segunda-feira, 22 de abril de 2013

" Dia da Terra "

Dia 22 de Abril. É hoje que celebramos o Dia Internacional da Terra.  Mais um dia que, no calendário, tem uma designação própria e intencional. Aliás quase todos os dias do ano conseguem ter denominações alusivas a factos, mais ou menos relevantes: Dia da música, da paz, da poesia, da voz, da criança, etc..
Mas este "Dia da Terra" não é dos mais antigos. Surgiu em 2009 por iniciativa da Organização das Nações Unidas, para chamar a atenção de todos nós para a responsabilidade que temos na manutenção da harmonia da Natureza.
É importante, sobretudo neste momento, em que o planeta está ameaçado pelas mudanças climáticas,  pelo esgotamento, e não a muito longo prazo, dos recursos naturais, pelo desequilíbrio dos ecossistemas naturais.
Mas quando falamos em "surgimento" do Dia Internacional da Terra, estamos a referir-nos à sua oficialização, pois a ideia veio já dos anos 70. Deveu-se ao senador americano- Gaylord Nelson - que incentivou um grupo de jovens hippies a manifestarem-se a favor da defesa da Terra. Parecia uma "ideia peregrina" numa altura em que, na América, se pensava mais na felicidade e conforto individuais. Mas resultou e milhões de americanos vieram para as ruas protestando e defendendo um planeta limpo e saudável.
Estas "acções de rua" e de protesto nascem muitas vezes do descontentamente e desconforto de um grupo, mais ou menos radical, a que facilmente chamamos desordeiros, revolucionários, contestatários, etc..Mas, são eles que agarram uma ideia e a levam em frente, às vezes com muito sucesso.
Por vezes são idealismos, "ardores da juventude", contestações de quem é jovem , tem uma vida ideal para viver e se opõe a princípios institucionalizados.
Mas, em certas alturas, geram-se correntes de acção positiva, que podemos e devemos acalentar.
Saibamos entusiasmar-nos e defender valores que, agora e sempre, são indescartáveis.
                                  Ir. Maria. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


sábado, 20 de abril de 2013

Semana de oração pelas vocações

Estamos a terminar a semana de oração pelas vocações sacerdotais e religiosas.
E bem podemos rezar pelos jovens desta Europa tão descristianizada para que estejam atentos ao apelo do Pai e aceitem responder Sim. Deus não obriga ninguém. Apenas chama : Queres?...
Mas, Vocação, o que é?
O dicionário indica-nos que é o acto de chamar, mas também inclinação, predisposição, escolha, talento.
Uma variedade de definições...
Mas o catecismo também não tem um resposta muito diferente, neste particular. Mas apresenta-nos três escolhas possíveis: 
 

 . Vocação para o sacerdócio / vida religiosa
 . Vocação para o matrimónio
 . Vocação para uma vida laical consagrada     

Qualquer delas corresponde a uma resposta a um apelo que nos é dirigido, a uma escolha que deve ser livre e voluntária, a um predisposição para servir Deus, os irmãos, a família.
Mas estes não são os únicos exemplos a que podemos chamar vocação.
Também podemos, a outro nível, chamar vocação à inclinação, ao talento, ao gosto por uma profissão, ao jeito, à aptidão para uma arte.
Em todos os casos temos que fazer opções, escolhas, e segui-las com entusiasmo e alegria, procurando o melhor e correspondendo aos dons que Deus nos deu.
Mas esta semana, privilegiámos a opção pelo sacerdócio e a vida religiosa.
A escolha deste caminho, pressupõe uma vida de solidão, no sentido de ausência duma  família, tal como a definimos, mas não a ausência duma realização afectiva, a qual é imprescindível ao ser humano, qualquer que seja a sua opção. Simplesmente, tem que estar orientada para Deus que nos escolheu e nos deu a liberdade de O escolhermos.
Aliás, os sacerdotes, como os religiosos, optaram por aceitar o convite de Jesus para viver segundo a Sua Vontade, apesar das suas deficiências, das suas fraquezas, dos seus erros.
Aceitaram,confiantes que Deus está sempre pronto para perdoar.
Rezemos, para que haja muitos jovens a responder Sim ao apelo e muita fidelidade dos que já o disseram.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P. 


                                                                              

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Hino à alegria

Ontem à noite estava cansada e, para descontrair, resolvi ouvir música, como faço habitualmente.
Música clássica, claro! que é a minha preferida.
Entre as várias possibilidades que se me ofereciam escolhi Beethoven, esse músico alemão do sec. XVIII que considero óptimo e cuja música distrai e acalma. Das suas obras, propus-me ouvir a 9ª sinfonia cujo 4º andamento - o Hino à Alegria - aprecio sobremaneira. É uma música viva, alegre e, simultaneamente, calma, repousante.
Através dela, mesmo sem letra, sentimos expresso o apelo à liberdade, à paz, à solidariedade,  porque a música não precisa de palavras para se expressar; ela tem uma linguagem universal.
Talvez por isso, a União Europeia escolheu esta música para seu Hino, por expressar valores que devem estar presentes em todos os países e em todos os povos que formam a U. E..

Ao mesmo tempo que ouvia a música, ia dando volta a algumas letras e achei interessante esta dos escuteiros em que eles aplicam o texto às suas actividades:
         Escuta, irmão, esta canção de alegria
         O canto alegre de quem espera um novo dia
                        
                            Vem, canta, vive cantando
                            Vive esperando um novo sol
                            Vem e os Homens
                            Voltarão a ser irmãos
                            
           Se a injustiça te esmagar sonhos de paz
           E a violência te roubar a luz da esperança

          Se a opressão te encontrar na caminhada
          não decepciones pois a luta tem sentido

            Se no teu caminho só existir a tristeza
            E o grito amargo duma solidão total

            Quando a mentira acampar em teu redor
            E a Verdade for difícil de viver

            Se não encontrares a alegria nesta Terra
            Escuta, irmão, algo mais há para além dela.
                                                                    
            letra: escuteiros
            música: Beethoven

Sempre que estivermos tristes, abatidos, desanimados, ouçamos este Hino à Alegria. E também sempre que a alegria nos invada.
                                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

                                                                            

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O tempo e nós

O tempo está como as pessoas, às vezes.
Ora quente, ora fresco; uns dias luminosos outros sombrios; numas ocasiões ventoso e agreste noutras calmo e tranquilo.
Nesta altura do ano, plena Primavera, esperaríamos que a temperatura se apresentasse mais amena, o sol mais intenso, o vento mais apaziguado. No entanto, o que acontece é que uns dias temos o que esperávamos e noutros não. Antes, tudo ao contrário.
As pessoas, por vezes, também são assim. Há dias em que se apresentam animadas e alegres; outros em que esperávamos encontrá-las felizes e bem dispostas e deparamos com um muro de silêncio e inquietação que as oprime. E porquê?
No fundo, reagimos assim porque não sabemos tirar partido das coisas boas que temos, agradecê-las ao Pai , verificar que Ele nos favorece com o Seu Amor e a Sua preocupação a nosso respeito, o Seu dom a cada momento.
É uma forma de ingratidão não reconhecermos a acção de Deus em nós e para nós. Ingratidão que, segundo S. Tomás, constitui um pecado, em relação àquela petição do Pai Nosso : O pão nosso de cada dia nos dai hoje...
Pão... não é apenas o que comemos, o que nos mata a fome.
Pão que alimenta é também a Eucaristia  e a Palavra das Escrituras, mas igualmente a alegria, a felicidade a que somos chamados.
Se compreendermos que tudo nos foi dado, que tudo Deus vai pondo à nossa disposição segundo as nossas necessidades, não vale a pena acumular. Aliás, quem conhece o dia de àmanhã?
E, não vale a pena ficar triste porque não conseguimos, hoje, o que tínhamos planeado. Antes, agradeçamos o que conseguimos já.
Assim, encontraremos a Felicidade que Deus quer para nós e a alegria sorrirá nos nossos olhos.
                               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sobressaltos

Não há como estar calma e tranquilamente no silêncio do quarto, deixando passar as horas porque não se tem condições de fazer nada,para se ter a imaginação activa e pronta a mil interpretações, mais ou menos, disparatadas.
Foi o que me aconteceu outro dia, quando estive doente.
De olhos fechados "olhava para dentro" e pensava em mil coisas, umas mais importantes do que outras.
De repente, uma luz intensa entra pelo quarto e faz-me abrir os olhos. Que foi isto? pensei. E mil hipóteses me vieram ao pensamento, qual delas a menos lógica: Uma estrela cadente, um fogo, o milagre do sol em Fátima... e, mais prosaicamente, os faróis dum automóvel entrando pela janela.
Uma luz... Que luz? Não tinha resposta e também não levei muito tempo a imaginar respostas.
Preferi recordar um texto escrito por um amigo meu, para a festa de S. José, e em que ele diz que S. José é muitas vezes representado com uma lanterna na mão, uma "luz que simboliza a iluminação que ele deve realizar junto do Menino que nasceu e de todos os que dele se aproximam para o verem".
Esquecemo-nos muitas vezes de S. José. Até nós, que o temos como padroeiro do Colégio.
S.José, esse santo extraordinário , escolhido para acompanhar Jesus na Sua caminhada na Terra. Um santo a quem foi pedido uma imensa prova de Fé. Um santo de quem tão pouco se fala nos Evangelhos porque a sua missão terminara quando ele aceitou receber Maria em sua casa.
No dia 19 de Março é a sua festa.
Celebramo-la habitualmente porque o temos como patrono.
Este ano tivemos que antecipar a festa porque a 19 já estávamos em férias. Mas não deixámos de ter uma grande festa. Até o Presidente da Câmara de Sintra nos visitou e nos ofereceu a medalha de ouro de mérito na educação...
Continuemos a venerar S. José e a confiar na sua protecção
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O apelo continua

Realmente a Estrela ( Largo e Basílica incluída ) são pontos de encontro dos mais variados.
Revêem-se pessoas,voltam a ver-se amigos, marcam-se entrevistas, ouvem-se conversas, das mais edificantes às mais hilariantes.
No domingo, era o início da semana de oração pelas vocações. No adro da Basílica, uma multidão, como de costume. É a altura dos cumprimentos, da troca de impressões, do pôr em dia as notícias.
Um grupo de jovens, já adultas, meio a sério meio a brincar, foram dizendo :" Nosso Senhor está pouco preocupado com a Sua Igreja. Ela está à míngua de vocações..."
Apeteceu-me intervir mas estava com pressa e não conhecia as pessoas...
Às vezes pecamos por esta falta de iniciativa ou de coragem, não sei! Mas apeteceu-me intervir e dizer àquelas jovens que não é Nosso Senhor que está pouco preocupado com a Igreja, o apostolado, as vocações. São os jovens, são as famílias que não estão atentos.
Jesus continua a chamar, continua a fazer o apelo que dirigiu a Pedro ou ao Jovem rico. Mas, como aconteceu com eles, as nossas respostas podem ser diferentes. Pedro aceitou a chamada, deixou tudo e fez-se "pescador de homens". O jovem rico não aceitou. Retirou-se triste mas não teve a coragem de " soltar as amarras ", de quebrar as cadeias que o prendiam.
Jesus continua a chamar. Mas as famílias fecham-se em si mesmas e nos seus interesses. E os jovens... estão muito mais interessados no prazer, nas alegrias de momento.
Mas Jesus continua a chamar.
E ao chamamento chama-se vocação. A ele respondemos positiva ou negativamente. E a escolha é nossa. Queres?
                             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

O ser e o parecer

Estava em Lisboa e atravessava o Largo da Estrela quando uma senhora muito simpática se dirigiu a mim e educadamente me falou: " Oh! Irmã! que prazer vê-la assim vestida... Há tanto tempo que não vejo uma Irmã de Hábito!..."
"Mas, minha senhora, ainda há muitas Irmãs que andam de Hábito..."
" Pode ser mas há anos que não vejo nenhuma e vê-la a si, agora, foi um prazer. É que eu fui educada num colégio de freiras e é o Hábito que, para mim, identifica as irmãs".
Separámo-nos; a senhora seguiu o seu caminho e eu entrei na Basílica, que era o meu destino. Mas fiquei a pensar naquela última frase : " O Hábito identifica as Irmãs"
Em boa verdade não devia ser assim. As atitudes, a maneira de ser, os valores, a alegria... é que deviam identificar as Irmãs.
Os primeiros cristãos não tinham hábito mas eram reconhecidos. E eram-no, pelo seu amor "Vede como eles se amam".
É esse amor, esse testemunho, que nos deve fazer reconhecer como Irmãs, religiosas, pessoas consagradas.
E porque o somos, devemos manifestar com alegria a santidade de Deus. E se olharmos, com verdade para a nossa vida, saberemos se, em cada momento, estamos ou não a manifestar essa santidade que está em nós pela Consagração religiosa, depois de o ter estado pelo Baptismo.
" O hábito não faz o monge" é ditado popular que deve ser anotado nas nossas vidas. Mesmo que para aquela senhora ( e para muita gente) o Hábito seja um sinal ( para mim também...) há outros valores que são imprescindíveis como testemunho da vida religiosa. E se eles não acompanham a veste branca e preta ( no nosso caso) bem podemos "passear " o Hábito que o nosso testemunho não será entendido e, menos ainda, seguido.
E , nesta semana de oração pelas vocações, não basta rezar. É preciso ser. É necessário mostrar ao mundo que a vida religiosa é um opção que se faz e se segue com alegria para, precisamente, testemunhar a santidade de Deus.
Não esqueçamos que pedimos isso mesmo no Pai Nosso: Santificado seja o Vosso nome.
                                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.