quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sonho duma antiga aluna

Esta noite
sonhei com o Natal.
Sonhei com todas as crianças
felizes, neste dia tão especial.

Sonhei
que o Senhor nos abençoava
e todas as pessoas do mundo
envolvia e acarinhava.

Sonhei
que no coração do Homem
não existia dor nem rancor.
Só paz, ternura e amor.

Sonhei
que à mesa do Senhor
o mundo estava em festa
e que nunca houvera existido
na vida, felicidade semelhante a esta.

Então,
eu ajoelhei-me perante Deus
e perguntei-lhe:
Será isto apenas
um sonho ou realidade?

E Deus respondeu:
Minha filha, se tiveres Fé
tudo pode ser verdade.
               Sónia Marques

terça-feira, 10 de julho de 2012

Recordações

Outro dia bateu-me à porta uma aluna antiga. Não voltara ao Colégio há 40 anos mas tinha sentido um desejo imenso de rever espaços, relembrar situações, recordar cheiros característicos.
E bateu à porta!
Quis ver tudo: o dormitório onde estivera, a sala onde tinha tido aulas, o recreio dos seus primeiros anos, a floresta onde tomava as refeições, a varanda, donde se avista o mar e grande parte da quinta e onde se escondiam para desespero da Irmã que ia deitar.
E viu... com as modificações ocorridas, claro! Viu e chorou de alegria e comoção.
Tanto tempo, tantas recordações, tantas saudades!...
Depois, foi o reviver...
Os passeios na quinta, aquela ida a Lisboa de comboio, aquelas festas em que participou, as visitas ao guarda-roupa onde se iam alugar os fatos para as representações, as viagens, cada ano repetidas, e tantas outras coisas que foram vindo à memória.
Também o dia-a-dia doColégio: o pão das 11h, a sobremesa de pães de leite com marmelada, as argolinhas e os suspiros, o estudo da noite com o seu chá e pão com manteiga...
Lembrou também as reprimendas e os castigos mas vendo-os agora como uma ajuda ao crescimento e à sua formação.
E afirmou: " O que sou, devo-o ao Colégio. E, muitas vezes, quando estou a chamar a atenção aos meus filhos, recordo esta ou aquela Irmã que me dizia exatamente a mesma coisa na idade deles"
São estas visitas que nos dão a certeza de que vale a pena lutar pela formação dos jovens e sua preparação futura.
Há sempre muito quem recorde, sobretudo quando se juntam duas ou três "antigas" cada uma com as suas experiências.
Falam do que foram e do que são: das alegrias e tristezas, mas sobretudo das alegrias porque "tristezas não pagam dívidas" e já se esvaíram no evoluir dos tempos.
    Ir. Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

"Partir é morrer um pouco"


"Partir é morrer um pouco..."

Estou a pensar naqueles jovens que deixam a sua casa, a sua terra, os seus amigos para irem estudar longe. É um objectivo que os move,e o desejo de vencer talvez apague um pouco as saudades, a lembrança do que deixaram, a incerteza do que os espera.
Mas há sempre ajustamentos a fazer, adaptações que se impõem, costumes que são diferentes, amigos que é preciso conquistar, hábitos que se têm que adquirir...

Mas penso ainda mais naqueles pais de família que deixam os seus, para tentar a sorte noutro país , noutro ambiente, noutro meio.
E penso naqueles homens e mulheres a quem a sorte não bafejou e têm que ir procurar longe o que a sua terra lhes negou.
Partem com esperança... alguns com Fé.
Mas levam com eles a saudade e deixam nas suas casas um pouco de si mesmos.
A cada passo há a lembrança do que deixaram e, mesmo quando tudo corre bem, não é sem alegria que voltam e abraçam os que cá ficaram e admiram, com olhos novos, tudo o que deixaram.

Calculo que os Apóstolos também "morreram um pouco" quando Jesus os deixou.
Não foram eles que partiram mas deixou-os Aquele em quem tinham posto a sua confiança.
Ficaram a olhar para o céu com a esperança sem esperança de ver voltar Jesus.
E regressaram às suas terras um pouco aturdidos, desiludidos mesmo, interrogando-se sobre o que tinha acontecido. Tinham confiado, tinham seguido o Mestre , muito tempo sem compreender, mas certos do que Ele lhes prometera.
E agora?... "Morreram um pouco!"
Mas a alegria, a felicidade, a Fé ,voltou. Chegou, quando o Espirito Santo os inundou e lhes restitui a certeza de que não estavam sós.

É esta certeza que nos falta muitas vezes. A saudade, a tristeza da separação, as dúvidas quanto ao futuro, tudo isso seria superado se confiássemos plenamente que Deus não nos pede nada para além das nossas possibilidades e que Ele está sempre presente com a Sua Graça e a Sua força.
               Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.





sábado, 7 de julho de 2012

Semear com lágrimas; colher na alegria

Quando o Senhor restaurar os destinos de Sião
será para nós como um sonho
                     ...                                                                  
Os que semeiam com lágrimas
recolhem entre cânticos.
Na partida vai chorando
o que leva a semente,
no regresso vem cantando
o que transporta as espigas.
                      sal. 125

Este é um salmo que nos fala de esperança, de confiança, de certezas, muito embora também de  esforço e de dificuldades.
"Quando o Senhor restaurar..." Ele já restaurou. Ele já chegou e já trouxe consigo a Paz, o Perdão, o Amor. Ele já morreu e ressuscitou. Já nos deixou a Sua Mensagem e nos pediu a nossa colaboração. Temos razão para pensar em sonho, em alegria, em cânticos.
Jesus já veio e já nos prometeu o Seu Reino, um reino onde todos temos o nosso lugar e em que seremos felizes se O acolhermos e O seguirmos; se ouvirmos a Sua Palavra e dela formos mensageiros.
E aí, começam as dificuldades. É que , para seguir o Senhor Jesus, temos que fazer a nossa caminhada de esforço, de correção, de procura da santidade. Temos que seguir o nosso caminho de escolha livre, de sucessos e recuos. Por isso, "vai a chorar aquele que leva a semente " da graça, da virtude,do bem. Essa semente que tem que ser regada, cuidada, para crescer e dar fruto. E este é um trabalho que exige esforço, despojamento, vontade.
E, no nosso caminho que nem sempre é plano, nem seguro, nem fácil, há escolhos e há desvios que nos convidam a seguir por veredas mais agradáveis e fáceis. É o momento de chorar o nosso erro, o nosso pecado, o nosso afastamento do Pai.
Mas Ele lá está a falar-nos ao coração, a dar-nos o Seu perdão, a fazer com que o nosso arrependimento, a nossa pequena semente de santidade frutifique e faça de nós o semeador que volta" cantando transportando as espigas" da nossa identificação com Cristo .
semeando com lágrimas podemos recolher entre cânticos.
                            
                             Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Almas perdidas

Outro dia entrevistei uma jovem candidata a aluna do Colégio. Candidata não é bem o termo porque quem queria que ela fosse candidata era a família, pareceu-me...
Mas não é por isso que esta entrevista me marcou, mas sim pela maneira como decorreu.
Habitualmente não tenho problemas com jovens candidatos, mesmo com aqueles que se mostram desde logo desafiantes, prontos a marcar as suas posições.E também não com aqueles que querem agradar , mostrando aquilo que não são e manifestando o que não pensam.
Há de tudo nestas entrevistas e muito se aprende com elas.
Mas com esta jovem não foi nada assim: nem desconfiada, nem arrogante ou desafiadora, nem demasiado confiante nem influenciadora. Não! Apenas me pareceu perdida.
Nem uma palavra, as lágrimas correndo silenciosamente pelas face que ela escondia atrás das mãos.
Nem uma resposta às minhas questões. Apenas uma frase de desespero: Não quero ficar fechada!...
E porque razão uma quase criança, uma adolescente (12 anos) se mostra assim frágil, deprimida, ausente?
Na altura não me debrucei sobre o assunto mas passados estes dias , aquela jovem voltou-me ao pensamento.
Será mesmo assim ou serão causas externas que a puseram naquele estado? Dificuldades de vida, falta de assistência familiar, ausência de Fé?...
Recordei-me naquela idade... Cheia de alegria, de confiança, de certezas. Lembrei as minhas amigas, a transbordarem de felicidade.
O que torna diferentes crianças e jovens da mesma idade?Traumatismo de infância? Alterações genéticas?Situações familiares? Diferenças de educação?...Não sei! Acho que tudo e nada. Mas o que tenho a certeza é que Deus nos quer felizes e que todo o educador tem a missão de mostrar aos jovens o caminho da Felicidade.
E a Felicidade é uma conquista mas também resulta de uma outra causa que é um dom : a Fé.
A Fé é um dom que Deus oferece a todos. Basta agarrá-lo e desenvolvê-lo.
Gostaria de abanar aquela jovem e milhares de outras como ela e gritar-lhes que não estão sós, que não estão perdidas, que há um caminho para percorrer e um sol para as iluminar. Que a adolescência é um período difícil, entre a inconstância da infância e o desejo de liberdade da Juventude.Mas que é a altura de crescer, de abandonar umas coisas e agarrar outras, de adquirir valores, de formar a Vontade. Crescer é importante e imprescindível.Queria poder ainda dizer-lhes que devem acreditar que Deus lhes sorri e o Seu Filho está ali, ao seu lado, para as acolher.
                                     
                 Ir. Teresa de Carvalho Ribeiro.o.p.


                                                       





terça-feira, 3 de julho de 2012

Querer é poder!...

"Querer é poder" - diz o povo e é verdade.
Diz o povo e mostra-o a vida em todas as situações, mais simples ou mais complexas .
Nós, talvez ainda com mais razão do que outros, podemos afirmar esta máxima, que vivemos ao longo dos tempos.
Quisemos e mostrámos novos mundos ao mundo...
Quisemos e construímos um património reconhecido in- ternacionalmente pela sua preciosidade e beleza... Até a Unesco o confirma...
Quisemos e libertámo-nos de opressões e super potências...
Já dizia o poeta:
Deus quer, o Homen sonha, a obra nasce!
Mas a obra só nasce quando o homem sonha e vai ao encontro do querer de Deus. Quando o Homem põe o seu "engenho e arte"ao serviço do Senhor dos senhores.
Continua a ser um ditado popular e uma convicção de séculos."Querer é poder "
Mas hoje em dia parece que a maioria dos jovens não acredita nesta imensa capacidade de realização que vem dum simples "querer".
Estão muito mais crentes na "capacidade do improviso", no "há-de acontecer!", no "talvez", no "logo se vê".

Vejo crescer, com uma imensa mágoa, uma geração de fracas aspirações, de grandes indiferenças, de pouca vontade e de falta de convicção no poder do esforço. Uma geração do "deixa andar".
Salvam-se as honrosas excepções que, de vez em quando, surgem nos jornais ou são notícia de TV, porque levaram além fronteiras o seu saber e a sua força de vencer.

Alegro-me sempre quando isto acontece e, mais ainda, se são jovens portugueses como o que aconteceu, ainda o ano passado, com duas antigas alunas: a Joana Coelho e a Nídia Trovão.
Porque é o nome de Portugal que está em causa ( e não apenas no futebol nem pelas piores razões) mas também porque são jovens que mostram a outros jovens que vale a pena lutar e que o querer tem muita força, sobretudo se o querer se alicerça na Fé.
São jovens que continuam a manter vivo o velho ditado popular:
" Querer é poder!"
           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 1 de julho de 2012

Ser professor

Ainda haverá quem escolha, por vocação, ser professor?
É que, quando eu era criança e pensei ser professora, esta era uma profissão que realizava, que entusiasmava qualquer um, pela satisfação que trazia. Mas hoje, ser professor é um desafio que se nos apresenta, um desafio difícil e muitas vezes inglório. Por um lado é preciso conquistar o público-alvo--os alunos, para que eles acolham aquela verdade que lhes queremos transmitir, o que não é fácil, concordemos.
Por outro, é necessário um ambiente de disciplina, de tranquilidade,que torne produtivas as nossas aulas. Ainda mais difícil!...
Há que lutar para desenvolver os melhores, manter os médios no mais alto nível possível e conseguir interessar aqueles para quem o desinteresse é a maior e melhor ocupação.
O professor tem que cativar os seus alunos sem deixar de lhes chamar a atenção para os erros e corrigir as faltas.
É a ele que cabe inventar as melhores estratégias de ensino, diversificar os métodos, equilibrar a exposição com a pesquisa dos alunos. Tem que ser mestre,mas ao mesmo tempo amigo, confidente e até pai e mãe...
Precisa dar sem nada esperar em troca e estar ciente que ser professor é ter uma vocação de disponibilidade e altruismo. Tem que se estar sempre atento, sempre presente, sempre com a intenção de apreder. E é aqui que entra a humildade do verdadeiro professor...Não sabe tudo, não é capaz de tudo e tem que tudo fazer, sem esperar recompensa para o seu esforço nem agradecimento pelo seu trabalho.
Quando os resultados são bons, foi mérito dos alunos, inteligentes e trabalhadores; se os resultados foram deficientes, culpa do professor que não quis ou não soube fazer melhor.
Será que continuamos a querer trabalhar com entusiasmo sem qualquer reconhecimento? Que queremos continuar a sofrer por alunos para quem o professor é "o inimigo" que impõe e coarcta a sua liberdade de "não querer" ?
Continuo a gostar da profissão que escolhi, quando ainda brincava com bonecas, e a admirar todos aqueles que optam por ela. Mas reconheço que cada vez é mais difícil atingir os nossos objetivos: formar para o futuro, homens e mulheres com sabedoria , com valores, com capacidade de trabalho e de vontade, com Fé e com Alegria.
Ser professor é por-se ao serviço duma "causa quase perdida" com a certeza de que a pode ganhar  desde que acredite que "tudo pode n`Aquele que o conforta