sexta-feira, 21 de setembro de 2012

" Vós sois minhas testemunhas..."

Estava quase recomposta daquela inquietação que me deixara a criança que queria que eu rezasse pelos tios, quando duas outras situações me voltaram a pôr o problema do testemunho.
Primeiro, foi uma senhora de meia-idade que me abordou na rua. Pediu-me que rezasse por ela, pelos seus problemas, pelas dificuldades que lhe amarguravam a alma. Certamente Deus me ouviria melhor do que a ningém, disse. 
Lá puxei do meu reportório de Esperança  e de Fé, coisa em que sou pródiga, e a senhora seguiu mais animada, espero!
Mas a minha inquietação voltou, mais intensa, se possível.
E fui apresentá-la ao Pai... Eis senão quando, uma jovem se abeira de mim e me diz, algo emocionada: " Fui vossa aluna, no Restelo; o meu pai morreu ontem e está aqui na igreja; ver a Irmã, aqui, agora, é para mim uma coisa muito especial."
Fiquei sem palavras mas não sem o problema.
É a questão do nosso testemunho de cristãos. Como é que os que o não são, os que não têm Fé, podem perceber que vale a pena acreditar, seguir Jesus, ser cristão? Como é que podem ter a certeza que Deus também conta com eles?
Temos que lhes mostrar que sabemos que a felicidade é o nosso modo de viver, felicidade em Deus, aproveitando o que de bom a Vida nos dá e ultrapassando os maus momentos, acreditando que eles são os contratempos que é preciso vencer, sorrindo.
Em tudo e em todos há um lado bom. Às vezes o difícil é fazer o esforço para encontrar esse lado bom . Mas aí entra a Fé!
Para Jesus também houve momentos de alegria e felicidade e maus momentos que terminaram com a morte. Mas a morte não foi o fim.
Depois dela veio a ressurreição, com a sua promessa de vida eterna.
E da cruz, Jesus deu-nos a todos como filhos, a Sua Mãe. E antes, deixara a Pedro a missão de espalhar a Boa Nova do Evangelho.
Maria sofreu junto à cruz mas sorriu porque tinha à sua guarda de mãe aqueles que pelos tempos fora seguiriam a mensagem do seu Filho.
Cada um de nós, também, mesmo nos momentos de dor, de dúvida, de inquietação,temos que aprender a sorrir porque o Senhor está lá  e espera que sejamos Suas testemunhas.
 
Acreditemos que há sempre um lado bom nas pessoas e nas coisas. Na Vida!
E Deus espera que, como Suas testemunhas, manifestemos essa nossa Fé.
                                                         Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Originalidade e persistência

                                                      Os americanos são um povo original,interessante e persistente.
Têm uma história muito recente mas são uma das potências económicas mundiais mais poderosas.
São uma mistura de raças e de povos mas conseguem ser os mais famosos no cinema, nas artes e no desporto.
Têm um processo judicial dos mais eficientes mas está na América a maior concentração de gangues, de assassinos, de deliquentes, de matadores profissionais.
Defendem a liberdade e os direitos humanos mas ainda usam a pena de morte.
São algo ingénuos, mas possuem dos mais famosos cientistas (muitos importados) e dos mais importantes centros de investigação do mundo.
São uma democracia mas com um regimen de votação muito peculiar.
Com tudo isto, o povo americano tem também uma grande virtude: é persistente.
Veja-se o esforço e o dinheiro investidos para conseguirem chegar a Marte. Podemo-nos perguntar se é uma obsessão  e se se justifica o dinheiro dispendido em tantas tentativas falhadas. Mas o facto é que tinham um objectivo e finalmente o cumpriram.
Foi há poucas semanas que, finalmente, o Rover Curiosity chegou ao denominado "planeta vermelho".
O robô, durante mais ou menos dois anos, vai recolher amostras do solo e não só, numa tentativa de descobrir existência de vida microscópica no passado deste planeta.
Valerá a pena, perguntarão alguns.
O conhecimento é sempre importante, mesmo para os Homens de Fé  e que agradecem a Vida a Deus. E a chegada a Marte foi uma conquista para os cientistas americanos.
A mesma sorte não tiveram com o avião supersónico que devia poder transportar aviões e material bélico em poucos minutos.Esteve 5s no ar e despenhou-se no Pacífico.
Erro humano? Deficiência de estrutura? Altos desígnios de Deus?...
A resposta não temos!
A ciência vai continuar a evoluir e os Homens de Fé a acreditar.
                                    Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
 
 
 
 
 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Importância da Drosophila

Estava a tentar fazer um trabalho que exigia alguma concentração e uma mosca importuna tentava distrair-me, voando à minha volta.
Depois de várias tentativas infrutíferas, acabei por matá-la. Então, lembrei-me do esforço que fazíamos na Faculdade para obter, conservar e desenvolver as "moscas de estimação" utilizadas nos nossos trabalhos.
Claro que não eram estas moscas vulgares, mas a célebre Drosophila melanogaster que mereceu honra de monumento nos E.U. E, verdade seja dita, davam muito trabalho: era a papa para as pupas, era a atenção para separar dos pais, as novas moscas assim que nasciam; era a contagem dos machos e das fêmeas, para depois se aplicarem os dados estatísticos e se tirarem conclusões.
Mas a Drosophila tem todas as condições para ser um excelente material de estudo genético em laboratório:
. Morfologia muito simples que permite verificar qualquer alteração;
. Cultura em frascos com papa;
. Gerações que se sucedem muito rapidamente;
. Pequeno número de cromossomas no genoma.
É à Drosophila que Thomas Morgan deve as conclusões a que chegou de ligação de certas características com os cromossomas sexuais, conclusões essas que apoiaram a teoria cromossómica da hetreditariedade.
A primeira prova foi a relação directa entre a cor dos olhos e o cromossoma X.
Como nas fêmeas há 2 cromossomas X, a cor dos olhos é determinada por 2 genes; nos machos, em que há só um cromossoma X é determinada por um único gene.
Geralmenta a Drosophila apresenta-se com olhos vermelhos, cor que domina o branco, que pode contudo aparecer em alguns exemplares, desde que o gene para branco apareça nos dois cromossomas.Para os machos terem olhos brancos basta o gene se encontrar no único cromossoma X.
Se cruzarmos machos de olhos brancos com fêmeas de olhos vermelhos todos os descendentes terão olhos vermelhos. Mas se forem as fêmeas de olhos brancos que cruzem com machos de olhos vermelhos, todas as fêmeas terão olhos vermelhos mas todos os machos serão de olhos brancos.  Foi Morgan que indicou assim que o caracter cor dos olhos está localizado no cromossoma X sem que no Y haja um alelo. Daí,  a transmissão não seguir as Leis estabelecidas.
E este foi um dos contributos da Drosophila para o desenvolvimento da Genética.
                                      Ir. M. teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 
 
 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Jesus à porta

"Estou à porta e bato... se alguém me ouvir virá comigo e Eu com ele"
Jesus está à porta mas não força a entrada; não exige que lhe abram a porta, que O acolham.
Não é exigente.
Às vezes é... mas isso é com os amigos, com aqueles que O aceitaram e O seguiram. Santa Teresa de Ávila bem dizia que era por essa exigência que Ele tinha tão poucos amigos...
Mas voltando a pensar num Jesus que não força a entrada, às vezes parece-nos uma situação contraditória quando pensamos nos milagres que Ele fazia. Não seria para se manifestar àqueles que O ignoravam, para forçar aqueles que não O conheciam?
É a tentação que se tem, pensando à nossa maneira humana, quando gostamos de aparecer, de nos evidenciar, de fazer coisas que os outros vejam. Mas Jesus não é assim. Se lermos com atenção os Evangelhos, se repararmos bem, constatamos que Ele fez milagres àqueles que já O tinham acolhido, que O tinham convidado a entrar, que, directa ou indirectamente, tinham manifestado a sua Fé.
Jesus não está só à porta. Também nos fala e espera que O oiçamos e vamos com Ele para poder ir connosco. É a Sua promessa de Amor!
Mas, porque não insiste, não obriga, não exige? Porque apenas espera, persistentemente, que Lhe demos atenção? É tão fácil que O não vejamos nas pequenas como nas grandes coisas da vida...
Quantas vezes choramos, desesperamos, sem nos lembrarmos que o grande Consolador está ali ao nosso lado, esperando apenas que O convidemos a entrar?
E nas grandes alegrias, quando tudo corre bem, lembramo-nos que à porta está Jesus esperando o nosso obrigada, o nosso reconhecimento?
Ele também estava lá, esperando que o recebêssemos na nossa casa, na nossa alegria partilhada, na nossa dor entregue...
                               Ir.M.Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
                               
 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Festa de Nossa Senhora das Dores

No sábado foi a festa de Nossa Senhora das Dores.
Faz sentido esta festa a seguir à Exaltação da Santa Cruz. É que Maria estava lá e foi a ela que Jesus entregou a humanidade, como seus filhos, na pessoa de S. João.
Fazia parte do Sim de Maria ser nossa mãe, estar junto à cruz de Jesus, assistir à Sua dor e à Sua morte, à Sua dádiva ao Pai.
Fazia parte do seu Sim dado na Anunciação.
Não sei exactamente o que rodeou o primeiro Sim de Maria: admiração, dúvida, incredulidade... Mas de certeza que não tinha já toda a carga de incompreensão, de dor, que o preencheria depois.
No entanto, foi já um Sim ao Amor de Deus, um Sim de correspondência ao convite que lhe era feito, um Sim sem restrições nem condições.
Na homilia da Missa da festa de Nossa Senhora, o sacerdote chamou a atenção para o facto de na nossa vida também haver muitos Sins a dizer e os primeiros serem sempre fáceis, rodeados de um ambiente de alegria, de certezas, de amizade.
É assim o Sim da Primeira Comunhão, do Crisma, do Casamento como da Profissão Religiosa ou do Sacerdócio.
É assim o sim do primeiro emprego, do primeiro compromisso, da primeira responsabilidade. Sins incondicionais, confiantes, sem avaliação de consequências.
Só depois é que chegam as dúvidas, as dificuldades, as angústias, a tentação de trocar o Sim pelo Não.
Mas então, é que é o momento de parar e pensar a quem e porquê se deu o primeiro Sim.
É que o Sim que damos, mais ou menos conscientemente, tem que ser, antes de mais nada, um sim ao Amor, como foi o de Maria. E o Amor, presidindo à nossa vida, não se deixa ultrapassar, não permite que as dúvidas se sobreponham às certezas.
Claro que o Amor, que é alegria e dom, também nos pede sacrifícios. Mas estes sacrifícios, estas dúvidas, estas dores, não podem fazer-nos esquecer os Sins que um dia dissemos nem o Amor a quem eles foram dirigidos.
Como Maria, junto à cruz, temos que tornar tão grande o primeiro Sim que englobe todas as dificuldades, receios e dores.
O Pai conta connosco e com o nosso Sim!
                                Ir. M.Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Festa da Exaltação da Santa Cruz

Esta é uma festa que pode deixar um pouco perplexos crentes e não crentes. É que exaltar a cruz parece uma contradição entre a dor e a alegria, a humilhação e  a glória.
Exaltar, diz o dicionário, é sinónimo de elevar, enaltecer, glorificar. E cruz, numa primeira visão, não mística, é algo de triste, doloroso, sacrificante. E, no tempo de Jesus, era mesmo a condenação mais infame, a reservada àqueles que não tinham classificação na sociedade.
 
Ninguém gosta de sofrer. Ou melhor, os masoquistas parece que têm prazer nisso mas são excepções...
O sofrimento é algo que aceitamos por amor, com maior ou menor entrega, mas que, habitualmente, não é a nossa primeira opção.
Mas, se pararmos e olharmos a cruz de Cristo e voltarmos a ler a descrição dos acontecimentos, como os Evangelhos nos relatam, parece que nos sentimos presentes, participantes da situação e que foi a nós que Jesus disse: Eis aí a tua mãe!
Olhamos a Cruz e vemos para além dela a Ressurreição.
Esquecemos o sofrimento, a humilhação, a angústia, tudo aquilo que fazia parte do dom total de adesão à vontade do Pai.
Só nos salta aos olhos o Cristo ressuscitado, Aquele cujo sofrimento nos salvou e libertou e nos convida a segui-Lo na Alegria do Amor.
A Exaltação da Santa Cruz está aqui: na absoluta glorificação do Amor de Cristo por nós.
É a certeza da Sua entrega à vontade do Pai e do Seu dom total aos Homens, na humildade, na simplicidade, no silêncio.
                                          Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Recomeçar

Quando as folhas amarelas começam a cair anunciando a chegada do Outono e o céu mais cinzento fica mais triste, as crianças e jovens invadem ruas e jardins, com a sua alegria, parecendo dizer que  a Primavera vem a caminho.
Ironia do destino, da vida, do tempo.
Realmente o Outono está a chegar mas o que já teve início foi o ano lectivo. E as crianças e jovens são convidadas a esquecer as férias e, com a sua alegria natural e esfuziante, começam a encher ruas e praças, animar autocarros, alegrar escolas, e dão algum simulacro de entusiasmo aos tristes e desiludidos da vida.
As aulas começaram!
Retoma-se a rotina mas com novos projectos, intenções, promessas...Recomeça-se a vida escolar mas mudam os livros, os professores, as aulas...Talvez a escola.
Recomeça-se, às vezes com alguma desilusão. É que, quando se pensa em recomeço, encaram-se as mudanças na expectativa de que o "hoje"nos traga o que o "ontem" nos não facultou e fazia parte dos nossos anseios e ambições.
Criamos ilusões, alimentamos sonhos impossíveis, acreditamos na possibilidade do "tudo", mesmo daquele que não conhecemos minimamente.
O recomeçar, sobretudo para os jovens, é como o esquecer o que foi e imaginar o que será, alicerçado em ideias vagas e ilusões criadas. Mas para os adultos também...
Por isso, se sentem muitas vezes frustrados, desiludidos, algumas vezes desanimados.
Mas, é preciso reagir!  
Olhemos o futuro com optimismo porque cada ano é, em si mesmo, uma novidade, pelas aprendizagens que se fazem, pelas descobertas que se conseguem, pelas amizades alimentadas, pelas aventuras sonhadas e realizadas.
Saibamos agradecer a oportunidade de mais um ano para viver, tendo a certeza de que é um dom que recebemos e não podemos desperdiçar.