quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A separação do amor de Deus

Quem pode separar-nos do amor de Cristo? A tribulação , a fome, a perseguição...? Pergunta S. Paulo na sua carta aos romanos. E afirma de seguida:" Nada nos pode separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus" (Rom.8)
E esta afirmação aplica-se a nós também que tantas vezes nos afligimos porque na vida deparamos com contratempos, dificuldades, incompreensões, dúvidas.
É natural esta inquietação, esta angústia. Todos nós procuramos a felicidade e as dificuldades parecem obscurecer as nossas aspirações ao Bem que nos traz a alegria, o conforto, o bem-estar.
Gostaríamos que tudo "corresse sobre rodas", à medida dos nossos desejos, segundo os nossos planos e na maior compreensão e amizade. Mas há que testar a nossa capacidade de ultrapassar os "males", de recomeçar, acreditando que nada está perdido.
E, sobretudo, parando para reflectir que" nada nos pode separar do Amor de Deus". É um imperativo da nossa Fé.
Se Deus nos ama... ( e não podemos duvidar disso porque" Ele entregou o Seu próprio Filho por todos nós" ) Ele é por nós e ninguém é contra nós, porque Deus está connosco, nos acolhe e nos protege.
O desânimo pode invadir-nos, a dúvida e a inquietação instalarem-se no nosso coração, o sol não nos animar nem a chuva lavar as nossas incertezas, mas Deus está lá, atento às nossas neurastenias e estendendo os braços para nos acolher.
Ajoelhemo-nos e façamos o nosso acto de Fé na presença do Deus que é Pai, que nos dirige o Seu olhar e nos faz o seu apelo para apagar todo o sofrimento, toda a dor, toda a incerteza, todo o pecado.
Se temos Fé, nada nos pode afastar do amor de Deus, daquele Amor que Deus ofereceu aos homens desde o 1º momento da criação.
                                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Sucesso, fracasso e emoção

Hoje em dia, pais, professores e alunos são confrontados com o problema do sucesso versus o fracasso. Aliás, duma maneira geral, todos convivemos  mal  com o insucesso. Todos procuramos ter sucesso, realização na vida, motivações para o trabalho. E atribuímos isso às nossas grandes ou menores capacidades de raciocínio.
Por isso, se avaliam capacidades, se testam coeficientes de inteligência, se exercitam competências. É que todos lutam para conseguir o melhor. Ou, pelo menos, lutam os pais...
Mas esquecemo-nos que o melhor nem sempre é o que se apresenta ao nosso entendimento e à nossa razão. É Saint-Exupery que nos diz, referindo-se ao Principezinho e às suas experiências emotivas, que ele aprendeu que o "essencial é quase sempre invisível aos olhos".
Este essencial é a nossa capacidade emotiva, é a possibilidade que crianças e jovens devem ter de se aprenderem a conhecer  e a enfrentarem situações novas, a descobrirem o ambiente que as rodeia e a estruturarem e moldarem o seu carácter , desenvolvendo o que nelas há de criativo e de sensibilidade.
Muitas vezes centramos a nossa atenção no elevado coeficiente de inteligência que um jovem apresenta e esperamos que venha a ser um "sábio" ficando espantados quando ele se posiciona muito abaixo do esperado. Entusiasmamo-nos com um aluno "marrão" e ficamos chocados quando não o vemos pôr a render os conhecimentos que adquiriu.
Simplesmente, a inteligência não é tudo. Nós "vamos onde  nos leva o coração. " E, como o Principezinho, temos que aprender que " o essencial é quase sempre invisível aos olhos".
É a facilidade de lidar com as emoções que nos leva a evitar frustrações e encontrar a felicidade fazendo felizes os outros.
Num mundo em mutação como o nosso, não basta investir no conhecimento e no desenvolvimento da inteligência teórica. É necessário adquirir características emocionais e aprender a lidar e a compreender os outros e a si mesmo, à luz dos dons que Deus nos deu.
                            Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Oração pela Unidade dos cristãos

Estamos na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Tem havido actividades várias para chamar a atenção para este facto importante para os cristãos. Mas eu interrogo-me se, num ano inteiro, com 52 semanas, apenas podemos dedicar uma a este particular interesse que se apelida de " Unidade dos Cristãos".
Claro que é optimo que haja sessões, conferências, acções de rua, para chamar a atenção para esta realidade que é sermos todos irmãos e todos nos devermos encontrar na mesma "equipa" para a qual Cristo nos chama e que Ele iniciou.
Quando Jesus andou pelo mundo não excluiu ninguém do seu convívio e da sua amizade: o leproso, o publicano, a pecadora... Expôs-se mesmo a ser excluído  por conviver com pecadores e tocar em doentes proscritos.
É a unidade, a fraternidade, o Amor que Ele preconizou, que Ele quiz testemunhar, que nos pede para testemunharmos.
É optimo uma semana de sensibilização mas melhor será que todos os dias  tenhamos presente  a fraternidade a que Jesus nos chama.
Esqueçamos diferenças, pequenos detalhes que nos afastam e nos segregam, convicções que de nada valem perante a infinita realidade do Amor de um Deus que a todos entregou o Seu Filho para fazer de nós filhos.
Como S. Paulo digamos: " Já não há Gregos nem Judeus..."e demo--nos as mãos, respondendo ao chamamento que Jesus faz em cada momento.
                              Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Hoje e o Amanhã

"A vida inteira depende de dois ou três sins e de dois ou três nãos ditos antes dos 20 anos" - diz quem sabe e ensina-nos a experiência.
É enquanto adolescentes e jovens que se aprendem regras e princípios, se adquirem valores, se praticam normas de conduta. E tudo isso é que vai formar a nossa personalidade e construir as nossas características de adultos.  Enquanto novos, devemos ir aprendendo com os mais velhos que já viveram o que nós ainda nem dislumbrámos, esquecendo as ideias insidiosas e peregrinas das nossas aspirações de jovens.
Não desprezemos os que nos parecem menos inteligentes e cultos, porque neles se oculta, muitas vezes, uma sabedoria que nos escapa. A" Universidade da vida " é uma grande escola que não podemos nem devemos ignorar. 
Enquanto novos, cultivemos amizades verdadeiras, fugindo do cinismo e da mentira, amizades que vão colaborar connosco na construção do futuro. Que vão ser o barómetro para os nossos "quereres" e "fazeres".
Procuremos ser capazes de fortalecer o nosso espírito para que, tranquilamente, possamos enfrentar e ultrapassar os contratempos. Muitas vezes eles são apenas resultado de fraqueza, cansaço, solidão... Parar, analisar as situações, procurar o ombro amigo em que podemos chorar, rezar, olhar o futuro com optimismo e recomeçar, são orientações de sabedoria.
Não tenhamos medo. A coragem é a grande virtude que nos ajudará a ultrapassar as dificuldades sebendo nós que o caminho, com Deus, está marcado pela cruz. Mas Ele está lá!...
E, sobretudo, tenhamos objectivos e sejamos-lhes fiéis.
Ponhamos Deus como meta maior, conservando a paz como um bem a viver e lutando para a conseguir.
Assim, teremos encontrado o caminho para alcançar a felicidade que Deus quer para nós. Numa palavra, rejamos santos.

                                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.




 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"O que custa a vida"

Ontem, na sala das colunas, não pude deixar de ouvir uma conversa entre uma avó e um neto. Este pedia, insistentemente mais um jogo para a sua consola. A avó tentava explicar que tal jogo era absolutamente inútil e desnecessário.
Entre pedido para cá, resposta para lá, e insistência renovada, a avó já sem argumentos mas muito calma exclamou: "Ó filho, ainda tens que crescer para aprender o que custa a vida..."
Sorri comigo mesma mas fiquei a pensar que muitas vezes utilizamos expressões cujo significado está longe de ser o directo e imediato.Por exemplo, utilizamos expressões como esta quando queremos chamar a atenção de crianças e jovens para o desperdício ou gastos desnecessários.
"Tens que aprender o que custa a vida".
Dizemos isto em sentido figurado, é verdade, visto que a Vida não se paga, não se compra nem se vende.
A Vida é um dom, um dom de Deus que colabora com os pais para que uma nova criança chegue ao mundo.
A Vida, temos que a viver em plenitude e ensinar os mais novos a vivê-la. E viver em plenitude é aproveitar as graças que recebemos e fazer com que elas nos ajudem a sermos cada dia melhores, mais perfeitos, mais íntegros, mais verdadeiros. Numa palavra, mais próximos de Deus que é a Santidade e a Perfeição absolutas.
Muitas vezes não sabemos apreciar este dom que nos foi dado e até chegamos a colaborar na destruição da nossa vida. É o caso do tabaco, do alcool, das drogas, leves ou pesadas. São elementos que ajudam a diminuir a nossa esperança de vida e pior! a tornar dolorosa uma parte da nossa existência. E isto, para não falar no aborto ou na eutanásia que são atentados ao dom maravilhoso que todos os seres vivos têm - a Vida.
E o Homem tem ainda mais um dom que o distingue dos outros seres vivos- a alma - com a capacidade de discernimento e de querer. Não temos o direito de utilizar mal estas possibilidades não investindo na reflexão sobre o que recebemos e o que se espera de nós.
A Vida não são dias que se sucedem para disfrutarmos tudo o que nos proporcionem. Não! A Vida é para ser vivida em concordância com o plano de Deus.
A Vida não "custa " nada. Recebemo-la de graça e de graça a vamos oferecer ao Pai. Defendamo-nos e defendamos os outros, defendendo a Vida, na plenitude do dom que ela é.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A certeza que nos anima

A angústia, a inquietação, a ansiedade, a neurastenia, são estados de espírito que não ajudam à nossa vida, ao nosso trabalho, à nossa felicidade.
Muitas vezes deixamo-nos perturbar com coisas mais ou menos insignificantes que nos impedem de ser racionais e de procurar as soluções mais adequadas.
Nessas alturas talvez precisássemos de voltar a lembrar as afirmações de
 Santa Teresa:
                       Nada te perturbe
                       Nada te espante
                       Tudo muda...
                       Só Deus basta
Realmente, se colocarmos em Deus a nossa esperança e a nossa confiança o que é que nos pode afligir ou perturbar? Simplesmente, é mais fácil depositar em Deus o nosso querer e o nosso louvor quando tudo nos corre bem... Mas, é nos momentos de inquietação que precisamos ter mais a certeza
que Deus não nos abandona. Confiemos que Ele está sempre presente e não nos deixa sós, como não deixou perecer os apóstolos, no meio da tempestade:
                  "Senhor, valei-nos porque perecemos... "
E Ele lá estava para acalmar a tempestade e animar os corações angustiados.
Não estamos nunca sozinhos!...
Aliás, não temos também os Amigos, com quem podemos contar?
Foram eles que o Pai pôs ao nosso lado para, juntos, encontrarmos mais facilmente o caminho...
"Ningém é uma ilha" disse (entre outros) John Donne. E porque não somos ilhas, vivemos em sociedade e, " onde dois ou três estiverem em Meu nome, Eu estarei no meio deles".
E esta é uma certeza que não nos pode deixar indiferentes.
                                   Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 

domingo, 13 de janeiro de 2013

A missão de Isaías e a nossa

A primeira Leitura da Missa de hoje foi do profeta Isaías, tirada do seu discurso sobre a missão do servo de Javé.
"Deus fez repousar sobre ele o seu espírito para que leve às nações a verdadeira justiça. Mas ele não grita, não levanta a voz, não apaga a mecha que ainda fumega nem quebra a cana apenas rachada".
E, sobretudo, o que me impressiona também e me faz pensar muito a sério, é que o profeta não desfalece nem desanima, porque sabe que o Senhor o chamou e "lhe pegou pela mão".
 
A nós, baptizados, Deus também deu a missão de levar a Verdade e o Bem às nações, de ensinar os ignorantes, de dar testemunho do Pai que está sempre connosco e também a nós "nos pegou pela mão".
 
A  nós, igualmente,  Deus dá garantias da Sua presença  e da Sua assistência em cada momento. Não podemos deixar de acreditar, não podemos desistir nem desanimar, lá porque nem tudo corre como queríamos, nem tudo acontece como pensávamos ser o melhor.
E também não devemos deixar que a irritação, a angústia, o ódio, nos invadam e nos levem a duvidar que, mesmo onde há apenas uma acha incandescente, pode acender-se uma fogueira; que onde apenas se dislumbra uma gota de água pode surgir uma fonte.
 
Há que acreditar na acção do Espírito Santo que, suavemente, estende a sua chama e difunde a sua luz.

                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.