terça-feira, 24 de julho de 2012

Odres novos e velhos...

"Vinho novo em odres novos,
Pano novo em fato novo"
                   Mat.9,19
São orientações dadas por Jesus ao grupo que O escutava mas são válidas para nós, hoje e aqui.
É o convite ao àmanhã, à conversão, a deixar o que há de velho em nós e construir o futuro, o novo, o ignorado, com tudo aquilo que deixámos.
Não vale a pena ficar a olhar o passado e lamentar os erros cometidos. Não adianta "chorar sobre leite derramado". Não temos o direito de analisar escolhas feitas ou caminhos percorridos.
Temos é que pôr mãos à obra e iniciar uma vida nova, com novo entusiasmo e novas convicções.
Ficar simplesmente no que se fez e não se devia ter feito, ou no que falta fazer e não foi feito, é "deitar vinho novo em odres velhos"e desperdiçar o vinho ; é malbaratar forças a chorar sobre mal sem remédio mas que pode ser reparado com arrependimento e um recomeço sério.

Quem põe "remendos de pano novo em fatos estragados" está a construir sobre a areia; simplesmente a "tapar o sol com a peneira"; a fingir que mudou alguma coisa.
Quando fazemos isto, não queremos uma autêntica conversão, que exige de nós o mudar completamente, o largar tudo o que era velho e construir um Homem novo à imagem de Jesus Cristo.
Quando fazemos isto, estamos a enganar-nos, julgando enganar Deus. Estamos a prometer uma conversão, baseada em ficção.

Não sejamos assim, não deixemos que o vento nos arraste a seu belo prazer. Mudemos verdadeiramente; deixemos o que está menos bem e teremos a Felicidade prometida por Deus.
Ele está sempre presente, olha-nos com carinho e esquece os nossos fracassos.

                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Missionar é...

Ouvi outro dia uma entrevista a um grupo de jovens, falando entusiasmados no seu desejo de ir fazer uma experiência de Missão em terras de Africa.
Realmente quando se fala em Missões, pensamos logo em terras distantes, em gentes que não conhecem o Evangelho, que nunca ouviram falar de Jesus Cristo.
E o verbo que se conjuga imediatamente é IR.
Mas missionar não é apenas ir. Tanto assim que a padroeira das Missões é Santa Teresinha de Lisieux que, eu saiba, nunca saiu do seu convento.
Então será que missionar é rezar ou pregar num dia particular? Ou dar uma esmola especial ou ler notícias sobre o assunto? É que até há um dia determinado  para celebrar as Missões- 21 de Outubro...
Para mim, ser missionário é , antes de tudo,saber olhar para o outro e transmitir-lhe o nosso dom: o Amor, o afecto, a disponibilidade, o conhecimento, a Fé.
É estar atento às suas necessidades; é estar presente.
Todo o baptizado, todo aquele que é por excelência, o portador da Verdade, deve mostrar-se capaz de a dar gratuitamente aos outros, aos que dela necessitam, aos seus Amigos, mas não só nem especialmente. Temos que ser testemunhos do Evangelho, do Amor do Pai por nós, da sua condescendência, da Sua presença, do Seu perdão.
Muitos, sobretudo jovens, mas não só, têm o entusiasmo pelas terras em que o conhecimento de Jesus Cristo não chegou. É a "missão ad gentes". Mas muitos no seu trabalho, no seu prédio, na sua escola, na sua família, dão também testemunho da Verdade, da Lealdade, da Fraternidade. São os missionários "ad intra", aqueles que ensinam sobretudo com o seu exemplo.


Todos nós, baptizados, somos chamados a testemunhar com as nossas vidas  a realidade de sermos filhos de Deus, escolhidos por Jesus Cristo, herdeiros do Evangelho.
Acreditemos que onde houver um cristão aí estará um missionário que leva consigo a Boa Nova do Reino de Deus.
É Ele que nos chamou, conta connosco. Não O podemos desiludir.

 Ir. Maria Teresa Carvalho Ribeiro,O.P.


domingo, 22 de julho de 2012

A Penitência caminho de esperança

Ontem, fui-me confessar, coisa natural e necessária em mim. Alias, faz-me sempre uma certa espécie quando penso em tanta gente, que eu conheço, gente boa, que se considera  católica, mas que tem dificuldade em se confessar. Será porque têm medo de põr a nu a sua alma e o seu coração, diante de uma pessoa, que não interiorizaram que está ali no lugar de Deus? Será por humildade (ou falta dela ) para reconhecerem perante outro, aquilo que os incomoda ou inquieta?

Quando um jovem diante de mim diz: confessar, hum!... e engelha o nariz, puxo dos meus "galões de catequista"  e replico: Tu não sabes o que é a Confissão! E lá vem a definição do catecismo, mais ou menos engrandecida por comentários a propósito: "sinal eficaz da Graça, instituído por Jesus, para nos santificar".
Como queremos ser santos, como pensamos poder seguir Jesus, se não nos revestimos com estes sinais da Graça que, ainda por cima, são eficazes?
Penso que há uma deformação de base, que faz as pessoas julgar que ir-se confessar é só e apenas dizer uma ladainha de pequenas ou grandes coisas que incomodam o coração e a vida. E, quanto maiores são as "coisas" mais dificuldade há em as dizer. Não sei porquê mas entendo...
Esquecemo-nos, completamente, do lado mais importante da questão: a Graça, o dom que o sacramento nos confere, que o Sacerdote nos oferece da parte de Deus.
Não nos lembramos da sua eficácia, não tornamos presente a certeza de que sem ela nunca conseguimos chegar à santidade.
É que não somos santos só porque queremos mas porque lutamos para fazer a nossa caminhada ao encontro de Jesus e para isso... é indispensável a Sua Graça.
E não é verdade que quando nos confessamos nos sentimos aliviados e com uma alma nova ?
Acho que os que duvidam deviam experimentar. Veriam que as inquietações, as dúvidas, as dores, seriam vistas com uma luz nova,
diferente; uma nova alvorada de Esperança encheria as suas vidas.
     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Bater à porta

Jesus bateu à porta...

São várias as passagens em que o Evangelho nos transmite esta certeza: Jesus bate à porta e não O recebem...
Jesus bateu, antes de nascer e "não havia lugar para Ele na hospedaria".
Arranjaram-lhe um espaço simples, humilde, pobre, embora real. Não O acolheram.

Jesus bateu ao coração do "jovem rico". Falhou-lhe, olhou-o com amor...
Mas ele não o quis seguir.

Jesus foi até Nazaré bater à porta dos amigos, da família, daqueles com quem tinha vivido. E eles espantaram-se com o que Ele fazia ... nem queriam acreditar...

Jesus bateu à alma e à compreensão de Pedro e ele negou-O.

Jesus sofreu o desconforto de ser rejeitado, incompreendido, abandonado. Mas continua a bater. E também bate à nossa porta. E insiste!...
E nós, como reagimos quando ele bate ao nosso coração? Como respondemos às Suas solicitações de Amor? Como fazemos quando Ele nos mostra o caminho e nos aconselha: Vem por aqui?
Jesus não é dominador, exigente ou possessivo. Ele apenas sugere, aconselha, convida.
Mas nós andamos tantas vezes ocupados com mil coisas, tantas vezes absorvidos pelos enredos da vida, tantas vezes tão cheios de tudo, que não conseguimos esvaziar o nosso coração e o nosso pensamento para ouvir Deus.
A vida, a família, o trabalho, as dificuldades, o prazer, preenchem-nos. Não temos tempo nem disponibilidade para os outros e, menos ainda, para Deus.
Quantas vezes um amigo, necessitado de compreensão e de apoio nos procurou e nós não tivemos tempo para ele?!...
Quantas vezes sentimos necessidade de parar e, embrenhados no turbilhão que nos avassala, nem conseguimos fazê-lo?!...
Mudemos! modifiquemos a nossa vida e paremos para escutar... a alegria, os sons da Vida, a Palavra, que é Deus.
Não deixemos que Jesus nos bata à porta e nós não demos por isso...
                             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.
                          



quinta-feira, 19 de julho de 2012

O sol quando nasce é para todos

O sol quando nasce é para todos.
Realmente! Se há coisa que não faz acessão de pessoas é o sol. Ele nasce todos os dias, mais luminoso ou mais opaco, mas sempre para transmitir luz e calor... a todos e a cada um.
É ele que aciona o crescimento das plantas, dá alegria aos que choram, faz nascer a esperança aos que a não têm.
O sol modifica a paisagem, altera a disposição das pessoas, torna diferentes até os animais.
Ninguém pode apagar o sol a seu belo prazer ou limitá-lo a um grupo escolhido ou a um espaço reservado.
O sol não é património particular de ninguém . Surge de manhã no horizonte e todos nós o podemos acolher , alegremente, se estivermos dispostos a isso. 
Não podemos apagá-lo quando estamos tristes ou nos sentimos infelizes. Às vezes, bem o desejávamos...
Também não o podemos fazer surgir só porque estamos felizes e nos apetece que o tempo acompanhe a nossa alegria.
O sol não é egoista.
Quando nasce é para todos.
E ao dizermos isto, devemos pensar em igualdade, em partilha, em fraternidade. Faz-nos ter presente que ninguém é maior do que o outro, nem merece mais do que ele, só porque sim.
A igualdade do sol perante os homens, recorda-nos que todos somos iguais, irmãos, aos olhos de Deus, que a colaboração e a fraternidade são exigências de vida, sobretudo para os cristãos.
Não deixemos que a injustiça apague o sol nos olhos daqueles que se cruzam connosco e não tiveram as mesmas oportunidades.
Não façamos, com  a nossa atitude, egoista e indiferente, que o sol esmoreça no coração daqueles que esperavam de nós, pelo menos,  uma palavra, um sorriso, um olhar.
Lembremos os dois apóstolos, face ao paralítico : " Não temos ouro nem prata, mas o que temos vamos dar-te: levanta-te e anda!"
É o que os outros esperam de nós. Lembremo-nos que o importante não é dar mas dar-se.

                           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Apelo sem resposta

Outro dia conversando com um grupo de Antigas Alunas, debruçámo-nos sobre o problema da vocação, a semana de oração pelas vocações, a falta de sacerdotes, a crise nas vocações religiosas, etc.,etc.. Eram tudo "jovens" já senhoras casadas e com filhos...
Às tantas, uma delas, mãe de 4 filhos, revelou que tinha pensado ser religiosa mas que desistira porque achava ser demasiado exigente e difícil. Hoje é feliz mas não esqueceu esse seu desejo de juventude.
Ri-me sem vontade e usei, mais uma vez, o velho lugar comum: E quem disse que é simples e fácil seguir Jesus?
Rimo-nos e mudámos de assunto, falando de acontecimentos "velhos" e sempre novos, ocorridos no Colégio, no tempo da Juventude. É assunto que nunca esgota porque um acontecimento lembra outro e outro.
Mais tarde, já sozinha, comecei a pensar naquela aluna e no episódio do "jovem rico" e do apelo que o Senhor lhe fizera. Ele tinha ido ter com Jesus para Lhe perguntar o que devia fazer para ser perfeito. Aquela jovem, boa cristã, tambem muitas vezes, certamente, perguntara o que tinha que fazer para ser santa. E ao jovem do Evangelho, como àquela jovem, Jesus respondera o mesmo: deviam cumprir os mandamentos.
O jovem fazia-o e ela tambem... não matavam, não roubavam, não prejudicavam o próximo... Que mais era preciso?
Deixar tudo e seguir Jesus!
E diz-nos o Evangelho que o jovem se afastou porque tinha muitos bens. Pensamos imediatamente que tinha muito dinheiro. Era rico!
Mas o que significa ser rico? Ter muitos bens?
Acho que aquilo que nos prende, muitas vezes, não são os bens materiais mas sim o apego àquilo a que estamos acostumados, às nossas ideias, ao nosso prazer, mesquinho ou não, às nossas comodidades, àquilo que faz o nosso dia-a-dia.
Há muitos ricos que são pobres, de facto, porque são desprendidos, livres, atentos aos que os rodeiam, disponíveis.
E será que não há pobres muito "ricos", porque presos às suas ambições, aos seus desejos, às suas revoltas, às suas invejas?!...
O que afastou aquela jovem do apelo de Jesus? Não será o que afasta tantos outros jovens também?
Sobretudo o medo do desconhecido, do esforço de deixar tudo, da ignorância do que vai receber em troca...
Deixar tudo e ir... sem planos, "sem alforge, sem duas túnicas"...
É preciso ter coragem mas é a condição para seguir Jesus.
                                  Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Mudam-se os tempos...

                          "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades(...)
                          Todo o mundo é composto de mudanças..."

Assim fala o poeta. Assim podemos falar nós se observarmos o tempo, o mundo, a vida; se olharmos à nossa roda; se nos interrogarmos a nós mesmos.
O tempo muda!... as estações sucedem-se, ora inebriantes de luz, de alegria, ora plenas de tristeza e melancolia... Os meses seguem-se, uns atrás dos outros, todos iguais e todos diferentes... O dia e a noite alternam, ora com o sol a encadiar-nos ora banhando-nos a ténue luz da lua...

Os tempos mudam! Hoje há paz, tranquilidade, abundância, quietude; amanhã, tudo é diferente. A guerra substitui a paz; a tranquilidade degenera em agitação; a abundância traduz-se em fome; a quietude dá lugar à inquietação.

E com os tempos mudam-se também as vontades. É tão difícil ser persistente, defender as suas ideias, ser coerente... e é tão fácil deixarmo-nos dominar e arrastar pelo "grupo", pela moda, pelo "parecer bem ou mal"...

Mudam-se as vontades... E porque não? E porque não mudar quando consideramos que nos enganámos, que o caminho a seguir é outro, que o desafio a corresponder não é aquele que aceitámos?...
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". É inevitável. O mundo, a vida, são feitos de mudanças. Mudam as pessoas... Mudam os trabalhos... as organizações... os princípios... os objectivos... "Todo o mundo é feuito de mudanças"
E é bom que assim seja. É importante saber acolher o que o dia a dia nos oferece e tirar disso o melhor partido. É importante saborear as múltiplas facetas com que a Vida se reveste e ver em cada uma a  imagem de Deus. Esse Deus Uno e Trino, que se oferece como Pai, Filho e Espírito Santo. Também Ele símbolo de mudança!...

Aceitemos as mudanças. Acolhamo-las com entusiasmo, certos que elas fazem parte do desafio que o mundo e a vida nos propõem, esse mundo a que pertencemos e essa vida que é a nossa.
                      Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro