segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Festa de Nossa Senhora das Dores

No sábado foi a festa de Nossa Senhora das Dores.
Faz sentido esta festa a seguir à Exaltação da Santa Cruz. É que Maria estava lá e foi a ela que Jesus entregou a humanidade, como seus filhos, na pessoa de S. João.
Fazia parte do Sim de Maria ser nossa mãe, estar junto à cruz de Jesus, assistir à Sua dor e à Sua morte, à Sua dádiva ao Pai.
Fazia parte do seu Sim dado na Anunciação.
Não sei exactamente o que rodeou o primeiro Sim de Maria: admiração, dúvida, incredulidade... Mas de certeza que não tinha já toda a carga de incompreensão, de dor, que o preencheria depois.
No entanto, foi já um Sim ao Amor de Deus, um Sim de correspondência ao convite que lhe era feito, um Sim sem restrições nem condições.
Na homilia da Missa da festa de Nossa Senhora, o sacerdote chamou a atenção para o facto de na nossa vida também haver muitos Sins a dizer e os primeiros serem sempre fáceis, rodeados de um ambiente de alegria, de certezas, de amizade.
É assim o Sim da Primeira Comunhão, do Crisma, do Casamento como da Profissão Religiosa ou do Sacerdócio.
É assim o sim do primeiro emprego, do primeiro compromisso, da primeira responsabilidade. Sins incondicionais, confiantes, sem avaliação de consequências.
Só depois é que chegam as dúvidas, as dificuldades, as angústias, a tentação de trocar o Sim pelo Não.
Mas então, é que é o momento de parar e pensar a quem e porquê se deu o primeiro Sim.
É que o Sim que damos, mais ou menos conscientemente, tem que ser, antes de mais nada, um sim ao Amor, como foi o de Maria. E o Amor, presidindo à nossa vida, não se deixa ultrapassar, não permite que as dúvidas se sobreponham às certezas.
Claro que o Amor, que é alegria e dom, também nos pede sacrifícios. Mas estes sacrifícios, estas dúvidas, estas dores, não podem fazer-nos esquecer os Sins que um dia dissemos nem o Amor a quem eles foram dirigidos.
Como Maria, junto à cruz, temos que tornar tão grande o primeiro Sim que englobe todas as dificuldades, receios e dores.
O Pai conta connosco e com o nosso Sim!
                                Ir. M.Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Festa da Exaltação da Santa Cruz

Esta é uma festa que pode deixar um pouco perplexos crentes e não crentes. É que exaltar a cruz parece uma contradição entre a dor e a alegria, a humilhação e  a glória.
Exaltar, diz o dicionário, é sinónimo de elevar, enaltecer, glorificar. E cruz, numa primeira visão, não mística, é algo de triste, doloroso, sacrificante. E, no tempo de Jesus, era mesmo a condenação mais infame, a reservada àqueles que não tinham classificação na sociedade.
 
Ninguém gosta de sofrer. Ou melhor, os masoquistas parece que têm prazer nisso mas são excepções...
O sofrimento é algo que aceitamos por amor, com maior ou menor entrega, mas que, habitualmente, não é a nossa primeira opção.
Mas, se pararmos e olharmos a cruz de Cristo e voltarmos a ler a descrição dos acontecimentos, como os Evangelhos nos relatam, parece que nos sentimos presentes, participantes da situação e que foi a nós que Jesus disse: Eis aí a tua mãe!
Olhamos a Cruz e vemos para além dela a Ressurreição.
Esquecemos o sofrimento, a humilhação, a angústia, tudo aquilo que fazia parte do dom total de adesão à vontade do Pai.
Só nos salta aos olhos o Cristo ressuscitado, Aquele cujo sofrimento nos salvou e libertou e nos convida a segui-Lo na Alegria do Amor.
A Exaltação da Santa Cruz está aqui: na absoluta glorificação do Amor de Cristo por nós.
É a certeza da Sua entrega à vontade do Pai e do Seu dom total aos Homens, na humildade, na simplicidade, no silêncio.
                                          Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Recomeçar

Quando as folhas amarelas começam a cair anunciando a chegada do Outono e o céu mais cinzento fica mais triste, as crianças e jovens invadem ruas e jardins, com a sua alegria, parecendo dizer que  a Primavera vem a caminho.
Ironia do destino, da vida, do tempo.
Realmente o Outono está a chegar mas o que já teve início foi o ano lectivo. E as crianças e jovens são convidadas a esquecer as férias e, com a sua alegria natural e esfuziante, começam a encher ruas e praças, animar autocarros, alegrar escolas, e dão algum simulacro de entusiasmo aos tristes e desiludidos da vida.
As aulas começaram!
Retoma-se a rotina mas com novos projectos, intenções, promessas...Recomeça-se a vida escolar mas mudam os livros, os professores, as aulas...Talvez a escola.
Recomeça-se, às vezes com alguma desilusão. É que, quando se pensa em recomeço, encaram-se as mudanças na expectativa de que o "hoje"nos traga o que o "ontem" nos não facultou e fazia parte dos nossos anseios e ambições.
Criamos ilusões, alimentamos sonhos impossíveis, acreditamos na possibilidade do "tudo", mesmo daquele que não conhecemos minimamente.
O recomeçar, sobretudo para os jovens, é como o esquecer o que foi e imaginar o que será, alicerçado em ideias vagas e ilusões criadas. Mas para os adultos também...
Por isso, se sentem muitas vezes frustrados, desiludidos, algumas vezes desanimados.
Mas, é preciso reagir!  
Olhemos o futuro com optimismo porque cada ano é, em si mesmo, uma novidade, pelas aprendizagens que se fazem, pelas descobertas que se conseguem, pelas amizades alimentadas, pelas aventuras sonhadas e realizadas.
Saibamos agradecer a oportunidade de mais um ano para viver, tendo a certeza de que é um dom que recebemos e não podemos desperdiçar. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Honrar pai e mãe...

Todos os dias a TV e os jornais nos inundam com notícias mais ou menos impressionantes. Ora é a "crise" e suas consequências dramáticas, ora são os fogos e os milhares de quilómetros ardidos, ora são os assaltos e agressões.
Mas hoje li uma notícia, de há já algumas semanas, que me deixou angustiada: filho que agride pai idoso. Não é a primeira vez que são divulgadas notícias destas, mas sempre fico chocada e a perguntar-me quem são estes filhos que agridem os seus pais? Quem são estes homens e mulheres que atacam, mesmo que seja verbalmente, aqueles que lhes deram o ser e merecem o seu respeito, se não o seu amor?
Estão completamente esquecidos dum mandamento que já vem do Antigo Testamento: "Honrarás teu pai e tua mãe..." 
Será que estes pais têm a sua quota parte de culpa na atitude dos filhos? Talvez não lhes tenham dado a atenção que eles precisavam; talvez não lhes mostrassem o amor que eles necessitavam; talvez não lhes manifestassem o afecto que sentiam por eles, porque lhes custava exteriorizar os seus sentimentos. Talvez!
Ou quem sabe? na ânsia de os compensarem, de satisfazerem os seus caprichos, por maiores que fossem, deram-lhes coisas demais, presentearam-nos demasiado, tiveram em atenção as suas exigências e não souberam dizer "Não".
Não lhes ensinaram a partilhar, não lhes mostraram a alegria de dar, não lhes fizeram saber que na vida há dificuldades e contrariedades.
Assim, cresceram crianças, adolescentes, e jovens egoistas, insensíveis, egocêntricos.
Não amam os pais, não os respeitam, não dividem com eles os seus interesses e as suas aspirações. Ficam de tal maneira fechados em si mesmos que se tornam agressivos , violentos, insatisfeitos consigo e com a vida.
Mesmo sem falar em mandamentos, onde está a solidariedade e o carinho que nos devem merecer as pessoas idosas?
Elas são muitas vezes um testemunho de vida, a herança que nos fica de valores, de saberes, de atitude de humanidade.
 
Deus diz-nos para respeitarmos os nossos pais mas nem devia ser preciso. Ele dá-nos o Seu exemplo, o Seu testemunho de Amor.
                                              Ir. M. teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.
 

domingo, 9 de setembro de 2012

Interioridade-ativismo

O estar desocupado é algo que influencia negativamente a nossa satisfação pessoal, a disposição com que acolhemos os outros, o modo como olhamos a Vida e as coisas.
Deixar correr as horas e os dias, sem lhes dar uma ocupação útil causa em nós angústias, neurastenias, desinteresses.
É que não se trata de fazer uma pausa, de criar um momento de descanso, de reflexão, indispensáveis depois duma tarefa árdua. Não! É simplesmente gastar o tempo, deixar que os dias passem, uns após outros.
Talvez para não chegarmos a esta situação ou por deformação própria, muitas vezes ocupamo-nos demasiado, num frenesim de actividades, de trabalhos, de ocupações, muitas sem razão e que causam stress e são incontroláveis.
Passamos a não ter tempo para nada, não conseguimos perfeição no que fazemos e não nos satisfaz aquilo com que preenchemos os dias.
Não há tempo para os Amigos, não arranjamos espaço para reflectir e nem Deus consegue um lugarzinho para nos falar...
Não nos lembramos que há mais Vida para além do trabalho e que existe mesmo uma parte muito importante da nossa vida a que temos que dar atenção, que contempla o trabalho mas que está acima dele. E essa porção da Vida que nos escapa somos nós mesmos, a nossa relação com o Pai, as nossas motivações para o trabalho, os valores porque lutamos e que colocamos nas nossas relações com os outros.
Temos sempre uma boa desculpa para não deixar o trabalho, não interromper as actividades: É preciso!... Tem que ser!...
Mas ainda é mais necessário parar para reflectir, para nos pormos diante de Deus e percebermos se trabalhamos por Ele  ou simplesmente para termos uma razão para O não ouvir.
É preciso parar, fazer silêncio e ouvir o nosso coração, analisar as nossas verdades e compará-las com a Verdade que é Deus.
É necessário sermos capazes de enfrentar os nossos "medos" do silêncio e da solidão porque neles está Aquele que nos procura e nos quer dar a resposta às nossas inquietações e às nossas dúvidas.
                                        Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.P. 
 
 

sábado, 8 de setembro de 2012

Natividade de Maria

Não tenho nada a pedir nada para dar.
Venho somente Mãe para te olhar.

Olhar-te, chorar de alegria, sabendo apenas isto:
Que eu sou teu filho e tu estás aqui, Mãe de Jesus Cristo!

Ao menos por um momento enquanto tudo pára
Estar contigo neste lugar em que estás, ó Maria.

Nada dizer, olhar-te simplesmente o rosto
E deixar o coração cantar a seu gosto.

Porque tu és bela, porque tu és imaculada
A mulher na graça reintegrada.

A criatura na sua honra primeira e na plenitude final,
Tal como saiu das mãos de Deus, no seu esplendor inicial.

Porque estás sempre aí, porque existes, simplesmente por isto,
Eu te agradeço, Mãe de Jesus Cristo.
                                                       Paul Claudel

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Acção e oração

Vi no blog dum amigo meu algo sobre a necessidade de fazer uma oração antes de empreender qualquer tarefa por ínfima que fosse. Era um excerto de Alexandre Eltchaminoff  em que ele dizia que, com a oração, pedíamos que a virtude divina descesse sobre a nossa acção e assim, ela não podia nunca ser má.
Que descanso, para os nossos corações, quando as nossas acções não nos nos satisfazem plenamente!
Precisamos é de começar pela oração...
Lembro-me de que, quando era criança, me ensinaram que o primeiro pensamento do dia devia ser para o Pai do Céu para que tudo corresse bem. E este "correr bem" compreendi-o depois, era nem mais nem menos do que cumprir a vontade de Deus. 
Com o tempo, o conhecimento e a experiência, fui-me habituando a entregar ao Pai cada um dos meus trabalhos, ao mesmo tempo que Lhe agradecia cada alegria que me era proporcionada e Lhe pedia perdão por cada desvio do cumprimento do dever.
Claro que quando digo que me fui habituando, estou a ser demasiado optimista, porque entre o projecto e a realidade há sempre um abismo a separá-los.
Mas o importante não é querer? não é ter a intenção de fazer, com entusiasmo e persistência? Calem-se os "velhos do Restelo" que não acreditam em boas intenções. Elas existem e realizam-se quando alicerçadas na Fé e têm por base a vontade.
Como educadora, como transmissora dos valores da Fé, eu gostava de ajudar os outros a entenderem o valor da Oração.
Mas o que é rezar?
Dizer orações consagradas, como o Rosário, frases feitas que nos ensinaram em pequenos, textos dos quais as palavras nem sempre traduzem os nossos sentimentos... Certamente! Mas rezar é muito mais do que isso. É estabelecer um diálogo silencioso com o Pai; é fazer silêncio e ouvir o que Ele tem para nos dizer; é contar-lhe as angústias e alegrias do nosso coração.
É ficar a olhar o sacrário e perguntar-nos porque razão o Amor levaria Deus a ficar ali presente para nos acolher, consolar, pedir...
Desejaria que todos os que se cruzam comigo compreendessem como é importante, antes de começar qualquer tarefa, ter um pensamento para Deus, com a certeza de que Ele estará presente e tornará dom a nossa simples acção.
Neste momento, em que só se fala de tristeza, falta de confiança, crise, é altura de elevar o coração ao Céu  e com um sorriso nos lábios e a confiança da criança, enfrentar o dia que começa.
                              Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.