sexta-feira, 1 de março de 2013

O cão perdido

No domingo passado foi um reboliço aqui no Ramalhão. Um autêntico "levante" na capela com Irmãs para dentro, Irmãs para fora num vai e vem imenso. Até iam chegando tarde à Missa..
Depois, durante todo o dia foram telefonemas, pessoas que vinham e iam, idas à quinta, perguntas sem fim... uma autêntica azáfama.
E tudo isto porquê? Muito simplesmente porque uma Irmã encontrou dois desconhecidos, perto da lavandaria. À sua pergunta que estavam ali a fazer e como tinham entrado, responderam que tinham saltado o muro para vir à procura dum cão que lhes fugira.
A Irmã entrou em pânico e veio pedir auxílio. Lá foi com ela uma equipa mais afoita que entrevistou os ditos homens e ficou a saber que estavam no campo de treino de cães, por detrás do Ramalhão, e lhes tinha fugido um dos animais.
Claro que não ficámos de todo convencidas com as explicações das pessoas (depois já eram sete), que só muito mais tarde se identificaram e fomos-lhes dizendo que estavam em propriedade privada e entrar assim, saltando um muro, é crime.
Mas lá os fomos deixando procurar o cão. Pareciam tão preocupados... Mas nunca percebemos o motivo desta preocupação.
Todo o resto do dia foi um corrupio de gente, de trás para diante, em busca do fugitivo. Também serviu para sabermos mais coisas àcerca do grupo mas a dúvida persistia e persiste.
Do cão... nem sombras!
Se realmente existiu e não foi apenas um pretexto para vir conhecer a quinta, o pobre do animal soube muito bem desenvencilhar-se e a esta hora já está longe. Até porque os nossos 3 cães não gostam de concorrência e sabem muito bem tornar-se desagradáveis para intrusos.
Não sei se tenho mais pena do cão, se dos treinadores da escola, se de nós que nos envolvemos, sem querer, numa história que não era nossa. Umas Irmãs continuam receosas, outras procuram o cão e outras lamentam tudo isto. Mas sempre o cão é o assunto do dia.
                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Adeus Bento XVI

O Papa Bento XVI fez ontem a sua despedida na Praça de S. Pedro em Roma.
Uma praça completamente cheia, bem como as artérias adjacentes!...
Não estive lá mas tive pena. Contudo, pude apreciar e viver esses momentos através da Televisão e fiquei emocionada. Com a serenidade do Papa no seu adeus; com o seu "giro" no papamobile, através da praça, dizendo adeus, saudando os que estavam e o aplaudiam, beijando os bebés que lhe apresentaram; com o seu discurso de despedida; com o silêncio que se fez depois do seu regresso aos seus aposentos.
Havia lágrimas em muitos rostos, até em Cardeais...
O Papa, serenamente, despediu-se e agradeceu ao Corpo Diplomático, a todos os que com ele trabalharam, à comunicação social e ao povo cristão em geral, ao "homem comum" que, como disse Bento XVI, o tratou como a um irmão...
No seu discurso, o Papa afirmou que deixava o poder mas não descia da cruz, não abandonava a Igreja, não esquecia os cristãos, não se retirava para uma vida social; antes, ia mergulhar na oração e na meditação.
Quando o Cardeal Ratzinger foi eleito, muita gente tinha dele a ideia do teólogo tradicional, algo rígido, inflexível. Temperamento germânico...
Depois, a pouco e pouco, fomos constatando a sua fragilidade, a sua bondade, a sua timidez e foi deixando marcas. A vinda a Portugal foi um testemunho de tudo isso.
Não fez esquecer João Paulo II. Tem uma personalidade muito diferente. Mas soube fazer-se amar e impôr-se aos cristãos precisamente por essa personalidade. A humildade da sua resignação é mais uma nota dessa mesma maneira de ser, admirada e admirável.
Hoje é o último acto do seu pontificado. Despede-se dos Cardeais e vai para Castel Gandolfo. Dificilmente o voltarems a a ver mas será sempre o Papa Emérito Bento XVI.
Que o Senhor lhe conceda a Paz e a Felicidade que lhe tem destinada.
                                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O querer de Deus e a nossa acção

" Deus quer... o homem sonha... a obra nasce "
É uma afirmação poética que põe em consonância a vontade de Deus, a Sua acção e o nosso querer, o nosso esforço.
Não há obra nenhuma, exterior ou de mudança interior, que não obrigue ao exercício da nossa vontade, do nosso esforço e depois ( ou antes ) da nossa confiança no Pai.
Por mais que rezemos, não conseguimos um bom resultado no exame se não tivermos feito o nosso papel de estudantes que é estudar.
Não basta pedir a Deus para conseguir um bom emprego, um excelente casamento, uma família feliz... é necessário dar o nosso melhor, é preciso fazer a nossa parte, pôr a nossa vontade, a nossa inteligência, a nossa consciência, ao serviço do Bem e da Verdade.
E... acreditar que Deus premeia o nosso esforço, que Deus está atento às nossas necessidades, que Deus está presente quando precisamos d´Ele.
E temos que sonhar Verdade... temos que nos pôr de acordo com a Vontade do Pai.
Precisamente hoje, o Evangelho fala-nos da pretensão da mãe dos filhos de Zebedeu. Jesus não condena as suas altas aspirações mas pergunta aos filhos se estão dispostos a beber o cálice que Ele vai beber. É a parte deles ( e a nossa). Depois, Deus fará a Sua parte.
A obra... e estou a pensar no trabalho da nossa santificação... só nasce quando, momento a momento, lutamos para ir conquistando valores, dando pequenos passos, arredando as pedras que nos tolhem, libertando o coração das amarras que não nos deixam sonhar .
Deus quer que todo o Homem confie n´Ele, que esteja atento e responda ao Seu apelo.
Deus quer... que, ajoelhados diante d´Ele, digamos o nosso Fiat, o nosso Sim à Sua Vontade e que, depois, sigamos o caminho dos nossos sonhos.
Então, a obra, a nossa santificação, a nossa Felicidade, nascerá.
            Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Os "mas " que não devemos ter...

Comecei hoje o dia com alguma falta de vontade.
Engraçado como o estado do Tempo ( e porque não as circunstâncias e acontecimentos) podem influenciar positiva ou negativamente o nosso estado de alma.
Hoje, até está sol. Um dia luminoso se perspectiva, embora o frio ameace enregelar os espíritos e os corpos.
Mas... Há sempre um "mas " no nosso caminho. Um "mas" que devíamos suprimir dos nossos pensamentos e das nossas vidas, sobretudo neste tempo de Quaresma.
É que devemos analisar, face a Deus, o que pensamos e, como consequência, o que fazemos e dizemos.
Precisamos ser coerentes, não dar ao mundo uma falsa imagem do que somos, porque isso é hipocrisia e Jesus não apreciava os hipócritas. Naturalmente, continua a afastá-los...
O que fazemos e dizemos tem sempre o seu reflexo naqueles que se aproximam de nós. Bem ou mal não passa sem deixar a sua marca nos que estimamos ou que connosco se cruzam duma maneira mais particular.
Não podemos esquecer que somos testemunhas d´Aquele que deu a Vida por nós e nos pede, em cada momento, para O seguirmos.
" Sede meus imitadores como eu sou de Cristo" diz-nos S. Paulo. E imitar Paulo e seguir Jesus nesta Quaresma, é esquecer que há dias maus e tempo sem sol; é não deixar que o medo, a angústia, a tristeza, invada as nossas almas; é lutar pela confiança, a Fé e a Esperança; é querer transformar cada derrota numa vitória futura.
Novamente é S. Paulo que na sua Epístola aos Coríntios nos fala de vitórias: " Muitos são os que correm num estádio mas só um chega à vitória"
E S. Paulo convida-nos a esquecer os outros e fazer como aquele que lutou e venceu.
É a nossa caminhada da Quaresma, sem hesitações nem dúvidas. Uma caminhada em que não há "mas" ... Apenas sins. Em que se pode voltar atrás mas é para emendar e recomeçar.
                            Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Presença

Há muita gente que se diz "chocada" quando ouve ou lê declarações pessoais de amigos. Não gostam de os ver assim expostos diante de estranhos que talvez não entendam até ao fim as suas razões. E gostam tanto menos quanto mais espirituais e íntimas são as afirmações feitas.
Eu também fico "chocada" mas no outro sentido. Toca-me a humildade e a simplicidade daqueles que são capazes de pôr em comum as alegrias e tristezas, as aspirações e as derrotas que lhes enchem a alma e a vida. É a sua manifestação de humanidade. E é ela que me impressiona e me encanta.É que não há Pessoa sem sentimentos, sem alegrias e dores, sem vitórias e pecado.
O próprio Jesus Cristo não nos revelou a Sua Humanidade pedindo ao Pai que afastasse dele aquele cálice? Não nos mostrou os Seus sentimentos ao chorar por Lázaro, ao olhar com complacência o jovem rico e sentir tristeza quando ele se afasta?
Quanto mais vou conhecendo uma pessoa e a vou admirando, quanto mais vejo nela a acção do Pai e a sua tentativa de Lhe corresponder, quanto mais "santa" eu a sinto, mais me emociona a sua capacidade de pôr a nu as suas fraquezas, as suas angústias, as suas aspirações, as suas vitórias.
E rezo, rezo para que a humildade seja a grande arma, alicerçada na oração, que faz grandes as grandes almas.
Não é por acaso que estou a falar nisto. É que li um comentário a uma situação de exposição, situação essa que me impressionou, tanto a mim como ao comentador. Só que foi em sentidos inversos... A ele incomodou-o; a mim sensibilizou-me.
Era bom que todos tivéssemos esta capacidade de ser igual a si mesmo diante do Pai e dos homens. Era excelente que a humildade nos levasse a não ter medo de mostrar o que há em nós de Verdade, de heroísmo e de fraqueza.
Agradeço aos meus Amigos serem o que são e peço para eles, todos os dias, a capacidade de Amar em alegria e humildade.
                                                       Ir. Maria Teresa de Carvalho ribeiro,O.P.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Mensagem

                       O meu amigo chama-me.
                       Bate à porta.
                       Grita.Não ouço.
                       Não estou atenta.
                       Não me apetece escutar o seu convite.
                       Faço ouvidos surdos.
                       Fico no meu canto isolada,
como que fechada. Não quero ser incomodada
nas minhas ocupações, nos meus jogos,
nas minhas música.
                      Não respondo. Prefiro fazer o que me apetece...
                      A Quaresma é tempo do apelo.
                      Deus chama-me!
                     Chama-me a escutar a Sua Palavra. Chama-me a adorá-lo como único Senhor. Chama-me a reconhecer o Seu Filho, mesmo se é preciso escalar a montanha. Chama-me a produzir bons frutos!
Chama-me a deixar o mal e a viver no Seu amor. Chama-me a mudar de vida acreditando em Jesus, Seu Filho, que nos mostra o caminho da vida que nada pode destruir!
                  A Quaresma é o tempo do apelo. Deus chama-nos!
                  É, portanto, o tempo de abandonar tudo o que estorva o coração, o espírito, a vida; tudo o que nos impede de escutar Deus a apontar-nos para uma vida tão florescente como uma árvore em plena Primavera. Como será possível escutar Deus, se se está de tal maneira ocupado que nem sequer se encontra tempo para Lhe falar?
                  A Quaresma é o tempo do apelo. Deus chama-nos!
                 É o tempo de mexer e abanar os velhos hábitos que se instalaram na nossa vida. Como será possível escutar Deus, se não se sai do egoismo, da mentira, do rancor?... É tempo de se decidir  a receber a palavra de Jesus Cristo, que desperta e ilumina a nossa vida!
                 Ergamo-nos! Vamos! És chamada!
                 Que escolhes? Fechar os ouvidos ou responder: Eis-me!
Que decides? Permanecer no casulo da perguiça e do mal ou levantares-te e ressuscitar com Jesus?
                  Vamos, ergue-te! Deus chama-te a uma vida feliz!
                        
              M. Jeanne Cura (in "As crianças a caminho da Páscoa" )
        

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O tempo do apelo

 
 Estamos na 1ª semana da Quaresma; quase no fim deste primeiro período de reflexão, de intimismo, de oração, de penitência.
Lentamente se escoou esta semana como lentamente se vão passar os 40 dias que nos separam da Páscoa.
Para uns, são dias como os outros; para outros, dias pesados e tristes; para alguns, tempo de preparação para uma vida nova.
Quarenta dias entre o Carnaval e a Páscoa... quarenta dias que nos falam de sacrifício, de renúncia, de partilha, de conversão...
Quarenta dias que, para nós cristãos, são a caminhada que acompanha o percurso de Jesus do Pretório até ao Calvário...
Quarenta dias... tempo de parar, de "olhar para dentro", de descobrir o que nos afasta deste caminho de salvação e encontrar o que nos aproxima do Pai, na peugada do Filho...
Quarenta dias...que às vezes passam por nós sem que demos por isso e de que só temos consciência quando chegam os festejos e a alegria da Páscoa da Ressurreição.
Onde ficaram os nossos compromissos de Baptizados?Que fizemos dos propósitos de caminhar para a santidade? Como iremos viver a alegria dum domingo de Páscoa sem passarmos pela experiência duma Quaresma feita de esforço, de abnegação, de luta, de partilha?
Quarenta dias que se vão escoar lentamente e que fazem um apelo a serem vividos.
Paremos! Façamos uma pausa para reflectir e construir novos propósitos...
Detenhamo-nos a apanhar as pedras do caminho, as que não vimos, no meio das nossas distracções, aquelas pedras com as quais devemos construir o templo donde jesus nos vai chamar para com Ele cantarmos os alleluias da Páscoa.

Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.