terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Acontece...

Este mês de Dezembro é pródigo em acontecimentos. Para além das férias, do dia de Natal e dos dias de festa entre o Natal e o Ano Novo, tivemos já um feriado e vamos ter outro.
No 1º caso, dia 1 de Dezembro, invocámos a Restauração da Independência de Portugal. Muitos de nós festejamos o dia de folga (que este ano, por acaso, calhou ao sábado) mas não interiorizamos o que isso significou para os Portugueses, de libertação do jugo castelhano.Mas entenderam-no aquele punhado de Portugueses que entraram no Paço da Ribeira, mataram Miguel de Vasconcelos, fizeram fugir a Duquesa de Mântua e proclamaram Rei D. João, duque de Bragança.
Entendeu-o também este Rei que, seis anos mais tarde, anunciou em Vila Viçosa que Nossa Senhora da Conceição passava a ser reconhecida como Padroeira e Rainha de Portugal. A ela ofereceu a sua coroa que nunca mais foi usada por qualquer outro Monarca.
E é a Nossa Senhora, nossa Mãe e nossa Rainha, a Imaculada Conceição, que a Igreja consagra o feriado do dia 8 de Dezembro.
Nesta festa, celebramos a concepção de Maria, isenta de pecado original, uma preparação remota para a sua escolha como Mãe do Filho de Deus. Ela a quem Jesus, do alto da cruz, indicou como nossa mãe.
Vivamos este dia de paragem em clima de reflexão, de oração, de acção de graças, pelas Suas virtudes e os Seus dons.
E tenhamos bem presente que Maria, como Mãe, está ao lado do seu Filho, intercedendo por nós, como o fez um dia nas Bodas de Caná.
Confiemos nela e entreguemo-nos ao seu amor e aos seus cuidados.
                                   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 
 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Advento... tempo de preparação e de espera


Teoricamente quatro semanas nos separam do Natal.Verdadeiramente são apenas três e um dia pois o dia 25 é uma terça-feira.
São quatro semanas de espera . Tal e qual como o povo judeu esperou a vinda do Messias, o Enviado de Deus.
Durante este tempo começa a agitação e a preocupação com as compras, os enfeites, o decoração da casa. as ementas para a ceia e o almoço de Natal. É normal querer tornar diferente este dia em que comemoramos a vinda de Deus feito Homem, para salvação dos Homens, em que festejamos Aquele que tornou diferente as nossas perspectivas de vida.
Também em Belém o dia foi diferente.
O Menino nasceu num estábulo "porque não havia lugar para Ele na hospedaria", dizem-nos os Evangelhos. As condições não são as melhores. No entanto, houve anjos cantando a Sua glória, pastores com presentes, a rodearem-no e a adorá-lo, e depois os Magos que vieram do Oriente para O venerarem, oferecendo-Lhe o que de melhor e mais significativo havia nas suas terras.
Mas para o dia ser realmente  diferente tem que ser preparado por uma caminhada de esforço, disponibilidade, partilha.
Tanto os pastores como os Magos experimentaram esta necessidade. Foram chamados e vieram...
Os pastores são acordados no meio da noite por cânticos de anjos que anunciam o Messias Salvador e a paz na terra aos Homens de boa vontade. Talvez não tenham entendido a mensagem até ao fim, mas levantam-se, pegam no que têm de melhor e vão... vão até Belém ao encontro duma criança recem-nascida que eles acreditam ser o Messias prometido. E esquecem o esforço, o sacrifío que tiveram de fazer...
Depois, chegam os Magos. Vêm de longe, guiados por uma estrela que lhes anunciou uma novidade: o nascimento do Rei dos Judeus. E eles deixam tudo, as suas terras, o seu trabalho e vêm, sem conhecer o caminho e sem saberem o que os espera. Desafiam Herodes e o poder de Roma mas seguem em frente. Apenas guiados pela inspiração e a confiança naquela estrela que os chamou.
Pastores e Magos tiveram um caminho a percorrer antes de encontrar Jesus. E fizeram-no! Mudaram a vida, confiaram, indiferentes a esforços, no desejo de corresponder ao convite.
Também a nós Jesus chama do presépio e espera que neste tempo do Advento deixemos a rotina e nos preparemos para ir ao Seu encontro, mudando a nossa vida, melhorando as nossas relações, aumentando a nossa disponibilidade, intensificando a nossa oração, multiplicando a nossa capacidade de partilha, fazendo crescer a nossa Fé.
O Natal é daqui a quatro semanas. E aí, qual o presente que preparámos para levar a Jesus?
                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Preparando o Natal

Aqui há duas, três semanas, fui a um Centro Comercial e fiquei admirada. Faltavam quase dois meses para o Natal e já tudo estava enfeitado: luzes, bolas, laços, a sempre decorativa árvore de Natal...
Apenas duas coisas eu não vi : o Presépio, o que achei natural... ainda estávamos tão longe!... E a coroa do Advento. Também era cedo, pois nem a festa de Cristo Rei tinha sido... No entanto, se já havia tantos enfeites, tantas decorações a lembrar o Natal, porque não a coroa do Advento que recorda os 4 domingos, as 4 semanas em que nos preparamos para festejar a chegada de Jesus? 
Há que fazer esta caminhada de preparação, em termos de disponibilidade, de aperfeiçoamento, de abertura do coração e porque não? de despojamento e de partilha.
Costumo dizer aos alunos que eles, quando se aproxima o Natal, pensam em duas coisas: na festa e nos presentes. Jesus, no Seu dia, também espera duas coisas: A participação na Missa, que é a Sua grande festa de Amor, e a nossa conversão, como correspondência a esse Amor e que é o maior presente que Lhe podemos oferecer.
Ele não precisa de carros, bonecas, telemóveis topo de gama, consolas... Aquilo de que Jesus necessita é do nosso coração aberto à Palavra que nos deixou, o seu testemunho de Amor.
Disse o poeta e nós devemos acreditar e tentar viver :" Natal é quando o Homem quiser, quando encontrar outro Homem e o tratar como irmão".
É essa a fraternidade que Jesus espera e o Natal preconiza. Não são as grandes festas nem os presentes caros. É o abraço que se dá ao amigo que sofre, o sorriso que se dirige ao idoso que passa ao nosso lado, o perdão que se oferece ao ofendido.
Esqueçamos o Natal de exibição e vivamos, com Jesus, o Natal de interioridade, de oração, de disponibilidade, de Amor.
                  Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Consequências

Há duas semanas houve uma greve geral seguida de várias manifestações. Reacções dos tempos que correm...
Uma das manifestações, que se anunciara ordeira e sem grande barulho, terminava na Assembleia da República. Tudo bem! Tudo claro! Tudo autorizado!... Direitos dos cidadãos.
Simplesmente, nestas coisas, raramente se termina como se começou e aqui aconteceu o mesmo. Um grupo de jovens exaltados ultrapassou os limites, derrubou as barreiras, quis avançar não se sabe bem até onde. 
Claro que a polícia não ficou quieta e, para proteger a Assembleia da República e os que lá estavam a trabalhar, " carregou" sobre os manifestantes. Houve gritos, reacções, feridos, presos. A CGTP distanciou-se dos acontecimentos e muita gente dispersou.
Tudo muito triste, como resposta a uma coisa que prometia ser apenas um protesto livre e ordeiro dos cidadãos.
Saídos os últimos manifestantes e acalmados os ânimos, parecia que tudo ia acabar com uma boa noite de sono e o regresso ao trabalho no dia seguinte.
Mas, é que há sempre um "depois" e aqui o "depois" foi a polémica em torno dumas fotos do acontecimento, feitas não se conhece por quem, cedidas não se sabe por quem nem a quem e que não foram emitidas na TV mas são conhecidas.
E logo " vem à baila " o direito dos jornalistas, as transgressões à liberdade de imprensa ou de televisão  e não sei mais o quê.
Fala-se nos noticiários , ordena-se um inquérito interno , indicam-se possíveis cumplicidades e pronunciam-se os comentadores. E o que resta de tudo isto? E o que se encontra talvez por detrás?
E, no meio duma crise económica, social e religiosa que nos aflige, dum orçamento de Estado que vai inquietar e muito as famílias, eis que nos cai em cima uma polémica que mais parece uma "manobra de diversão".
Valha-nos Nossa Senhora!
Ir.Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 

domingo, 25 de novembro de 2012

fim de semana especial

Quando se chega a 6ª feira começam os planos para o fim de semana:
. Uns querem descansar, recuperar do trabalho dos 5 dias que passaram. Enfim, sábado!...
. Outros preparam-se para uma diversão acrescida, só possível quando, finalmente, chega o fim  de semana. Que bom!...
. Infelizmente há outros que têm que continuar a sua rotina diária ou procurar uma ocupação acrescida.
Para aqueles que podem descansar ou divertir-se , o fim de semana é uma interrupção ansiosamente esperada. Só que o fim de semana contempla necessáriamente o domingo e ele é, ou deve ser, um dia particular. Pelo menos, para os cristãos...
É um dia em que devia estar presente, em 1º lugar, o Senhor que nos convida ao encontro com Ele.
E olhai! O domingo de hoje é especial: É a Festa de Cristo Rei.
 Esta designação surge no confronto de Jesus com Pilatos. À pergunta deste: " Tu és Rei?" Jesus responde: " Sim, sou Rei. Para isto nasci e vim ao mundo a fim de dar testemunho da Verdade".E Pilatos interroga e interroga-se " O que é a Verdade?" Mas Jesus não satisfaz a sua curiosidade...Também nós podemos fazer esta pergunta: O que é para nós a Verdade?
Mas nós, não precisamos que alguem nos responda. Já temos a resposta a esta pergunta. E é na Verdade e com a Verdade que devemos viver; e é a Verdade que temos que testemunhar.
A verdade, neste dia de Cristo Rei. E foi o próprio Pilatos que fez anunciar este reinado de Cristo, quando mandou pôr na cruz a causa da morte: "Jesus Nazareno, Rei dos Judeus". Só que ele pensava num reino terreno, falível e limitado. E Jesus é Rei de todos os Homens, Senhor de cada um de nós que O segue, O vive, O testemunha. E o Seu Reino, não é deste mundo. Foi Ele mesmo que o disse... Mas é a esse Reino eterno que todos nós pertencemos e para o qual devemos viver. Tenhamo-lo bem presente neste dia de festa.
                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 
 
 
 
 
   

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Mártires de ontem e de hoje

Ontem foi celebrada a festa de Santa Cecília, virgem e mártir.
Cecília era uma jovem do 1º século do cristianismo. Uma das muitas mártires que durante quase três séculos foram sacrificadas. Não por ser culta, bonita ou duma família considerada. Não! Apenas... porque tinham escolhido seguir Jesus Cristo.
Foi uma crueldade, mas igual a tantas outras que se têm vindo a cometer ao longo dos tempos.
Volto a lembrar a Polónia e os seus campos de extermínio - Auschwitz.
Recordo a Hungria e a invasão soviética.
Tenho presente a guerra e os males que ela espalhou pela Europa.
Relembro todos os horrores que vi e que ouvi.
Coisas do passado dir-se-ia...
Mas, falo aqui dum caso recente. O de uma mulher paquistanesa, cristã - Asia Bibi - condenada a ser enforcada porque durante o trabalho, a uma temperatura de 45ºC, bebeu água dum poço e foi acusada pelas companheiras, muçulmanas, de ter conspurcado a água. E isto, apenas por ser cristã.
Estamos no sec. XXI , numa era extraordinariamente evoluída em que as descobertas da ciência se sucedem, em que se procura ultrapassar os limites, em que se proclamam os "Direitos do Homem", em que se defende a liberdade de expressão... E a atitude dos Homens continua a ser a mesma; o ódio, a indiferença, a crueldade, o martírio, continuam a grassar no mundo e a sacrificar vidas inocentes.
Onde está o respeito pelos outros e pelas suas convicções? Onde ficou a consideração pela dignidade do Homem e pela vida humana? Como se vê Deus em tudo isto?
Não foi só nos primeiros séculos do cristianismo que seguir Jesus era um risco. Continua a ser um risco em muitos países e em muitos lugares.
Tenhamos coragem de denunciar as injustiças e de manter viva a nossa Fé.
                                     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P. 
 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"Quem quer vai; quem não quer, manda"

É um ditado popular, mas como toda a voz do povo, tem uma grande dose de sabedoria.
Chama-nos a atenção para a necessidade de nos empenharmos num trabalho, numa tarefa, num projecto, se queremos atingir os nossos objectivos.
Realmente, se estamos interessados em alguma coisa, será lógico esperar que outros a façam por nós?
Será razoável encarregar os outros da missão que nos diz respeito?
Para mim, não é!...
Deixar para outros aquilo que nos interessa  ou nos compete não é solução; não é sequer justo.
Acabamos mesmo por constatar, muitas vezes, que não era assim que queríamos o trabalho feito, que o resultado não foi o que esperávamos ou, pior ainda, que a tarefa não foi cumprida. E depois, que obrigação têm os outros, por muito amigos que sejam, de fazer aquilo que nos diz respeito?  E, porque deixámos correr, sem nos preocuparmos, confiantes no entusiasmo e interesse dos que nos rodeiam? Alguém tem obrigação de fazer o que nos compete?
É uma pretensão que não temos o direito de ter...
Não será uma forma de preguiça, de comodismo?!...
Porque nos havemos de admirar que os outros não tivesem feito o que só a nós dizia respeito, se nós próprios não nos empenhámos na sua concretização?
Queres conseguir alguma coisa? Então, mete pés ao caminho, "põe as mãos na massa" e segue em frente confiante. "Querer é poder". Se não queres, então podes delegar, esquecer-te, confiar que alguém vai  fazer o teu trabalho...
Claro que isto não quer dizer que não peçamos ajuda, colaboração, apoio àqueles que nos rodeiam... Não! A partilha e a colaboração são deveres que se nos impõem e temos à nossa disposição. Mas, colaborar, partilhar não é pôr os outros à nossa disposição para realizar o que nos compete.
                               Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.