segunda-feira, 8 de abril de 2013

" Dou-vos a minha paz..."

" Na tarde do primeiro dia da semana veio Jesus e pôs-se no meio dos seus discípulos e disse-lhes: a paz esteja convosco..."
Foi a paz que Jesus ofereceu aos discípulos na tarde da sua ressurreição. Não os recriminou pela sua falta de Fé ou pelo seu medo. Não lhes chamou a atenção por não terem confiado n´Ele nem percebido a Sua mensagem. Antes, lhes ofereceu a paz e os enviou "tal como Ele tinha sido enviado pelo Pai". E fez descer sobre eles o Espírito Santo e deu-lhes o poder de perdoar os pecados.
Tantos dons, na primeira aparição depois da Ressurreição!... Mas o principal foi a paz porque é fruto do Amor e é nele e com ele que todos podemos viver e testemunhar a ressurreição.
A paz que é perdão, que é libertação do coração, que é partilha, que é entendimento e generosidade entre os homens.
Paz, que é luta ao egocentrismo, ao egoismo, à procura de si e da sua satisfação pessoal. Paz que é participação na misericórdia e no amor de Deus. Paz que tem que ser fruto da ressurreição que cada um procura para a sua vida de baptizado.
Um dia, mais ou menos distante, recebemos esta paz, ao mesmo tempo que a Fé e a Esperança, com a água do Baptismo. Tornemo-la presente, cada dia, na nossa vida e no nosso testemunho.
Que a mensagem de Jesus ressuscitado  esteja viva e operante em cada um de nós, é o que temos que desejar e pelo que temos que nos esforçar.
                                                      Que a paz esteja connosco!
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

domingo, 7 de abril de 2013

A oitava da Páscoa

Passaram oito dias em que, em cada um deles, celebrámos a Páscoa, a Ressurreição, a passagem da morte à vida. Oito dias em que cantámos os alleluias pascais e em que celebrámos a Festa por excelência.
" Jesus ressuscitou ; não está aqui!" Disseram os anjos às mulheres, as primeiras a receber a notícia da Ressurreição.
Ele não estava ali porque se encontrava junto do Pai. Mas Ele quis ficar, na Eucaristia, para que O adoremos e O possamos receber .
Jesus não estava ali, no sepulcro, mas está aqui, nas nossas igrejas, no nosso coração e é necessário que estejamos com Ele, que acreditemos na Sua ressurreição e que a façamos nossa, para podermos testemunhá-la aos que nos rodeiam. Que tenhamos aproveitado esta Páscoa para fazer nova a nossa vida, para nos pormos ao serviço de Jesus nos nossos irmãos. Eles esperam pelo nosso testemunho de ressuscitados com Cristo.
Que esta realidade não tenha ficado na manhã de Páscoa com os cânticos do Alleluia mas que, como as mulheres do Evangelho, vamos alegremente anunciar : "Ele não está aqui, Ressuscitou!"
E pensemos que não foi por acaso que foram as mulheres as primeiras a saber a novidade. Só elas tinham o entusiasmo e a capacidade de ir, correndo, levar a notícia aos irmãos.
Aliás, foi também a elas que Jesus, pela primeira vez, apelidou os discípulos de "irmãos" : "Ide dizer aos meus irmãos!..."
Irmãos de Jesus Cristo, filhos do Pai, como Ele... Por isso, podemos dizer "Pai nosso..." e pedir- Lhe que o Seu nome seja santificado, que a Sua vontade seja feita... mas também que nos dê o pão de cada dia e nos perdoe os nossos pecados.
Nesta manhã do domingo da Misericórdia Divina, estejamos atentos ao apelo de Jesus para que levemos a notícia da Sua ressurreição, com entusiasmo e alegria.
                                     Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

sábado, 6 de abril de 2013

A intuição e a investigação científica

A ciência é uma actividade dinâmica. Assim, novos trabalhos foram feitos e, em 1970, um médico americano, o dr. Landaum B. Shettles, publica uma obra em que apresenta teorias paralelas às do dr. Benendo mas apoiadas em provas científicas.
Diz ele e como todos sabemos," as nossas células contêm 22 pares de autosomas e um par de cromossomas sexuais: xx - na mulher: xy - no homem.
Os gâmetas só contêm metade deste número: 22 autosomas e 1 cromossoma sexual ( x para óvulo e x ou y para espermatozóide). A fecundação dum óvulo por um espermatozóide restabelece o número normal de cromossomas e dá uma rapariga se o espermatozóide é portador dum x ou um rapaz se ele transporta o y."
Shettles observou espermatozóides ao microscópio de contraste de fase e distinguiu 2 espécies de espermatozóides: uns com cabeça pequena e redonda e outros com a cabeça maior e ligeiramente oblonga.
Então, ele pôs a hipótese de que o espermatozóide de cabeça pequena deve transportar o cromossoma y, visto que este é mais pequeno que o x, e o espermatozóide de cabeça maior seria o que transportava o cromossoma x.
Observando genealogias de famílias em que só nascem rapazes e estudando o esperma, verificou que nestas famílias o esperma só produzia espermatozóides de cabeça pequena. Constatou também que o esperma tem duas vezes mais espermatozóides de cabeça pequena do que de cabeça maior. Mas as estatísticas mostram que nascem pouco mais rapazes do que raparigas.
Será que os espermatozóides portadores de y são mais frágeis? E frágeis porquê?
Estudou então secreções dos órgãos genitais femininos e adicionou esperma. Observando ao microscópio constatou que quando as secreções eram mais ácidas do que alcalinas, a velocidade dos espermatozóides de cabeça grande era maior que a dos outros e quando as secreções eram mais alcalinas a maior velocidade pertencia aos espermatozóides de cabeça pequena.
Ora os ginecologistas sabem que as secreções da vagina são ácidas enquanto as do colo do útero  são alcalinas. E quanto mais nos aproximamos do momento da ovulação mais alcalinas são. Por consequência, as probabilidades de ter um rapaz são maiores nesta altura. Se os pais antes querem uma rapariga, devem realizar a fecundação 2 ou 3 dias antes da ovulação.
Estas foram as conclusões do dr. Shettles mas o mesmo já anteriormente tinha sido dito por outro americano, Marshall, como afirmou o dr. Joseph Stolkowski, do laboratório de fisiologia química da Universidade de Paris.

Certamente algumas das minhas alunas ainda se lembram do que discutimos na altura, não é verdade?
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Rapaz ou rapariga segundo o gosto dos pais...

Ao arrumar velhos documentos do meu tempo de professora, deparei com um artigo que me lembro muito bem  ter discutido com as minhas alunas da altura. Tratava da possibilidade de os pais poderem escolher o sexo da criança antes da concepção.
Dois cientistas, um polaco e outro americano, pensavam ter encontrado o processo para o fazer e prometiam uma autêntica revolução na demografia mundial.
Entretanto, um francês que conseguiu o controle do sexo em Batráquios, procurou continuar as experiências na espécie humana, para ver se os resultados podiam ser extrapolados para o Homem.
Tratando os dados estatísticamente, sabemos que em 1000 embriões, o número de raparigas é ligeiramente inferior ao de rapazes. E esta disparidade é inexplicável para os geneticistas, visto haver o mesmo número de células reprodutoras quer em machos quer em fêmeas.
Mas a determinação do sexo da criança é como um jogo de dados e o que os cientistas procuram  são as regras do jogo e o modo de calcular probabilidades.
Estudando mulheres grávidas na Polónia, o dr. Franciszek Benendo imaginou um método para a escolha do sexo da criança.
Tudo começou com o nascimento da sua filha, em agosto de 1932, sabendo ele exactamente qual o momento da fecundação da sua mulher. Interrogando centenas de grávidas e sabendo qual a altura da fecundação, procurou estabelecer uma relação entre o momento do ciclo ovárico em que se situa a relação sexual e o sexo da criança que vai nascer.
Segundo o dr. Benendo, as relações sexuais no dia da ovulação, na véspera ou no dia seguinte, têm 86,6% de probabilidade de ver nascer um rapaz. As que têm lugar entre o 5º e o 3º dia antes da ovulação dão 84,7% de probabilidades de nascer uma rapariga.
É um método simples e fácil. Só que não assenta em bases científicas... Eis a questão!...
                                  Ir. maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 30 de março de 2013

Os últimos dias...

Estes últimos dias da semana são por demais densos e interiorizantes. Tornam-nos, talvez por isso, mais sensíveis e vulneráveis.
Na 5ª feira foi a cerimónia do Lava-pés com toda a sua dimensão existencial em que ficou bem patente a humildade que Jesus testemunha e que nos convida a viver.
Fazer como Ele fez, em espírito de caridade, de serviço, de disponibilidade, de partilha. Servir os mais simples, os mais humildes, os que mais necessidade têm de apoio, de acolhimento. Descer à condição de servo e abrir os braços aos que passam ao nosso lado e que não têm coragem de pedir ajuda.
Foi a lição de 5ª feira Santa, com a instituição da Eucaristia e a transmissão do poder sacerdotal.
A este dia, segue-se 6ª feira Santa, em que acompanhamos o drama da Paixão, em que recebemos outro exemplo de Jesus que, mesmo ao ser procurado, pretende proteger os discípulos. "Se é a Mim que procurais deixai ir estes..." E assim se cumprem as escrituras.
E depois, a figura de Pilatos, ressaltando de todo o processo de julgamento sumário. Pilatos, aquele homem cobarde que sabe que Jesus está inocente mas que O condena, porque tem medo de ser acusado de não ser amigo de César.
Também ele está dividido entre a Verdade e o poder . E opta pelo poder lavando as mãos do "sangue daquele justo".
E uma grande tristeza, uma grande solidão se estende sobre a terra. A Cruz, em que Cristo morreu, impõe-se a todos os homens e obriga ao silêncio e à veneração. É o único dia em que o Homem se ajoelha diante da Cruz, venerando esse instrumento da morte de um Deus feito Homem.
E hoje, é sábado, o dia do silêncio, da solidão, em que nos recolhemos em nós mesmos para agradecer ao Pai que nos deu o Seu Filho e ao Filho que foi "obediente até à morte e morte de cruz".
Ajoelhemos diante do mistério e acolhamos o dom que fez de nós filhos.
                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Traição, revolta, morte

A Semana Santa vai-se aproximando do seu climax e vai-nos marcando através das leituras do dia. Hoje, foi a descrição da traição de Judas que marcou e de certa maneira nos deixou interrogações. Como é que aquele homem, que viveu três anos com Jesus, presenciou os Seus milagres, assistiu às Suas pregações, viu como Ele rezava e... não aprendeu nada? Como é que ele, depois duma última tentativa de Jesus, dum último apelo à sua conversão, foi capaz de virar costas e ir entregar o seu Mestre?
E vendeu-O... Por trinta moedas, dinheiro que não chegou a aproveitar, que deitou fora, talvez num último sentimento de revolta.
Arrepiamo-nos ao pensar nisto, ao rever o texto do Evangelista S. João, ao encarar com esta personagem e relembrar cada um dos passos que são descritos e em cada uma das consequências.
E, se queremos ser realistas,  somos levados a pensar que também isto nos acontece a nós, às vezes, muitas vezes...
Também nós estudámos o catecismo, vamos à missa, fazemos retiro, rezamos, assumimos compromissos e depois, voltamos as costas e trocamos Jesus por algumas moedas... talvez por nada...por momentos de prazer e de alegria fictícia.
Judas chegou a arrepender-se mas, demasiado tarde.
Que connosco, ao menos isso não aconteça.
Que nunca nos cansemos de pedir perdão porque, como disse o Papa Francisco, Deus nunca se cansa de nos perdoar.
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Paixão de Jesus Cristo segundo S.Lucas

Provoca sempre uma grande tensão emocional ouvir a Leitura da Paixão, qualquer que seja o Evangelista que é utilizado paraessa leitura. Mas, a de S. Lucas, que se lê no Domingo de Ramos, é por demais pormenorizada e rica de dados históricos. Nela estão sintetizados todos os acontecimentos da Semana Santa.
Começa com a escolha do local para a preparação da Páscoa. Não é um local qualquer ou previamente combinada. É aquele onde forem levados pelo Homem que lhes há-de aparecer transportando uma bilha de água.
Lá, a Última Ceia, a instituição da Eucaristia e a passagem do testemunho aos Apóstolos: Fazei isto em memória de Mim!... Mas, ao mesmo tempo, ali se anuncia a traição de Judas e a negação de Pedro. É o início do drama... que se continua no Monte das Oliveiras com a agonia de Jesus, lutando entre a Sua vontade e a vontade do Pai que O enviou.
E a seguir, a prisão, o julgamento no tribunal judaico, que não tem poder para condenar à morte. E por isso, Jesus é levado a Pilatos que, ao sabê-lo galileu, o envia a Herodes. E, ironia! por causa disso os dois se tornaram amigos.
E o Evangelho continua a contar-nos, passo por passo, as injúrias, as afrontas, as torturas a que Jesus é submetido.
E depois, a caminhada até ao calvário, a crucificação, o diálogo com os dois ladrões, a promessa do paraíso para o " bom ladrão"e, finalmente, a morte e a deposição no sepulcro por José de Arimateia.
Não há espaço nem para respirar, depois de reviver todos estes episódios que parecem ter dado vida à pessoa de Jesus que nós quisemos acompanhar.
Não se pode ficar indiferente depois de se ter lido este texto dos Evangelhos. Façamos dele vida.
                   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.