sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Acolher...

Outro dia bateram-nos à porta dois jovens que vinham pedir dormida para um grupo que andava em peregrinação, em defesa da vida, da terra e não sei mais de quantas coisas.
Não entendemos quem eram, nem quais os seus objectivos. Ou eles não os explicaram devidamente... Por isso, recusámos o acolhimento, até porque seria num dia de semana, não se sabia bem para quantas pessoas, etc.. Tive pena, mas não me pareceu uma situação muito clara.
Mas o problema do acolhimento é algo que sempre mexe comigo porque penso logo em José e Maria procurando asilo e não o encontrando senão naquele estábulo inóspito. E ali foi passado o 1º Natal, porque "não havia lugar para eles na hospedaria". E não foi este o único momento em que Jesus não foi acolhido. Na sua terra, na Galileia, numa pequena aldeia, quando ia a caminho de Jerusalem e noutros lugares que os Evangelhos não especificam. Jesus não foi acolhido pela família, pelos fariseus , até pelos discípulos!É que Jesus trazia uma mensagem que é difícil de entender e mais ainda de aceitar:Ser como criancinhas... Não ter duas túnicas... Não levar farnel para o caminho... Receber igual salário quer trabalhasse duas horas quer o dia inteiro... Perdoar não sete vezes mas setenta vezes sete... etc..
Os próprios discípulos se perguntavam: " Quem pode escutar e entender estas palavras?" Mesmo Pedro, que tão genuinamente responde a Jesus "A quem iremos se só Tu tens palavras de vida eterna?" é o primeiro a negá-Lo.
É que é difícil esta mensagem de Amor que Jesus quer transmitir...porque pressupõe a nossa disponibilidade para nos darmos sem medida, uma vez que tudo recebemos de Deus.
Não entenderam os discípulos e não entendemos nós.
E sem entender e mais ainda sem viver, continuamos pelos tempos fora .
Como cristãos, damos um triste testemunho do acolhimento de Jesus. Se O encontrássemos ao canto da rua, na sua simplicidade, que Lhe diríamos? Como O convidaríamos a vir a nossa casa?
Faríamos como Zaqueu, que prometeu partilhar o que tinha com os que enganara e com os que viviam necessidades?  Ou seríamos como os fariseus, que não entenderam que Jesus comesse com os publicanos nem aceitaram o " desperdício" do perfume que a pecadora derramou sobre os pés de Jesus?

  É esta escolha, entre Zaqueu e os fariseus, que somos convidados a fazer cada dia. E da nossa resposta depende seguir ou não Jesus.
                   Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Antigas alunas... Velhas amigas

Encontrei-as no pátio do plátano, sentadas no rebordo dos malmequeres.
Foi uma festa. Tinham sido minhas alunas mas há mais de 30 anos que não vinham ao Ramalhão. Queriam ver tudo, saber tudo, falar com toda a gente.
Entrámos a porta principal e subimos a escadaria  semi-circular que conduz às salas de visitas (antigos aposentos da Rainha Carlota Joaquina). Apreciámos mais uma vez os frescos e lembrámos os tempos em que os pais vinham ali, ao domingo, para as visitar. Das janelas vimos o campo de tenis remodelado e o "solar" que era a antiga casa do caseiro - o sr. José Marques.
Seguimos em frente, corredor fora, contando graças, relembrando o "dormitório branco", a rouparia das alunas internas ( hoje atelier da Ir. Conceição), os quartos das mais velhas....
Depois, os dormitórios... e lá vieram as histórias velhas e sempre novas como a da aia da Carlota Joaquina que se passeava pelos corredores com a cabeça num prato ou a dos fantasmas que faziam ranger as tábuas do soalho.
Na actual biblioteca, parámos a ver a paisagem que se deslumbra da varanda ( na época a maior da Europa ). Dali se pode apreciar o arvoredo, algum casario e ao fundo o mar.
Ambas quiseram indicar o lugar das camas onde tinham dormido e lembrar as Irmãs que ficavam com elas nos dormitórios, o modo como acordavam, a exigência do silêncio (nunca totalmente respeitado) depois de se apagarem as luzes.
Fomos à floresta e,mais uma vez, se contaram as histórias das alunas novas que pensavam que iam almoçar na quinta, das empregadas que serviam, do silêncio durante a sopa.
Descemos à capela e aí rezámos por todos os que por aqui passaram: professores, funcionários, alunos.
E cada uma pensou nos momentos de intimidade que tinha vivido ajoelhada naqueles bancos, contemplando aquele sacrário donde Jesus Cristo certamente sorria à sua juventude, aos seus anseios, aos seus sonhos.
Antigas alunas...velhas amigas... são presença e são recordação.
Que sempre "... se vão lembrando de tudo o que daqui levaram".
                                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A política e nós

A política, interna ou externa, é algo que entusiasma e, ao mesmo tempo, impressiona e desaponta.
Muitas vezes pensamos nos políticos e achamos que são pessoas de espírito aberto, lutadoras, críticas, claro! mas gente conhecedora, esclarecida, íntegra.
Pensamo-los como homens e mulheres interessados no desenvolvimento do país que defendem, pelo debate das ideias, pelas posições que tomam na procura das melhores condições de viabilidade nacional.
Depois, assistimos a um plenário da A.R. e muitas das nossas ilusões se dissipam. É que vemos gente adulta que se agride verbalmente como adolescentes que já não são; ouvimos homens e mulheres, que teoricamente devem defender a verdade  e o bem nacionais  mas que, na prática, se degladiam por motivos mais ou menos utópicos e a bem, parece, dos próprios partidos .
Lemos as notícias dos jornais ou vemos a TV  e não ficamos mais satisfeitos. Todos os dias há notícias contraditórias, opiniões que se anulam, leis que se fazem e se desfazem.
Até apetece perguntar: Mas é isto a política? Ou é  a política que temos?
Se formos ao dicionário,encontramos várias definições para Política como por exemplo: ciência do governo das nações, princípios que orientam as atitudes administrativas de um governo, etc..
E quanto mais se comparam estas definições com as realidades com que somos confrontados, menos entendemos o que podemos esperar da política e dos políticos.
Mas uma coisa é certa: como cidadãos dum país, temos que contribuir com o nosso trabalho, o nosso esforço, a nossa boa-vontade, para que tudo corra bem, as dificuldades se atenuem, a paz se estabeleça no país e , sobretudo, nos corações.
A desilusão não ajuda os nossos intentos. O desânimo não melhora a nossa real sede de Bem e de Verdade.
O País precisa de nós, da nossa entrega, do nosso querer.
E Deus, espera de nós participação, disponibilidade, paz e alegria. Não O desiludamos nós, com a nossa falta de interesse e de entusiasmo. Ele, está sempre presente.
                                                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ramalhão - 70 anos

O Ramalhão fez anos!... 70... de alegrias, dificuldades, angústias e graças.
Foram 70 anos desde aquele 15 de Outubro de 1942 em que abriu as portas, pela primeira vez, às alunas que chegaram do país e do estrangeiro.

Ontem, 15 de Outubro de 2012,  festejámos, com uma "tarde aberta" a pais, famílias, antigas e recentes alunos.
 Começou com o Hino do Colégio cantado pelos alunos do pré-escolar e 1ºciclo. Depois, foram os alunos do 3º,4º 5º e 6º anos que fizeram um mini concerto de flautas.








Entre as 15h e as 17h:
 
Chá com Letras e Exposição cartográfica na Biblioteca.
 







 
Artes em movimento, na sala de desenho
 
 



Exposição inter-activa de Matemática, na sala de Moral 






 
Cantinho das recordações e aprende História, na sala de passagem
 
 
 
Ateliers Aberto de Ciência e Química no Laboratório de Química
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Entretanto, desde as 11h, o Externato do Restelo esteve em visita aqui ao Colégio e às 15h foi o toneio de Football entre as equipas de lá e de cá.
Às 17h e 30m distribuição das medalhas aos atletas.






 
E de seguida, a grande recordação em palco:
 
História do Ramalhão
                               
Terminou com toda a gente a cantar o Hino e os Parabéns, quando entrou o bolo de aniversário.
Todas as pessoas gostaram muito não só do espectáculo, das várias actividades e da possibilidade de rever e conhecer o Colégio.
 
Foi um dia de muito trabalho, de preocupação mas óptimo !

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Santa Teresa de Avila

Hoje é a festa de Santa Teresa de Ávila.

Talvez perguntarmo-nos quem era Teresa de Ávila. E a resposta é simples e ao mesmo tempo complexa.
É uma Santa, reconhecida como Doutora da Igreja, mas foi uma jovem espanhola cheia de força, de entusiasmo, da graça que marca a sua raça. Vivia numa família tradicional do seu tempo, com os seus irmãos, os seus amigos, os seus pequenos e grandes entusiasmos e sonhos.
Resolveu ser religiosa e foi para o Convento de Ávila.

Não sei o que marca mais a ideia que nos deixou: se a sua personalidade forte, se a mensagem da sua imensa força interior.
Acho que não é fácil ser santa como ela foi, ou melhor, ser santa à sua maneira. Mas é possível seguir o testemunho que nos transmite, do imenso amor que a uniu a Jesus Cristo.
Conta-se que um dia, ao descer uma escada, se encontrou com uma criança que lhe perguntou: "Quem és tu?" E ela respondeu : "Sou Teresa de Jesus; e tu, quem és?" "Eu... respondeu o menino... sou o Jesus de Teresa".
Este diálogo, verdadeiro ou lendário, traduz a relação de Teresa com Jesus, o Filho de Deus. Ela punha n´Ele todo o seu amor, toda a sua esperança e acreditava que Ele era o seu Deus, o modelo que ela queria seguir, Aquele por quem estava disposta a todos os sacrifícios.

Teresa de Jesus era uma lutadora e, no momento em que realmente "se converteu", mudou tudo na sua vida. Foi então que se propôs fazer e realizou a reforma do Carmelo.
Não era capaz de dar apenas uma parte. E dar tudo, era desprender-se de costumes antigos, de meias-medidas, de uma religião medíocre.
E deu!...
Na oração, no despojamento, no abandono nas mãos de Deus encontrou o seu caminho, aquele que pode ser um ideal, talvez inalcansável, mas que podemos tentar atingir.
Teresa deixou-nos uma mensagem que é palavra de esperança e de certeza:  
             " Nada te perturbe,
                Nada te espante,
                Deus não muda,
                Tudo passa.
                A paciência tudo alcança.
                Quem tem a Deus,
                nada lhe falta.
                Só Deus basta." 

domingo, 14 de outubro de 2012

O ambiente e a paz

Nunca me tinha apercebido, até hoje, como uma primeira impressão pode ser totalmente modificada quando paramos para pensar e, sobretudo, para  "sentir".
Entrar numa igreja e sentir-me esmagada pelo peso do cimento, chocada pela claridade da madeira dos bancos, espantada pela visão dum pequeno , calmo e envolvente  jardim, eram demasiadas sensações num mesmo instante. Não era capaz de as descodificar para as poder apreciar. Nem tentei...
Depois, ajoelhei diante do sacrário, a primeira coisa que me encantou, sem interpretações, e sentei-me. Não sei se a contemplar o que me rodeava se a abstrair de tudo o que me inquietava.
Então, a minha atitude interior e os meus sentimentos mudaram radicalmente. Senti-me bem, descontraída, envolvida por uma paz e uma serenidade que há muito não sentia.
O cimento, o chão, os bancos, deixaram de ter cor e de ser presença. Ali, naquele banco, naquela igreja desconhecida, apenas Deus e eu.
Fechei os olhos e deixei-me embalar por aquela serena quietude e por aquela presença que me envolvia . Não disse nada. Não ouvi nada. Estive simplesmente... e a Paz de Deus encheu-me o coração. Porque eu quiz? Não! porque Ele quiz e eu deixei.
Tantas vezes impedimos Deus de estar presente porque deixamos que as "coisas" nos falem primeiro, porque consentimos que o ambiente fale mais alto que a realidade.
                                     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 
 

sábado, 13 de outubro de 2012

A Fé dos Homens

Entrámos há dois dias no "Ano da Fé".
Em boa verdade, os "anos "não têm Fé. Esta é dada no Baptismo, aos homens, para que a desenvolvam e vivam . Mas, quando o Papa declarou este ano como "Ano da Fé", foi precisamente para nos chamar a atenção para esta realidade; para que durante este ano, especialmente, estejamos mais atentos a este dom com que Deus nos presenteou gratuitamente; para realizarmos uma mais profunda e verdadeira conversão ao Senhor.
É que ter Fé não é simplesmente dizer : "Senhor, eu acredito!" A Fé actua pelo Amor e por ele, as nossas atitudes, os nossos afectos, os nossos pensamentos vão sendo plenamente modificados.
Ter Fé, é viver uma realidade que vem de Deus e a Ele nos conduz.Ter Fé é ter a certeza de que "nada acontece por acaso" e que cada situação em que somos chamados a participar  faz parte do plano que Deus tem para nós.
Ter Fé é, em cada momento da nossa vida, viver com a certeza que tudo nos pode e deve conduzir à Santidade e que nada do que fazemos ou deixamos de fazer é indiferente aos olhos de Deus.
Mais do que aceitar aquelas verdades que proclamamos quando recitamos o Credo, ter Fé é deixar que a amizade de Jesus Cristo nos toque profundamente e nos modifique.
Ter Fé é, humildemente, ajoelhar e dizer : " Senhor, eu aqui estou. Faça-se em mim segundo a Tua Vontade". E seguir em frente, alegre e confiadamente, porque Deus está connosco.
 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.