quinta-feira, 28 de junho de 2012

A força que vence a Deus

"A força que vence a Deus"é o título dum livro antigo com o qual esbarrei quando andava à procura, na biblioteca, dum outro de que precisava.
Não tive ocasião de ver de que tratava mas o título faz-me pensar.
Que força pode vencer Deus?
Para os homens de ciência deve ser o conhecimento, a descoberta, o avanço científico... Esquecem-se que devem a Deus a inteligência que lhes permite o avanço e a luz que os ajuda na pesquisa.
Não sabem que Ele é a Verdade e o Caminho que os conduz à finalidade desejada.
Para os artistas, a força que vence Deus deve ser a luz, a cor, a forma, a capacidade de criar. Também eles se esquecem que sem Ele, esta capacidade seria nula e a Arte deixaria de existir. Não sabem que Deus é o Bom, o Bem e o Belo.
Para o homem comum, a força da vitória deve estar no trabalho, no empenhamento, no esforço.
Tudo certo, tudo verdade, tudo terreno. Mas... e o lugar de Deus?
Parei para pensar e interroguei-me:
E para mim, qual a força que vence Deus? Qual o processo que leva Deus a aderir à nossa vontade, a fazer Seus os nossos desejos?
Acho que só há um caminho e esse chama-se Oração. Só através dela chegamos àquele "despojamento", àquela adesão fraterno-filial que leva Deus a acolher e fazer Suas as nossas aspirações.
Ele próprio disse um dia: "Pedi e dar-se-vos-á"...
E recordo a cena bíblica daquele homem que bate insistentemente à porta do amigo para lhe pedir ajuda, para as visitas que chegam fora de horas. Lembro-me como o outro começa por não querer atender, não se querer incomodar e como acaba por ceder perante a insistência do amigo.
"Batei e abrir-se-vos-á..." é também máxima do Evangelho.
É esta força da oração, baseada na Fé, que faz mover montanhas: " Se tiverdes Fé do tamanho dum grão de mostarda..."
Rezar não é pronunciar palavras feitas, dizer fórmulas decoradas, repetir frases conhecidas.
Rezar é abrir o coração para ouvir o Pai, para no silêncio, ser capaz de O encontrar, Lhe contar as nossas inquietações e alegrias, Lhe dizer dos nossos sonhos e aspirações, Lhe agradecer as Graças recebidas e a força que nos anima.
É na oração que encontramos coragem para ultrapassar as pequenas e grandes dificuldades da Vida e continuar a dizer "Bendito seja Deus!"
                                                              Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ramalhão em festa

Foi em 1996 que, num encontro informal dum grupo de professores, a nossa professora de Inglês - Maria Luiza Sabbo - deu a ideia de termos um jornal : uma folha muito simples, com um artigo formativo, algumas fotografias da vida do Colégio, notícias informativas e pouco mais.
A ideia vingou e surgiu o primeiro jornal.
Com mais ou menos frequência, maior ou menor desenvolvimento, lá foram sendo editados e distribuídos pelos alunos, que os vão levando para casa.
Os pais mais interessados vão dando uma vista de olhos e ficam a saber algumas das coisas que lhes queremos transmitir.
Ao longo dos anos, o jornal mudou de "fachada", aumentaram as informações, melhoraram as fotografias, integraram-se artigos dos alunos,  mas as edições prosseguiram com o mesmo despretensiosismo com que fora criado.
E estamos no 17º ano de publicação!
Não pretendemos ter um jornal de eleição.
Procuramos que a nossa folha informativa tenha interesse para alunos e pais e leve até eles muito do que não lhe podemos fornecer diretamente.
Foi uma grande ideia esta da Luizinha!
Mas ela teve outras ideias, igualmente importantes. Uma delas foi o "Encontro de Antigas Alunas".
A 1ª grande concentração foi nos 50 anos do Colégio, com uma reunião, muito participada.
Depois, as celebrações estenderam-se por um ano inteiro, com exposição de fotografias cedidas pelas antigas alunas, concertos, conferências, lançamento de um livro evocativo, inauguração dum Hino, etc..
Terminou com uma missa nos Jerónimos, a que compareceu "meio-mundo" entre antigas e alunas recentes, familiares e amigos. Celebrou o sr. P. Victot Feytor Pinto.

Para os 60 anos do Colégio convidámos uma comissão de antigas alunas. Eram pessoas com lugares de destaque que facilmente podiam contactar outras.
Não teve tantos eventos como nos 50 anos, mas o encontro de Maio foi muito participado.
Houve partilha no ginásio, sessão cultural e almoço

Este ano, estamos a celebrar os 70 anos do Colégio e pensamos que somos dos poucos Colégios que já atingimos esta provecta idade e nos podemos orgulhar deste tão longo percurso.
Ainda não sabemos como vamos celebrar este aniversário mas certamente vamos convidar pais, envolver alunos, convidar antigos alunos, tirar partido dos 16ha de quinta e das salas pintadas do sec.XVIII, das quais só os alunos disfrutam habitualmente.



Realmente esquecemo-nos, por força do hábito, que vivemos num palácio, que foi propriedade real; que a Biblioteca ou as salas multiusos estão instaladas em salas com frescos, todos diferentes; que o refeitório é uma "sala em forma de lanterna" pintada de alto a baixo; que possuímos a varanda mais comprida da Europa, donde podemos avistar o mar.
Para já, Temos marcada uma Missa na Igreja de S. Domingos- Lisboa, no dia 2 de Outubro, às 11h , associando-nos aos 175 anos do nascimento da nossa Madre Fundadora. A ela devemos o sermos educadoras, o procurarmos "fazer o bem sempre e onde seja possível" e pertencermos a uma Ordem que tem por Lema a VERDADE e como objetivo " dar aos outros o fruto da sua contemplação.
                                                 
                                                                    ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,o.p.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Os filhos são parecidos com os pais... porquê?

Os filhos são parecidos com os pais, porque... têm idêntica constituição genética. Mas isso...é uma longa história de pesquisas, descobertas, avanços e recuos...Uma história que levou muitos anos a escrever e ainda não está acabada.
Mas começando pelo fim...A grande descoberta, no campo da Genética, já no sec. XXI, foi a descodificação completa do genoma humano, anunciada a 13 de Abril de 2003.
Evidentemente que já antes, talvez desde 1996, se tinham feito pesquisas e conseguido descodificar algumas porções de DNA - acido desoxirribonucleico. Mesmo em 1969, quase 30 anos antes, o bioquímico J. Beakwith e a sua equipa já tinham conseguido isolar, pela 1ª vez, um gene humano.
Aliás, desde que em 1953, Watson e Crick descobriram a estrutura do DNA, o objectivo dos cientistas, qualquer que fosse a sua área, era conhecer o mecanismo e a acção deste ácido .
Mas o que é um gene?
Nem mais nem menos do que a unidade base do material genético, que define a hereditariedade, pela informação que contem.
São os genes que influenciam o funcionamento e o desenvolvimento dos órgãos e a produção das proteínas.

Os genes encontram-se nas cadeias do DNA constituintes dos cromossomas das células. No ser humano cada célula tem 23 pares, sendo um de cromossomas sexuais.
A diferença entre os vários seres, em relação ao Homem, está precisamente no número de pares de cromossomas que possuem  e na diferença do seu código genético ( sequência de genes). São também estas diferençaas  que fazem os Homens diferentes entre si.
Esta sequência é a maneira como se alinham os pares de bases do DNA, ao longo da cadeia. Estas bases são 4 e unem-se aos pares: adenina-timina e citosina-guanina.
As bases ligam-se à pentose que, por sua vez, se liga a outra pentose por um grupo fosfato, constituindo assim uma cadeia polinucleotídica cada vez mais longa.
Nas células em repouso, as cadeias de polinucleótidos são duplas , enroladas em hélica e anti paralelas.
Têm contudo a capacidade de se replicar, por replicação semi-conservativa, dando origem a duas novas células que mantem a conservação e transmissão do património genético.
A descoberta do genoma humano foi um grande passo na evolução do conhecimento científico. Pensa-se poder vir a conhecer a causa da maioria das doenças e o seu tratamento. Mas os benefícios do conhecimento do genoma ainda está longe , porque muito ainda há para descobrir.
E, como em tudo em Ciência, também neste campo se podem correr riscos.
Por um lado, o mau uso científico e por outro, a utilização individa na sociedade.
Também os custos,que não serão acessíveis a todos, e a exploração que poderá ser feita por alguns.
É ainda de pensar duas vezes noutros riscos que virão do querer dos Homens substituirem Deus !...

                                                                         Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro, o.p.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Os tempos mudam...A vida continua!

O ano escolar terminou ! As férias estão a começar! O verão vai chegar, com mais ou menos intensidade.
As famílias, que não têm tantas férias como os alunos, tentam desesperadamente ocupar ou colaborar com os filhos que estão sem ocupação.
É ainda um dia de hoje em quase tudo semelhante ao de ontem, muito embora haja gente já de férias, gente que as não pode ter e gente desempregada, infelizmente.
No entanto, tudo começa a mudar e tudo muda mesmo.
Até o tempo mudou: Ontem sorridente, depois chuvoso, agora nublado.
E depois, uma certa contradição no ambiente: alegria porque é verão, é diferente, deixa-se a rotina do habitual... mas, um certo marasmo do não ter nada que fazer, não ter tarefas para cumprir, ver amigos a partir para outros locais ou outros trabalhos...
Mas as fárias também acabam, um novo ano de trabalho vai recomeçar e novos amigos hão-de aparecer.
É assim também o ciclo da vida, feito de mudanças, de contratempos, de alegrias e tristezas.
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades..." diz o poeta.
E nem sempre é fácil ultrapassar vontades, mudanças, dificuldades e incertezas. Mas, é preciso acreditar que "nada acontece por acaso". É necessário não ter medo e seguir em frente  na certeza de que Deus não nos pede nada para além das nossas forças e de que Maria é a Mãe presente, atenta a cada uma das nossas necessidades.
Os tempos mudam... a Vida continua. E é necessário aproveitá-la. Saber que o "hoje" tem que ser melhor que o "ontem" e este, inferior ao "amanhã".
Os tempos mudam e nós mudamos também: mudamos de aspecto, de ideias, de vontades... Mudamos com o tempo e com a Graça.
Acompanhemos a mudança... aceitemos as transformações e vivamos esta Vida que se nos oferece e merece ser vivida, com Deus, em plenitude.
                                                                       Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

"Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei"

Trocando impressões sobre este tema, com um casal amigo, somos surpreendidos pela pergunta da filha de três anos: Mãe, o que é o Amor?
Perante o silêncio da mãe, resolvi intervir: Olha, querida, o Amor é Jesus...
Acho que para ela chegou, mas para mim não.
Se fosse uma aluna crescida que me fizesse a mesma pergunta, que lhe respondia?
O dicionário indica-nos como sinónimo de Amor, inclinação do coração, afecto, viva afeição que nos impele para o objecto do nosso desejo...Insatisfeita com esta definição, busco na memória recordações do meu tempo de estudante. Dum professor dominicano, já não sei de que cadeira, veio-me o conceito de Amor como manifestação da alma, com três vertentes: o amor conjugal, o paterno-filial e o amor de amizade.
Tudo verdade, mas tudo muito árido e abstracto...
Para os adultos o amor será compreensão, entendimento, partilha; para os jovens, afectividade, sexualidade, presença ; e para os amigos ,confiança, disponibilidade, diálogo.
Mas, como definir Amor? Como arranjar uma fórmula que englobe tudo isto e não só ?
Talvez debruçarmo-nos sobre a Sagrada Escritura... Lá veremos que Deus é Amor. E por Amor, Ele deu-se-nos, fez-nos Seus filhos e deu-nos o Seu Filho...
Então, Amor é, antes de tudo, Dom.
Amor é aceitação de todos ,mesmo dos inimigos; é estender a mão aos que nos fazem mal; é perdoar aos que nos ofendem.
Mas temos que concordar que não é fácil!... Mas também ninguem disse que era fácil seguir Jesus...
O facto é que, se queremos um Amor verdadeiro, temos que mergulhar no Amor de Deus.
Ele confia em nós, Ele quer contar connosco.
Deus  "precisa" de nós, das nossas mãos, dos nossos olhos, da nossa palavra, da nossa vontade, para realizar a Sua Vontade.
Quando estamos assim, de coração aberto, capazes de aceitar tudo e todos, disponíveis para o que Deus quer de nós, então, sim! teremos encontrado a definição para o Amor.
                                                            
                                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro



terça-feira, 19 de junho de 2012

Miminhos do Ramalhão

Argolinhas


Ingredientes:                                                                  
1Kg de farinha
500g de açucar
300g de margarina
2,5dl de leite
1 colher de chá de fermento Royal
raspa de limão / um pouco de canela

Preparação:
Deita-se a farinha numa bacia, mistura-se o fermento, a canela e a raspa  de limão.
Faz-se uma cova no meio da farinha e deita-se o açucar.
Derrete-se a margarina, mistura-se-lhe o leite, deixa-se arrefecer até estar só morno, e deita-se em cima do açucar.
Amassa-se só com a mão aberta até envolver a farinha toda mas sem amassar muito.
Tendem-se as argolinhas, colocam-se num tabuleiro, pegando só nas pontas e leva-se ao forno até alourar.


       Suspiros

      Ingredientes:
      3 claras de ovo
      280 gr de açucar

      Preparação:
      Juntam-se as claras com o açucar e mexe-se até ficar um caldo  
      homogéneo.
Leva-se esse caldo ao lume em banho-Maria durante 15m
Depois, tira-se do lume e bate-se a mistura ainda quente até que tenha a consistência necessária para não  cair da colher.
Prepara-se então um tabuleiro com papel manteiga (ou de alumínio) e com uma colher (ou saco pasteleiro) vão-se colocando os suspiros.
Leva-se o tabuleiro ao forno até os suspiros estarem levemente dourados.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Ser freira: porquê e para quê

Muitas vezes as minhas alunas me perguntam porque vim para freira e porque escolhi ser Dominicana.
Para ser sincera, à 1ª questão nem sei bem como responder. Acho que tenho sempre utilizado os "lugares comuns" que habitualmente servem nestas ocasiões: gostar de "servir", responder ao apelo, sentir-se realizada, etc.,etc..
 A 2ª pergunta é mais simples de responder. Sou Dominicana porque foram as únicas Irmãs que não me tentaram seduzir nem fizeram nada para que as escolhesse. Outras Instituições Religiosas que conheci, tentaram sempre mostrar-me que era por ali o meu caminho. Então, talvez como reação, à maneira de José Régio, "nunca fui por ali". E cá estou, Dominicana, há mais de cinco décadas.
Mas, voltemos ao princípio, ao momento em que pensei deixar uma família feliz, uma vida universitária, uma roda de amigos, uma série de actividades úteis e que me realizavam.
Tinha 18 anos!...
Conheci, por acaso, as Irmãs do Hospital da Parede. Eram enfermeiras, uma actividade que nada trinha de comum comigo, que estava a estudar Biologia para ser professora. Encantou-me a alegria das Irmãs, a felicidade que manifestavam, o carinho para com os doentes, a simpatia com que me acolhiam. Espantou-me a sua abertura, a capacidade de encarar situações , de tratar de todos os assuntos, de ultrapassar todos os problemas. Entusiasmei-me com o carisma da Ordem, com o interesse que as Irmãs mostravam pelo Ofício Divino, com a simplicidade com que encaravam as dificuldades inerentes à sua condição, com a colaboração que prestavam umas às outras.
Consciente ou inconscientemente, senti o apelo que Jesus fez ao jovem rico : Queres?
E respondi: Sim!...
Deixei tudo e vim, sem olhar para trás.
Ser freira (eis a resposta...) é isso tudo que as Irmãs da Parede me mostraram e é trocar uma família por outra família; uma vida por outra bem diferente. É fazer, livremente, sintonia com a vontade dos outros e aceitar "carregar o fardo dos Irmãos".
É , alegremente, partilhar o que se tem e receber o que se precisa; é dar-se com entusiasmo ao trabalho e aprender a rezar de alma e coração livres.
Ser freira é ser pobre de bens materiais mas rica em graça e em felicidade.
É começar cada dia com entusiasmo e chegar à noite e dar ao Pai o bem que se fez ou o mal que se praticou.
O silêncio, a oração, a partilha, a fraternidade,o estudo, são pilares em que assenta a Vida Religiosa Dominicana e que contribuem para a felicidade que dela emana.
Sou freira há 55 anos e continuo a não me arrepender daquele dia distante em que deixei tudo e vim.