sexta-feira, 6 de julho de 2012

Almas perdidas

Outro dia entrevistei uma jovem candidata a aluna do Colégio. Candidata não é bem o termo porque quem queria que ela fosse candidata era a família, pareceu-me...
Mas não é por isso que esta entrevista me marcou, mas sim pela maneira como decorreu.
Habitualmente não tenho problemas com jovens candidatos, mesmo com aqueles que se mostram desde logo desafiantes, prontos a marcar as suas posições.E também não com aqueles que querem agradar , mostrando aquilo que não são e manifestando o que não pensam.
Há de tudo nestas entrevistas e muito se aprende com elas.
Mas com esta jovem não foi nada assim: nem desconfiada, nem arrogante ou desafiadora, nem demasiado confiante nem influenciadora. Não! Apenas me pareceu perdida.
Nem uma palavra, as lágrimas correndo silenciosamente pelas face que ela escondia atrás das mãos.
Nem uma resposta às minhas questões. Apenas uma frase de desespero: Não quero ficar fechada!...
E porque razão uma quase criança, uma adolescente (12 anos) se mostra assim frágil, deprimida, ausente?
Na altura não me debrucei sobre o assunto mas passados estes dias , aquela jovem voltou-me ao pensamento.
Será mesmo assim ou serão causas externas que a puseram naquele estado? Dificuldades de vida, falta de assistência familiar, ausência de Fé?...
Recordei-me naquela idade... Cheia de alegria, de confiança, de certezas. Lembrei as minhas amigas, a transbordarem de felicidade.
O que torna diferentes crianças e jovens da mesma idade?Traumatismo de infância? Alterações genéticas?Situações familiares? Diferenças de educação?...Não sei! Acho que tudo e nada. Mas o que tenho a certeza é que Deus nos quer felizes e que todo o educador tem a missão de mostrar aos jovens o caminho da Felicidade.
E a Felicidade é uma conquista mas também resulta de uma outra causa que é um dom : a Fé.
A Fé é um dom que Deus oferece a todos. Basta agarrá-lo e desenvolvê-lo.
Gostaria de abanar aquela jovem e milhares de outras como ela e gritar-lhes que não estão sós, que não estão perdidas, que há um caminho para percorrer e um sol para as iluminar. Que a adolescência é um período difícil, entre a inconstância da infância e o desejo de liberdade da Juventude.Mas que é a altura de crescer, de abandonar umas coisas e agarrar outras, de adquirir valores, de formar a Vontade. Crescer é importante e imprescindível.Queria poder ainda dizer-lhes que devem acreditar que Deus lhes sorri e o Seu Filho está ali, ao seu lado, para as acolher.
                                     
                 Ir. Teresa de Carvalho Ribeiro.o.p.


                                                       





terça-feira, 3 de julho de 2012

Querer é poder!...

"Querer é poder" - diz o povo e é verdade.
Diz o povo e mostra-o a vida em todas as situações, mais simples ou mais complexas .
Nós, talvez ainda com mais razão do que outros, podemos afirmar esta máxima, que vivemos ao longo dos tempos.
Quisemos e mostrámos novos mundos ao mundo...
Quisemos e construímos um património reconhecido in- ternacionalmente pela sua preciosidade e beleza... Até a Unesco o confirma...
Quisemos e libertámo-nos de opressões e super potências...
Já dizia o poeta:
Deus quer, o Homen sonha, a obra nasce!
Mas a obra só nasce quando o homem sonha e vai ao encontro do querer de Deus. Quando o Homem põe o seu "engenho e arte"ao serviço do Senhor dos senhores.
Continua a ser um ditado popular e uma convicção de séculos."Querer é poder "
Mas hoje em dia parece que a maioria dos jovens não acredita nesta imensa capacidade de realização que vem dum simples "querer".
Estão muito mais crentes na "capacidade do improviso", no "há-de acontecer!", no "talvez", no "logo se vê".

Vejo crescer, com uma imensa mágoa, uma geração de fracas aspirações, de grandes indiferenças, de pouca vontade e de falta de convicção no poder do esforço. Uma geração do "deixa andar".
Salvam-se as honrosas excepções que, de vez em quando, surgem nos jornais ou são notícia de TV, porque levaram além fronteiras o seu saber e a sua força de vencer.

Alegro-me sempre quando isto acontece e, mais ainda, se são jovens portugueses como o que aconteceu, ainda o ano passado, com duas antigas alunas: a Joana Coelho e a Nídia Trovão.
Porque é o nome de Portugal que está em causa ( e não apenas no futebol nem pelas piores razões) mas também porque são jovens que mostram a outros jovens que vale a pena lutar e que o querer tem muita força, sobretudo se o querer se alicerça na Fé.
São jovens que continuam a manter vivo o velho ditado popular:
" Querer é poder!"
           Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, O.P.

domingo, 1 de julho de 2012

Ser professor

Ainda haverá quem escolha, por vocação, ser professor?
É que, quando eu era criança e pensei ser professora, esta era uma profissão que realizava, que entusiasmava qualquer um, pela satisfação que trazia. Mas hoje, ser professor é um desafio que se nos apresenta, um desafio difícil e muitas vezes inglório. Por um lado é preciso conquistar o público-alvo--os alunos, para que eles acolham aquela verdade que lhes queremos transmitir, o que não é fácil, concordemos.
Por outro, é necessário um ambiente de disciplina, de tranquilidade,que torne produtivas as nossas aulas. Ainda mais difícil!...
Há que lutar para desenvolver os melhores, manter os médios no mais alto nível possível e conseguir interessar aqueles para quem o desinteresse é a maior e melhor ocupação.
O professor tem que cativar os seus alunos sem deixar de lhes chamar a atenção para os erros e corrigir as faltas.
É a ele que cabe inventar as melhores estratégias de ensino, diversificar os métodos, equilibrar a exposição com a pesquisa dos alunos. Tem que ser mestre,mas ao mesmo tempo amigo, confidente e até pai e mãe...
Precisa dar sem nada esperar em troca e estar ciente que ser professor é ter uma vocação de disponibilidade e altruismo. Tem que se estar sempre atento, sempre presente, sempre com a intenção de apreder. E é aqui que entra a humildade do verdadeiro professor...Não sabe tudo, não é capaz de tudo e tem que tudo fazer, sem esperar recompensa para o seu esforço nem agradecimento pelo seu trabalho.
Quando os resultados são bons, foi mérito dos alunos, inteligentes e trabalhadores; se os resultados foram deficientes, culpa do professor que não quis ou não soube fazer melhor.
Será que continuamos a querer trabalhar com entusiasmo sem qualquer reconhecimento? Que queremos continuar a sofrer por alunos para quem o professor é "o inimigo" que impõe e coarcta a sua liberdade de "não querer" ?
Continuo a gostar da profissão que escolhi, quando ainda brincava com bonecas, e a admirar todos aqueles que optam por ela. Mas reconheço que cada vez é mais difícil atingir os nossos objetivos: formar para o futuro, homens e mulheres com sabedoria , com valores, com capacidade de trabalho e de vontade, com Fé e com Alegria.
Ser professor é por-se ao serviço duma "causa quase perdida" com a certeza de que a pode ganhar  desde que acredite que "tudo pode n`Aquele que o conforta
                              

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A interdependência ...


"Todos nós, tendo consciência ou não, estamos sempre em dívida para com as outras pessoas, conhecidas ou desconhecidas. Ninguém acaba de almoçar sem ficar a dever qualquer coisa a mais de meio-mundo.Quando de manhã nos levantamos e vamos para a casa de banho, servimo-nos de uma esponja que um indígena do Pacífico preparou; lavamo-nos com um sabonete fabricado por um francês; a toalha foi importada da Turquia. Depois, à mesa, bebemos café que vem da América do Sul ou chá da China, ou cacau africano. Antes de sairmos para o emprego, já dependemos de quase todo o mundo.
No seu verdadeiro sentido, toda a vida é inter-relacionada." 
                                               
Outro dia li este texto de Martin Luther King que me levou a pensar muito seriamente na relação que se estabelece entre os Homens e nas causas de falta de colaboração e até de indiferença entre eles.
Com muita facilidade nos julgamos uma ilha, independentes e donos de nós mesmos e das nossas acções! Pensamo-nos senhores do mundo e achamos que não precisamos de ninguém. Quando muito, condescendemos em considerar que os outros precisam de nós.
Como diz Luther King, "quando saímos de manhã já dependemos de quase todo o mundo".
E que consciência temos disso? E que esforço empregamos para colaborar com o próximo , para o integrar num trabalho comum? Como fazermos depender da acção de todos a sociedade em que vivemos?


Temos que procurar inverter a situação. Tentar que todos e cada um tenham uma participação activa na sociedade contemporânea; que todos e cada um desempenhem um papel insubstituível na transformação do mundo e na modificação das relações pessoais, comunitárias, nacionais e internacionais. Precisamos de desenvolver em cada um a certeza de que é uma mola na grande engrenagem que é o Mundo. O papel de cada um é único e imprescindível .E, todos juntos, somos capazes de vencer.
Num tempo em que as diferenças que nos separam  se acentuam cada vez mais: em que o ódio e a indiferença tornam inimigos aqueles que Deus queria Irmãos, é fundamental inverter a situação, encontrar o lado bom de cada um, descobrir as possibilidades ocultas que em cada pessoa e cada grupo se escondem.
Temos que abrir os nossos corações, pôr ao serviço dos outros aqueles dons que são dom de Deus e darmos as mãos numa disponibilidade que faça abrir o coração dos outros à colaboração e à inter-ajuda.
                                                   Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.  

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A força que vence a Deus

"A força que vence a Deus"é o título dum livro antigo com o qual esbarrei quando andava à procura, na biblioteca, dum outro de que precisava.
Não tive ocasião de ver de que tratava mas o título faz-me pensar.
Que força pode vencer Deus?
Para os homens de ciência deve ser o conhecimento, a descoberta, o avanço científico... Esquecem-se que devem a Deus a inteligência que lhes permite o avanço e a luz que os ajuda na pesquisa.
Não sabem que Ele é a Verdade e o Caminho que os conduz à finalidade desejada.
Para os artistas, a força que vence Deus deve ser a luz, a cor, a forma, a capacidade de criar. Também eles se esquecem que sem Ele, esta capacidade seria nula e a Arte deixaria de existir. Não sabem que Deus é o Bom, o Bem e o Belo.
Para o homem comum, a força da vitória deve estar no trabalho, no empenhamento, no esforço.
Tudo certo, tudo verdade, tudo terreno. Mas... e o lugar de Deus?
Parei para pensar e interroguei-me:
E para mim, qual a força que vence Deus? Qual o processo que leva Deus a aderir à nossa vontade, a fazer Seus os nossos desejos?
Acho que só há um caminho e esse chama-se Oração. Só através dela chegamos àquele "despojamento", àquela adesão fraterno-filial que leva Deus a acolher e fazer Suas as nossas aspirações.
Ele próprio disse um dia: "Pedi e dar-se-vos-á"...
E recordo a cena bíblica daquele homem que bate insistentemente à porta do amigo para lhe pedir ajuda, para as visitas que chegam fora de horas. Lembro-me como o outro começa por não querer atender, não se querer incomodar e como acaba por ceder perante a insistência do amigo.
"Batei e abrir-se-vos-á..." é também máxima do Evangelho.
É esta força da oração, baseada na Fé, que faz mover montanhas: " Se tiverdes Fé do tamanho dum grão de mostarda..."
Rezar não é pronunciar palavras feitas, dizer fórmulas decoradas, repetir frases conhecidas.
Rezar é abrir o coração para ouvir o Pai, para no silêncio, ser capaz de O encontrar, Lhe contar as nossas inquietações e alegrias, Lhe dizer dos nossos sonhos e aspirações, Lhe agradecer as Graças recebidas e a força que nos anima.
É na oração que encontramos coragem para ultrapassar as pequenas e grandes dificuldades da Vida e continuar a dizer "Bendito seja Deus!"
                                                              Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ramalhão em festa

Foi em 1996 que, num encontro informal dum grupo de professores, a nossa professora de Inglês - Maria Luiza Sabbo - deu a ideia de termos um jornal : uma folha muito simples, com um artigo formativo, algumas fotografias da vida do Colégio, notícias informativas e pouco mais.
A ideia vingou e surgiu o primeiro jornal.
Com mais ou menos frequência, maior ou menor desenvolvimento, lá foram sendo editados e distribuídos pelos alunos, que os vão levando para casa.
Os pais mais interessados vão dando uma vista de olhos e ficam a saber algumas das coisas que lhes queremos transmitir.
Ao longo dos anos, o jornal mudou de "fachada", aumentaram as informações, melhoraram as fotografias, integraram-se artigos dos alunos,  mas as edições prosseguiram com o mesmo despretensiosismo com que fora criado.
E estamos no 17º ano de publicação!
Não pretendemos ter um jornal de eleição.
Procuramos que a nossa folha informativa tenha interesse para alunos e pais e leve até eles muito do que não lhe podemos fornecer diretamente.
Foi uma grande ideia esta da Luizinha!
Mas ela teve outras ideias, igualmente importantes. Uma delas foi o "Encontro de Antigas Alunas".
A 1ª grande concentração foi nos 50 anos do Colégio, com uma reunião, muito participada.
Depois, as celebrações estenderam-se por um ano inteiro, com exposição de fotografias cedidas pelas antigas alunas, concertos, conferências, lançamento de um livro evocativo, inauguração dum Hino, etc..
Terminou com uma missa nos Jerónimos, a que compareceu "meio-mundo" entre antigas e alunas recentes, familiares e amigos. Celebrou o sr. P. Victot Feytor Pinto.

Para os 60 anos do Colégio convidámos uma comissão de antigas alunas. Eram pessoas com lugares de destaque que facilmente podiam contactar outras.
Não teve tantos eventos como nos 50 anos, mas o encontro de Maio foi muito participado.
Houve partilha no ginásio, sessão cultural e almoço

Este ano, estamos a celebrar os 70 anos do Colégio e pensamos que somos dos poucos Colégios que já atingimos esta provecta idade e nos podemos orgulhar deste tão longo percurso.
Ainda não sabemos como vamos celebrar este aniversário mas certamente vamos convidar pais, envolver alunos, convidar antigos alunos, tirar partido dos 16ha de quinta e das salas pintadas do sec.XVIII, das quais só os alunos disfrutam habitualmente.



Realmente esquecemo-nos, por força do hábito, que vivemos num palácio, que foi propriedade real; que a Biblioteca ou as salas multiusos estão instaladas em salas com frescos, todos diferentes; que o refeitório é uma "sala em forma de lanterna" pintada de alto a baixo; que possuímos a varanda mais comprida da Europa, donde podemos avistar o mar.
Para já, Temos marcada uma Missa na Igreja de S. Domingos- Lisboa, no dia 2 de Outubro, às 11h , associando-nos aos 175 anos do nascimento da nossa Madre Fundadora. A ela devemos o sermos educadoras, o procurarmos "fazer o bem sempre e onde seja possível" e pertencermos a uma Ordem que tem por Lema a VERDADE e como objetivo " dar aos outros o fruto da sua contemplação.
                                                 
                                                                    ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Os filhos são parecidos com os pais... porquê?

Os filhos são parecidos com os pais, porque... têm idêntica constituição genética. Mas isso...é uma longa história de pesquisas, descobertas, avanços e recuos...Uma história que levou muitos anos a escrever e ainda não está acabada.
Mas começando pelo fim...A grande descoberta, no campo da Genética, já no sec. XXI, foi a descodificação completa do genoma humano, anunciada a 13 de Abril de 2003.
Evidentemente que já antes, talvez desde 1996, se tinham feito pesquisas e conseguido descodificar algumas porções de DNA - acido desoxirribonucleico. Mesmo em 1969, quase 30 anos antes, o bioquímico J. Beakwith e a sua equipa já tinham conseguido isolar, pela 1ª vez, um gene humano.
Aliás, desde que em 1953, Watson e Crick descobriram a estrutura do DNA, o objectivo dos cientistas, qualquer que fosse a sua área, era conhecer o mecanismo e a acção deste ácido .
Mas o que é um gene?
Nem mais nem menos do que a unidade base do material genético, que define a hereditariedade, pela informação que contem.
São os genes que influenciam o funcionamento e o desenvolvimento dos órgãos e a produção das proteínas.

Os genes encontram-se nas cadeias do DNA constituintes dos cromossomas das células. No ser humano cada célula tem 23 pares, sendo um de cromossomas sexuais.
A diferença entre os vários seres, em relação ao Homem, está precisamente no número de pares de cromossomas que possuem  e na diferença do seu código genético ( sequência de genes). São também estas diferençaas  que fazem os Homens diferentes entre si.
Esta sequência é a maneira como se alinham os pares de bases do DNA, ao longo da cadeia. Estas bases são 4 e unem-se aos pares: adenina-timina e citosina-guanina.
As bases ligam-se à pentose que, por sua vez, se liga a outra pentose por um grupo fosfato, constituindo assim uma cadeia polinucleotídica cada vez mais longa.
Nas células em repouso, as cadeias de polinucleótidos são duplas , enroladas em hélica e anti paralelas.
Têm contudo a capacidade de se replicar, por replicação semi-conservativa, dando origem a duas novas células que mantem a conservação e transmissão do património genético.
A descoberta do genoma humano foi um grande passo na evolução do conhecimento científico. Pensa-se poder vir a conhecer a causa da maioria das doenças e o seu tratamento. Mas os benefícios do conhecimento do genoma ainda está longe , porque muito ainda há para descobrir.
E, como em tudo em Ciência, também neste campo se podem correr riscos.
Por um lado, o mau uso científico e por outro, a utilização individa na sociedade.
Também os custos,que não serão acessíveis a todos, e a exploração que poderá ser feita por alguns.
É ainda de pensar duas vezes noutros riscos que virão do querer dos Homens substituirem Deus !...

                                                                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.