quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Quem tudo quer tudo perde"

É um ditado popular que é bem o retrato da sociedade actual. Nela notamos a ânsia do poder, o desejo de ser considerado, a ambição da riqueza, tudo a qualquer preço.
A seguir, mais cedo ou mais tarde, vêm as suspeitas, as denúncias, os processos em tribunal. E vemos "cair" grandes nomes, enormes fortunas, considerados representantes do poder.
É que a vaidade, a ambição, o domínio, são valores contrários à mensagem de Jesus Cristo que pregou o desprendimento, a humildade, o perdão, o amor. Foi o seu papel de profeta entre os homens, de anunciador duma verdade e dum caminho que não são aqueles que nos atraem habitualmente.
Aliás, como refere um escritor dominicano, os profetas nunca são os agentes do poder , os participantes nas estruturas eclesiais ou não, os convidados para as grandes organizações. Eles têm outro papel que é o da "contestação" , da defesa e difusão  da mensagem que receberam de Deus. Tal como Jesus Cristo se nos apresentou e apresenta, testemunha do amor do Pai, defensor dos valores da Vida e da eternidade.
Claro que podemos lutar pelo melhor, esforçarmo-nos por conseguir os projectos que delineámos, trabalhar para alcançar o sucesso. Mas... sempre tendo por base a Verdade, pondo em prática os valores essenciais da Vida, testemunhando a nossa Fé, sendo os mensageiros e as testemunhas  daquele Jesus Cristo que veio ao mundo para nos transmitir a Verdade, que é Ele próprio, para nos dar a Sua Vida, para nos ensinar a percorrer o Caminho que conduz ao Pai.
"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" afirmou um dia e é para sempre.
Que o nosso Tudo seja Deus e a nossa maior ambição a Santidade.
                         Ir. Maria Teresa sde carvalho Ribeiro, O.P.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

S. Tomás de Aquino,O.P.

Ontem, foi a Festa do Professor cá no Colégio. E penso que em todos os colégios católicos, uma vez que S. Tomás de Aquino é o padroeiro da Escola Católica e ontem era o dia da sua festa.
É normal que S. Tomás seja o escolhido para patrono das escolas pelas suas qualidades, os seus conhecimentos, o testemunho das suas virtudes, o empenho que pôs no estudo da Sagrada Escritura e na reflexão das questões da Fé.
Foi um exemplo para os que com ele lidavam e procurou testemunhar a sua Fé, a sua alegria, os seus valores a quantos dele se aproximavam.
Era um grande professor, um teólogo de nomeada, um dominicano que se empenhava em ajudar os seus irmãos, os seus alunos e os cristãos em geral na busca e vivência da Verdade.
 Digno discípulo de S. Domingos procurou, como ele, tudo fazer não para si próprio mas para salvação das almas. Todos os seus conselhos, todos os  projectos que nos apresenta , todas as razões que nos dá, trazem a marca da Esperança e estão repletos de Alegria e do amor de Deus.
Que S. Tomás seja o grande protector do nosso Colégio e que as nossas vidas tragam a marca da sua Alegria e da sua Fé.
Que saibamos, todos nós, professores e alunos, empenharmo-nos no estudo da  Verdade, para a vivermos e fazermos dela a bandeira com que defendemos o nosso trabalho.
  
 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 

domingo, 27 de janeiro de 2013

A Natureza como laboratório de transformação

 "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" é uma afirmação científica de Lavoisier, o grande químico do século XVIII.
Se pensarmos na reciclagem  e na possibilidade de aproveitamento e transformação que hoje temos não nos é difícil entender esta máxima de Lavoisier. 
E não é apenas no campo da reciclagem que a máxima tem lugar. Se pensarmos numa semente... não é um facto que ela cai à terra, dá nova planta, desta surgem flores e frutos e estes produzem novas sementes? É o ciclo da vida vegetal. Mas não é apenas nos vegetais que isto acontece. Nos animais e no Homem podemos constatar a mesma estrutura circular: ovo, indivíduo, gâmetas, ovo.
E o que acontece com os detritos que eliminamos e deitamos fora? Não são utilizáveis como fertilizantes e adubos, por exemplo?
"...Nada se perde, tudo se transforma"
A informação que vamos acumulando com a aprendizagem não se transforma em cultura? O crescimento que se vai operando no nosso corpo e na nossa alma não nos vai tornar Homens e Santos? E a aproximação a Deus que se vai fazendo com o crescimento na Fé? Também não a perdemos mas antes vamos transformá-la em Sabedoria, em Esperança, em Amor.
Se na Natureza tudo se transforma, também nós temos que fazer um esforço para transformar o Bem em melhor, a solidariedade em Amor, a virtude em Santidade.
                  Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 

sábado, 26 de janeiro de 2013

O que é a vocação

Estamos  a preparar uma semana em que  devemos rezar pelas vocações. E quais vocações?
Vocação para uma actividade, um trabalho, uma missão específica? Vocação para o matrimónio, para o celibato consagrado?
De que estamos verdadeiramente a falar?
Todas estas situações que enumerei são aspectos diferentes duma mesma realidade, o gosto, o jeito, a tendência. Mas nesta semana estamos preocupados com a vocação religiosa e sacerdotal, um apelo específico , o Chamamento de Deus.
Tal como a Zaqueu ou aos discípulos que pescavam, Jesus dirige-nos o seu apelo: Vem! Vem espalhar a minha mensagem... vem curar os que sofrem de dúvidas, angústias, solidão... vem, despojado de tudo o que é perecível e mostrar que a felicidade não está em ter mas em ser... Vem, ser "pescador de homens"... Vem!
Vem consagrar a tua vida ao meu serviço, mostrar que me amas e que, diferente do jovem rico do Evangelho, não viraste as costas "porque tinhas muitos bens".
Vem! Tu que, como o filho pródigo, desperdiçaste os dons que te confiei mas te arrependeste e voltaste à casa do Pai. Eu vi-te e fui ao teu encontro. Vi-te, antes que me visses, como vi Natanael, antes que ele me reconhecesse.
A todos vós estendo a minha mão e peço : Vem! Não queres acolher-me?
                                  Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
                                          

 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O valor do silêncio




Ouvi ontem um comentário sobre o silêncio, sua necessidade,oportunidade e vantagens.Fiquei a interrogar-me: a que chamamos silêncio? como consegui-lo?
É tão fácil deixarmo-nos envolver por um ambiente em que o silêncio está ausente... São gritos, são buzinas, campaínhas, música. Vivemos num mundo em que o que predomina é precisamente a ausência do silêncio.
O ruído invade-nos, entra nas nossas casas e enche o espaço em que vivemos. Parece , às vezes, que temos medo, que nos sentimos perdidos se não há barulho à nossa volta.
Mas pior que este barulho das pessoas e das coisas, da vida em geral, é a ausência do silêncio interior, a falta de calma e de paz que nos permita reflectir, sentir o que nos rodeia e, sobretudo, ouvir o nosso coração e... escutar Deus. É que silêncio não é sinónimo de estar calado, de não fazer barulho, de não ter agitação à nossa volta. É antes esvaziar a nossa mente , libertarmo-nos de toda a inquietação e angústia, fazer   parar a nossa imaginação e enchermo-nos de tranquilidade, para podermos escutar a Palavra que é balbuciada dentro do nosso coração.
Situamos, muitas vezes, Deus longe das nossas vidas. E isto, porque as enchemos de tudo menos dum ambiente de sossego em que possamos rezar, falar e ouvir Deus, Ele que está presente e gostava de ser escutado. Há alturas em que consideramos o silêncio como um peso, obsessivo, nostálgico, mas estamos enganados. O silêncio é o ambiente indispensável e propício para podermos reflectir, arrumar ideias e orar.
" Quando quiseres orar entra no teu quarto e fecha a porta"...
Cria o clima de recolhimento, de calma e tranquilidade. Depois, fica tu e Deus, apenas. E ouve-O! Fazer silêncio, abstrair das mil e uma preocupações, inquietações e distrações é uma necessidade e ter esta capacidade é um dom que se aprende e se conquista.
Procuremos fazer silêncio em nós, testemunhemo-lo e ajudemos os outros a vivê-lo.
                                              Ir. M. teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A separação do amor de Deus

Quem pode separar-nos do amor de Cristo? A tribulação , a fome, a perseguição...? Pergunta S. Paulo na sua carta aos romanos. E afirma de seguida:" Nada nos pode separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus" (Rom.8)
E esta afirmação aplica-se a nós também que tantas vezes nos afligimos porque na vida deparamos com contratempos, dificuldades, incompreensões, dúvidas.
É natural esta inquietação, esta angústia. Todos nós procuramos a felicidade e as dificuldades parecem obscurecer as nossas aspirações ao Bem que nos traz a alegria, o conforto, o bem-estar.
Gostaríamos que tudo "corresse sobre rodas", à medida dos nossos desejos, segundo os nossos planos e na maior compreensão e amizade. Mas há que testar a nossa capacidade de ultrapassar os "males", de recomeçar, acreditando que nada está perdido.
E, sobretudo, parando para reflectir que" nada nos pode separar do Amor de Deus". É um imperativo da nossa Fé.
Se Deus nos ama... ( e não podemos duvidar disso porque" Ele entregou o Seu próprio Filho por todos nós" ) Ele é por nós e ninguém é contra nós, porque Deus está connosco, nos acolhe e nos protege.
O desânimo pode invadir-nos, a dúvida e a inquietação instalarem-se no nosso coração, o sol não nos animar nem a chuva lavar as nossas incertezas, mas Deus está lá, atento às nossas neurastenias e estendendo os braços para nos acolher.
Ajoelhemo-nos e façamos o nosso acto de Fé na presença do Deus que é Pai, que nos dirige o Seu olhar e nos faz o seu apelo para apagar todo o sofrimento, toda a dor, toda a incerteza, todo o pecado.
Se temos Fé, nada nos pode afastar do amor de Deus, daquele Amor que Deus ofereceu aos homens desde o 1º momento da criação.
                                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Sucesso, fracasso e emoção

Hoje em dia, pais, professores e alunos são confrontados com o problema do sucesso versus o fracasso. Aliás, duma maneira geral, todos convivemos  mal  com o insucesso. Todos procuramos ter sucesso, realização na vida, motivações para o trabalho. E atribuímos isso às nossas grandes ou menores capacidades de raciocínio.
Por isso, se avaliam capacidades, se testam coeficientes de inteligência, se exercitam competências. É que todos lutam para conseguir o melhor. Ou, pelo menos, lutam os pais...
Mas esquecemo-nos que o melhor nem sempre é o que se apresenta ao nosso entendimento e à nossa razão. É Saint-Exupery que nos diz, referindo-se ao Principezinho e às suas experiências emotivas, que ele aprendeu que o "essencial é quase sempre invisível aos olhos".
Este essencial é a nossa capacidade emotiva, é a possibilidade que crianças e jovens devem ter de se aprenderem a conhecer  e a enfrentarem situações novas, a descobrirem o ambiente que as rodeia e a estruturarem e moldarem o seu carácter , desenvolvendo o que nelas há de criativo e de sensibilidade.
Muitas vezes centramos a nossa atenção no elevado coeficiente de inteligência que um jovem apresenta e esperamos que venha a ser um "sábio" ficando espantados quando ele se posiciona muito abaixo do esperado. Entusiasmamo-nos com um aluno "marrão" e ficamos chocados quando não o vemos pôr a render os conhecimentos que adquiriu.
Simplesmente, a inteligência não é tudo. Nós "vamos onde  nos leva o coração. " E, como o Principezinho, temos que aprender que " o essencial é quase sempre invisível aos olhos".
É a facilidade de lidar com as emoções que nos leva a evitar frustrações e encontrar a felicidade fazendo felizes os outros.
Num mundo em mutação como o nosso, não basta investir no conhecimento e no desenvolvimento da inteligência teórica. É necessário adquirir características emocionais e aprender a lidar e a compreender os outros e a si mesmo, à luz dos dons que Deus nos deu.
                            Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.