quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ramalhão - 70 anos

Foi há 70 anos  que o Colégio do Ramalhão deu os primeiros passos, com um pequeno número de alunas internas.
Mas foi notícia de Jornal : " Abriu em Sintra um internato para meninas..." Estávamos em 1942
Hoje, os mesmos objectivos, os mesmos ideais, apesar das vicissitudes, das alterações de mentalidades, das modificações na vida e nos valores.
Começámos as festividades dos 70 anos com um Encontro de Antigas Alunas, em Maio passado. Vamos encerrá-las no próximo Maio, com novo Encontro, no 1º sábado, como de costume.

Entretanto, a 15 de Outubro, teremos uma Tarde Aberta, com actividades, para Pais, Antigos e actuais alunos.
Mas antes, no dia 2 de Outubro, haverá uma Missa de acção de graças, pelas 11 horas, na Igreja de S. Domingos, em Lisboa. Agradeceremos as graças e os dons recebidos por nós e por quantos passaram por esta casa.
Juntamos esta comemoração à dos 175 anos de nascimento da nossa Fundadora- Madre Teresa de Saldanha Oliveira e Sousa.
Sem ela, não haveria Congregação e, portanto, não existiria o Ramalhão.

Teresa de Saldanha Nasceu em Lisboa e desde muito nova teve uma grande preocupação com a educação da juventude. Talvez porque sempre acompanhou a mãe nas suas obras de assistência e caridade.
Era uma jovem como as outras da socidade do seu tempo e teve uma educação esmerada em que se inseria a música e a pintura.
Foi mesmo ao pintar o quadro do Ecce Homo que sentiu o apelo de Deus para a vida religiosa, apelo esse a que não queria nem podia resistir.
Mas o pai nunca consentiria que ela fosse religiosa até porque as Congregações estavam a ser expulsas e os conventos fechados, à medida que morria a última freira.
Teresa ultrapassou a situação, ficando em Portugal, mas mandando para a Irlanda as duas primeiras candidatas.
Estas fizeram lá o seu Noviciado e regressaram para uma casa em Lisboa, que a Madre Fundadora já lhes tinha preparado. A pouco e pouco, a Congregação foi crescendo e multiplicando o número de casas.
Depois da morte do pai, Teresa entrou na Congregação, Professou e foi eleita Superiora geral.
Com a República, parecia que tudo se ia desmorenar, mas não. Foi o impulso para a dispersão e solidificação da Obra, espalhando-a por vários países.
O Colégio do Ramalhão nasce 30 anos depois. Festeja este ano, o seu 70º aniversário. Juntemo-nos todos e celebremos este acontecimento, continuando a acreditar que, "Quando a Obra é de Deus, Ele olhará por ela". (T. de Saldanha)
                                                                          Ir. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Degelo na Gronelândia

Vi há pouco tempo  a notícia na internet  e fiquei intrigada e algo surpreendida: na Gronelândia, nos últimos 4 dias, derreteu 97% da camada de gelo que cobre o país.
Temos que concordar que é algo de aterrador e que levanta inúmeras interrogações.
Se não fosse a Nasa a dar a notícia até podíamos ter dúvidas. Aliás, parece que, ao princípio, nem eles queriam acreditar...
Que este ano o Verão tem sido anormal, todos nós o podemos afirmar; que todos os anos, por esta altura, mais ou menos metade da camada  de gelo que cobre a Gronelândia derrete, é dado adquirido e do conhecimento de quem estuda estes assuntos... Mas assim um fenómeno tão repentino, é motivo para nos interrogarmos: o que está a acontecer?
Os cientistas da Nasa estão preocupados e devem ter motivos para isso. Certamente sabem mais do que aquilo que divulgam...
E as consequências destes fenómenos podem ser catastróficas:
- por um lado, a subida do nível do mar, com a possibilidade de invasão das zonas costeiras pelas águas;
- por outro, o aquecimento do Artico, com consequências ainda nâo comensuráveis.

Como podemos lutar contra tudo isto?
Serão também causas humanas que influenciam estes fenómenos? Teremos alguma responsabilidade no que se passa?
Os cientistas apontam como possíveis causas a cúpula de calor que cobriu o país ou a vaga de ar quente que o invadiu.
Por enquanto parece que pouco ou nada mais se sabe. É um fenómeno da natureza...
E nós, que temos Fé, continuamos acreditando que Deus preside à evolução do Universo e "nada acontece por acaso".
                                   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.


Entre Mateus e Miqueias

Estive a ler aquela passagem do Evangelho de S. Mateus em que Jesus fala às multidões , convidando-as a segui-lo. Jesus mostra-se compadecido por eles estarem oprimidos pelo fardo da Lei, pelo jugo dos mil preceitos e obrigações que ela lhes impõe. E convida-os: "Vinde a mim... o meu jugo é suave e o meu fardo leve" Mt. 11,30
É um convite que Jesus lhes faz, o mesmo que nos faz a nós que estamos cabisbaixos com o peso dos nossos problemas, curvados pelas desilusões, as tentações , as neurastenias... "Vinde a Mim"...
O Seu jugo é suave e leve o fardo que nos impõe porque a sua Lei é a Lei da Misericórdia, do Perdão, do Amor.
Porque será que nem sempre a entendemos até ao fim, para a viver com entusiasmo, de coração aberto?  Para a fazermos orientação para a nossa vida,apesar de tudo e apenas porque Sim...

 De repente, não sei porquê, recordei a Profecia de Miqueias, dirigida a um povo ingrato, pecador, que se afastou dum Deus que tudo fez por ele:
"Povo meu, que te fiz?
 Em que te contristei? (miq.6,3)
Já tinha ouvido estas frases em forma de pergunta e de lamento, mas nunca me tinham impressionado como hoje. É Deus a dirigir-se a nós , invertendo os papéis, como se fôssemos nós os ofendidos... Perguntando-nos a causa das nossas dúvidas, das nossas inquietações, do nosso afastamento.
Que queremos que Deus nos faça mais, Ele que está sempre presente e pronto a acolher-nos?
E continua a convidar-nos: "Vinde a Mim... e aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração".
É um pedido a que se junta uma promessa "Achareis alívio para as vossas almas"
É nesta mansidão, nesta humildade, nesta entrega a Deus, nesta oferta sem cálculos nem restrições, nesta resposta simples à pergunta do Senhor, que encontramos consolo para as nossas dores, alívio para os nossos corações.

      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.





terça-feira, 24 de julho de 2012

Odres novos e velhos...

"Vinho novo em odres novos,
Pano novo em fato novo"
                   Mat.9,19
São orientações dadas por Jesus ao grupo que O escutava mas são válidas para nós, hoje e aqui.
É o convite ao àmanhã, à conversão, a deixar o que há de velho em nós e construir o futuro, o novo, o ignorado, com tudo aquilo que deixámos.
Não vale a pena ficar a olhar o passado e lamentar os erros cometidos. Não adianta "chorar sobre leite derramado". Não temos o direito de analisar escolhas feitas ou caminhos percorridos.
Temos é que pôr mãos à obra e iniciar uma vida nova, com novo entusiasmo e novas convicções.
Ficar simplesmente no que se fez e não se devia ter feito, ou no que falta fazer e não foi feito, é "deitar vinho novo em odres velhos"e desperdiçar o vinho ; é malbaratar forças a chorar sobre mal sem remédio mas que pode ser reparado com arrependimento e um recomeço sério.

Quem põe "remendos de pano novo em fatos estragados" está a construir sobre a areia; simplesmente a "tapar o sol com a peneira"; a fingir que mudou alguma coisa.
Quando fazemos isto, não queremos uma autêntica conversão, que exige de nós o mudar completamente, o largar tudo o que era velho e construir um Homem novo à imagem de Jesus Cristo.
Quando fazemos isto, estamos a enganar-nos, julgando enganar Deus. Estamos a prometer uma conversão, baseada em ficção.

Não sejamos assim, não deixemos que o vento nos arraste a seu belo prazer. Mudemos verdadeiramente; deixemos o que está menos bem e teremos a Felicidade prometida por Deus.
Ele está sempre presente, olha-nos com carinho e esquece os nossos fracassos.

                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Missionar é...

Ouvi outro dia uma entrevista a um grupo de jovens, falando entusiasmados no seu desejo de ir fazer uma experiência de Missão em terras de Africa.
Realmente quando se fala em Missões, pensamos logo em terras distantes, em gentes que não conhecem o Evangelho, que nunca ouviram falar de Jesus Cristo.
E o verbo que se conjuga imediatamente é IR.
Mas missionar não é apenas ir. Tanto assim que a padroeira das Missões é Santa Teresinha de Lisieux que, eu saiba, nunca saiu do seu convento.
Então será que missionar é rezar ou pregar num dia particular? Ou dar uma esmola especial ou ler notícias sobre o assunto? É que até há um dia determinado  para celebrar as Missões- 21 de Outubro...
Para mim, ser missionário é , antes de tudo,saber olhar para o outro e transmitir-lhe o nosso dom: o Amor, o afecto, a disponibilidade, o conhecimento, a Fé.
É estar atento às suas necessidades; é estar presente.
Todo o baptizado, todo aquele que é por excelência, o portador da Verdade, deve mostrar-se capaz de a dar gratuitamente aos outros, aos que dela necessitam, aos seus Amigos, mas não só nem especialmente. Temos que ser testemunhos do Evangelho, do Amor do Pai por nós, da sua condescendência, da Sua presença, do Seu perdão.
Muitos, sobretudo jovens, mas não só, têm o entusiasmo pelas terras em que o conhecimento de Jesus Cristo não chegou. É a "missão ad gentes". Mas muitos no seu trabalho, no seu prédio, na sua escola, na sua família, dão também testemunho da Verdade, da Lealdade, da Fraternidade. São os missionários "ad intra", aqueles que ensinam sobretudo com o seu exemplo.


Todos nós, baptizados, somos chamados a testemunhar com as nossas vidas  a realidade de sermos filhos de Deus, escolhidos por Jesus Cristo, herdeiros do Evangelho.
Acreditemos que onde houver um cristão aí estará um missionário que leva consigo a Boa Nova do Reino de Deus.
É Ele que nos chamou, conta connosco. Não O podemos desiludir.

 Ir. Maria Teresa Carvalho Ribeiro,O.P.


domingo, 22 de julho de 2012

A Penitência caminho de esperança

Ontem, fui-me confessar, coisa natural e necessária em mim. Alias, faz-me sempre uma certa espécie quando penso em tanta gente, que eu conheço, gente boa, que se considera  católica, mas que tem dificuldade em se confessar. Será porque têm medo de põr a nu a sua alma e o seu coração, diante de uma pessoa, que não interiorizaram que está ali no lugar de Deus? Será por humildade (ou falta dela ) para reconhecerem perante outro, aquilo que os incomoda ou inquieta?

Quando um jovem diante de mim diz: confessar, hum!... e engelha o nariz, puxo dos meus "galões de catequista"  e replico: Tu não sabes o que é a Confissão! E lá vem a definição do catecismo, mais ou menos engrandecida por comentários a propósito: "sinal eficaz da Graça, instituído por Jesus, para nos santificar".
Como queremos ser santos, como pensamos poder seguir Jesus, se não nos revestimos com estes sinais da Graça que, ainda por cima, são eficazes?
Penso que há uma deformação de base, que faz as pessoas julgar que ir-se confessar é só e apenas dizer uma ladainha de pequenas ou grandes coisas que incomodam o coração e a vida. E, quanto maiores são as "coisas" mais dificuldade há em as dizer. Não sei porquê mas entendo...
Esquecemo-nos, completamente, do lado mais importante da questão: a Graça, o dom que o sacramento nos confere, que o Sacerdote nos oferece da parte de Deus.
Não nos lembramos da sua eficácia, não tornamos presente a certeza de que sem ela nunca conseguimos chegar à santidade.
É que não somos santos só porque queremos mas porque lutamos para fazer a nossa caminhada ao encontro de Jesus e para isso... é indispensável a Sua Graça.
E não é verdade que quando nos confessamos nos sentimos aliviados e com uma alma nova ?
Acho que os que duvidam deviam experimentar. Veriam que as inquietações, as dúvidas, as dores, seriam vistas com uma luz nova,
diferente; uma nova alvorada de Esperança encheria as suas vidas.
     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Bater à porta

Jesus bateu à porta...

São várias as passagens em que o Evangelho nos transmite esta certeza: Jesus bate à porta e não O recebem...
Jesus bateu, antes de nascer e "não havia lugar para Ele na hospedaria".
Arranjaram-lhe um espaço simples, humilde, pobre, embora real. Não O acolheram.

Jesus bateu ao coração do "jovem rico". Falhou-lhe, olhou-o com amor...
Mas ele não o quis seguir.

Jesus foi até Nazaré bater à porta dos amigos, da família, daqueles com quem tinha vivido. E eles espantaram-se com o que Ele fazia ... nem queriam acreditar...

Jesus bateu à alma e à compreensão de Pedro e ele negou-O.

Jesus sofreu o desconforto de ser rejeitado, incompreendido, abandonado. Mas continua a bater. E também bate à nossa porta. E insiste!...
E nós, como reagimos quando ele bate ao nosso coração? Como respondemos às Suas solicitações de Amor? Como fazemos quando Ele nos mostra o caminho e nos aconselha: Vem por aqui?
Jesus não é dominador, exigente ou possessivo. Ele apenas sugere, aconselha, convida.
Mas nós andamos tantas vezes ocupados com mil coisas, tantas vezes absorvidos pelos enredos da vida, tantas vezes tão cheios de tudo, que não conseguimos esvaziar o nosso coração e o nosso pensamento para ouvir Deus.
A vida, a família, o trabalho, as dificuldades, o prazer, preenchem-nos. Não temos tempo nem disponibilidade para os outros e, menos ainda, para Deus.
Quantas vezes um amigo, necessitado de compreensão e de apoio nos procurou e nós não tivemos tempo para ele?!...
Quantas vezes sentimos necessidade de parar e, embrenhados no turbilhão que nos avassala, nem conseguimos fazê-lo?!...
Mudemos! modifiquemos a nossa vida e paremos para escutar... a alegria, os sons da Vida, a Palavra, que é Deus.
Não deixemos que Jesus nos bata à porta e nós não demos por isso...
                             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.