quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Importância da Drosophila

Estava a tentar fazer um trabalho que exigia alguma concentração e uma mosca importuna tentava distrair-me, voando à minha volta.
Depois de várias tentativas infrutíferas, acabei por matá-la. Então, lembrei-me do esforço que fazíamos na Faculdade para obter, conservar e desenvolver as "moscas de estimação" utilizadas nos nossos trabalhos.
Claro que não eram estas moscas vulgares, mas a célebre Drosophila melanogaster que mereceu honra de monumento nos E.U. E, verdade seja dita, davam muito trabalho: era a papa para as pupas, era a atenção para separar dos pais, as novas moscas assim que nasciam; era a contagem dos machos e das fêmeas, para depois se aplicarem os dados estatísticos e se tirarem conclusões.
Mas a Drosophila tem todas as condições para ser um excelente material de estudo genético em laboratório:
. Morfologia muito simples que permite verificar qualquer alteração;
. Cultura em frascos com papa;
. Gerações que se sucedem muito rapidamente;
. Pequeno número de cromossomas no genoma.
É à Drosophila que Thomas Morgan deve as conclusões a que chegou de ligação de certas características com os cromossomas sexuais, conclusões essas que apoiaram a teoria cromossómica da hetreditariedade.
A primeira prova foi a relação directa entre a cor dos olhos e o cromossoma X.
Como nas fêmeas há 2 cromossomas X, a cor dos olhos é determinada por 2 genes; nos machos, em que há só um cromossoma X é determinada por um único gene.
Geralmenta a Drosophila apresenta-se com olhos vermelhos, cor que domina o branco, que pode contudo aparecer em alguns exemplares, desde que o gene para branco apareça nos dois cromossomas.Para os machos terem olhos brancos basta o gene se encontrar no único cromossoma X.
Se cruzarmos machos de olhos brancos com fêmeas de olhos vermelhos todos os descendentes terão olhos vermelhos. Mas se forem as fêmeas de olhos brancos que cruzem com machos de olhos vermelhos, todas as fêmeas terão olhos vermelhos mas todos os machos serão de olhos brancos.  Foi Morgan que indicou assim que o caracter cor dos olhos está localizado no cromossoma X sem que no Y haja um alelo. Daí,  a transmissão não seguir as Leis estabelecidas.
E este foi um dos contributos da Drosophila para o desenvolvimento da Genética.
                                      Ir. M. teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 
 
 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Jesus à porta

"Estou à porta e bato... se alguém me ouvir virá comigo e Eu com ele"
Jesus está à porta mas não força a entrada; não exige que lhe abram a porta, que O acolham.
Não é exigente.
Às vezes é... mas isso é com os amigos, com aqueles que O aceitaram e O seguiram. Santa Teresa de Ávila bem dizia que era por essa exigência que Ele tinha tão poucos amigos...
Mas voltando a pensar num Jesus que não força a entrada, às vezes parece-nos uma situação contraditória quando pensamos nos milagres que Ele fazia. Não seria para se manifestar àqueles que O ignoravam, para forçar aqueles que não O conheciam?
É a tentação que se tem, pensando à nossa maneira humana, quando gostamos de aparecer, de nos evidenciar, de fazer coisas que os outros vejam. Mas Jesus não é assim. Se lermos com atenção os Evangelhos, se repararmos bem, constatamos que Ele fez milagres àqueles que já O tinham acolhido, que O tinham convidado a entrar, que, directa ou indirectamente, tinham manifestado a sua Fé.
Jesus não está só à porta. Também nos fala e espera que O oiçamos e vamos com Ele para poder ir connosco. É a Sua promessa de Amor!
Mas, porque não insiste, não obriga, não exige? Porque apenas espera, persistentemente, que Lhe demos atenção? É tão fácil que O não vejamos nas pequenas como nas grandes coisas da vida...
Quantas vezes choramos, desesperamos, sem nos lembrarmos que o grande Consolador está ali ao nosso lado, esperando apenas que O convidemos a entrar?
E nas grandes alegrias, quando tudo corre bem, lembramo-nos que à porta está Jesus esperando o nosso obrigada, o nosso reconhecimento?
Ele também estava lá, esperando que o recebêssemos na nossa casa, na nossa alegria partilhada, na nossa dor entregue...
                               Ir.M.Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.
                               
 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Festa de Nossa Senhora das Dores

No sábado foi a festa de Nossa Senhora das Dores.
Faz sentido esta festa a seguir à Exaltação da Santa Cruz. É que Maria estava lá e foi a ela que Jesus entregou a humanidade, como seus filhos, na pessoa de S. João.
Fazia parte do Sim de Maria ser nossa mãe, estar junto à cruz de Jesus, assistir à Sua dor e à Sua morte, à Sua dádiva ao Pai.
Fazia parte do seu Sim dado na Anunciação.
Não sei exactamente o que rodeou o primeiro Sim de Maria: admiração, dúvida, incredulidade... Mas de certeza que não tinha já toda a carga de incompreensão, de dor, que o preencheria depois.
No entanto, foi já um Sim ao Amor de Deus, um Sim de correspondência ao convite que lhe era feito, um Sim sem restrições nem condições.
Na homilia da Missa da festa de Nossa Senhora, o sacerdote chamou a atenção para o facto de na nossa vida também haver muitos Sins a dizer e os primeiros serem sempre fáceis, rodeados de um ambiente de alegria, de certezas, de amizade.
É assim o Sim da Primeira Comunhão, do Crisma, do Casamento como da Profissão Religiosa ou do Sacerdócio.
É assim o sim do primeiro emprego, do primeiro compromisso, da primeira responsabilidade. Sins incondicionais, confiantes, sem avaliação de consequências.
Só depois é que chegam as dúvidas, as dificuldades, as angústias, a tentação de trocar o Sim pelo Não.
Mas então, é que é o momento de parar e pensar a quem e porquê se deu o primeiro Sim.
É que o Sim que damos, mais ou menos conscientemente, tem que ser, antes de mais nada, um sim ao Amor, como foi o de Maria. E o Amor, presidindo à nossa vida, não se deixa ultrapassar, não permite que as dúvidas se sobreponham às certezas.
Claro que o Amor, que é alegria e dom, também nos pede sacrifícios. Mas estes sacrifícios, estas dúvidas, estas dores, não podem fazer-nos esquecer os Sins que um dia dissemos nem o Amor a quem eles foram dirigidos.
Como Maria, junto à cruz, temos que tornar tão grande o primeiro Sim que englobe todas as dificuldades, receios e dores.
O Pai conta connosco e com o nosso Sim!
                                Ir. M.Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Festa da Exaltação da Santa Cruz

Esta é uma festa que pode deixar um pouco perplexos crentes e não crentes. É que exaltar a cruz parece uma contradição entre a dor e a alegria, a humilhação e  a glória.
Exaltar, diz o dicionário, é sinónimo de elevar, enaltecer, glorificar. E cruz, numa primeira visão, não mística, é algo de triste, doloroso, sacrificante. E, no tempo de Jesus, era mesmo a condenação mais infame, a reservada àqueles que não tinham classificação na sociedade.
 
Ninguém gosta de sofrer. Ou melhor, os masoquistas parece que têm prazer nisso mas são excepções...
O sofrimento é algo que aceitamos por amor, com maior ou menor entrega, mas que, habitualmente, não é a nossa primeira opção.
Mas, se pararmos e olharmos a cruz de Cristo e voltarmos a ler a descrição dos acontecimentos, como os Evangelhos nos relatam, parece que nos sentimos presentes, participantes da situação e que foi a nós que Jesus disse: Eis aí a tua mãe!
Olhamos a Cruz e vemos para além dela a Ressurreição.
Esquecemos o sofrimento, a humilhação, a angústia, tudo aquilo que fazia parte do dom total de adesão à vontade do Pai.
Só nos salta aos olhos o Cristo ressuscitado, Aquele cujo sofrimento nos salvou e libertou e nos convida a segui-Lo na Alegria do Amor.
A Exaltação da Santa Cruz está aqui: na absoluta glorificação do Amor de Cristo por nós.
É a certeza da Sua entrega à vontade do Pai e do Seu dom total aos Homens, na humildade, na simplicidade, no silêncio.
                                          Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Recomeçar

Quando as folhas amarelas começam a cair anunciando a chegada do Outono e o céu mais cinzento fica mais triste, as crianças e jovens invadem ruas e jardins, com a sua alegria, parecendo dizer que  a Primavera vem a caminho.
Ironia do destino, da vida, do tempo.
Realmente o Outono está a chegar mas o que já teve início foi o ano lectivo. E as crianças e jovens são convidadas a esquecer as férias e, com a sua alegria natural e esfuziante, começam a encher ruas e praças, animar autocarros, alegrar escolas, e dão algum simulacro de entusiasmo aos tristes e desiludidos da vida.
As aulas começaram!
Retoma-se a rotina mas com novos projectos, intenções, promessas...Recomeça-se a vida escolar mas mudam os livros, os professores, as aulas...Talvez a escola.
Recomeça-se, às vezes com alguma desilusão. É que, quando se pensa em recomeço, encaram-se as mudanças na expectativa de que o "hoje"nos traga o que o "ontem" nos não facultou e fazia parte dos nossos anseios e ambições.
Criamos ilusões, alimentamos sonhos impossíveis, acreditamos na possibilidade do "tudo", mesmo daquele que não conhecemos minimamente.
O recomeçar, sobretudo para os jovens, é como o esquecer o que foi e imaginar o que será, alicerçado em ideias vagas e ilusões criadas. Mas para os adultos também...
Por isso, se sentem muitas vezes frustrados, desiludidos, algumas vezes desanimados.
Mas, é preciso reagir!  
Olhemos o futuro com optimismo porque cada ano é, em si mesmo, uma novidade, pelas aprendizagens que se fazem, pelas descobertas que se conseguem, pelas amizades alimentadas, pelas aventuras sonhadas e realizadas.
Saibamos agradecer a oportunidade de mais um ano para viver, tendo a certeza de que é um dom que recebemos e não podemos desperdiçar. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Honrar pai e mãe...

Todos os dias a TV e os jornais nos inundam com notícias mais ou menos impressionantes. Ora é a "crise" e suas consequências dramáticas, ora são os fogos e os milhares de quilómetros ardidos, ora são os assaltos e agressões.
Mas hoje li uma notícia, de há já algumas semanas, que me deixou angustiada: filho que agride pai idoso. Não é a primeira vez que são divulgadas notícias destas, mas sempre fico chocada e a perguntar-me quem são estes filhos que agridem os seus pais? Quem são estes homens e mulheres que atacam, mesmo que seja verbalmente, aqueles que lhes deram o ser e merecem o seu respeito, se não o seu amor?
Estão completamente esquecidos dum mandamento que já vem do Antigo Testamento: "Honrarás teu pai e tua mãe..." 
Será que estes pais têm a sua quota parte de culpa na atitude dos filhos? Talvez não lhes tenham dado a atenção que eles precisavam; talvez não lhes mostrassem o amor que eles necessitavam; talvez não lhes manifestassem o afecto que sentiam por eles, porque lhes custava exteriorizar os seus sentimentos. Talvez!
Ou quem sabe? na ânsia de os compensarem, de satisfazerem os seus caprichos, por maiores que fossem, deram-lhes coisas demais, presentearam-nos demasiado, tiveram em atenção as suas exigências e não souberam dizer "Não".
Não lhes ensinaram a partilhar, não lhes mostraram a alegria de dar, não lhes fizeram saber que na vida há dificuldades e contrariedades.
Assim, cresceram crianças, adolescentes, e jovens egoistas, insensíveis, egocêntricos.
Não amam os pais, não os respeitam, não dividem com eles os seus interesses e as suas aspirações. Ficam de tal maneira fechados em si mesmos que se tornam agressivos , violentos, insatisfeitos consigo e com a vida.
Mesmo sem falar em mandamentos, onde está a solidariedade e o carinho que nos devem merecer as pessoas idosas?
Elas são muitas vezes um testemunho de vida, a herança que nos fica de valores, de saberes, de atitude de humanidade.
 
Deus diz-nos para respeitarmos os nossos pais mas nem devia ser preciso. Ele dá-nos o Seu exemplo, o Seu testemunho de Amor.
                                              Ir. M. teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.
 

domingo, 9 de setembro de 2012

Interioridade-ativismo

O estar desocupado é algo que influencia negativamente a nossa satisfação pessoal, a disposição com que acolhemos os outros, o modo como olhamos a Vida e as coisas.
Deixar correr as horas e os dias, sem lhes dar uma ocupação útil causa em nós angústias, neurastenias, desinteresses.
É que não se trata de fazer uma pausa, de criar um momento de descanso, de reflexão, indispensáveis depois duma tarefa árdua. Não! É simplesmente gastar o tempo, deixar que os dias passem, uns após outros.
Talvez para não chegarmos a esta situação ou por deformação própria, muitas vezes ocupamo-nos demasiado, num frenesim de actividades, de trabalhos, de ocupações, muitas sem razão e que causam stress e são incontroláveis.
Passamos a não ter tempo para nada, não conseguimos perfeição no que fazemos e não nos satisfaz aquilo com que preenchemos os dias.
Não há tempo para os Amigos, não arranjamos espaço para reflectir e nem Deus consegue um lugarzinho para nos falar...
Não nos lembramos que há mais Vida para além do trabalho e que existe mesmo uma parte muito importante da nossa vida a que temos que dar atenção, que contempla o trabalho mas que está acima dele. E essa porção da Vida que nos escapa somos nós mesmos, a nossa relação com o Pai, as nossas motivações para o trabalho, os valores porque lutamos e que colocamos nas nossas relações com os outros.
Temos sempre uma boa desculpa para não deixar o trabalho, não interromper as actividades: É preciso!... Tem que ser!...
Mas ainda é mais necessário parar para reflectir, para nos pormos diante de Deus e percebermos se trabalhamos por Ele  ou simplesmente para termos uma razão para O não ouvir.
É preciso parar, fazer silêncio e ouvir o nosso coração, analisar as nossas verdades e compará-las com a Verdade que é Deus.
É necessário sermos capazes de enfrentar os nossos "medos" do silêncio e da solidão porque neles está Aquele que nos procura e nos quer dar a resposta às nossas inquietações e às nossas dúvidas.
                                        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.P.