terça-feira, 2 de outubro de 2012

A lição do desânimo

Ler a história de Elias é sempre algo que nos perturba mas simultaneamente nos anima. É que Elias é um homem que nos inquieta, na medida que levanta uma série de questões, mas ao mesmo tempo nos dá as respostas de que necessitamos. Por um lado é um Profeta, tem uma missão a desempenhar, uma chamada de atenção a fazer àqueles "ouvintes " que parece não o quererem ouvir. Certamente porque lhes chamava a atenção para os erros cometidos...
Por outro lado, é um homem desencorajado, que desiste, que não quer prosseguir na sua missão, que pretende a morte, para se libertar do peso que não se sente capaz de levar.
Desistir... É uma tentação que nos assalta muitas vezes. Estamos demasiado cansados; demasiado desiludidos;achamos que já nada vale a pena; que tudo o que temos para dar não tem valor e não é reconhecido.
Como Elias, chegamos à conclusão que mais nada temos para fazer; que é a hora de "morrer".
Mas Deus não desiste nem permite que o façamos. Deus não permitiu que Elias desistisse. Ao contrário, disse-lhe que ele tinha um longo caminho a percorrer. E ele levantou-se e foi!...
Também a nós Deus nos segreda que, mesmo quando o pensamos, estamos enganados: a nossa missão não acabou e não é inútil, ainda que possa parecer.
Deus continua a insistir connosco e dá-nos o Seu Corpo em alimento, para nos fortalecer, tal como deu pão e água a Elias, para o alimentar naquela travessia do deserto.
Mas desistir é realmente uma grande tentação: não é necessáriofazer mais esforços; não é preciso continuar a lutar; não temos que aceitar o que consideramos errado e, menos ainda, corrigir esses erros; não há necessidade de mostrar que somos "bons" nem esforçarmo-nos por corresponder à imagem que têm de nós.
Desistir é realmente algo que nos interpela profundamente e nos pode aparecer sob as formas mais variadas e insidiosas. Até às vezes nos parece mesmo que é o caminho certo e a opção mais adequada. Mas é um engano. É a procura do mais fácil sob a capa do mais verdadeiro. E não podemos desisitir. Temos que procurar a fidelidade com a certeza que o Pai conta connosco, dando-nos a força de que necessitamos. E afinal, desistir não é assim tão bom...porque é próprio dos fracos e nenhum cristão se pode considerar como tal. Ele é outro Cristo e "nada lhe falta n´Aquele que o conforta".
                                                      Ir. M.Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P. 

domingo, 30 de setembro de 2012

Se a Obra é de Deus...

" Se a obra é de Deus, Ele providenciará"

Era lema da Madre Fundadora, em que devemos acreditar e que devemos ter bem presente, em especial neste ano em que comemoramos os 175 anos do seu nascimento.
Nem sempre é fácil!...
Mesmo sem querer, vem-nos à mente uma pergunta: " Se é assim, porque parece tantas vezes que Ele não está interessado em providenciar?"
E a resposta não é tão óbvia, tão simples como a pergunta se nos apresenta.
É que, muitas vezes nos afadigamos, nos preocupamos, nos empenhamos nos trabalhos que temos em mãos e nem sempre os resultados são os supostos, os que esperávamos, os desejáveis.
Entregamo-nos, de alma e coração, por amor de Deus, (dizemos...) àquela ocupação em que estamos envolvidos. Esperávamos que Ele fizesse a Sua parte... E nem sempre as coisas correm como queríamos, como gostávamos. E, no entanto, julgamos estar a realizar a Missão que Deus nos confiou...
Acabamos, muitas vezes, por desanimar, ficar preocupados, entristecer. Porquê? Para quê?
Talvez perguntarmo-nos várias coisas. Entre elas: Onde está a nossa confiança? Onde se escondeu a nossa certeza de que se a obra é de Deus, Ele providenciará para que dê bom fruto?  Quando nos inquietamos, nos desgostamos, nos parece ter errado nos nossos objectivos, não será porque estamos a trabalhar pela obra e não por Deus, a quem a obra pertence? Ele apenas quer precisar das nossas mãos, dos nossos olhos, da nossa disponibilidade , para realizar o Seu plano...
E finalmente, interroguemo-nos: Será que o nosso trabalho não resulta porque afinal não é essa a vontade de Deus?
Confiemos, como Teresa de Saldanha, "quando a obra é de Deus, Ele providenciará".
                                                 Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sábado, 29 de setembro de 2012

" My Way"

Como os meus amigos sabem que eu gosto de música, sobretudo música clássica mas não só, enviaram-me hoje uma gravação do " My Way " de Paul Anka, numa versão cantada por Frank Sinatra.
Ouvi-la, foi um gosto, mas também um motivo para reflexão.
De certeza o caminho dele não foi o meu caminho nem a maneira de ele fazer as coisas foi o meu modo de realizar a minha vida e os meus sonhos.
Mas a verdade é que todos nós temos um processo de alcançar o que idealizamos, " a nossa maneira", atrás da qual escondemos muitas vezes frustrações e desalentos, alegrias e aspirações.
É que todos temos um caminho a seguir, uma opção a fazer, uma escolha a realizar. E ela pode ser determinante para o nosso futuro...
Em todos os caminhos há "ganhos" e "percas":coisas que se agarram, valores que se ganham, batalhas que se vencem e outras que se perdem, que ficam pelo caminho, que se abandonam conscientemente.
Em todos os caminhos há alegrias e esperanças, tristezas e desilusões. Em todos eles encontramos veredas direitas e alegres e atalhos estreitos e sinuosos.
Mas são caminhos que escolhemos e temos que percorrer "à nossa maneira" , com o entusiasmo da nossa juventude, sempre renovado, com a força da nossa Fé, sempre alimentada, com a certeza da vocação que escolhemos.
Mudar de estratégia, de atitude, de maneira de ver e de proceder, pode ser uma necessidade das circunstâncias, do "hoje"e do "aqui".
Mas uma certeza temos que ter: o nosso caminho é o da Santidade e a " nossa maneira" a da correspondência ao Amor de Deus.
                                        Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 
 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Palavras Mágicas

Neste tempos conturbados em que o Outono chegou e o tempo triste nos invade, há palavras que se repetem e cuja agressividade se torna mais evidente.
Neste momemto, somos bombardeados constantemente com um vocabulário que se torna repetitivo:
a crise, as manifestações, as greves, a austeridade...
Não há notícia de jornal nem noticiário de TV que não gire em torno destes termos sensacionais. A favor ou contra, todos têm uma palavra para dizer, um argumento a apresentar.
Quando se fala de "crise", pensa-se na crise económico-política, que invade Portugal e a Europa. Mas estamos a esquecer outras crises igualmente difíceis e perniciosas: a da família, da maternidade, da educação, da Fé...
Manifestações e greves, são necessidades do coração do Homem gritar bem alto as suas frustrações e os seus desejos. Nem sempre válidos, nem sempre lógicos, nem sempre objectivos.
Quando falamos em austeridade, sentimos logo uma cortina cinzenta a envolver-nos, e imaginamos uns fatos negros, uns rostos contraídos.
E, com tudo isto, é a tristeza e o desânimo a invadir-nos.
Com todos estes "sentires" e actuações não temos ocasião para parar, reflectir e lembrar a história de Job, aquele homem do Antigo Testamento que Deus permitiu fosse tentado até à exaustão:
Era rico,muito rico e ficou pobre, indigente;
Tinha uma família, certamente numerosa, como era hábito na altura, e ficou só;
Era saudável, bem constituído e acabou doente e coberto de chagas.
E, apesar de tudo isso, qual a sua reacção?
" Deus mo deu, Deus mo tirou. Louvado seja Deus".
É esta capacidade de aceitação, é esta vivência de Fé, é este sentido de Esperança e de Amor que nos falta.
Se vivêssemos verdadeiramente assim, na disponibilidade, e na confiança, não havia austeridade nem crise que  abalasse a nossa Fé, a nossa Esperança, o nosso Amor, a nossa Fraternidade.
                                    Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Conselhos de S.Paulo

 
Calhou-me outro dia ler a Leitura da Missa. Era um texto da 1ª carta de S. Paulo aos Coríntios.Aquele em que ele faz apelo aos cristãos para que não sejam apenas cumpridores da Lei, mas antes, vivam plenamente essa Lei, para poderem dar testemunho dela. Novamente o problema do testemunho...
Recordei-me hoje dessa leitura e relacionei com um texto que vi recentemente. Nele falava-se dos fariseus e da sua capacidade de querer parecer em vez de ser, do seu costume de fazerem as coisas, cumprir o que estava mandado, serem fiéis às normas estabelecidas, só para serem vistos e apreciados.
Também nós, muitas vezes, somos simples cristãos de fachada: limitamo-nos a cumprir em vez de viver. E, com que facilidade somos especialistas na arte de representar, de mostrar uma humildade que não sentimos, uma simplicidade que é apenas fantasia!...
E, para quê? Qual a razão de nos querermos mostrar simples e despretensiosos, quando o não somos?
Estamos somente a ser como os fariseus: parecer o que não se é. E o importante era realmente vivermos em simplicidade, em verdade, em humildade. Até porque a humildade é que nos une a Deus. É ela que faz que, se nos despojarmos, a graça de Deus nos venha preencher.
E as palavras de S. Paulo não me saem do pensamento. Bem aventurado S. Paulo tão simples e tão complexo!...
Ele não queria ser actor, não queria representar; queria viver uma Fé a que Jesus o tinha chamado; queria persuadir os seus ouvintes da necessidade de ser cristão o que significa ser de Cristo e como Cristo proceder.
Ele era o primeiro a sê-lo e a testemunhá-lo.
Ouçamos S.Paulo, meditemos nas suas palavras, entendamo-las até ao fim e viveremos a Lei de Deus , que não é, nem mais nem menos, do que a Lei do Amor.
                               Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sociedade de informação versus sociedade do conhecimento

Li há tempos um artigo do Eng. José Lagarto em que o autor falava da sociedade de informação versus a sociedade do conhecimento e citava o papel da escola nesta importante e oportuna evolução.
Na altura achei muito interessante o artigo e digno de reflexão, para mim, em particular, como professora que sou. Ali, punha-se em relevo o papel que a escola tinha na transformação da informação, no sentido de levar os alunos a fazerem dessa informação, material para a construção do seu conhecimento.
Era ao professor que competia desempenhar o papel transformador do somatório de informação que possuía,  transmitindo-o em conhecimentos, a serem utilizados pelos alunos.
A sala de aula, bem como as visitas de estudo e toda a actividade de complemento de conhecimento, eram o laboratório onde o aluno recolhia e "experimentava" conhecimentos de que fazia "cultura".
Depois, chegou a TV, o computador, a internet e o processo de "culturação" modificou-se.
Os alunos passaram a ir buscar os seus conhecimentos a estas novas fontes de cultura. Mas o papel da escola e dos professores não morreu. Apenas se modificou. Cabe-lhes orientar os alunos na busca e na aplicação dos conhecimentos que depois se vão transformar em cultura e preparação do futuro. E são eles, professores, que ajudam na ampliação do conhecimento, na aplicação correcta da informação recolhida, na elaboração da ideia e na realização de projectos futuros.
Estas "ferramentas" novas, invadem o nosso ambiente de trabalho e as nossas vidas. Nelas, com elas e por elas passa a transmissão da informação na escola.
É com elas que temos que conduzir o novo processo de ensino-aprendizagem porque são elas a grande e verdadeira aposta do futuro.
Mas temos que estar atentos porque não há só benefícios nestes métodos. Os alunos devem utilizá-los com critério e discernimento. Aproveitar o que têm de bom e estar atentos aos prejuízos, é um desafio que a vida actual nos coloca e que é preciso ultrapassar para conseguir alunos que sabem pertencer a uma autêntica sociedade de informação e tirar dela o melhor partido.
                                 Ir. M.Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p. 
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

La vie du petit Saint Placide

Dando uma vista de olhos pelas prateleiras da biblioteca da comunidade deparei-me com um livro pequenino, sem aparência,de capa de papel, mas que fez parte do meu stoc de leituras quando ainda jovem religiosa.
Era a vida de S. Plácido.
Não é bem um livro. É antes uma sequência de imagens com legendas que contam a vida do monge beneditino Irmão Plácido.
Voltei a lê-lo, com o mesmo entusiasmo de há anos.
É que a vida deste monge pode ser a minha, a sua, a de toda a gente: a freira, o padre, o casal, o jovem estudante, a mãe de família trabalhadora...
Em todas as vidas há as alegrias, os entusiasmos, as descobertas, as contradições, as dúvidas, as tentações... E também o valor da Fé e da Esperança e a presença constante e actuante de Jesus e Maria.
Plácido foi para o mosteiro com dois anos e apenas conseguia dizer a palavra Sim. Era a preocupação dos pais esta sua limitação linguística mas talvez fosse esse o sinal da sua disponibilidade para ir ao encontro do apelo de Deus.
O Ir. Plácido viveu as dificuldades de qualquer elemento duma vida comum. Em sociedade, todos temos que ultrapassar situações difíceis e mesmo insolúveis.
Ele conheceu as alegrias da dádiva e do testemunho, as dificuldades da tentação e a força da oração, sabendo que rezar era passar a sua vida para a vida de Jesus.
Viveu as agruras da doença com a alegria do Amor e reconheceu na morte a fecundidade da vida, a Missa plena que foi toda a sua vida.
 
Neste pequeno livro, onde o texto são apenas frases há inúmeras lições que podemos aprender e fazer nossas para, como ele, encontrarmos a Alegria do compromisso satisfeito.
 
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.