no jardim. Menos mal... Mas, não substituem as andorinhas.
Será que elas foram conhecer outros paraísos mais apetecíveis?
Todos os dias olho com atenção tentando perscrutar indícios da chegada das andorinhas. Mas, nada!
Apetece-me dizer que já nada é como dantes...
Mas não digo, porque isso seria uma atitude de pessimismo e desilusão que contraria a minha maneira de ver a vida e aquilo que penso nos deve animar no nosso dia-a-dia.
É preciso confiar e acreditar que, mesmo sem andorinhas, a Primavera volta todos os anos como o sol nasce cada manhã. É mais um dom que devemos agradecer ao Pai.
                            Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.