domingo, 17 de junho de 2012

O silêncio da Verdade

É meia noite! uma noite calma, tranquila, dum fim de dia em que estou feliz, sossegada, disponível para pensar.
Lá fora, nem o mais leve ruído...
Lembro-me dos versos de Augusto Gil : "... nem uma agulha bolia na quieta melancolia dos pinheiros do caminho..."
Da minha janela, não vejo pinheiros e o "caminho" é a estrada do Estoril... Mas não importa a falta de semelhança. A associação vem desta quietude e deste silêncio que me rodeia.
É um silêncio exterior que nos envolve e cria um clima de tranquilidade e reflexão. E convida-nos a pensar... a pensar noutros silêncios que não são antónimo de palavras mas antes opções livres e tomadas pessoais de posição.
É o silêncio perante uma justificação que não damos, uma explicação que não tentamos, uma desculpa que não apresentamos.
A Verdade é sempre maior que a justificação, a explicação ou a desculpa.A Verdade não precisa de palavras para se apresentar porque ela, simplesmente, é.
Mas, há outra forma de silêncio que gera paz, que traz tranquilidade e equilibra o ambiente. È quando calamos perante a injustiça; quando não geramos discussão; quando acolhemos e ouvimos os amigos ( e os menos amigos ), mesmo à custa do nosso tempo e dum esforço imenso de caridade.
Uma e outra forma de silêncio são motoras e fruto dum outro silêncio, o silêncio interior,que é paz, tranquilidade, alegria, amor; que é relação com Deus e presença de Cristo nas nossas vidas; que é Esperança, Fé e Caridade, dons que recebemos no Baptismo.
Este silêncio , que nos deve encher e estar sempre presente, é o reflexo que nos vem de Maria e Jesus.
Uma e Outro, falaram quando era preciso ensinar, dar o exemplo, testenunhar. E falaram, mais com a acção do que com a palavra.
Maria quis calar-se diante de José, da família, da sociedade da época; Jesus não respondeu a Pilatos nem aos que O insultavam.

Os factos falaram mais do que as palavras e a Verdade, que é Jesus Cristo (Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida), torna-se presente, para sublinhar as nossas verdades.
Saibamos nós também usar a palavra para testemunhar o Bem e fazer silêncio quando ele pode falar por nós.
                                                Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Ramalhão: o ontem e o hoje

O Colégio do Ramalhão está a festejar os seus 70 anos de existência. Abriu as suas portas a 15 de Outubro de 1942 como internato para meninas e continua a sua missão ao serviço da educação da juventude.
Mas, quem passa hoje pelo seu portão, ( a menos que seja um apaixonado pela História ), está longe de imaginar que este espaço, no sec. XV, era ocupado
por um "monte maninho e bravio". Menos ainda sabe que foi El-Rei D. Afonso V quem o doou, como foral, a Dioga Gomes, almoxarife da Vila de Sintra, para que o tornasse "terra de pão".
Mas se a história do Ramalhão começa com Diogo Gomes, não acaba aqui. Muito aconteceu, de vendas, de compras, de vicissitudes e de "bons tempos", durante os seis séculos que se seguiram.
Ainda no sec. XVI, que se saiba de certeza, o 2º proprietário do casal do Ramalhão foi o Hospital do Espírito Santo que o aforou a Fernando Eanes Canaval com a obrigação dele construir uma casa no espaço do casal. E "ele fê-lo e depressa..." Foi a 1ª construção conhecida no local.
Entretanto, D. João III doou à Misericórdia de Sintra todos os bens do Hospital e recomeçaram as compras e vendas. Aliás, não eram simples as situações com forais...
Finalmente, no sec. XVIII, Luis Garcia de Bivar comprou o casal do Ramalhão e terrenos anexos e mandou construir o actual edifício, para sua residência de Verão. Para abastecer a casa de água, mandou ainda construir o aqueduto que liga o Ramalhão ao "chão de cavalo", na serra.
Infelizmente, problemas financeiros fazem com que, mais uma vez, o palácio seja vendido e comprado, várias vezes.
Só se torna realmente conhecido quando, no sec. XIX, é adquirido pela Coroa Portuguesa e se torna local de desterro da Rainha Carlota Joaquina. Mas já no sec. XX, era proprietário o Dr. Albano Guedes Moutinho que o vende às Irmãs Dominicanas que aqui instalam a Casa Generalícia da Congregação e um internato para meninas.
Transformara salões de baile em salas de estudo e de estar, a "floresta" em refeitório, tornaran o andar térreo em zona habitável, construiram um pavilhão de aulas e iniciaram o trabalho como educadoras de jovens.

Mas o Colégio também conheceu momentos de glória e períodos de preocupação. Por ele passou uma guerra e uma revolução...Assistiu a mudanças de regimen e alterações de programas... Sofreu reformas educativas e exigências de estruturas ... Mas, no meio de tudo, não perdeu a sua identidade, não esqueceu o seu objetivo: a formação integral dos alunos.
Apesar das dificuldades e contra correntes, o Ramalhão mantem-se firme na Esperança, com a confiança e certeza de S. José e a Verdade e Alegria de S. Domingos.
                                                                             Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O sermão da Esperança

Abri por acaso o Evangelho de S. Mateus e os olhos caíram-me no sermão da montanha:
                                 Bem-aventurados os pobres...
                                 Bem-aventurados os que têm fome...
                                 Bem-aventurados os perseguidos...
                                 Bem aventurados os que choram...
                                                          ...
Li e fiquei a pensar nesta espécie de contradição apresentada por Jesus aos discípulos:
Felizes todos aqueles que humanamente seriam considerados infelizes; Felizes aqueles que só têm razões para se lamentarem; felizes os infelizes do mundo...
Então, lembrei-me duma homilia que ouvi a respeito deste Sermão da Montanha que termina com a frase: Exultai e alegrai-vos porque grande será a vossa recompensa no céu.
É que, se vivemos com Jesus para Deus, tudo o que acontece na Terra é simplesmente uma caminhada que nos leva até Ele.
Por isso, este Sermão da Montanha, é como um Hino ao optimismo,
um convite à Esperança, um incentivo à vida com Deus, na certeza que Ele é Pai e olha com amor para as nossas dificuldades e incertezas.
Bem-aventurados...Felizes somos se acreditamos...se nos deixarmos conduzir pelo amor, pela alegria, pela certeza de que "nada acontece por acaso", porque Deus está connosco.
Nestes momentos difíceis em que só se fala de "crise", de austeridade, de dificuldades, há que não nos deixarmos abater; há que acreditar no Pai que olha pelos Seus filhos e não lhes pede nada para além das suas forças; há que pôr toda a nossa esperança em Jesus Cristo e acreditar, com todo o nosso entusiasmo, que será grande a nossa recompensa. Nós só temos que fazer a nossa parte, aceitar ser pobre, ter fome, chorar... segundo o Evangelho, porque "Felizes seremos se acreditarmos".

                                                                     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro






domingo, 10 de junho de 2012

A criança, o jovem e...os pais

Estamos a viver numa sociedade em que os pais substituem facilmente a sua presença junto dos filhos pelos presentes solicitados por eles constantemente e por licenças às vezes sem critério.
No desejo de tudo ter para dar aos filhos, trabalham demasiado, estão ausentes demasiado tempo, não conseguem acompanhar as crianças e os jovens no seu desenvolvimento e nos seus anseios, nas suas experiências e inquietaçôes.Para os compensarem, desdobram-se em condescendências e omitem a palavra Não do seu vocabulário. Mas, se os filhos pudessem dar-lhes o seu parecer, seriam os primeiros a dizer que estão enganados; que é aos pais que compete ajudar os mais novos a distinguir o Bem do Mal e que é o testemunho dos Pais que vai levar os Filhos a distinguir a Verdade do que o não é.
As próprias crianças têm consciência que muitas das suas exigências são simples tentativas de verem até onde podem ir no suborno da família. Os adolescentes sabem bem que as suas atitudes chocantes ou de revolta são simples chamadas de atenção para que os adultos se apercebam, sem palavras, que eles estão ali e precisam de ajuda.
Se pudessem dar a sua opinião, crianças e adolescentes, aconselhariam os pais a não serem tão flexíveis e transigentes; pedir-lhes-iam para não dizerem sempre Sim às suas solicitações , a não concordarem facilmente com as suas exigências e teimosias.
Solicitariam a atenção dos pais para as suas dificuldades e ignorâncias mas ao mesmo tempo diriam que não gostavam de ser demasiado controlados para poderem fazer as suas experiências e aprender com os seus erros.
Aconselhariam os pais a castigá-los sempre que erram mas a fazê-lo com carinho e explicando a razão das suas atitudes.
Mostrariam aos pais que estavam a crescer e gostariam de ser tratados como adolescentes e jovens que têm uma personalidade em formação e um carácter a desenvolver. Pediriam ainda, finalmente, que, acontecesse o que acontecesse, os pais não desistissem nunca de ajudar à sua educação e de acreditarem  que, no amanhã,  haverá frutos do esforço feito hoje. (Conf. Cruzada- Out. 2011)

 Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Os mortos passam depressa

Os mortos passam depressa

Na semana passada, duas mortes trágicas e súbitas: uma, uma figura pública; outra, uma velhinha sem família que costumava ir pedir a casa dos meus pais.
Sem querer, lembrei-me duma composição que tinha tido que fazer quando tinha 14 anos e andava no 5º ano do liceu (actual 9ºano): “Os mortos passam depressa”.
Na altura, recordo, tive duas posições contraditórias: por um lado, escrevi que sim, que a recordação dos que partem vai-se atenuando com o tempo e acaba em simples lembrança dum passado cada vez mais longínquo. Mas, ao mesmo tempo, acrescentei, e “aqueles que por actos valorosos se vão da lei da morte libertando”, como os podemos esquecer? Como não recordar Camões, o Infante D. Henrique ou S. Domingos?...
Não sei como terminei a composição mas tenho a certeza que, se fosse hoje, teria um outro comentário a fazer. É que, os que partem, na graça de Deus, são os que podem ser eternamente lembrados, porque eternamente ficam junto do Pai, na Sua glória.
A Vida, é a passagem transitória em que vamos pondo à prova os dons com que Deus nos presenteou, em que vamos gozando a alegria de sermos filhos do Pai, em que lutamos para corresponder ao Seu convite e ao seu Amor. Depois, é o para sempre, o gozo eterno, a recompensa do Bem que praticámos.

Os mortos não passam depressa. Ficam na lembrança dos que os amam e permanecem na eternidade com o Pai que nunca deixou de os amar.

                                                              
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro

terça-feira, 5 de junho de 2012

Mistérios Dolorosos do Rosário

Meditar nos Mistérios Dolorosos do Rosário é sempre algo que inquieta pelo que eles representam de sentimentos dolorosos e contraditórios.
Logo no 1º Mistério temos um Deus feito Homem que, como homem, se retrai ao enfrentar a perspetiva do sofrimento: "Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice", mas ao mesmo tempo, num dom imenso de Amor, de generosidade, de obediência, exclama: "Que se faça a Tua vontade e não a minha".
E a Vontade do Pai é um somatório desmesurado de angústia,humilhação e sofrimento.
E porquê? E para quê? A humanidade não podia ser salva sem que o Filho de Deus tivesse de passar por tudo isso?
Mas era este o plano de Deus, porque ele queria dar-nos o exemplo de doação e Amor; queria dizer-nos, positivamento, que nada do que nos possa acontecer se assemelha à dádiva que o Senhor nos fez e sofreu por nós; queria convidar-nos a, como Jesus, dizermos o nosso Sim, mesmo quando custa ou exatamente porque custa.
"Aquele que ama dá a vida pelos amigos..."
Continuando na meditação dos Mistérios chegamos ao 4º e temos uma surpresa : é o Cireneu que chega para ajudar a levar a cruz... é a Verónica, que num gesto de carinho e compaixão, enxuga o rosto de Jesus.
Paremos para pensar em nós. Não será que também na nossa vida houve Cireneus que nos quizeram ajudar e Verónicas que desejaram exprimir a sua amizade e compreensão? Não é verdade que o nosso orgulho nos fechou, muitas vezes, sobre nós mesmos, não querendo o apoio nem a amizade de ninguém? Não será certo que muitas vezes preferimos ficar encerrados em nós, na nossa dor, a aceitar a ajuda e o apoio dos amigos?
Mais uma vez, ao meditar nestes mistérios, tenho que tentar compreender as lições de humildade, de oferta, de Amor, a que eles me convidam e procurar segui-las.
                                                                           
                                                                                     Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro    

sábado, 2 de junho de 2012

Mendel o "Pai da Genética"

Embora a Genética seja uma Ciência de imenso interese e actualidade, os seus primórdios datam apenas da segunda metade do sec.XIX qundo Gregor Mendel tirou conclusões dos seus trabalhos com ervilhas - Pisum sativum -. Mendel era um desconhecido monge austríaco vivendo num convento duma também quase desconhecida povoação da Austria.
As suas conclusões àcerca do aparecimento ou não das características dos progenitores na descendência e o modo como se fazia esta transmissão, havia de revolucionar o mundo da Ciência e manterem-se válidas até hoje.
E ao pensar nisso, pergunto-me se seria apenas acaso, coincidência ou sorte que teriam levado aquele monge a ter tais dislumbres de inspiração... 
Do seu trabalho constava a hibridação artificial, o que não era facto inédito.O que foi singular foi Mendel ter estudado uma característica de cada vez, ter utilizado método científico para analisar as experiências, contar  e classificar as ervilhas resultantes dos cruzamentos e comparar matematicamente os resultados, formulando hipóteses explicativas para as excepções. Daí resultaram as suas 3 Leis em que definiu a razão e proporção das características na descendência.
Mas os seus trabalhos passaram despercebidos e as suas leis ignoradas. Só em 1900, 35 anos depois de ter concluído os seus trabalhos, 3 botânicos conhecidos: Hugo de Vries (Holanda), Carl Correns (Alemanha) e Eric von Tschermark (Austria) descobriram a importância das Leis de Mendel. Talvez porque nessa época se desconhecia quase tudo sobre a célula e a sua constituição...E,só em 1905, William Bateson designou por "alelos" os "factores" de Mendel que controlam as diferentes características do indivíduo e sua transmissão às gerações seguintes.
Mas a grande evolução veio com a noção de "gene" como porção dum cromossoma  e, mais tarde, com o conhecimento e estrutura do DNA, do seu emparelhamento e replicação, o que se deve a Avery
Finalmente, as grandes novidades foram a decifração do código genético e a apresentação do Mapa cromossómico humano.
Descobertas muito úteis para a Ciência. Mas até onde nos podem elas levar se nos esquecermos do lugar de Deus e do Seu papel nas nossas capacidades e dons?!...
                         
Ir.Teresa de Carvalho Ribeiro ( Bibliografia: Principles of genetics-Gardner e Smustad )