segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Velhas e novas tecnologias

Vieram instalar o Skype no computador e isso mostrou-me uma nova facilidade de comunicação. Na verdade, como a vida muda através dos tempos!...
Fiquei a pensar em tempos passados e a olhar para trás.
Quando eu era pequena, o rádio era o nosso aparelho de eleição. Elemento de cultura e distração, existia em todas as casas.
Com melhores ou menos bons programas, boa música, habitualmente, transmissões desportivas e folhetins radiofónicos, a rádio preenchia os dias e as noites de muitos portugueses até aos anos 50.
Depois, apareceu a TV e foi o deslumbramento. Primeiro a preto e branco, depois a cores; de início, apenas umas horas por dia, a seguir durante todo o dia.
Que maravilha! Eram notícias, reportagens, jogos de futebol. Tudo "ao vivo e a cores"...
A sua introdução não foi pacífica e houve mesmo contestação e quem a achasse indesejável e até perniciosa.
Hoje, parece ser um dos elementos imprescindíveis como meio de informação e lazer.
Aceitam-na os idosos para seu entretenimento; usam-na os adultos para informação, desporto e distração e utilizam-na os pais como baby-sitter dos seus filhos pequenos.
" Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... "
É um meio simples de apreensão, como tudo o que entra pelos olhos, e um processo fácil de aquisição de conhecimentos ( bons e maus, verdadeiros ou falsos).
Aliás houve um tempo em que o audio-visual era indispensável como sinal de progresso , de actualização, dum conhecimento evoluído: do acetato ao vídeo; dos slides ao power point...
A pouco e pouco estas coisas foram dando lugar ao Computador e, à internet. Passou ele a ser um elemento de pesquisa, de preparação de trabalhos,de audição de música, de experimentação de jogos, de meio de conversa e troca de impressões.
A internet, com todas as suas vantagens ( e alguns perigos quando utilizada por jovens sem orientação  e cuidado)  é um meio que já ninguém considerado "culto" pode ignorar. E do Moodle, nem se fala... Ferramenta com mil possibilidades para professores e alunos.
Aproveitemos as novas tecnologias postas à nossa disposição e utilizemo-las para crescermos, nós e os outros , em sabedoria e disponibilidade.
                                                     Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 

sábado, 17 de novembro de 2012

O pão nosso de cada dia...

Ouvi outro dia um comentário ao Pai Nosso que achei interessante e, por isso, vou partilhar convosco.
Centrou-se sobretudo nos pedidos que fazemos no Pai Nosso e que são essencialmente de ordem espiritual :
" Venha a nós o Vosso Reino...
" Seja feita a Vossa Vontade...
" Perdoai-nos as ofensas...
" Não nos deixeis cair em tentação..."
E no meio de todos estes pedidos que querem pôr o nosso coração de acordo com o de Deus e fazer de nós indivíduos melhores, vem um pedido material, o único:
" O pão nosso de cada dia nos dai hoje..."
Pedimos o pão, o "nosso", aquele que merecemos com o nosso trabalho e o nosso esforço. E pedimos a subsistência, para hoje, não para acumular, não para fazer "farnel". 
E isto, faz-nos pensar novamente na paternidade de Deus, atento às nossas necessidades. Ele que nos deixou um outro Pão, a Eucaristia. E com esse , nunca mais teremos fome...
Mas voltando "ao pão de cada dia", o material, que tantas vezes nos aflige... evidentemente que temos que pensar, que nos organizar, que planificar o futuro, que procurar aquilo de que necessitamos, mas desprendidos do "mais" e do "melhor".
" Faz e Deus te ajudará!"
Deus não condena a riqueza, a posse dos bens, os planos de futuro. O que Deus deseja é que "tendo,vivamos como se não tivéssemos e possuindo, procedêssemos como se não possuíssemos". É o viver confiante, desprendido.
É o viver partilhando, ajudando-nos mutuamente.
É o viver tendo como objectivo o servir e não o acumular, o ser servido.
Pai, dai-nos o pão de cada dia, o necessário, o suficiente; dá-nos assim a capacidade de dar, de partilhar.
Sejamos felizes porque cada dia confiamos mais numa vida que Deus nos deu para vivermos, recebendo e partilhando.
                                          Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
         

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Vem e segue-Me...

Jesus convida os seus Apóstolos com esta simples frase : Vem e segue-Me!
O mesmo faz connosco: no fundo do nosso coração, a mesma frase, o mesmo convite para O seguirmos.
E parece tão simples... Os Apóstolos, deixaram tudo e seguiram-no, sem saber para quê nem para onde; os Santos, não olharam para trás e tentaram corresponder ao que Ele lhes pedia; os pecadores... arrependeram-se e seguiram Jesus modificando a vida... 
E nós?... Como ouvimos o apelo? Como correspondemos?
Acho que sentimos que é difícil . Cheios de boa vontade , começamos com entusiasmo. Depois, as contrariedades, as vicissitudes, os esforços malogrados, as consolações não compreendidas... vão-nos desanimando e vamo-nos afastando, esquecidos do apelo: "Vem e segue-Me".
E Jesus não insiste, não se impõe; apenas convida, convida-nos a testemunhar a misericórdia de Deus
que nos oferece a Sua aliança de amor.
E este Amor, é muitas vezes a incógnita que nos paralisa. Que espera Deus de nós? O que implica ou o que vai alterar as nossas vidas, o nosso comodismo e os nossos hábitos?
Se pensarmos bem até nos podem parecer contraditórios alguns testemunhos do Amor de Jesus. Mas... Deus é Amor e esse Amor não é alguma coisa que apenas se deva guardar no coração para uso espiritual ou intelectual de cada um. O Amor é dom, é partilha, é compaixão, é confiança, é alegria.
E responder ao convite de Jesus é ser capaz de criar este clima de confiança e de partilha. É testemunhar, junto dos outros, o imenso dom que recebemos.
E temos que amar como Jesus nos amou. E temos que assumir que a medida com que Jesus nos amou tem que ser a nossa medida de amar.
E onde é que isso nos leva? O que implica isso de mudança nas nossas vidas?
É o momento de pararmos para reflectirmos. Será nessa compreensão e nessa aceitação que está a verdadeira vivência de resposta ao apelo de Jesus: "Vem e segue-Me!"
                                        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Polónia, experiência de Fé e de Esperança

Cheguei ontem da Polónia onde estive em visita. Foi , para mim, uma lição de Fé, de Coragem e de Esperança e, ao mesmo tempo uma experiência imensa de colaboração, solidariedade e acolhimento. Por um lado, pelo que aprendi do país e do seu povo; por outro, pelo ambiente criado pelo grupo em que me integrei, pelas representantes da Geostar e pela guia,que me ajudaram a viver momentos únicos.
Aprendi que os polacos nunca baixaram os braços, apesar de sempre terem sofrido com os seus vizinhos. Ultimamente, foram primeiro os nazis, que durante seis anos cometeram as maiores atrocidades. Foi tempo de terror. Depois, foi o domínio soviético, diferente mas igualmente impositivo e maléfico.
Não havia amigos nem colegas, porque não se sabia quem denunciava quem, mas havia Fé e Esperança. Nunca a perderam, nunca se fecharam Igrejas, nunca deixou de haver Missa.
Ser padre  ou freira era um risco, mas sempre houve quem arriscasse... Era um risco Baptizar filhos ou fazer a Primeira Comunhão mas nunca deixou de haver Baptismos ou primeiras Comunhões...
Nesta viagem, dois momentos altos: um de terror, com câmaras de gás, fornos crematórios, celas do castigo, milhares de mortos!...- Auschwitz.
São cenas e momentos que têm que ficar na memória de todos nós e dos que nos sucedem para que jamais se volte a cair em tamanha degradação e num tão grande atentado à dignidade humana.
Outro momento alto, este de interioridade, de elevação, de Fé - o encontro com a Virgem Negra de Czestochowa, em quem os polacos depositam a sua confiança, a sua Fé, a quem pedem milagres, a quem agradecem dons.
O Santuário da Virgem é um grande centro de peregrinação nacional e internacional.
Também me chocou, pela positiva, o carinho que os polacos sentem pelo seu Cardeal Wojtyla, o "seu " papa João Paulo II. É indescritível! Falam dele, da sua infância e juventude, dos seus trabalhos, do seu talento... Apoiam-se nele e acreditam na sua protecção.
Os polacos são mulheres e homens de Fé mas não são "beatos". Talvez um pouco convencionais mas não facciosos ou intransigentes.
Esta viagem foi realmente  um banho de convicções, de alegrias e de sofrimento. Outros a deviam fazer. De lá vimos senão melhores, pelo menos diferentes.
Que o povo polaco continue fiel aos dons recebidos e à Graça que os anima e acompanha.
                                              Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Levar Esperança com Fé e Amor

" Se hoje ouvirdes a Sua voz não endureçais  os corações"
                                                                            Heb. 3,7
S.Paulo fala aos hebreus nos primeiros anos do cristianismo mas também se dirige a nós, hoje e aqui, onde quer que estejamos.
É um apelo, um pedido, um convite. E esta voz de Deus pode não nos estar a chamar para nenhuma vocação particular, para uma missão transcendente, para uma ocupação excepcional... Não vale a pena ter medo.
 Deus está simplesmente a dizer-nos que olhemos à nossa volta, que encaremos os conflitos que afligem a humanidade, que não passemos ao lado daqueles que precisam de nós sem os acolher.
É fácil! É simplesmente deixar falar o coração... Nele,encontramos as virtudes de que necessitamos e que recebemos no Baptismo.
O Baptizado é o homem da Esperança, da Fé, do Amor. Por isso, não pode guardar para si estas virtudes que são dons. Ninguém as pode comprar. Simplesmente se transmitem, se testemunham. E nós, cristãos, somos os portadores desses dons...
Muitas vezes se diz que a Igreja não se pode substituir ao Estado. É verdade! Mas também é verdade que não pode ficar alheia ao que acontece aos seus irmãos, cristãos ou não cristãos.
Tem que abrir o coração e levar a Esperança onde há desespero, a Fé onde se instalou a dúvida, a Paz onde está implantada a guerra e o Amor onde impera o ódio.
É essa a essência da vida do cristão. Ser e mostrar que é... filho de Deus, irmão de Jesus Cristo.
E Ele, deu a vida por nós e deixou-nos um único mandamento: o do Amor.
                                                         Ir.M.Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Animais e pessoas

Outro dia assisti na TV a um programa que me trouxe alguma inquietação e levantou interrogações. Era sobre animais de estimação e indicavam-se os cuidados e atenções a ter com eles. Foram enumerados locais de observação e tratamento, atenção a dispensar-lhes, materiais a utilizar: Clínicas para gatos, hospitais de cães, cuidados a ter com os dentes, vigilância do estado do  pelo, visitas frequentes ao veterinário, medicamentos indispensáveis e até psicólogo do comportamento animal...
Sempre gostei de animais e sempre os tive em casa: o cão, o gato, o canário e até um coelho e uma tartaruga.
Sempre condenei que se possuíssem animais e não se tivesse com eles os cuidados e atenção que eles necessitavam.
Mas aquele programa levantou-me o problema dos cuidados que se têm ( ou não têm ) com as crianças, os doentes, os idosos. E não será de fazer comparações?
Quanta criança e jovem vai para as aulas sem ter tomado o pequeno almoço! Quem em casa deu por isso ou sabe as razões?
Quantos adolescentes saem da escola e vão para casa ao encontro da televisão ou da internet e comem e dormem sem ver os pais! Quem constata as suas dificuldades?
E não é certo que há doentes que não vão ao médico ou não compram os medicamentos por falta de meios?
E não conhecemos tantos casos de idosos que sofrem sozinhos a sua solidão?
Se compararmos os cuidados que nos incitam a ter com os animais e a falta de preocupação que vemos aumentar, cada dia, em relação a crianças, jovens, idosos e doentes, podemos perguntar-nos se é suposto que as pessoas já tenham todas as atenções e agora seja a vez dos animais...
Claro que continuo a considerar importante tratar bem aqueles animais que voluntariamente levamos para casa, mas... não teremos que olhar primeiro à nossa volta e atender às necessidades primárias dos que nos redeiam?
"Amai o vosso próximo como a vós mesmos " foi a lição de Cristo ao escriba. E quem é o nosso próximo?
                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Novembro, mês do apelo

Novembro é um mês um pouco inquietante: é um mês que nos interpela e ao mesmo tempo nos traz mensagens e faz apelo à nossa inteligência e ao nosso querer.
Inicia-se com duas celebrações que ambas nos interpelam porque foram e são apelos, quer no mundo dos homens em geral, quer entre os cristãos, em particular: no dia 1, a Festa de Todos os Santos, todos aqueles a quem Deus disse Vem!... e corresponderam plenamente ao Seu apelo; no dia 2, a celebração dos Fiéis Defuntos, aqueles a quem o Senhor chamou desta vida para que, com Ele, estivessem no Reino dos Céus.
Em ambos os casos o mesmo apelo à santidade pois só os santos entram no Reino dos Céus. Aliás à santidade todos somos chamados pois foi para todos nós a palavra de Jesus: "Sede Santos como o vosso Pai é Santo".
Santo, expressão hebraica que significa "separado", representa para os cristãos muito mais do que isso, porque cristão é aquele que pertence à família de Deus que é Santo por excelência.
A correspondência  ao pedido de Jesus, dirigido a todos os homens, pressupõe um trabalho diário e continuado de opções entre os nossos gostos e desejos e a vontade do Pai.
Mas, não é preciso ser "extraordinário"  para ser santo. Não é necessário sofrer o martírio, fazer sacrifícios exagerados, jejuar até à exaustão ou abdicar de todos os nossos gostos e alegrias. Não!... É antes, muito simplesmente, viver alegremente segundo o Evangelho, praticando a justiça e testemunhando a verdade. Aliás, é Santa Teresa que diz : " Para ser santo  basta amar muito!"
No dia 1 festejámos todos aqueles que, como tu e eu, viveram uma vida simples, desprovida de registos mediáticos, contornos de espavento ou notícias extraordinárias.
Celebramos aqueles que, como tu e eu, procuraram "passar discretamente pelo mundo fazendo o Bem" e dando testemunho do amor do Pai.
Juntemo-nos a eles, aqui e agora, levando a Fé onde há dúvidas, a Esperança onde há desespero e o Amor onde impera o ódio.
 
                                 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro. O.P.