domingo, 24 de março de 2013

As contradições do Reino

Domingo de Ramos!
Entrada triunfal em Jerusalem!
Hossana, óh! filho de David...
Há júbilo, há gritos de alegria e louvor. O povo em geral e os discípulos em particular, saúdam o Rei, o Libertador, a mudança de estatuto, de regimen.Felicitam e rejubilam com aquele que eles julgam ir mudar tudo; que pensam que os vai libertar do erro e do domínio do povo estrangeiro; que consideram ir-lhes dar um reino de abundância, de paz, de felicidade, como anunciou o profeta Isaías...
E não têm razão?
Jesus não nos veio libertar , não veio fazer mudar o rumo dos acontecimentos, não veio trazer novas regras e uma nova doutrina?
Só que... o choque era inevitável! O Rei, é um Rei crucificado, morto mas ressuscitado. E o Reino, está em nós e só será diferente quando mudarmos, quando virmos a Deus e à Vida, despidos das roupagens com que habitualmente os disfarçamos para que não possamos ver claro.
O Reino novo, anunciado por Jesus, o Cristo Crucificado, é um reino que tem que passar pelo sofrimento, pelo despojamento, pela verdade. É um reino de simplicidade, de alegria na pobreza, de felicidade no dom e na partilha.
Queremos pertencer a este reino?
É o momento da escolha, neste Domingo de Ramos...
Queremos continuar à espera dum reino terreno, exterior a nós, ilusório, ou queremos ser testemunhos vivos dum Rei crucificado?
Se queremos... eis a hora!
                         Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

sábado, 23 de março de 2013

Semana Santa

Estamos em vésperas da Semana Santa. Como correu depressa este período de cinco semanas que nos deixou no domingo de Ramos... É àmanhã!
Domingo de Ramos. Entrada triunfal em Jerusalém. Manifestação de louvor, de glória, que rapidamente se desfaz e se transforma em gritos de condenação e em pedidos de morte.
Foi assim o povo de Jerusalém... hoje em euforia , àmanhã em condenação.
É assim todo e qualquer povo quando se deixa manipular e é aliciado por vãos interesses.
Crucifica-o! crucifica-o! É  o grito que contradiz  os cânticos de louvor e acção de graças do Domingo de Ramos: Hossana ó Filho de David.
Somos assim muitas vezes: volúveis, inconstantes, deixando-nos guiar por falsos profetas e mover por questões contraditórias e secundárias.
Estamos a caminho desta semana da Paixão que é preenchida por inquietação e dor. Admiremos a tranquilidade de Jesus que se deixa saudar efusivamente sabendo o que o espera em Jerusalém, conhecendo a reviravolta que as mentalidades vão sofrer e que as levará a condenar aquele que antes louvaram e saudaram alegremente.
Mas, no meio desta semana, um sinal de alegria: a instituição da Eucaristia.
É Quinta Feira Santa! Jesus veio e ficou. Depois, será a Morte e a Ressurreição mas Jesus já tinha deixado a Sua presença entre os Homens: Fazei isto em memória de Mim.

 Ir.Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 18 de março de 2013

O tempo passa ... o silêncio fica

Os dias passam... o tempo corre, escoa-se entre os nossos dedos , como a areia da praia.
Ainda "ontem" era Natal e já estamos em vésperas de Páscoa. Passou um trimestre quase sem se dar por isso. Os alunos estão novamente em férias; os professores em reuniões; os funcionários em arrumações e limpezas.
A casa muda de especto e parece estranha com este silêncio em que não há gritos de crianças nem animação de adultos.
Espreita-se pela janela e apenas o ar húmido deste fim de Inverno em que uma réstea de sol parece querer animar a paisagem e os corações.
É ocasião para apreciar o silêncio e tentar aproveitar para tentar desenvolver em nós um clima de sossego que ajuda à reflexão.
Mas o silêncio às vezes oprime, cansa... Sobretudo se não estamos disponíveis para o aproveitar, se não queremos fazer desta tranquilidade o ambiente propício para acolher Deus e a Sua mensagem.
Deus fala no silêncio!
O dia desce, a luz diminui, a noite chega... o silêncio impõe-se. Já não há reuniões, nem trabalhos, nem actividade. Apenas sossego, paz.
Deixemo-nos invadir por esta tranquilidade, por esta calma, por este silêncio. Lutemos contra a tentação de letargia, de tristeza, de inação. E não tenhamos medo deste silêncio que vai tomando conta de nós. Paremos... Fiquemos diante do sacrário tentando ouvir o Senhor que, morreu por nós, mas ressuscitou e está presente para sempre . E fala-nos no silêncio do nosso coração.
Procuremos aquele ambiente em que sabemos estar apenas nós e Deus.
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
                      

domingo, 17 de março de 2013

Paciência e misericórdia

Hoje, último domingo da Quaresma, já ninguém se lembra do que ficou para trás. Coincidiu com ele o primeiro Angelus que o Papa veio rezar na praça se S. Pedro e todos nos concentrámos nisso. Já lá vai o tempo do Conclave, a espera pela eleição, a festa face ao anúncio do novo Papa... Igualmente os acontecimentos internos , importantes para o Colégio, mas muito menos que um novo Sumo Pontífice .
O Papa Francisco apareceu à janela, deu os bons dias e, baseado no Evangelho do dia, falou na paciência de Deus e na Sua misericórdia. Uma homilia curta mas em que insistiu que o Deus de misericórdia está sempre atento e disponível para perdoar. Nós é que muitas vezes não vamos pedir o Seu perdão...
Realmente não temos o coração aberto e suficientemente desprendido para acolher a misericórdia e o perdão.
Razão tem um amigo meu... que ainda acrescenta que dificilmente descemos até ao âmago de nós mesmos para nos libertarmos de todo o erro e pecado que lá se esconde, e sermos perdoados totalmente.
Jesus face aos homens que acusavam a mulher de adultério, fê-los descer ao fundo de si mesmos  e reconhecer que eram pecadores. Só aqueles que estão puros, livres, podem acusar. Por isso, eles se retiraram, um a um " começando pelos mais velhos".
É mais uma lição para a nossa caminhada da Quaresma, esta que Jesus nos dá. É tão fácil julgar, acusar e condenar!... E ficar de ânimo leve sem nos apercebermos que nenhum julgamento tem valor sem provas e que só um coração puro é capaz de ver, em verdade, a distinção entre o erro e a ausência dele.
Libertemos o nosso coração e disponhamo-lo não para acusar mas simplesmente  para usar de misericórdia, a do Pai. 
  Ir. M.Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 16 de março de 2013

A câmara de Sintra no Ramalhão

Ontem foi um dia muito preenchido e agitado aqui no Ramalhão. De manhã foi preciso montar toda a logística para a vinda do sr. Presidente da Câmara de Sintra e sua comitiva. Ao mesmo tempo, fazer os últimos ensaios, arrumar o ginásio, preparar  a decoração, verificar todo o espaço a visitar, falar com professores e pais, etc..
A tarde começou com a recepção às primeiras visitas e a espera, no pátio principal, pela chegada do sr. Presidente.
A sua vinda foi uma honra para nós, independentemente das adaptações que pressupôs. O sr. Presidente agraciou-nos com uma medalha de ouro de mérito na vertente educação e nós, presenteámo-lo com lembranças da nossa casa, uma recordação da Vista Alegre e a representação, em palco, da História do Ramalhão.
Foi um texto escrito pela nossa professora Conceição Bueso que também o ensaiou. Começou com música para criar ambiente para a leitura dum excerto dos Maias de Eça de Queiroz, em que ele fala de um passeio a Sintra em que se passava pela quinta do  Ramalhão. O Eça de Queiroz está sentado à secretária enquanto o narrador lê, passam fotografias em dois ecrãs e deslocam-se pelo ginásio pares vestidos à época.
Depois, simula-se uma aula em que professora e alunos falam da História do Ramalhão.
Em pequenos apontamentos conta-se a história de três séculos do Ramalhão, desde a doação dum casal rústico até à fundação do Colégio, passando pelo Palácio e mostrando as figuras e os acontecimentos que por aqui passaram .
Pudemos contar com a colaboração de todos os professores, nomeadamente o João Carlos, a Ilka, o João Paulo e a Carla Monteiro.
Depois das palmas do público o sr. Presidente subiu ao palco para o seu discurso, a que a Madre geral respondeu. Entregou a medalha à Ir. Francisca que também falou, agradecendo. Terminou esta parte com o Hino do Colégio cantado pelo coro e todos os alunos.
Seguiu-se a 2ª parte do programa que era a visita à casa, durante a qual houve duas interrupções para ouvir o concerto das guitarras e dois números de flautas.
A tarde acabou com um lanche simples na floresta.
Com o sr. Presidente vieram, entre outras pessoas, duas antigas alunas que trabalham na Câmara. É sempre enternecedor encontrar antigas alunas em ocasiões destas. Elas também se emocionaram por voltarem, em serviço, àquela que consideram uma segunda casa.
E assim chegou ao fim mais um acontecimento grande para a história do Colégio.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Habemus Papam!...

Estávamos na capela a rezar o rosário quando o sr. P. Dâmaso entrou a dizer que já havia fumo branco.
Excitação! Surpresa! Curiosidade! Emoção!
Uma série de sensações juntas que nos levavam a desejar sair da capela e ir à televisão ver o que se passava. Mas... o dever falou mais forte e ninguém se mexeu. Continuámos calmamente a rezar.
Só no fim do jantar fomos saber das notícias, quem era o novo Papa, como se chamava, qual a sua história. E ficámos elucidadas: Papa Francisco I, arcebispo de Buenos Aires,  pertencendo à Companhia de Jesus.
Interessante ser o 1º Jesuíta, o 1º Papa vindo da América Latina, o 1º a escolher o nome de Francisco...
Desde que se soube o nome escolhido que os comentadores se interrogam sobre o sentido profundo deste nome... Francisco!
Que mensagem nos quer transmitir, com esta escolha, o novo Papa? Podemos confiar que estará atento aos  Homens, preocupado com a expansão da Fé, empenhado em resolver os problemas sociais... Se com a escolha quer lembrar S. Francisco de Assis, recorda-nos o "pobrezinho de Assis". o amigo da Natureza, o defensor da Ecologia, dizem os entendidos.
Outra hipótese, é referir-se a S. Francisco Xavier... o missionário, aquele que levou ao mundo a Fé cristã. Outra perspectiva a ter em conta.
Qualquer que seja o sentido, e para já só ele o sabe... espera-se que o Papa Francisco I  seja o Papa dos nossos dias, aquele que não vai tremer face aos problemas e vai ser capaz de os enfrentar.
Impressionou-me aquele pedido de oração por ele, antes de dar a sua 1ª bênção aos presentes e ao mundo. Foi um testemunho de humildade e de coesão com o povo. Aquele povo que esperara horas pela eleição e depois para o aclamar.
Confiemos na sua acção e rezemos por ele.
                         Ir.Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Alegrias e contratempos

Estes dias têm sido de grande agitação, aqui no Colégio e na Comunidade. Primeiro, por causa do Conclave e da eleição do Papa que faz as pessoas procurarem incessantemente  o ecrã da TV ou as ondas da rádio. Que notícias há?  Já se viu fumo? De que cor era?
Mas claro que são sempre as mesmas notícias  e iguais as imagens, porque para novidades ainda é cedo.
Ontem, na primeira votação, o fumo foi negro e hoje, o fumo que se viu, negro era!... Aguardemos a última votação do dia.
No meio desta expectativa, outra ocupação nos distrai : preparar a visita do Presidente da Câmara de Sintra.
Foi ele que manifestou gosto em vir conhecer o Colégio e nós resolvemos convidá-lo para a celebração do dia de S.José, no âmbito dos 70 anos deste estabelecimento de ensino.
Só que o dia 19 é já em férias e, como tal, tivemos que antecipar a festa para o último dia de aulas, pois precisamos dos alunos para a apresentação da História do Ramalhão em palco, bem como para o concerto das guitarras e flautas. Primeiro contratempo...
A apresentação da classe de acrobática, que fazia parte do programa, também teve que ser suprimida, porque ,entretanto, caiu o teto do ginásio novo. Outra contrariedade...
Sempre acontecem contratempos, quando preparamos um "extra", para testar a nossa paciência  e capacidade de improviso.
Mas para imprevistos há mais... Professoras doentes, visitas de estudo, mudanças de refeitórios...
O que vale é que acreditamos que "nada acontece por acaso" e que S. José, nosso padroeiro, está presente a compensar o que nos falta.
                                                                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.