sábado, 16 de março de 2013

A câmara de Sintra no Ramalhão

Ontem foi um dia muito preenchido e agitado aqui no Ramalhão. De manhã foi preciso montar toda a logística para a vinda do sr. Presidente da Câmara de Sintra e sua comitiva. Ao mesmo tempo, fazer os últimos ensaios, arrumar o ginásio, preparar  a decoração, verificar todo o espaço a visitar, falar com professores e pais, etc..
A tarde começou com a recepção às primeiras visitas e a espera, no pátio principal, pela chegada do sr. Presidente.
A sua vinda foi uma honra para nós, independentemente das adaptações que pressupôs. O sr. Presidente agraciou-nos com uma medalha de ouro de mérito na vertente educação e nós, presenteámo-lo com lembranças da nossa casa, uma recordação da Vista Alegre e a representação, em palco, da História do Ramalhão.
Foi um texto escrito pela nossa professora Conceição Bueso que também o ensaiou. Começou com música para criar ambiente para a leitura dum excerto dos Maias de Eça de Queiroz, em que ele fala de um passeio a Sintra em que se passava pela quinta do  Ramalhão. O Eça de Queiroz está sentado à secretária enquanto o narrador lê, passam fotografias em dois ecrãs e deslocam-se pelo ginásio pares vestidos à época.
Depois, simula-se uma aula em que professora e alunos falam da História do Ramalhão.
Em pequenos apontamentos conta-se a história de três séculos do Ramalhão, desde a doação dum casal rústico até à fundação do Colégio, passando pelo Palácio e mostrando as figuras e os acontecimentos que por aqui passaram .
Pudemos contar com a colaboração de todos os professores, nomeadamente o João Carlos, a Ilka, o João Paulo e a Carla Monteiro.
Depois das palmas do público o sr. Presidente subiu ao palco para o seu discurso, a que a Madre geral respondeu. Entregou a medalha à Ir. Francisca que também falou, agradecendo. Terminou esta parte com o Hino do Colégio cantado pelo coro e todos os alunos.
Seguiu-se a 2ª parte do programa que era a visita à casa, durante a qual houve duas interrupções para ouvir o concerto das guitarras e dois números de flautas.
A tarde acabou com um lanche simples na floresta.
Com o sr. Presidente vieram, entre outras pessoas, duas antigas alunas que trabalham na Câmara. É sempre enternecedor encontrar antigas alunas em ocasiões destas. Elas também se emocionaram por voltarem, em serviço, àquela que consideram uma segunda casa.
E assim chegou ao fim mais um acontecimento grande para a história do Colégio.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Habemus Papam!...

Estávamos na capela a rezar o rosário quando o sr. P. Dâmaso entrou a dizer que já havia fumo branco.
Excitação! Surpresa! Curiosidade! Emoção!
Uma série de sensações juntas que nos levavam a desejar sair da capela e ir à televisão ver o que se passava. Mas... o dever falou mais forte e ninguém se mexeu. Continuámos calmamente a rezar.
Só no fim do jantar fomos saber das notícias, quem era o novo Papa, como se chamava, qual a sua história. E ficámos elucidadas: Papa Francisco I, arcebispo de Buenos Aires,  pertencendo à Companhia de Jesus.
Interessante ser o 1º Jesuíta, o 1º Papa vindo da América Latina, o 1º a escolher o nome de Francisco...
Desde que se soube o nome escolhido que os comentadores se interrogam sobre o sentido profundo deste nome... Francisco!
Que mensagem nos quer transmitir, com esta escolha, o novo Papa? Podemos confiar que estará atento aos  Homens, preocupado com a expansão da Fé, empenhado em resolver os problemas sociais... Se com a escolha quer lembrar S. Francisco de Assis, recorda-nos o "pobrezinho de Assis". o amigo da Natureza, o defensor da Ecologia, dizem os entendidos.
Outra hipótese, é referir-se a S. Francisco Xavier... o missionário, aquele que levou ao mundo a Fé cristã. Outra perspectiva a ter em conta.
Qualquer que seja o sentido, e para já só ele o sabe... espera-se que o Papa Francisco I  seja o Papa dos nossos dias, aquele que não vai tremer face aos problemas e vai ser capaz de os enfrentar.
Impressionou-me aquele pedido de oração por ele, antes de dar a sua 1ª bênção aos presentes e ao mundo. Foi um testemunho de humildade e de coesão com o povo. Aquele povo que esperara horas pela eleição e depois para o aclamar.
Confiemos na sua acção e rezemos por ele.
                         Ir.Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Alegrias e contratempos

Estes dias têm sido de grande agitação, aqui no Colégio e na Comunidade. Primeiro, por causa do Conclave e da eleição do Papa que faz as pessoas procurarem incessantemente  o ecrã da TV ou as ondas da rádio. Que notícias há?  Já se viu fumo? De que cor era?
Mas claro que são sempre as mesmas notícias  e iguais as imagens, porque para novidades ainda é cedo.
Ontem, na primeira votação, o fumo foi negro e hoje, o fumo que se viu, negro era!... Aguardemos a última votação do dia.
No meio desta expectativa, outra ocupação nos distrai : preparar a visita do Presidente da Câmara de Sintra.
Foi ele que manifestou gosto em vir conhecer o Colégio e nós resolvemos convidá-lo para a celebração do dia de S.José, no âmbito dos 70 anos deste estabelecimento de ensino.
Só que o dia 19 é já em férias e, como tal, tivemos que antecipar a festa para o último dia de aulas, pois precisamos dos alunos para a apresentação da História do Ramalhão em palco, bem como para o concerto das guitarras e flautas. Primeiro contratempo...
A apresentação da classe de acrobática, que fazia parte do programa, também teve que ser suprimida, porque ,entretanto, caiu o teto do ginásio novo. Outra contrariedade...
Sempre acontecem contratempos, quando preparamos um "extra", para testar a nossa paciência  e capacidade de improviso.
Mas para imprevistos há mais... Professoras doentes, visitas de estudo, mudanças de refeitórios...
O que vale é que acreditamos que "nada acontece por acaso" e que S. José, nosso padroeiro, está presente a compensar o que nos falta.
                                                                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 12 de março de 2013

À espera de Papa

                                                      Começou hoje o Conclave.
Os Cardeais já se mudaram para a casa de Santa Marta e logo vão estar encerrados na Capela Sistina para a 1ª votação.
A comunicação social já deu todas as notícias sobre o "como" e o "onde". Toda a gente que queira, pode saber o que se vai passar e quando.
Quem será o novo Papa é que só Deus é que sabe!...
Durante a primeira semana os Cardeais tiveram oportunidade de conferenciar, trocar  todas as impressões possíveis, estudar os prós e os contras de todos os papabili...
Portanto, o Espírito Santo já poderá iluminar os seus corações e as suas mentes para que  escolham o melhor.
 O melhor pode não ser o mais inteligente, ou o mais santo, ou o mais perfeito comunicador. Tem é que ser o que melhor atenda aos sinais dos tempos e saiba acolher a Palavra de Deus. "Ao fim e ao cabo" é Ele quem conduz a barca da Igreja, como disse o Papa emérito Bento XVI.
Neste momento a "barca de Pedro" conhece inúmeros contratempos, sofre ventos bem adversos, caminha no meio das trevas da idolatria e do abandono. Mas é Deus quem a conduz e isso é o que nos dá confiança. Ao fim de 20 séculos nada disto é novidade. Já houve vicissitudes, cismas, lutas, erros, mas a Igreja persistiu. Em muitos lugares do globo o número de católicos aumentou mesmo consideravelmente. Na Europa, não! é verdade... porque a Europa se deixa mover pelos interesses económicos e nela predominam o facilitismo e o prazer.
Precisamos rezar pelo novo Papa , para que o Espírito Santo o mova e presida à sua acção unificadora e santificadora.
E aguardemos, confiadamente, que da chaminé da Capela Sistina saia o fumo branco e o Cardeal da sacada de S. Pedro anuncie: "Habemus Papam".

segunda-feira, 11 de março de 2013

Bodas em Fátima

Mais um fim de semana diferente. Mas este foi programado e saiu como planeado.
Fui a Fátima ! É sempre bom visitar este lugar privilegiado e encontrarmo-nos, in loco, a relembrar a mensagem que Nossa Senhora nos deixou. Há sempre uma visão nova...
Muita gente, toda diferente e de diferentes lugares, ali vai para rezar, fazer ou cumprir promessas, escutar o que Maria tem para lhes dizer...
É gratificante estar em Fátima!...
No entanto, o objectivo primeiro desta viagem não foi este. Foi sim participar no encontro-festa das catorze Irmãs que celebravam as suas Bodas de prata e ouro.
Não sei se intencionalmente, coincidiu com o domingo da alegria (domingo Laetarae ), mas talvez... E foi uma grande alegria festejar estes anos todos de consagração religiosa, de tantas Irmãs.
E impressionante também ouvi-las dizer que não se arrependem, que procuram fazer sempre a vontade do Pai, que sabem bem que foi Ele que as chamou e as encaminhou...
Pensei em mim; revi a minha consagração há mais de 50 anos; voltei a lembrar o dia das minhas Bodas de ouro.
Também eu não me arrependo; também eu acredito que o Pai lançou sobre mim o Seu olhar de misericórdia e de amor; também eu vejo os pequenos e grandes contratempos, as alegrias maiores ou menores, como o caminho que Deus desenhou para mim e me convida a percorrer.
Neste momento, em que estamos em vésperas da abertura do Conclave, em que o Patriarca de Lisboa pediu orações para que o novo Papa possa reformular a face da Igreja, procuremos nós dar o nosso testemunho de adesão ao Pai, de filhas que reconhecem esta paternidade e se sentem acolhidas.
Como o filho pródigo, despojadas de tudo, caminhemos para a casa do Pai, certas do acolhimento que Ele nos reserva.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Jardins à chuva

Foi este o tema duma composição quando andava no 5º ano do liceu (actual 9º ano). Não sei o que escrevi mas acho que estava inspirada pois a professora (que era bem exigente) gostou muito e classificou com Muito Bom. Aliás, nessa altura, eu tinha imaginação, graça e geito para escrever...
Hoje, não sei porque razão este tema me veio ao pensamento. Deve ter sido porque, quando me levantei, havia uma intensa cortina de nevoeiro e caía uma chuva miudinha que tornava húmidos os caminhos e molhava lentamente quantos se arriscavam a enfrentá-la.
Os pingos que escorriam das árvores pareciam lágrimas escorregando até ao chão.
Um cenário triste e melancólico.
Mas, se pensarmos bem, a chuva é uma bênção, uma necessidade, para o Homem e para a Terra.
E depois... água é sinónimo de limpeza. Fomos limpos com a água do Baptismo...Há uma sensação de frescura quando nos lavamos e conhecemos o contacto da água ...
A chuva pode ser triste, criar neurastenia em nós, mas muda tudo por onde passa. E, se é assim miudinha e leve, parece acariciar-nos e murmurar, enquanto dai deslizando pelas árvores, pelos  vidros da janela, pelas paredes lisas dos prédios.
Fico olhando essas gotas que caem e pensando que demasiadas vezes encaramos apenas o lado negativo das coisas: chuva, molhado, tristeza... E não avaliamos o aspecto positivo: a limpeza, a fertilidade, a renovação.
E, de repente, este termo renovação, salta-me ao pensamento. É que renovação é o que precisamos realizar neste tempo extraordinário da Quaresma.
Renovar... tornar novo...todas as coisas, a começar pelo pensar e o agir.
Renovar... mudar o que está mal; intensificar o bem.
E quando a Páscoa chegar, mesmo que seja com chuva, haverá a alegria de tudo se viver de novo. 
Preparemo-nos para essa alegria, mesmo quando a chuva parece tornar tudo triste e feio.
                               Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Encontro

Eu pensava, meu Deus,
Que habitavas tão longe,
bem alto sobre a lua e as estrelas,
e por isso eu erguia o meu olhar aflito,
procurando no céu, devassar o infinito!

Mas um dia - oh! ventura! -
a mim Te revelaste.
Surpresa! Tu não vieste lá de cima,
mas senti-Te surgir daqui de dentro,
do mais íntimo e profundo do meu ser, que todo se inundou de amor.

Eras Tu! Tu que como uma fonte clara e pura,
brotavas dentro de mim, dessedentando a minha sede ardente.
E eu descobri, Senhor,
que essa fonte profunda és Tu, Tu mesmo,
Tu que és a própria base da minha profundidade.
                   Ivan Lurken