domingo, 20 de janeiro de 2013

Oração pela Unidade dos cristãos

Estamos na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Tem havido actividades várias para chamar a atenção para este facto importante para os cristãos. Mas eu interrogo-me se, num ano inteiro, com 52 semanas, apenas podemos dedicar uma a este particular interesse que se apelida de " Unidade dos Cristãos".
Claro que é optimo que haja sessões, conferências, acções de rua, para chamar a atenção para esta realidade que é sermos todos irmãos e todos nos devermos encontrar na mesma "equipa" para a qual Cristo nos chama e que Ele iniciou.
Quando Jesus andou pelo mundo não excluiu ninguém do seu convívio e da sua amizade: o leproso, o publicano, a pecadora... Expôs-se mesmo a ser excluído  por conviver com pecadores e tocar em doentes proscritos.
É a unidade, a fraternidade, o Amor que Ele preconizou, que Ele quiz testemunhar, que nos pede para testemunharmos.
É optimo uma semana de sensibilização mas melhor será que todos os dias  tenhamos presente  a fraternidade a que Jesus nos chama.
Esqueçamos diferenças, pequenos detalhes que nos afastam e nos segregam, convicções que de nada valem perante a infinita realidade do Amor de um Deus que a todos entregou o Seu Filho para fazer de nós filhos.
Como S. Paulo digamos: " Já não há Gregos nem Judeus..."e demo--nos as mãos, respondendo ao chamamento que Jesus faz em cada momento.
                              Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O Hoje e o Amanhã

"A vida inteira depende de dois ou três sins e de dois ou três nãos ditos antes dos 20 anos" - diz quem sabe e ensina-nos a experiência.
É enquanto adolescentes e jovens que se aprendem regras e princípios, se adquirem valores, se praticam normas de conduta. E tudo isso é que vai formar a nossa personalidade e construir as nossas características de adultos.  Enquanto novos, devemos ir aprendendo com os mais velhos que já viveram o que nós ainda nem dislumbrámos, esquecendo as ideias insidiosas e peregrinas das nossas aspirações de jovens.
Não desprezemos os que nos parecem menos inteligentes e cultos, porque neles se oculta, muitas vezes, uma sabedoria que nos escapa. A" Universidade da vida " é uma grande escola que não podemos nem devemos ignorar. 
Enquanto novos, cultivemos amizades verdadeiras, fugindo do cinismo e da mentira, amizades que vão colaborar connosco na construção do futuro. Que vão ser o barómetro para os nossos "quereres" e "fazeres".
Procuremos ser capazes de fortalecer o nosso espírito para que, tranquilamente, possamos enfrentar e ultrapassar os contratempos. Muitas vezes eles são apenas resultado de fraqueza, cansaço, solidão... Parar, analisar as situações, procurar o ombro amigo em que podemos chorar, rezar, olhar o futuro com optimismo e recomeçar, são orientações de sabedoria.
Não tenhamos medo. A coragem é a grande virtude que nos ajudará a ultrapassar as dificuldades sebendo nós que o caminho, com Deus, está marcado pela cruz. Mas Ele está lá!...
E, sobretudo, tenhamos objectivos e sejamos-lhes fiéis.
Ponhamos Deus como meta maior, conservando a paz como um bem a viver e lutando para a conseguir.
Assim, teremos encontrado o caminho para alcançar a felicidade que Deus quer para nós. Numa palavra, rejamos santos.

                                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.




 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"O que custa a vida"

Ontem, na sala das colunas, não pude deixar de ouvir uma conversa entre uma avó e um neto. Este pedia, insistentemente mais um jogo para a sua consola. A avó tentava explicar que tal jogo era absolutamente inútil e desnecessário.
Entre pedido para cá, resposta para lá, e insistência renovada, a avó já sem argumentos mas muito calma exclamou: "Ó filho, ainda tens que crescer para aprender o que custa a vida..."
Sorri comigo mesma mas fiquei a pensar que muitas vezes utilizamos expressões cujo significado está longe de ser o directo e imediato.Por exemplo, utilizamos expressões como esta quando queremos chamar a atenção de crianças e jovens para o desperdício ou gastos desnecessários.
"Tens que aprender o que custa a vida".
Dizemos isto em sentido figurado, é verdade, visto que a Vida não se paga, não se compra nem se vende.
A Vida é um dom, um dom de Deus que colabora com os pais para que uma nova criança chegue ao mundo.
A Vida, temos que a viver em plenitude e ensinar os mais novos a vivê-la. E viver em plenitude é aproveitar as graças que recebemos e fazer com que elas nos ajudem a sermos cada dia melhores, mais perfeitos, mais íntegros, mais verdadeiros. Numa palavra, mais próximos de Deus que é a Santidade e a Perfeição absolutas.
Muitas vezes não sabemos apreciar este dom que nos foi dado e até chegamos a colaborar na destruição da nossa vida. É o caso do tabaco, do alcool, das drogas, leves ou pesadas. São elementos que ajudam a diminuir a nossa esperança de vida e pior! a tornar dolorosa uma parte da nossa existência. E isto, para não falar no aborto ou na eutanásia que são atentados ao dom maravilhoso que todos os seres vivos têm - a Vida.
E o Homem tem ainda mais um dom que o distingue dos outros seres vivos- a alma - com a capacidade de discernimento e de querer. Não temos o direito de utilizar mal estas possibilidades não investindo na reflexão sobre o que recebemos e o que se espera de nós.
A Vida não são dias que se sucedem para disfrutarmos tudo o que nos proporcionem. Não! A Vida é para ser vivida em concordância com o plano de Deus.
A Vida não "custa " nada. Recebemo-la de graça e de graça a vamos oferecer ao Pai. Defendamo-nos e defendamos os outros, defendendo a Vida, na plenitude do dom que ela é.
Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A certeza que nos anima

A angústia, a inquietação, a ansiedade, a neurastenia, são estados de espírito que não ajudam à nossa vida, ao nosso trabalho, à nossa felicidade.
Muitas vezes deixamo-nos perturbar com coisas mais ou menos insignificantes que nos impedem de ser racionais e de procurar as soluções mais adequadas.
Nessas alturas talvez precisássemos de voltar a lembrar as afirmações de
 Santa Teresa:
                       Nada te perturbe
                       Nada te espante
                       Tudo muda...
                       Só Deus basta
Realmente, se colocarmos em Deus a nossa esperança e a nossa confiança o que é que nos pode afligir ou perturbar? Simplesmente, é mais fácil depositar em Deus o nosso querer e o nosso louvor quando tudo nos corre bem... Mas, é nos momentos de inquietação que precisamos ter mais a certeza
que Deus não nos abandona. Confiemos que Ele está sempre presente e não nos deixa sós, como não deixou perecer os apóstolos, no meio da tempestade:
                  "Senhor, valei-nos porque perecemos... "
E Ele lá estava para acalmar a tempestade e animar os corações angustiados.
Não estamos nunca sozinhos!...
Aliás, não temos também os Amigos, com quem podemos contar?
Foram eles que o Pai pôs ao nosso lado para, juntos, encontrarmos mais facilmente o caminho...
"Ningém é uma ilha" disse (entre outros) John Donne. E porque não somos ilhas, vivemos em sociedade e, " onde dois ou três estiverem em Meu nome, Eu estarei no meio deles".
E esta é uma certeza que não nos pode deixar indiferentes.
                                   Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 

domingo, 13 de janeiro de 2013

A missão de Isaías e a nossa

A primeira Leitura da Missa de hoje foi do profeta Isaías, tirada do seu discurso sobre a missão do servo de Javé.
"Deus fez repousar sobre ele o seu espírito para que leve às nações a verdadeira justiça. Mas ele não grita, não levanta a voz, não apaga a mecha que ainda fumega nem quebra a cana apenas rachada".
E, sobretudo, o que me impressiona também e me faz pensar muito a sério, é que o profeta não desfalece nem desanima, porque sabe que o Senhor o chamou e "lhe pegou pela mão".
 
A nós, baptizados, Deus também deu a missão de levar a Verdade e o Bem às nações, de ensinar os ignorantes, de dar testemunho do Pai que está sempre connosco e também a nós "nos pegou pela mão".
 
A  nós, igualmente,  Deus dá garantias da Sua presença  e da Sua assistência em cada momento. Não podemos deixar de acreditar, não podemos desistir nem desanimar, lá porque nem tudo corre como queríamos, nem tudo acontece como pensávamos ser o melhor.
E também não devemos deixar que a irritação, a angústia, o ódio, nos invadam e nos levem a duvidar que, mesmo onde há apenas uma acha incandescente, pode acender-se uma fogueira; que onde apenas se dislumbra uma gota de água pode surgir uma fonte.
 
Há que acreditar na acção do Espírito Santo que, suavemente, estende a sua chama e difunde a sua luz.

                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Ainda o tempo de estudante



Realmente a zona da Estrela está intimamente ligada à minha infância e juventude: A basílica da Estrela, o Jardim, o Liceu Pedro Nunes...
Foi naqueles lugares que se processou o meu crescimento, o meu desenvolvimento intelectual e religioso, a certeza da minha vocação.
Até à 4ª classe estudei em casa. Imagine-se que tive uma professora particular - a D. Ludovina - que, nas proximidades dos exames das 3ª e 4ª classes, me vinha fazer uma preparação mais específica. Sim, que havia esses exames no meu tempo... e passava-se com classificação de Bom ou com Distinção.
Depois, foi o Liceu Pedro Nunes que me acolheu, após o exame de admissão, em que eram escolhidos os melhores para serem admitidos.
Era um liceu masculino em que havia algumas turmas de raparigas não sei bem porquê. Parece que a razão era ser um "liceu normal" o que significava ser um estabelecimento de ensino em que os professores faziam estágios e terminavam a sua preparação para o ensino.
Por ser um liceu masculino e a mentalidade da época assim o exigir, as turmas eram separadas, os recreios independentes e havia lugares onde as alunas não podiam permanecer como os corredores, o campo de jogos ou o átrio de entrada.
Tínhamos bons professores como por exemplo o de Matemática com quem aprendi a dar aulas - o Dr. Leote - e outros menos bons ou mais condescendentes. Foi com um desses professores que fiz a primeira e única aposta em como era capaz de copiar. E fui! Mas claro que no fim disse ao professor o que tinha feito. Só que acho que ele nem acreditou. Eu era muito boa aluna e bem comportada...
Também porque era muito bem conceituada no Liceu é que o Reitor pregou uma descompostura ao contínuo que me levara ao gabinete dele por eu estar num lugar proibido.
Medida pouco pedagógica por parte do Reitor, mas que orgulho para a garota que eu era!...
Havia professoras e professores no Liceu mas essencialmente homens. Das senhoras lembro a Drª Arminda Zaluar Nunes e a Drª Constança Múrias. Qualquer delas me ensinou a gostar de ler e escrever.
Lembro-me também do professor de História que dava aulas para um aluno de cada vez, podendo os outros ocuparem-se no que gostassem... E o professor de Ciências por quem todas as alunas tinham uma paixão platónica... E o professor de Inglês... E o de Desenho...
Era uma equipa e uma estrutura que não só ensinava como ajudava a formar. Por isso e porque tinha valores mais altos que me dirigiam e direccionavam, não saí estragada com os elogios e os direitos que sempre me acompanharam, nos anos que passei no Liceu.
Foram uns tempos extraordinários que lançaram as bases do que sou hoje.
                                               
                                              Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

recordações da vida de estudante



A Basílica da Estrela em Lisboa, mandada construir por D. Maria I e a primeira dedicada ao Sagrado Coração de Jesus é digna de ser visitada e um local para encontros habituais ou inesperados. Já lá encontrei muita gente: velhos conhecidos, amigos, antigas alunas... Outro dia, sem contar, esbarrei com uma antiga colega da Faculdade, da minha "2ª encarnação" (como eu costumo designar o tempo que andei na Faculdade depois de religiosa).
Depois dos abraços, dos cumprimentos, dos beijos, dos "como estás?", "que tens feito?",etc., vieram as recordações mútuas,de há mais de 50 anos. É que eu voltei à Faculdade no ano de 1961/62. Sim, que a "1ª encarnação" tinha sido entre 1953 e 56.
Um tempo sem história ou com outras histórias... Agora, o tempo era outro e as circunstâncias também.
Cheguei muito à vontade, claro! num Outubro ainda a cheirar a Verão. Já conhecia a casa e certamente o ambiente. Era na velhinha Faculdade na R. da Escola Politécnica. Velhinha, sim! mas cheia de tradições com o seu Jardim Botânico, o Observatório Astronómico e o Museu- aula de Botânica.
A minha chegada fez algum sucesso. Não sei se por causa do meu Hábito branco, se por almoçar na cantina com os outros alunos e frequentar a Associação de Estudantes, se por ir às reuniões da JUCF e da Conferência de S. Vicente de Paulo.
Mas também havia quem tivesse algum receio de se aproximar. Uma das minhas grandes amigas de hoje, não gostava nada desta jovem de fatos brancos compridos que, anos atrás, tinha sido colega dos actuais Assistentes.
Mas... eu tinha dos melhores apontamentos das aulas de Anatomia e Ecologia... Isso, aproximou-nos.
Acabámos por estudar juntas e cimentar uma amizade que se mantem até hoje.
Foram anos inesquecíveis! Recordo-os com muita alegria, como os lembrei ao falar com aquela minha colega desses tempos.
O professores... bons e menos bons, como em toda a parte; os sonhos dos jovens que preparavam um futuro; as campanhas de Natal, com os peditórios Avenida da Liberdade abaixo e acima, entrando em quantos estabelecimentos havia; os cafés do meio da manhã, na "General" o nome "artístico" da pastelaria em frente da Faculdade; as matérias que se "empinavam" para "despejar" no exame e esquecer no dia seguinte...
Bons tempos, dizem alguns... Não! Tempos que nos trouxeram alegrias e tristezas mas nos ajudaram a "crescer" e a ser o que hoje somos e que pretendemos que corresponda ao que Deus quer de nós.
                                      Ir. Maria Teresa de Carvalho ribeiro, O.P.