sábado, 9 de fevereiro de 2013

Os Valores na sociedade e na escola

Li outro dia um artigo escrito por um antigo professor do Colégio que tratava precisamente deste tema. Nele se falava das mudanças operadas na sociedade em que vivemos e das saudades que muitos sentem do tempo que foi e não volta, em que o mundo era mais solidário e mais humano, os homens se olhavam com amizade e as crianças respeitavam os mais velhos. Focava-se ainda a falta de valores e de afectos desta sociedade que parece indiferente ao que se passa à sua volta e concentrada apenas nos seus interesses, nos seus negócios e nos seus proveitos.
Mas, tal como o autor do texto, eu não acredito nessa indiferença nem nessa aparente falta de afectos e de valores. Aparente, sim, mas real não creio. É que, por mais superficial e distante que a sociedade venha a ser, por mais indiferente e egoista que se vá tornando, a sociedade é constituída por Homens e esses permanecem iguais a si mesmos. Cada um tem em si um manancial de potencialidades e de valores que se vão desenvolvendo com a idade e com a educação. No íntimo de cada um há amizade, sentido de justiça, verdade, solidariedade, capacidade de perdão... valores que queremos que perdurem e se transmitam de geração em geração. Valores que temos que educar e adaptar, mas Viver. Para isso temos que lutar, aprendendo-os em casa, praticando-os na escola, vivendo-os em sociedade.  Só assim nos conheceremos e cresceremos como Homens  e como filhos de Deus. Só assim a sociedade continuará a ser um espaço de alegria e esperança.
                             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Novamente o Ramalhão

Ramalhão...
Uma História,
Uma caminhada,
Um projecto, a pensar nos jovens.

Foi assim durante setenta anos! É assim  ainda hoje! Será assim, se Deus quiser, nos próximos anos...
O Colégio passou por dificuldades, atravessou tempos de guerra e viveu uma revolução. Conheceu tempos complicados, dolorosos, até algo inquietantes... Mas não perdeu os seus princípios orientadores nem se deixou vencer por "ventos adversos"ou vozes atroadoras dos sempre presentes "velhos do Restelo".
Continua assim hoje, como ontem: problemas, dificuldades,  decisões difíceis,  murmúrios  negativos,
boatos, contestações. Fazem parte da vida e da história do Colégio.
Os tempos e as circunstâncias mudam. Às vezes parece que há forças contrárias  que os querem empurrar. São os "velhos do Restelo" que tentam destruir sem compreender, que procuram condenar sem ouvir.
Tudo ao inverso de Jesus que não condenava ninguém; antes, só queria perdoar.
O Colégio continua com os seus valores definidos, o seu projecto educativo aprovado, a sua forma de educar à maneira de Teresa de Saldanha. Está a atravessar uma crise!... E quem disse que as crises não servem para reflectir, corrigir e melhorar? E quem pensa que a Esperança morre e que a certeza de querer ser "um projecto a pensar nos jovens" deixa de estimular e orientar o nosso trabalho?
Contamos com os Amigos e o apoio daqueles que fizeram com que o Colégio do Ramalhão se continue a orgulhar do que foi e tem sido ao longo dos tempos.
O Tempo passa, os ventos mudam, os sonham modificam-se, mas a Esperança, essa... nunca morre!
               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro.O.P.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"Nas acções e nos gestos devemos ser iguais a nós mesmos"

"Nas acções e nos gestos temos que ser iguais a nós mesmos"
Tinha acabado de escrever a minha reflexão sobre ser santo, a minha convicção de que é possível sê-lo e as vivências que é necessário ter, quando me lembrei desta frase que tinha ouvido não sei onde nem a quem e que parecia vir na sequência das minhas palavras: "Nas acções e nos gestos devemos ser iguais a nós mesmos".
É uma frase que lembra coerência, que sugere verdade, que parece fazer apelo àquela necessidade de que a nossa palavra seja sim-sim e não-não.
Se queremos enveredar pelo caminho da Santidade, corresponder ao apelo do Pai, temos que reflectir na nossa vida, nas nossas relações, no nosso falar, a Verdade da nossa Fé.
Cada um de nós é um "eu" , criado à semelhança de Deus, com o seu DNA, a sua personalidade, as suas qualidades e defeitos. Um "eu" que, como Jesus Cristo, tem que "crescer em idade e em graça".
E esse "eu", suportado pela graça de Deus e animado pelo Seu amor, realiza acções, traduz o seu ser e o seu querer em gestos. E essas acções e esses gestos têm que reflectir a nossa verdade, o que queremos e o que somos, têm que ser a tradução da integridade da nossa vida, da coerência do nosso sentir, da lealdade do nosso querer.
Quando falamos ou quando agimos temos que dar aos outros a certeza do que pensamos e do que sentimos. Que Deus nos ajude a ser sempre e em tudo mensageiros da Verdade.
          Ir.M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ser Santos

"Sede santos como o vosso Pai celeste é santo" é uma recomendação de Nosso Senhor Jesus Cristo que nos é dirigida a nós, a cada um de nós que O conhecemos e nos dizemos Seus filhos. 
Então, pegamos nas vidas dos Santos mais conhecidos: S. Domingos, S. Francisco, Santa Catarina de Ricci, S. Tomás, Santa Teresa de Ávila, Santa Catarina de Sena... Lemos as suas vidas, reflectimos sobre as suas acções e modo de ser e confrontamo-nos com o que ficámos a saber. Perguntamo-nos, então, se somos capazes de ser santos como eles. Constatamos que não. Apresentam-nos um conjunto de virtudes e graças que somos incapazes de igualar.
Descemos a fasquia e buscamos santos cujas vidas possam parecer-se mais com a nossa. Mas mesmo assim...
Então, é altura de nos perguntarmos: "Mas afinal o que é ser Santo?" "Como podemos responder Sim ao projecto que o Senhor Jesus nos apresenta?"
Ser Santo... a definição teológica é capaz de ser demasiado complexa e talvez suscite mais dúvidas que certezas. Mais prosaicamente, digamos com o poeta: "Ser santo é ser eu mesmo". Ser simples, puro, verdadeiro, coerente; reconhecer as derrotas e querer recomeçar; procurar que cada dia seja um dia melhor que o anterior; estar atento aos que me rodeiam; perdoar aos que me ofendem, amigos e inimigos; partilhar o que se possui, desde os bens materiais ao sorriso e ao carinho que não custam nada; ser capaz de parar para ouvir Deus...
Ser Santo é muito simples e extraordinariamente difícil. Simples em si mesmo porque, como diz Santa Teresa, basta amar muito; difícil porque é despojarmo-nos de tudo o que é acessório e nos prende. É ficar livre e despido diante de Deus, para O escutar e O seguir.
Recordo a sensação estranha e óptima ao mesmo tempo, que me invadiu quando entrei pela primeira vez numa igreja dum convento e me senti simples, despida de tudo, vazia, mas cheia duma alegria interior que me reconfortava. Eu e Deus, apenas...
Seria isso um pequeno passo a caminho da santidade, a minha que não é igual à de outros?
É que eu acredito que ser santo é possível!...
                                             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Templo de ontem, a Igreja de hoje

" A glória do Senhor encheu o Templo" é o início do Responsório duma das leituras do Ofício das Horas de ontem.
Aqui, Ezequiel refere-se certamente ao Templo, local de culto , e à manifestação gloriosa de Deus que virá e invadirá, com o seu esplendor, o lugar em que rezam aqueles que têm Fé. É o anúncio glorioso da vinda do Messias.
Nós hoje podemos repetir estas palavras mas estando a referir-nos ao templo que somos nós e em que resplandece a graça de Deus.
Também podemos e devemos alargar o conceito estendendo-o a todos os cristãos em que se reflecte a graça do Baptismo.
A Igreja, hoje, não fica circunscrita a umas paredes, fechada num espaço,  num lugar, por mais bonitos que sejam, por mais bem estruturados que se apresentem. A Igreja hoje somos todos nós, os cristãos, os que seguimos o Mestre e entendemos e transmitimos a Sua mensagem, aqueles a quem é pedida a vivência da Fé professada e o seu testemunho.
O cristão hoje, não pode ficar calmamente fechado na sua realidade, na sua interioridade, tentando cumprir os seus "deveres" e viver a sua verdade. Não pode alhear-se do que se passa à sua volta tentando ignorar os erros sem os combater nem corrigir.
Hoje, somos impelidos por uma sociedade de contra-valores, de indiferença, de absentismo, com a qual o cristão não pode confraternizar.
Aliás, Jesus Cristo não foi um conformista, não se acomodou à lei estabelecida embora a cumprisse. Logo na Apresentação no Templo, Simeão declara-o como sinal de contradição. E depois, na Sua vida pública, é Ele próprio que diz que "veio trazer o fogo à Terra e o que quer é que ele se acenda".
Fogo... que não é de lume, de guerra, de ódios, mas de luta pela certeza, pela verdade. Fogo que é de Amor, de Fraternidade, de colocar em lugar devido uma Mensagem com a qual não se pode brincar.
Jesus Cristo foi de ontem, é de hoje, será de amanhã e continua a pedir aos cristãos que acolham a realidade que lhes oferece e façam dela Vida.
                             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Mensagem indirecta

Precisava reflectir e abri, ao acaso, o Evangelho de S. Mateus.
Calhou precisamente numa descrição que sempre me impressiona pelo seu realismo mas também pela mensagem que, indirectamente, os Apóstolos nos transmitem - a Transfiguração de Jesus.
Voltei a ler e, mais uma vez, me deixei fascinar. Pelo acontecimento em si: a revelação de Jesus como Filho de Deus, que já conhecemos mas é sempre uma verdade nova, se quisermos. Mas mais ainda, pela atitude dos Apóstolos. Eles estão espantados, emocionados, encantados ao mesmo tempo. Dobram-se até ao chão mas não é de medo; é de emoção. Do espanto que a revelação de Deus lhe causou.
E qual a sua reacção? Façamos aqui três tendas... Mas não são para eles , não! Como quase sempre, mostram-se desprendidos, generosos: "Façamos aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias". Não pensaram neles, não se fecharam na revelação que tinham acabado de receber; não pretenderam ficar ali, a gozar comodamente da alegria que lhes tinha sido concedida. Ofereceram-se para trabalhar; pensaram nos outros que se tinham revelado. Para eles, Sim! a comodidade, a segurança, uma tenda onde se abrigassem. Para os apóstolos, apenas a alegria de estarem ali.
Mas, rapidamente, é preciso regressar à realidade, esconder o que viram e ouviram, até depois... um momento ainda longínquo, que não sabiam quando seria nem entendiam como seria: " Não faleis até que eu tenha ressuscitado".
E regressaram sem lamentos nem protestos. Regressaram com a alegria no coração mas impedidos de manifestar livremente essa alegria. "Não faleis... até..."
E guardam para eles, mesmo sem entenderem, porque confiam n´ Aquele a quem chamam Mestre.
Quem me dera ter a confiança e a atitude aberta e disponível dos Apóstolos!...
                                               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Quem tudo quer tudo perde"

É um ditado popular que é bem o retrato da sociedade actual. Nela notamos a ânsia do poder, o desejo de ser considerado, a ambição da riqueza, tudo a qualquer preço.
A seguir, mais cedo ou mais tarde, vêm as suspeitas, as denúncias, os processos em tribunal. E vemos "cair" grandes nomes, enormes fortunas, considerados representantes do poder.
É que a vaidade, a ambição, o domínio, são valores contrários à mensagem de Jesus Cristo que pregou o desprendimento, a humildade, o perdão, o amor. Foi o seu papel de profeta entre os homens, de anunciador duma verdade e dum caminho que não são aqueles que nos atraem habitualmente.
Aliás, como refere um escritor dominicano, os profetas nunca são os agentes do poder , os participantes nas estruturas eclesiais ou não, os convidados para as grandes organizações. Eles têm outro papel que é o da "contestação" , da defesa e difusão  da mensagem que receberam de Deus. Tal como Jesus Cristo se nos apresentou e apresenta, testemunha do amor do Pai, defensor dos valores da Vida e da eternidade.
Claro que podemos lutar pelo melhor, esforçarmo-nos por conseguir os projectos que delineámos, trabalhar para alcançar o sucesso. Mas... sempre tendo por base a Verdade, pondo em prática os valores essenciais da Vida, testemunhando a nossa Fé, sendo os mensageiros e as testemunhas  daquele Jesus Cristo que veio ao mundo para nos transmitir a Verdade, que é Ele próprio, para nos dar a Sua Vida, para nos ensinar a percorrer o Caminho que conduz ao Pai.
"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" afirmou um dia e é para sempre.
Que o nosso Tudo seja Deus e a nossa maior ambição a Santidade.
                         Ir. Maria Teresa sde carvalho Ribeiro, O.P.