terça-feira, 12 de março de 2013

À espera de Papa

                                                      Começou hoje o Conclave.
Os Cardeais já se mudaram para a casa de Santa Marta e logo vão estar encerrados na Capela Sistina para a 1ª votação.
A comunicação social já deu todas as notícias sobre o "como" e o "onde". Toda a gente que queira, pode saber o que se vai passar e quando.
Quem será o novo Papa é que só Deus é que sabe!...
Durante a primeira semana os Cardeais tiveram oportunidade de conferenciar, trocar  todas as impressões possíveis, estudar os prós e os contras de todos os papabili...
Portanto, o Espírito Santo já poderá iluminar os seus corações e as suas mentes para que  escolham o melhor.
 O melhor pode não ser o mais inteligente, ou o mais santo, ou o mais perfeito comunicador. Tem é que ser o que melhor atenda aos sinais dos tempos e saiba acolher a Palavra de Deus. "Ao fim e ao cabo" é Ele quem conduz a barca da Igreja, como disse o Papa emérito Bento XVI.
Neste momento a "barca de Pedro" conhece inúmeros contratempos, sofre ventos bem adversos, caminha no meio das trevas da idolatria e do abandono. Mas é Deus quem a conduz e isso é o que nos dá confiança. Ao fim de 20 séculos nada disto é novidade. Já houve vicissitudes, cismas, lutas, erros, mas a Igreja persistiu. Em muitos lugares do globo o número de católicos aumentou mesmo consideravelmente. Na Europa, não! é verdade... porque a Europa se deixa mover pelos interesses económicos e nela predominam o facilitismo e o prazer.
Precisamos rezar pelo novo Papa , para que o Espírito Santo o mova e presida à sua acção unificadora e santificadora.
E aguardemos, confiadamente, que da chaminé da Capela Sistina saia o fumo branco e o Cardeal da sacada de S. Pedro anuncie: "Habemus Papam".

segunda-feira, 11 de março de 2013

Bodas em Fátima

Mais um fim de semana diferente. Mas este foi programado e saiu como planeado.
Fui a Fátima ! É sempre bom visitar este lugar privilegiado e encontrarmo-nos, in loco, a relembrar a mensagem que Nossa Senhora nos deixou. Há sempre uma visão nova...
Muita gente, toda diferente e de diferentes lugares, ali vai para rezar, fazer ou cumprir promessas, escutar o que Maria tem para lhes dizer...
É gratificante estar em Fátima!...
No entanto, o objectivo primeiro desta viagem não foi este. Foi sim participar no encontro-festa das catorze Irmãs que celebravam as suas Bodas de prata e ouro.
Não sei se intencionalmente, coincidiu com o domingo da alegria (domingo Laetarae ), mas talvez... E foi uma grande alegria festejar estes anos todos de consagração religiosa, de tantas Irmãs.
E impressionante também ouvi-las dizer que não se arrependem, que procuram fazer sempre a vontade do Pai, que sabem bem que foi Ele que as chamou e as encaminhou...
Pensei em mim; revi a minha consagração há mais de 50 anos; voltei a lembrar o dia das minhas Bodas de ouro.
Também eu não me arrependo; também eu acredito que o Pai lançou sobre mim o Seu olhar de misericórdia e de amor; também eu vejo os pequenos e grandes contratempos, as alegrias maiores ou menores, como o caminho que Deus desenhou para mim e me convida a percorrer.
Neste momento, em que estamos em vésperas da abertura do Conclave, em que o Patriarca de Lisboa pediu orações para que o novo Papa possa reformular a face da Igreja, procuremos nós dar o nosso testemunho de adesão ao Pai, de filhas que reconhecem esta paternidade e se sentem acolhidas.
Como o filho pródigo, despojadas de tudo, caminhemos para a casa do Pai, certas do acolhimento que Ele nos reserva.
                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Jardins à chuva

Foi este o tema duma composição quando andava no 5º ano do liceu (actual 9º ano). Não sei o que escrevi mas acho que estava inspirada pois a professora (que era bem exigente) gostou muito e classificou com Muito Bom. Aliás, nessa altura, eu tinha imaginação, graça e geito para escrever...
Hoje, não sei porque razão este tema me veio ao pensamento. Deve ter sido porque, quando me levantei, havia uma intensa cortina de nevoeiro e caía uma chuva miudinha que tornava húmidos os caminhos e molhava lentamente quantos se arriscavam a enfrentá-la.
Os pingos que escorriam das árvores pareciam lágrimas escorregando até ao chão.
Um cenário triste e melancólico.
Mas, se pensarmos bem, a chuva é uma bênção, uma necessidade, para o Homem e para a Terra.
E depois... água é sinónimo de limpeza. Fomos limpos com a água do Baptismo...Há uma sensação de frescura quando nos lavamos e conhecemos o contacto da água ...
A chuva pode ser triste, criar neurastenia em nós, mas muda tudo por onde passa. E, se é assim miudinha e leve, parece acariciar-nos e murmurar, enquanto dai deslizando pelas árvores, pelos  vidros da janela, pelas paredes lisas dos prédios.
Fico olhando essas gotas que caem e pensando que demasiadas vezes encaramos apenas o lado negativo das coisas: chuva, molhado, tristeza... E não avaliamos o aspecto positivo: a limpeza, a fertilidade, a renovação.
E, de repente, este termo renovação, salta-me ao pensamento. É que renovação é o que precisamos realizar neste tempo extraordinário da Quaresma.
Renovar... tornar novo...todas as coisas, a começar pelo pensar e o agir.
Renovar... mudar o que está mal; intensificar o bem.
E quando a Páscoa chegar, mesmo que seja com chuva, haverá a alegria de tudo se viver de novo. 
Preparemo-nos para essa alegria, mesmo quando a chuva parece tornar tudo triste e feio.
                               Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Encontro

Eu pensava, meu Deus,
Que habitavas tão longe,
bem alto sobre a lua e as estrelas,
e por isso eu erguia o meu olhar aflito,
procurando no céu, devassar o infinito!

Mas um dia - oh! ventura! -
a mim Te revelaste.
Surpresa! Tu não vieste lá de cima,
mas senti-Te surgir daqui de dentro,
do mais íntimo e profundo do meu ser, que todo se inundou de amor.

Eras Tu! Tu que como uma fonte clara e pura,
brotavas dentro de mim, dessedentando a minha sede ardente.
E eu descobri, Senhor,
que essa fonte profunda és Tu, Tu mesmo,
Tu que és a própria base da minha profundidade.
                   Ivan Lurken

terça-feira, 5 de março de 2013

A injustiça do julgamento

Estive a reler, no Evangelho de S. Lucas, o episódio do cisco e da trave nos olhos e fiquei a pensar como é fácil encontrar problemas, defeitos e erros nos que nos rodeiam.
Jesus recomendou aos fariseus que fossem primeiro tirar a trave do seu olho para poderem ver o cisco no do vizinho... Mas nós, quantas vezes nos esquecemos desta recomendação...
E pior, muitas vezes estamos mesmo empenhados não só em ver o mal do vizinho mas também em depreciar o que os outros fazem de bem. E andamos tão ocupados que nem temos tempo para nos analisar e perdemos assim a oportunidade de reconhecer em nós valores que nos escapam, na ânsia de minimizar apenas os que encontramos nos que nos rodeiam.
E com muita facilidade julgamos e condenamos.
E com que direito o fazemos?
Quem somos nós para julgar e condenar?
E, muitas vezes, baseados apenas em aparências e insinuações. Não temos provas, não conhecemos factos... E mesmo que tivéssemos...
Com alguma facilidade caio nesse mal mas fico sempre magoada, depois, quando tomo consciência da injustiça e leviandade com que fazemos julgamentos. Esquecemo-nos completamente que "Deus é lento em julgar e rápido em amar".
Todos temos o direito de errar, de fazer mal, de pecar, de nos arrepender, arrepiar caminho e... voltar a errar. Por isso, naturalmente é que Jesus disse a Pedro que devia perdoar não sete vezes mas setenta vezes sete.
Não sei se adianta ficar magoada, pedir perdão pela injustiça cometida, pela leviandade do julgamento que fazemos.... Certamente, sim! mas o que vale a pena é corrigir, esforçar-se para fazer como Jesus, que não condenava, antes olhava os pecadores com um olhar de misericórdia.
Que ele nos acuda e abençoe.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 
 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Uma ida a Lisboa

Este fim de semana desloquei-me a Lisboa e tinha pensado ir "viver" a minha cidade,as suas belezas, os seus perfumes...
Planeara sair da Estrela de autocarro até ao Marquês de Pombal e depois descer a Avenida da Liberdade , contemplando as lojas, admirando os pequenos lagos com as suas estátuas, apreciando em pormenor as esplanadas da parte central, parando, de onde em onde, a respirar este ar da cidade. Poluído, sem dúvida, mas tão lisboeta!...
É uma sensação espantosa descer esta Avenida, com os seus encantos e o seu movimento.
O antigo SNI convida-nos a entrar para apreciar a Loja dos Museus com as suas particularidades. E porque não comprar uma recordação ou um presente único?
Uns metros além, a estação do Rossio, com as suas portas que parecem querer envolver quem nelas entra. E estamos no Largo do Rossio. Lá, é impossível não nos determos para um pouco de cultura, diante do teatro D. Maria I. E depois, num pequeno desvio, ajoelhar na Igreja de S. Domingos, relembrando tudo o que ela significa de história e de tragédia.
Voltar atrás e parar para apreciar a beleza da Praça e seguir, R. Augusta além, até ao Terreiro do Paço. Aí aguarda-nos a estátua de D. José e, ao fundo, a paisagem magnífica do Rio. Antes, passa-se pelo Arco da Rua Augusta, o nosso Arco do Triunfo.
Era este o meu plano mas abortou. No sábado, o Baptizado da minha sobrinha mais nova que acabou demasiado tarde. O meu projecto iria coincidir com a manifestação marcada para esse percurso que eu imaginara para voltar a apreciar Lisboa.
Adiei o passeio para domingo mas... nada feito! Um convite para uma ida ao Parque das Nações, modificou a minha tarde de domingo.
Não me arrependo. Gostei do movimento mais do que propriamente a propaganda a lugares dos quais conheço a maioria. Mas admirei aqueles jovens que passaram a tarde de domingo a tentar vender viagens para onde quer que fosse.
E assim passou um fim de semana com um maravilhoso projecto gorado...
Mas o importante é saber tirar partido e aproveitar o que nos é oferecido.
Nem tudo foi mau. Antes pelo contrário. Houve alegrias inesperadas e riquezas que não se podem desperdiçar.
Obrigada , meu Deus.
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 
 

sexta-feira, 1 de março de 2013

O cão perdido

No domingo passado foi um reboliço aqui no Ramalhão. Um autêntico "levante" na capela com Irmãs para dentro, Irmãs para fora num vai e vem imenso. Até iam chegando tarde à Missa..
Depois, durante todo o dia foram telefonemas, pessoas que vinham e iam, idas à quinta, perguntas sem fim... uma autêntica azáfama.
E tudo isto porquê? Muito simplesmente porque uma Irmã encontrou dois desconhecidos, perto da lavandaria. À sua pergunta que estavam ali a fazer e como tinham entrado, responderam que tinham saltado o muro para vir à procura dum cão que lhes fugira.
A Irmã entrou em pânico e veio pedir auxílio. Lá foi com ela uma equipa mais afoita que entrevistou os ditos homens e ficou a saber que estavam no campo de treino de cães, por detrás do Ramalhão, e lhes tinha fugido um dos animais.
Claro que não ficámos de todo convencidas com as explicações das pessoas (depois já eram sete), que só muito mais tarde se identificaram e fomos-lhes dizendo que estavam em propriedade privada e entrar assim, saltando um muro, é crime.
Mas lá os fomos deixando procurar o cão. Pareciam tão preocupados... Mas nunca percebemos o motivo desta preocupação.
Todo o resto do dia foi um corrupio de gente, de trás para diante, em busca do fugitivo. Também serviu para sabermos mais coisas àcerca do grupo mas a dúvida persistia e persiste.
Do cão... nem sombras!
Se realmente existiu e não foi apenas um pretexto para vir conhecer a quinta, o pobre do animal soube muito bem desenvencilhar-se e a esta hora já está longe. Até porque os nossos 3 cães não gostam de concorrência e sabem muito bem tornar-se desagradáveis para intrusos.
Não sei se tenho mais pena do cão, se dos treinadores da escola, se de nós que nos envolvemos, sem querer, numa história que não era nossa. Umas Irmãs continuam receosas, outras procuram o cão e outras lamentam tudo isto. Mas sempre o cão é o assunto do dia.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.